Zero Waste Grocery Shopping

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Na Nova Zelândia há uma cadeia de lojas de venda de produtos a granel chamada Bin Inn. Para além de oferecer uma grande variedade de produtos difíceis de encontrar num supermercado normal, tem, quanto a mim, uma enorme vantagem: as pessoas que frequentam a loja são encorajadas a usar os seus próprios recipientes.

Ao longo dos anos tenho comprado um número considerável de frascos de vidro em lojas de caridade, que uso para tudo e mais alguma coisa. São estes os frascos que levo ao Bin Inn. Quando chego, a dona da loja pesa os meus frascos e anota os pesos na parte de baixo de cada frasco. No fim, depois de os frascos estarem cheios, volta a pesá-los e subtrai o peso inicial. Eu venho para casa com as compras já arrumadas e a sentir um grande alívio por ter evitado usar embalagens que rapidamente acabariam no lixo.

Esta maneira de fazer compras é muito tradicional mas também está totalmente na ordem do dia. Integra-se no movimento “lixo zero”, para o qual acordei quando há uns anos li o livro da Bea Johnson, Zero Waste Home. Se não tiverem lido o livro e quiserem ouvir a Bea a falar sobre as suas convicções, espreitem este episódio do The Slow Home Podcast.

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In New Zealand there’s a chain of bulk grocery stores called Bin Inn. In addition to offering a wide range of wholefoods and speciality ingredients that are usually hard to find in a normal supermarket, it has another great thing going for it: its customers are encourage to shop using their own containers.

Throughout the years I’ve amassed a good collection of glass jars from charity shops. I use these jars for anything and everything, and these are the jars I take to Bin Inn. Upon arrival, the shop owner weighs my jars and writes down the weight underneath each jar. When I’m done with my shopping, she weighs them again and subtracts the inicial weight. I come home with all my groceries already put away in their respective containers, feeling relieved I avoided food packaging that would quickly end up in my rubbish bin.

This is both a very traditional, old-school way to shop and a very of-the-moment thing. It’s completely in line with the “zero waste” movement, a movement I first heard about through Bea Johnson’s Zero Waste Home book. If you haven’t read it and want to hear Bea talk about her way of life, you can listen to this episode of The Slow Home Podcast.

Hand-Painted Fabric aka The Lipstick Cushion

handpainted-cushion-cover

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Na noite em que estampei aquele tecido com uma batata, usei essa mesma tinta para pintar outra capa de almofada. Inspirada novamente por um tecido da Rebecca Atwood, diluí bastante a tinta com água e usei um pincel grosso de aguarela para fazer estas marcas no pano (ainda aquele lençol antigo de linho grosso… vou ter muita pena quando ele tiver sido todo usado).

Agora que olho para esta fotografia, só consigo pensar em baton. Apesar de não ter sido essa a intenção, a verdade é que, quando misturei a tinta (usei um bocado de tinta encarnada e um bocado de cor-de-rosa fuchsia), tentei aproximar-me do tom de baton que a minha avó mais usava… e acabei por fazer uma interpretação bastante literal desse meu ponto de partida.

Tenho recebido algumas perguntas em relação ao tipo de tinta que uso para estampar tecidos (e aproveito para pedir desculpa por não estar a conseguir responder a todos os comentários… esta história de escrever um post por dia tem muito que se lhe diga). Até agora ainda só usei dois tipos de tinta: 1-tinta para têxteis; 2- tinta acrílica misturada com um aditivo têxtil (em inglês chama-se “fabric medium”… não sei ao certo o nome em português). Na semana passada comprei outro tipo de tinta que ainda não experimentei: “screen-printing ink” (mais uma vez, não sei se em português haverá um termo específico para “ink”… algo mais específico do que simplesmente “tinta”). Também há que use “dyes” (tinturas? corantes?) e lhes adicione um espessante para transformar essa “dye” numa pasta que possa ser utilizada para estamparia têxtil (estou cheia de vontade de enveredar por aqui um dia).

Ouçam, estou longe de ser especialista nesta matéria — estou a aprender fazendo e tenho-me divertido imenso. Encorajo-vos a experimentar estampar umas coisas!

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On the night I stamped that fabric with a potato I also painted another cushion cover. Inspired by this Rebecca Atwood fabric, I watered down the paint and used a thick watercolour brush to make these marks on the cloth (I used that antique coarse linen sheet I love so much… I’m going to be sad when it’s finished).

When I see this cushion I can only think of lipstick. I did think of the colour of my granny’s lipstick when I mixed up the paints (a red and a fuchsia) but now, looking at this photo, I realise that the inspiration came out in a very literal way. 

I’ve been getting a few comments regarding the type of paint I use to print fabrics (and I’m sorry I haven’t been replying to every single comment but this daily posting challenge takes up so much time). Up until now I’ve only used two types of paint: 1- fabric paint; 2- acrylic paint to which I’ve added some textile medium. Last week I bought some screen-printing ink but I haven’t used it yet so I can’t comment on it. Some people even thicken up dyes with a specific print paste (I’m really eager to give that a try one day).

Look, I’m far from being an expert in this field — I’m learning as I go and I’m having so much fun. I encourage you to just tryout a few things and see what you like!

 

Upcycled Embroidered Lavender Bags

picking lavendermaking lavender bags with kidsmaking lavender bags with kids

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Muitos dos bordados antigos neozelandeses que compro nas lojas de caridade estão em mau estado: têm rasgões, partes desfeitas ou nódoas impossíveis de tirar. Esses panos são candidatos ideais para serem cortados e transformados em saquinhos de alfazema.

Acho que nunca me cansarei de fazer estes pequenos sacos. São tão fáceis, tão rápidos e tão úteis, a meu ver. São também presentes simpáticos para todo o tipo de pessoas. Afinal, quem não gosta de ter a roupa a cheirar a alfazema?

Neste nosso jardim temos muitos arbustos de alfazema e este ano a colheita foi feita com os meus pequenos ajudantes. Umas semanas mais tarde, quando a alfazema já estava seca, também quiseram participar no processo de encher os saquinhos.

Gosto de pensar na viagem destes pequenos objectos. Bordados à mão há uma série de anos, agora estão a ser postos de novo a uso pela nova geração. Pensar nisto faz-me feliz!

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Some of the vintage embroidered linens I buy in charity shops are in bad condition: they’ve got tears, parts of the embroidered motifs have become unstitched or they’ve got stains that are impossible to remove. Those linens make the best candidates for upcycling — I especially enjoy cutting them and turning them into lavender sachets.

I don’t think I’ll ever get tired of making these little scented bags. They’re so easy and quick to make, so useful and satisfying. They also make lovely gifts for all sorts of people. I mean, who doesn’t enjoy having their clothes smelling of lavender?

In our garden we’ve got several lavender bushes and this year my little helpers participated in the harvest. A few weeks later, once the lavender had dried, they also insisted on helping me fill up the little sachets. 

I love thinking about the journey of these small objects. Embroidered by hand so many years ago, they’re now being put to use again by the new generation. This makes me genuinely happy!

My Eco Dolls — and the Eternal Question of Pricing Handmade Goods

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Ando a preparar a minha participação no Artists Open Studios em Whanganui e tenho cabeça (e as mãos) cheia de bonecas. De bonecas e de sentimentos algo contraditórios em relação a esta actividade de fazer bonecas para vender.

Adoro estas bonecas. Chamo-lhes “eco dolls” porque são feitas com materiais naturais e quase todos os tecidos são reciclados. Uso panos antigos, algodões vintage, fazendas de caxemira, enchimento em pura lã de merino. Coso-as com dedicação e empenho e esforço-me ao máximo para que fiquem bem feitas. Acabam sempre com uma ou outra pequena imperfeição, mas isso é inerente a qualquer produto feito à mão. Ficam com um tamanho que considero óptimo: são bonecas grandes e com um certo peso, são substanciais. A meu ver, são bonecas com alma.

Mas estas bonecas demoram muito tempo a fazer. Diria quase que demoram demasiado tempo. Demasiado tempo para serem rentáveis, muito sinceramente. E aqui entramos no complicado assunto de definir o valor monetário de um objecto feito à mão. Sim, há formulas para calcular isto, mas serão realistas? Ou exequíveis? Tudo depende do mercado a que o produto se destine. Já vi bonecas deste género serem vendidas por $30, $100, $300, $1000. Eu própria ainda não consegui definir um preço para as minhas com o qual me sinta confortável.

Enfim. Este assunto daria para muitas horas de discussão e eu hoje não me sinto particularmente eloquente. É um tema delicado, que toca em questões complexas: questões sociais, económicas, feministas, históricas. Hoje fico-me por aqui, mas sei que este assunto continuará a ocupar a minha mente. Como sempre, os vossos comentários são muito bem-vindos!

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I’m going to take part in Whanganui’s Artists Open Studios and my mind (and my hands) has been occupied with dolls. With dolls and with some mixed feelings about making dolls to sell.

I love these dolls. I call them “eco dolls” because they’re made with natural materials, most of them upcycled. I use old textiles, vintage cottons, cashmere fabrics and merino wool stuffing. I stitch them with care and I don’t cut corners. They inevitably end up with some minor imperfections but that’s all part of a handmade product. I love that they’re big dolls, with some weight to them — they feel substancial. As I see them, they’re dolls with soul.

But these dolls take so long to make. I’d go so far as to say that they take almost too long. Too long to be profitable, anyway. And here we enter the very sticky subject of pricing handmade goods. Yes, there are formulas out there for this, but are they realistic? Or even doable? It all depends on one’s target audience. I’ve seen handmade dolls being sold for $30, $100, $300, $1000. I personally have yet to come up with a price that makes me feel comfortable.

Oh well. This is one of those subjects that we could discuss for hours on end and I’m not feeling very articulate today. It’s a delicate theme that deals with so many complex questions: social, economic, feminist and historic ones. I’ll going to end this post now but I know this whole subject will continue to occupy my thoughts. As always, your comments are very welcome!

Upcycled coffee table

recycled sari woven rug

upholstering a coffee table with an recycled sari woven rug

upholstering a coffee table with an recycled sari woven rug

upholstering a coffee table with an recycled sari woven rug

coffee table upholstered with a recycled sari woven rug

coffee table upholstered with an recycled sari woven rug

coffee table upholstered with a recycled sari woven rug

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O título alternativo deste post poderia ser “reciclagem³”. Esta é a história de uma mesa de escola que já foi mesa de entrada e que agora é mesa de café, e de uns quantos saris indianos que foram transformados em tapete e que agora estão a cobrir uma mesa de café numa sala da Nova Zelândia.

Bem, vamos por partes. Há uns tempos encontrei na biblioteca um livro francamente giro (que estou a pensar comprar) chamado Take a Seat. Um dos projectos desse livro é a transformação de uma antiga mesa de escola numa mesa de café estofada. Dei um salto quando vi com a atenção a mesa em questão (vejam-na aqui) — então não é que tenho uma mesa igualzinha, que ainda por cima não está a ser usada (aqui na nossa entrada em Inglaterra)? E não é que ando há que tempos a tentar descobrir uma maneira económica de fazer uma mesa de café estofada para a nossa sala?

Uma semana depois de ter requisitado o dito livro, estou em Auckland com o Tiago, numa pop-up shop cheia de tecidos indianos. Dobrados num canto estão cinco ou seis tapetes feitos de saris reciclados… cheios de cor, textura, completamente diferentes de tudo o que tenho visto ultimamente… e surpreendentemente baratos! E ocorre-me que um dos tapetes seria ideal para cobrir a tal mesa de café que vi no livro, já que não tenho um daqueles cobertores galeses nem nada que se assemelhe…

De volta a casa, peço ao Tiago que corte as pernas à mesa. Vou à cidade comprar a espuma. Chego a casa e acho a espuma demasiado grossa; na semana seguinte, volto à loja e peço aos senhores que lhe retirem 5cm de espessura (o livro especifica espuma com 15cm de espessura mas preferi 10cm). Colo a espuma ao tampo da mesa, cubro-a com um lençol velho e agrafo a toda a volta. Visto que o tapete foi feito num tear manual, antes de cortá-lo chuleio a toda a volta a parte que vou querer utilizar. Marco os cantos e coso-os à máquina (as instruções dizem para só os cortar depois de prender o tecido e só então fazer o acabamento à mão, in situ, mas no caso deste tapete isso seria impossível). Finalmente agrafo o tapete à mesa e colo uma fita para esconder os agrafos (quem tem o meu livro reconhecerá esta fita: foi a mesma que usei no blazer reciclado).

Estou muito contente com o resultado! Obrigada, Jemima, pela ideia. Viva o DIY!

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An alternative title for this blog post could be “recycling³”. This is the story of an old school desk which used to be my hallway table and is now my coffee table. Another main character of this story is a number of Indian saris that were hand-woven into a rug and that ended up covering a coffee table in a sitting room in New Zealand.

Ok, let me recount this step by step. A while ago I found a great book at the library (in fact it’s so good I’m thinking of buying myself a copy). The title is Take a Seat and one of the projects is about turning an old school desk into an upholstered footstool/coffee table. I jumped when I saw the table that’s used in the book (this one) — I’ve got the exact same one (it used to be our hallway table in England) and it’s not being used at the moment! And can you believe that for months now I’ve been trying to find a thrifty way to make an upholstered coffee table for our sitting room?

A week after I borrowed the book from the library, Tiago and I were up in Auckland in a pop-up shop filled to the brim with Indian textiles. In a corner I spotted a bunch of folded rugs made from recycled saris… full of colour, texture, quite unique and surprisingly cheap! It suddenly occurred to me that one of them would make the ideal cover for that coffee table I’d been dreaming about, since I don’t own a vintage Welsh blanket nor nothing of the sort…

Back home, I asked Tiago to cut down the table’s legs for me. I went to town to get the required piece of foam. When I got home I found the foam to be a little too thick, so the following week I went back to the foam shop and asked the very nice guys to shave 5cm off it (the book specifies a thickness of 15cm but 10cm ended up working out better for me). I glued the foam on the table top, covered it with an old sheet and stapled it all around. Given that the rug was hand-loomed, before cutting it I zigzagged the part I wanted to use, otherwise the whole rug would have come apart. I also machine sewed the corners prior to cutting them for the same reason (the instructions tell you to hand-finish the corners in situ but in my case that wouldn’t have worked). Finally I stapled the rug to the table and glued a piece of ribbon in order to cover the staples and the raw edges (if you have my book you might recognise this ribbon: it’s the one I used on the recycled tweed blazer).

I’m really pleased with how this whole operation tuned out. Thank you for the brilliant idea, Jemima! Long live DIY!

New from Old

doll dress made with antique embroidery

doll dress made with antique embroidery Constanca Cabral

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Nada me dá mais gozo do que andar à caça de panos antigos e depois transformá-los em peças novas. Ontem finalmente acabei uma boneca que estava prometida há uns tempos para uma menina querida em Portugal. Para além de vestidos, capas e outros acessórios, todas as bonecas precisam de roupa de dormir, não vos parece? Descobri nas minhas malas de tecidos antigos este pequeno pano bordado e pareceu-me perfeito para ser transformado numa camisa de noite em miniatura. A gaze é tão fininha e tão frágil que cosi tudo à mão… demorou umas horas mas acho que valeu a pena. Para a semana mostro-vos mais umas fotografias da boneca. Bom fim-de-semana!

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There’s nothing I love more than to hunt for old materials and then give them a new life. Yesterday I finally finished a doll that I promised to a darling little girl in Portugal. In addition to dresses, capes and other accessories, every doll needs night clothes, don’t you agree? In the depths of my linen suitcases I found this small embroidered tray cloth and I immediately thought it would make a perfect miniature nightie. The fabric is so fine and so frail that I had to hand-sewed everything… it took a few hours but I think the result is totally worth the effort. Next week I’ll show you a few more pictures of this doll. Have a great weekend!

 

Making the functional beautiful

using a vintage saucer as a soap dishfoolproof Portuguese Caramel Flan recipe by Constanca Cabral — in English and Portuguesequince paste (marmelada) by Constanca Cabral

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O que é que todas estas imagens têm em comum? Loiça antiga comprada em feiras da ladra e lojas de caridade!

Admito que não sou (e não me parece que alguma vez virei a ser) uma pessoa totalmente desapegada das coisas materiais. Não é que lhes confira um valor desmedido, ou que goste de acumular só por acumular… não é isso. É, sim, um desejo profundo de rodear-me de objectos que, para além de funcionais, sejam também esteticamente apelativos. Para mim, é importante que a minha casa reflita os meus gostos e as minhas vivências. Os objectos que povoam os nossos dias não são apenas coisas. Não são apenas cacos. Acompanham os nossos rituais diários, são companheiros de viagem. Como tal, merecem a nossa consideração.

Sou especialmente parcial a objectos antigos, porque tudo neles me encanta e me transporta: o toque, as cores, os padrões, a forma, as memórias, as histórias. De entre todas as velharias e antiguidades que ainda circulam por lojas e mercados de segunda mão, há três categorias a que não consigo resistir: livros, panos e loiças. Também gosto de móveis, mas convenhamos que não se compra mobília com a mesma ligeireza com que se compra um prato, um livro ou uma toalha… Os objectos antigos não são anónimos. Fazem parte de um ciclo: passado, presente, futuro. Hoje são nossos, mas já pertenceram a alguém e, futuramente (se não se estragarem entretanto), habitarão a vida de outra pessoa. Contam-nos histórias de quem os produziu e de quem os comprou. Através deles podemos vislumbrar os gostos de uma certa época, até as aspirações de um determinado povo.

Voltando à loiça antiga: nem toda ela tem de ser reverenciada e guardada em armários com portas de vidro. Estas peças que vou comprando foram concebidas como objectos de uso quotidiano, e é assim mesmo que as encaro. Tenho cuidado com elas, claro, e tento que os meus filhos aprendam a tratar destas coisas com delicadeza, mas prefiro pô-las a uso, mesmo correndo o risco de perder algumas, do que mantê-las guardadas e não tirar qualquer partido delas.

Beber um café num copo de plástico é o mesmo que bebê-lo numa chávena antiga de porcelana? A meu ver, não. Acho que o receptáculo que usamos tem o potencial de aumentar o diminuir o prazer que tiramos do acto de beber o tal café.

Sei que já escrevi isto vezes sem conta, mas acredito mesmo que, se nos rodearmos apenas de coisas que deleitem os nossos sentidos, o quotidiano torna-se muito mais agradável. Ao escolhermos cuidadosamente os nossos objectos domésticos, aquilo que era apenas mundano passa a ser personalizado e especial. Só vivemos uma vez, não é? Então todos os momentos são importantes! Aquele café matinal merece ser bebido numa chávena que nos encha completamente as medidas.

What do all these images have in common? Well, they all feature vintage crockery I’ve bought in flea markets and charity shops! 

I confess I’m not one of those people who are totally detached from their possessions. It’s not that I grant them enormous value or that I just like to accumulate things for the sake of it… not at all. I simple have a strong desire to surround myself with objects that, as well as functional, are aesthetically pleasing. As far as I’m concerned, it’s important that my home reflects my tastes and experiences. The objects that populate our days aren’t just “things”. They are present in our daily rituals, they are travel companions. Consequently, they deserve to be acknowledged and carefully chosen.

I’m especially partial to old objects — everything about them both captivates and transports me.  Amongst all the vintage and antique wares that are still circulating in markets and second-hand shops, there are three categories that I simply can’t resist: books, linens and crockery. I also like furniture, but you can’t buy a piece of furniture as lightheartedly as you’d pick up a book, a plate or a tablecloth. Old objects aren’t anonymous. They are part of a cycle: past, present, future. Today they may belong to you, but they’ve been owned by someone else and (provided that they don’t break down) they’ll most likely inhabit the life of someone else in the future. They tell us stories of who made them and who bought them. Through them we can glimpse at the tastes of a particular time and even at the aspirations of the people of a certain country.

Anyway, back to my lovely old crockery: not every piece of old china must to be revered and put away safely behind glass doors. These pieces I like to buy have been made for daily use and that’s exactly how I treat them. I try to be careful, of course, and I do my best to teach my children to treat these things delicately, but I’d rather put them to use — even with the risk of losing some — than tuck them away “for best”.

Is drinking coffee in a plastic cup the same as drinking it in an old china cup? I don’t think so. I believe that the vessel you use has the potential to either enhance or diminish the pleasure you take from that cup of coffee.

I know I’ve written this time and time again, but I feel strongly that if we only surround ourselves with things that delight our senses, our everyday life can be so much nicer. By choosing carefully the objects in your home, the things that used to be mundane can be transformed into something personalised and rather special. We only live once, right? Then every moment counts! That morning coffee deserves to be drunk from a cup that truly makes your heart sing.

Bordados neozelandeses :: NZ vintage embroidered linens

No meu último vídeo (uma caixa de costura antiga) falei-vos no livro “Thrift to Fantasy”, da autora Rosemary McLeod, que versa sobre os lavores femininos neozelandeses das décadas de 1930-40-50. Pois bem, hoje mostro-vos uma colecção de panos neozelandeses dessa mesma altura, que tive a sorte de conseguir comprar numa loja de caridade recentemente.

Como sabem, sou absolutamente apaixonada por têxteis antigos e sei que não sou a única a perder a cabeça com este tipo de coisas. Espero que achem graça a este vídeo!

Dois desafios para vocês:

  • Partilhem, aqui na caixa de comentários, as maneiras como tratam dos vossos panos antigos: truques para tirar nódoas de ferrugem e manchas de humidade, como os guardam, se os põem a uso…
  • Mostrem-nos as vossas colecções! Se tiverem conta no Instagram, usem o hashtag #myvintagelinens. Mal posso esperar para ver o que está guardado nos vossos armários e cómodas! Se preferirem, enviem-me um email com algumas fotografias (ou convidem-me para vê-los ao vivo na próxima vez que eu estiver em Portugal!).

I’ve been filming videos in Portuguese and I’m wondering whether non-Portuguese speakers would be interested in subtitles. Do let me know your thoughts on this matter.

This video is all about by my latest textile finds at a local op shop (charity shop/thrift store). I was lucky enough to be invited into the staff room and I spent a blissful half-hour rummaging through boxes full of old doilies, tray cloths and tablecloths and chatting with a handful of lovely ladies. It was exactly what my dreams are made of! 

Today I’ve got two challenges for you:

  • In the comment section below, tell us about how you care for your vintage linens. Any tricks for getting rid of old stains like rust and mildew? How do you store them? Do you actually use them?
  • Share your collection with us! If you’re on Instagram, tag your photos with the #myvintagelinens hashtag. Or, if you prefer, send me an email with some pictures (or invite me into your home so I can see them with my own eyes!).

Papel de Parede Reciclado :: Upcycled Wallpaper

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O nosso escritório tem dois armários embutidos numa das paredes. São armários com pouca profundidade e serviam como guarda-fatos (esta divisão era originalmente um quarto), cada um com dois pequenos varões que vão do fundo até à frente (sabem do que estou a falar? vêem-se muito nas casas antigas) e umas prateleiras de lado nada funcionais. Durante mais de um ano usei-os assim para arrumar os meus acessórios de costura — enfim, bem podem imaginar a confusão que ia lá dentro. Após muitos meses de queixumes, lá consegui convencer o Tiago a construir-me umas prateleiras normais (leia-se: prateleiras que ocupassem toda a largura do armário).

Our home office has got two built-in cupboards. They’re quite shallow and were used as wardrobes by the previous owners (this used to be a bedroom), each one featuring two rods that run front to back  and a couple of little side shelves. For over a year, I used them as they were to store my sewing supplies — well, you can just picture the mess. After months of whining and complaining, Tiago finally agreed on building me some proper shelves.

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Aqui podem ver o Rodrigo a participar activamente, como é hábito, nas nossas aventuras domésticas. Também podem observar o estado em que ficou o interior dos ditos armários depois da “demolição” — urgia arranjar uma solução para aquilo. Ainda pensei em pintá-los, mas depois lembrei-me de algo com mais graça: papel de parede. Mais propriamente, papel de parede reciclado.

You can see Rodrigo here actively taking part in our domestic adventures, as we always does. You can also behold the state of said cupboards once the funny little shelves were dismantled — we really had to come up with a solution for them. I initially thought of painting the interior but then something else occurred to me: wallpaper. Upcycled wallpaper.

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Forrei um dos armários com as páginas de um atlas desactualizado e o outro com pautas de música. Para colá-los à parede, usei blu tack (bostik), pela simples razão de que era aquilo que tinha à mão. Em seguida, o Tiago teve a gentileza de colocar as prateleiras (feitas de contraplacado e que eu — ou ele? já não me lembro… isto já foi feito há uns tempos — tinha previamente pintado de branco).

I lined one of the cupboards with pages from an old atlas and for the other one I used music sheets. In order to paste them to the wall, I simply used what I had on hand: blu tack (bostik). After that, Tiago was kind enough to build me those coveted shelves (made out of plywood, which I — or was it him? I can no longer remember… we did this ages ago — had previously painted white).

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Encontrei tanto o atlas como as pautas numa loja de caridade aqui na minha vila. Há imensas coisas que se podem usar para um efeito semelhante: revistas antigas, jornais estrangeiros, papel de embrulho… até tecidos!

Both the atlas and the music sheets were found in a local charity shop (op shop/thrift store). You can use all sorts of things for a similar effect: old magazines, foreign newspapers, wrapping paper… even fabric!

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Fiquei mesmo contente com esta transformação. Passei a ter muito mais alento para manter tudo arrumado!

I’m really happy with this renovation. It’s given me the motivation I needed to keep everything nice and tidy!

Refashion :: Boy to Girl Dungarees

Quando estava grávida do Pedro, comprei estas jardineiras numa loja de caridade aqui das redondezas — achei que, por apenas NZD$2, ficava com uma peça de roupa clássica e fresca (o tecido é bem mais fino do que parece nas fotografias). No entanto, quando — meses mais tarde — fui buscar à garagem toda a roupa de bebé, encontrei umas jardineiras quase iguais… por isso, pus estas de parte e não pensei mais no assunto.
Há uns tempos perguntaram-me no Facebook se eu tinha ideias para transformar a roupa de rapaz em roupa de rapariga (por exemplo, quando as irmãs ou primas mais novas herdam a roupa dos rapazes mais velhos). Apesar de achar que as raparigas podem perfeitamente usar as mesmas roupas que os rapazes, sobretudo se essas peças forem misturadas com outras mais femininas, fiquei a pensar na pergunta. E, uns dias mais tarde, resolvi responder ao desafio.
When I was pregnant with Pedro I bought these dungarees in a local charity shop — I figured that, for only NZD$2, I was getting a timeless and cool piece of clothing (the fabric is actually much thinner than it looks in the photos). However, when — a few months later — I rummaged through all the baby clothes that I had stashed away in the garage, I found an almost identical pair… so I put these aside and forgot about them.

A few weeks ago, someone asked me on my Facebook page for ideas on how to transform boys’ clothes into girls’ clothes (i.e. when a younger sister inherits her older brother’s clothes). Even though I believe that girls can wear the same clothes as boys, especially if they’re mixed with some more feminine items, the question got me thinking. And, a few days later, I decided I was up for the challenge.

Escolhi um tecido florido nos mesmos tons das jardineiras (Liberty é sempre uma aposta segura) e usei-o para fazer as alças, o bolso central e as abas dos botões na cintura, assim como para debruar as pernas e os bolsos atrás. Também substituí os botões, fechei a braguilha e aproveitei para aplicar molas entre as pernas (assim). 
Fiz esta transformação a pensar no bebé de uma grande amiga minha que, por coincidência, nasceu hoje. Bem-vinda ao mundo, querida Maria do Mar! 
[claro que não resisti a prová-las no Pedro]
I picked a floral fabric in the same tones as the original dungarees (you can never go wrong with some Liberty) and used it to make new straps, button tabs and the front pocket, as well as binding for the legs and back pockets. I also replaced the buttons, stitched over the faux fly and added snap tape for easier nappy changing (tutorial).

I made these alterations for the baby of a great friend of mine, who (by coincidence) was born today. Welcome to the world, dearest Maria do Mar!

[of course I couldn’t resist trying them on Pedro]
(photos: © Constança Cabral)

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