The Birthday Dress

dress Lisette B6182

dress Lisette B6182

dress Lisette B6182

8/100

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Pois lá consegui acabar o vestido a tempo! Cosi as mangas e fiz a bainha na própria manhã dos meus anos, mas não tenho grandes fotografias para vos mostrar. Estávamos todos algo rabugentos, o tempo não estava grande coisa, enfim. Admiro cada vez mais as pessoas que fazem roupa para si próprias e conseguem tirar fotografias giras com a dita roupa vestida, porque eu cada vez tenho menos paciência e vontade para isso…

Este vestido (o molde é o Lisette B6182, o tecido é uma viscose do Spotlight) vem mesmo a calhar porque o Verão finalmente chegou à Nova Zelândia e eu preciso de roupa fresca!

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So I did manage to finish the dress on time! I sewed the sleeves and the hem on the morning of my birthday but I don’t have any decent pictures to show you the dress properly. We were all a bit grumpy, the weather wasn’t good, etc etc. I so admire people who make clothes and can take nice pictures of themselves wearing those clothes! I find myself less and less inclined to do so…

This dress (the pattern is Lisette B6182, the fabric is a rayon from Spotlight) was made just at the right time because Summer has finally arrived in NZ and I’m in dire need of cool clothes!

 

Sewing in Progress :: Lisette B6182





5/100

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Um post rápido hoje só para vos mostrar um projecto de última hora. Amanhã faço anos e gostava de ter um vestido novo para usar, por isso decidi recorrer a um molde que já fiz uma série de vezes e que sei que é relativamente rápido: o Lisette B6182. Estou a usar uma viscose no meu tom preferido de azul, com um estampado que me faz lembrar os tecidos dos anos 30/40. Veremos se o conseguirei acabar a tempo!

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A quick post today just to show you a last minute project. Tomorrow’s my birthday and I’d like to have a new dress to wear, so I’ve picked a tried and true pattern, Lisette B6182. I’m using a rayon in my favourite shade of blue — the fabric pattern reminds me of 1930-40s prints.. Let’s see if I can finish it on time!

Finlayson Sweater

finlayson sweater - sewn by Constanca Cabral

finlayson sweater - sewn by Constanca Cabral

4/100

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No Natal ofereci ao Tiago uma camisola feita por mim. Segui o molde Finlayson Sweater, dos canadianos Thread Theory (comprado na Miss Maude), e usei um tecido azul-escuro de moletão que comprei na Levana, uma fábrica de tecidos de malha que fica a uma hora de minha casa.

Gostei imenso do molde — é fácil de seguir, bastante detalhado e o tamanho ficou bom (com excepção das mangas, que ficaram compridíssimas). É um molde para voltar a usar, sem dúvida.

Não sou pessoa de muitos corações e frases românticas, mas não resisti a coser aquela etiqueta “handmade with love”. É piroso mas verdadeiro!

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I sewed Tiago a jersey for Christmas. I followed the Finlayson Sweater pattern by the Canadian company Thread Theory (which I bought from Miss Maude), and used a navy French terry knit I bought at Levana, a factory of knitted fabrics that’s located an hour south from me.

I really enjoyed working with this pattern — it’s easy to follow, quite detailed and the sizing is spot one (except for the sleeves, which turned out much too long). It’s one of those patterns I’ll use again and again, no doubt about that.

Even though I’m not a heart-sy cutesy person, I couldn’t resist adding that “handmade with love” tape at the end. It’s corny but so true!

The Camber Set Dress

the camber set pattern by Merchant & Mills

the Camber Set Dress, pattern by Merchant & Mills, sewn by Constanca Cabral

Cá em casa temos a tradição de estrear uma peça de roupa no primeiro dia do ano. A minha toilette de dia 1 de Janeiro de 2017 foi um vestido feito por mim com base no molde The Camber Set dos britânicos Merchant & Mills, usando um tecido de algodão alinhado que comprei no Spotlight.

A primeira vez que vi este vestido ao vivo foi em Sevilha, na Devanalana. A María levou-me lá e a dona da loja, a Beatriz, estava com um vestido de linho encarnado que a María tinha feito para ela. O vestido era simples mas ultra chique e, na altura, a María recomendou-me este molde. Acabei por comprá-lo, um mês mais tarde, na The Craft Company em Cascais.

Este molde é largueirão e quando, há um ano, experimentei fazer a versão t-shirt, apercebi-me de que tinha de fazer um tamanho abaixo ao indicado na tabela de medidas (comecei por fazer o 14 e depois fiz uma nova prova no 12). No caso deste vestido, tracei o tamanho 12 até à cintura e depois fui esbatendo a linha até ao 14 nas ancas.

O vestido faz-se sem problemas. No entanto, quando o vesti, achei que lhe faltavam umas pinças na cintura e nas costas. Ora vejam:

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We have the tradition of wearing something new on New Year’s Day. My outfit on the 1st of January 2017 was a dress I made myself, based on The Camber Set pattern by Merchant & Mills, using a cotton I bough at  Spotlight.

The first time I saw this dress being worn by a person was at Devanalana in Seville with María. Beatriz, the shop owner, was wearing a red linen dress that looked very chic and understated. María told me she had made that dress for Beatriz and recommended the pattern to me. One month later I ended up buying myself a copy at The Craft Company in Cascais.

This is an oversized dress and when I tried making the top version last year, I realised I had to size down (my first toile was a 14 and it was much too big, so I made a 12 and it fit). As far as this dress is concerned, I traced a 12 up to the waistline and then blended into a 14 at the hips.

This is a very straightforward dress to sew. However, when I tried it on I felt I needed some contour darts in the front and in the back. Take a look at these photos:

the Camber Set dress before adding contour darts

the Camber Set dress before adding contour darts

(Nesta clássica bathroom selfie podem ver bem como ficou o vestido, e como ficaria se fosse mais ajustado ao meu corpo.)

Agora, eu não percebo nada de ajustes de costura deste género. Adorava ter umas aulas de fitting, mas ainda não consegui encontrar quem as ensine aqui na minha zona. Vou contar-vos como dei a volta à questão: como a minha mãe estava cá, vesti o vestido do avesso, pus-me em frente a um espelho e pedi-lhe que me marcasse umas pinças à frente e atrás (aquelas em losango). Não consegui fazer pinças muito ajustadas porque o vestido ficaria com uns franzidos estranhos atrás, por isso acabei por coser pinças com 1/2” à frente e 1” atrás (não me perguntem porque é que resolvi trabalhar em polegadas em vez de centímetros… na altura pareceu-me mais fácil).

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(In this classic bathroom selfie you can really see how shapeless the dress turned out and how much it could be improved by adding some sort of shaping at the waist.)

Now, I’m clueless in terms of proper fitting techniques. I’d love to have a few fitting classes but I haven’t had a chance to do so yet. I’ll tell you what I did: since my mother was here, I put the dress on inside out, parked myself in front of a mirror and asked my mum to pin in some contour darts (you know, those ones that look like diamonds). I couldn’t have them too fitted because the dress would start showing some odd gathers in the back, so I ended up adding 1/2” darts in the front and 1” darts in the back.

contour dart on Camber Set Dress

Enfim, foi um ajuste improvisado mas não correu mal. Ainda hei-de experimentar fazer o tamanho 12 (em vez de esta combinação 12-14), para ver que versão me ficará melhor.

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Oh well, this makeshift solution didn’t turn out too bad. Next time I’ll try sewing up a straight 12 (instead of this 12-14 combo) to see which version would fit me best.

the Camber Set Dress with contour darts

the Camber Set Dress with contour darts

Há anos que tenho vontade de fazer roupa para mim e, de facto, tenho feito algumas peças de vez em quando. No entanto, parece-me que a única maneira de fazer progressos neste campo é comprometendo-me a um plano mais estruturado: em 2017 vou tentar fazer uma peça de roupa por mês. Manter-vos-ei a par das minhas tentativas!

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For years I’ve wanted to sew my own clothes and I’ve actually made a few pieces here and there. However, I feel that in order to actually make progress, I must commit myself to some sort of schedule: in 2017 I want to try making one garment a month. I’ll keep you posted!

 

Por Aqui :: Around Here

spring-flowers

vintage doll cot by Constanca Cabral

selling vintage doll cots and eco dolls by Constanca Cabral

duck eggs and vintage book about keeping poultry

bolo de natas by Constanca Cabral

buying strawberry plants

spring flower arrangement: homegrown daffodils and hyacinths in vintage gravy boat

backyard chicken

vintage sewing patterns and fabrics

seed packets

watering a box of strawberry plants

vintage-nz-stamps

new zealand sheep

sewing in progress

backyard chicken

Por aqui a Primavera chegou. Os campos estão cheios de carneiros e vitelos, os jardins encheram-se de flores. O tempo anda muito instável, claro, mas os gorros foram arrumados nas gavetas e os casacos às vezes ficam pendurados à porta de casa. Tenho cosido bastante: roupa para os rapazes, que crescem sem parar, e almofadas para a nossa sala. Fiz uma série de bonecas e restaurei antigos berços de bonecas, e fui vendê-los a duas feiras (tenho de escrever um post sobre isto, e é urgente organizar-me para pô-los à venda online). Fizemos bolos (aquele da fotografia é o eterno e incontornável bolo de natas) e escrevemos postais aos avós. A época de jardinagem recomeçou — tenho de fazer um post sobre o nosso morangal em objectos reciclados. E temos uma galinha (emprestada) a chocar três ovos de pata! Podem imaginar a excitação que se vive por aqui…!

Tenho lido bastante, visto algumas séries de televisão e ouvido muitos podcasts interessantes. Muitas vezes penso que gostaria de partilhar algumas das minhas minhas descobertas e reflexões numa newsletter (semanal ou quinzenal) — têm interesse nisso? Se sim, cliquem neste link e inscrevam-se. Por agora, aqui ficam algumas sugestões:

  • A nossa biblioteca tem muitos DVDs para alugar e tenho-me divertido imenso a ver a série australiana Miss Fisher’s Murder Mysteries. Não é tão robusta como o Poirot ou a Miss Marple, mas o guarda-roupa é excelente, as personagens são interessantes e tem um forte teor feminista. E também tem graça ver um retrato (mesmo que idealizado) da sociedade de Melbourne nos anos 20.
  • Em contraste absoluto com a Miss Fisher, a série francesa Un Village Français tem-me causado muita ansiedade e alguns pesadelos, mas não posso deixar de reconhecer o seu mérito. É um relato ultra sóbrio de uma vila francesa durante a ocupação nazi e explora as relações humanas e os conflitos da época de uma forma incrivelmente realista e humanista.
  • Tenho andado a descobrir o trabalho da Gretchen Rubin. Estou a ler os seus livros sobre felicidade e hábitos (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) e ouvi todos os episódios do podcast Happier. Tenho tendência a resistir (às vezes durante anos) a bestsellers e, até agora, estupidamente nunca tinha dado uma oportunidade a esta autora. A verdade é que o trabalho dela é muito mais do que auto-ajuda: faz-me reflectir sobre a minha personalidade, a maneira como vivo a minha vida, o meu estado de espírito e claro, a minha busca pela alegria e felicidade no dia-a-dia. Ao responder ao quiz sobre as quatro tendências de personalidade, verifiquei — sem grande surpresa — que sou uma “Rebel” (já responderam a este questionário? qual é a vossa tendência?). Requisitei os livros dela na biblioteca mas acho que vou acabar por comprá-los.
  • Gostei especialmente dos dois últimos episódios do podcast The Crafty Planner: um com a Liesl Gibson (dos moldes Oliver + S) e o outro com a Diane Gilleland (a autora do Craftypod, um dos primeiros podcasts que ouvi). São entrevistas muito diferentes, mas ambas fizeram-me reflectir sobre a indústria dos crafts e a forma como todos nós (consumidores e autores) desempenhamos um papel fundamental à sua sobrevivência e (boa) saúde.
  • Comecei a fazer vestidos para contribuir para a inciativa Dress a Girl Around the World. Quem viver na zona de Lisboa pode participar nos encontros mensais na loja The Craft Company, em Cascais (uma loja linda, por sinal); quem estiver longe pode fazer os vestidos em casa e enviá-los pelo correio para a loja. Para mais informações (e instruções detalhadas sobre como fazer um vestido muito rápido e simples), espreitem este post no Cose +.

Bem, o post já vai longo por isso hoje vou ficar por aqui. Se quiserem receber a minha newsletter, inscrevam-se clicando neste link. Obrigada e até breve!

 

Around here Spring has arrived. The fields are full of lambs and calves and the gardens are bursting with flowers. The weather is still quite unstable, which is to be expected, but the wool beanies have been put away and the jackets stay at home more often than not. I’ve been sewing quite a lot: clothes for the boys and cushions for our sitting room. I’ve made some dolls and refurbished several vintage doll cots and took part in a couple of markets (I want to write a post about it and I really must put them up for sale online). We baked a few cakes (the one in the photo is the timeless “bolo de natas”, my grandmother’s sponge cream cake) and we sent postcards to the grandparents. Gardening season has started — I’ll write a post about our upcycled strawberry garden soon. And we have a (borrowed) broody chicken in our garden — she’s sitting on three duck eggs! You can imagine all the excitement that’s going on around here…!

I’ve been reading quite a few books, watching a fair amount of TV series and listening to lots of interesting podcasts. I often think that I’d love to share with you my findings and thoughts in a (weekly? biweekly?) newsletter — would you be interested in subscg? If you are, just follow this link to sign up. Here are a few suggestions:

  • Our local library has a small collection of DVDs for rent and I’ve been enjoying watching the Australian TV series Miss Fisher’s Murder Mysteries. It’s not as robust as Poirot or Miss Marple but the wardrobe is amazing, the characters are interesting and there’s a strong feminist flavour to it. And it’s fun to see a portrait of 1920s Melbourne society (even if it’s a bit idealised).
  • In absolute contrast to Miss Fisher, the French TV series Un Village Français has caused me a lot of anxiety and a few nightmares, but I can nevertheless recognise its merits.  It’s a very sober account of a French village under Nazi occupation and it expertly explores human relationships, as well as the inherent conflicts of that particular time in an incredibly realist and humanist way. 
  • I’ve been familiarising myself with the work of Gretchen Rubin. I’m reading her books about happines and habits (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) and I’ve listened to every episode of the Happier podcast. I tend to resist bestsellers (sometimes for years) and, up until now, I stupidly had not given her books a chance.  The fact of the matter is that her work goes way beyond self-help: it’s made me reflect upon my personality, the way I live my life, my moods and, of course, my everyday quest for joy and happiness. By taking her personality tendencies quiz, I realised — without much surprise — that I’m a “Rebel” (have you taken this quiz? what’s your tendency?). I’ve borrowed her books from the library but I’m considering buying my own copies.
  • I’ve especially enjoyed listening to the last two episodes of The Crafty Planner podcast: one with Liesl Gibson (of Oliver + S fame) and the other one with Diane Gilleland (the host of Craftypod, one of the first podcasts I ever listened to). They’re two very different interviews but they’ve both made me think about the craft industry and the role we play (both as consumers and authors) in regard to its survival and good health.

Well, this post is getting long so I’m going to wrap it up now. If you’d like to subscribe to my newsletter, just click on this link. Thank you!

Bordados neozelandeses :: NZ vintage embroidered linens

No meu último vídeo (uma caixa de costura antiga) falei-vos no livro “Thrift to Fantasy”, da autora Rosemary McLeod, que versa sobre os lavores femininos neozelandeses das décadas de 1930-40-50. Pois bem, hoje mostro-vos uma colecção de panos neozelandeses dessa mesma altura, que tive a sorte de conseguir comprar numa loja de caridade recentemente.

Como sabem, sou absolutamente apaixonada por têxteis antigos e sei que não sou a única a perder a cabeça com este tipo de coisas. Espero que achem graça a este vídeo!

Dois desafios para vocês:

  • Partilhem, aqui na caixa de comentários, as maneiras como tratam dos vossos panos antigos: truques para tirar nódoas de ferrugem e manchas de humidade, como os guardam, se os põem a uso…
  • Mostrem-nos as vossas colecções! Se tiverem conta no Instagram, usem o hashtag #myvintagelinens. Mal posso esperar para ver o que está guardado nos vossos armários e cómodas! Se preferirem, enviem-me um email com algumas fotografias (ou convidem-me para vê-los ao vivo na próxima vez que eu estiver em Portugal!).

I’ve been filming videos in Portuguese and I’m wondering whether non-Portuguese speakers would be interested in subtitles. Do let me know your thoughts on this matter.

This video is all about by my latest textile finds at a local op shop (charity shop/thrift store). I was lucky enough to be invited into the staff room and I spent a blissful half-hour rummaging through boxes full of old doilies, tray cloths and tablecloths and chatting with a handful of lovely ladies. It was exactly what my dreams are made of! 

Today I’ve got two challenges for you:

  • In the comment section below, tell us about how you care for your vintage linens. Any tricks for getting rid of old stains like rust and mildew? How do you store them? Do you actually use them?
  • Share your collection with us! If you’re on Instagram, tag your photos with the #myvintagelinens hashtag. Or, if you prefer, send me an email with some pictures (or invite me into your home so I can see them with my own eyes!).

Uma caixa de costura antiga :: An old sewing box

Numa das minhas frequentes incursões por armazéns de velharias encontrei uma caixa de costura antiga. À primeira vista não parecia nada promissora, mas felizmente observei-a com mais atenção e deparei-me com uma série de objectos muito curiosos. Fiz um pequeno vídeo para vos mostrar o que lá descobri — espero que achem graça!

As you know, I’m a keen second-hand shopper. In one of my recent trips I found an old sewing box — in fact, it was no more than a plastic cutlery tray wrapped in dusty plastic. However, upon further inspection I realised that it held several interesting sewing objects and decided to bring it home with me. I filmed a short video (in Portuguese only, sorry!) unveiling my findings.

A caixa incluía os suspeitos do costume: agulhas e alfinetes, molas e colchetes, todos eles com embalagens bastante cativantes. Também lá encontrei coisas que se tornaram obsoletas com o correr dos tempos: fios de seda para passajar meias de senhora, por exemplo. Mas aquilo que me fez comprar a caixa de costura foi a profusão de rendas, fitas e aplicações, tão difíceis de encontrar aqui na Nova Zelândia.

The sewing box included the usual suspects, like needles, pins, snaps, hooks and eyes… all of them in appealing vintage packaging. I also found things that are no longer used, like silk thread to mend ladies’ stockings. But what made me buy the lot was the trimmings: bits of cotton lace, guipure and velvet trims, all quite hard to find here in New Zealand.

No vídeo pergunto-me para que serviriam aquelas duas caixas circulares com agulheiros — pois bem, o Tiago descobriu imediatamente o seu intuito. Os agulheiros encaixam o interior das tampas e as caixas transformam-se em cogumelos para remendar meias!

Halfway through the video I wonder what those two plastic boxes were for — well, Tiago played with them and found out that they can be turned into darning mushrooms!

A boneca Amélia teve direito a participação especial, assim como o livro Thrift to Fantasy, da autora Rosemary McLeod.

Amelia the doll made a special appearance in the video, as well as the bookThrift to Fantasy by Rosemary McLeod.

Sophia the cloth doll, or the importance of play in one’s creative life

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Passei praticamente todas as minhas horas livres em Maio a fazer esta boneca. Comecei-a em 2012 (ao mesmo tempo do que esta, lembram-se dela?) e, já não sei bem porquê, de repente senti uma vontade enorme de acabá-la. A sua destinatária — que, na altura, tinha apenas 2 anos — já está na escola primária e, entretanto, ganhou duas irmãs. A perspectiva de fazer uma boneca com enxoval completo para três irmãs transformou-se rapidamente numa obsessão. Requisitei livros na biblioteca, peguei finalmente naqueles livros antigos que ando a coleccionar há anos, adormeci a pensar em bonecas, acordei a pensar em bonecas, recordei as bonecas da minha infância, as suas roupas e a maneira como eu brincava com elas. Curiosamente, as bonecas que mais me marcaram foram as de casa da minha avó: lembro-me de uma ruiva sardenta que tinha um impermeável amarelo com um chapéu a condizer e um fato de bailarina, e dos sapatos brancos de outra.

Bem, voltando a esta boneca de pano: é uma Poppy Doll. Quanto ao guarda-roupa, bem, esse foi feito sem moldes (excepto a camisa de noite). Aliás, usei moldes, sim, mas desenhei-os eu. E aqui entra a segunda parte do título deste post: a importância de “brincar” durante o processo criativo (escrevo brincar entre aspas porque não adoro a palavra neste contexto… mas enfim, acho que me conseguem perceber).

Deixem-me começar por dizer que não sou contra moldes. Bem pelo contrário: um molde de qualidade é, normalmente, garantia de sucesso, bem como um excelente ponto de partida para outros voos. Tenho comprado inúmeros moldes de costura ao longo dos anos e gosto de saber que, ao fazê-lo, estou a apoiar o trabalho das suas autoras (que, muitas vezes, são mulheres em situações muito parecidas com a minha). Vou continuar a comprar moldes e a encorajar outras pessoas a fazer o mesmo. Mas, por vezes, sabe bem criar algo sem base de espécie alguma. Fazer desenhos, provas em pano cru, duas, três, quatro tentativas, até conseguir concretizar aquilo que imaginei.

Ao longo deste mês deitei muitos ensaios fora. Senti-me frustrada, cansada, mas nunca desencorajada. Continuei a tentar e lá fui conseguindo fazer aquilo que queria. E já adivinham o que vou escrever agora: aprendi imenso! E também me diverti imenso!

Tive também a oportunidade de praticar a minha actividade preferida: dar novos usos a materiais antigos. Toda a roupa desta boneca foi feita com tecidos em segunda-mão, muitos deles aproveitados de antigas peças de roupa. O vestido e a blusa branca eram camisas de noite que comprei em lojas de caridade. As botas de feltro já foram uma camisola de lã (podem ler mais sobre feltro feito em casa aqui). A capa de fazenda já foi uma saia. O saco-cama foi feito com um pano de tabuleiro bordado, um cobertor antigo, um bocado de chita a fazer de colchão e um resto de bordado inglês que me sobrou das minhas capas de édredon (a inspiração para o saco-cama veio desta ideia da Florence).

Muitas vezes caio na armadilha de pensar que, pelo facto de o meu tempo livre ser limitado, tenho sempre de ser produtiva, eficiente, prática. Mas estou tão contente por ter dedicado um mês inteiro a este projecto. Sinto que expandi os meus conhecimentos de costura e que valeu a pena todo o investimento de tempo, esforço e dedicação. Esta boneca trouxe-me luz em dias escuros e entusiasmo em momentos monótonos. Agora espero que faça as delícias de três pequenitas em Lisboa.

 

I spent all of my free time in May making this doll. I had started it back in 2012 (at the time, I cut two dolls and only finished one — remember her?) and last month I felt the sudden urge to finish it. She’s meant for a girl who was 2 years old then and is now in primary school, having gained two sisters along the way. The idea of making a doll and her wardrobe for three sisters quickly developed into an obsession for me. I borrowed books from the library, I finally read all those old books I’ve been buying over the years, I went to sleep and woke up thinking about dolls, I reminisced about own childhood dolls, their clothes and the way I used to play with them. Funnily enough, I thought mostly about the dolls that I used to play with at my grandmother’s: I remember a freckled, red-haired one that had a yellow raincoat and a matching hat, as well as a ballerina outfit, and a particular pair of white doll shoes also came to mind.

Anyway, back to this cloth doll I made: it’s a Poppy Doll. As for her clothes, with the exception of the nightie, they were made without patterns. I mean, I used patterns but I drew them myself. And now comes the second part of the title of this blog post: the importance of play in one’s creative process.

Let me start by saying that I’m not against sewing patterns. On the contrary: a good quality pattern is usually a recipe for success, as well as a wonderful starting point for other creations. I’ve bought numerous patterns over the years and I like knowing that, by doing so, I’m supporting the work of their authors (who are usually women in similar situations to my own). I’m going to keep buying them and encouraging others to do the same. But sometimes it feels good to create something without a base whatsoever. I sketched on paper, I sewed two, three, four toiles, until I managed to achieve what I had in mind.

Throughout this past month I often felt frustrated and tired, but never discouraged. I kept trying and I somehow got to where I wanted to be. And I’m sure you’re guessing what I’m about to write: I learned so much! And I had so much fun!

I also had the change to practise my favourite activity: giving new uses to old materials. This doll’s wardrobe was entirely made with second hand fabrics, most of them repurposed from old clothes. The dress and the white blouse were originally nightgowns I bought in charity shops. The felt boots used to be a wool jumper (more on homemade felt here). The cape was salvaged from a skirt. Her sleeping bag was made with a mid-century embroidered tray cloth, an old wool blanket, a piece of Portuguese chita that makes me think of ticking mattresses and a piece of border anglaise left over from my duvet covers (the inspiration for the sleeping bag came from Florence’s adorable bear sleeping bags).

I often fall in the trap of thinking that because I’m time poor, I must always be productive, efficient, practical. But let me tell you how happy I am to have dedicated a whole month to this project. I feel that I’ve expanded my sewing knowledge and that all the time, effort and dedication have been well worth it. This doll brought me light in dark days and excitement in dull moments. Now I hope it will delight three little girls in Lisbon.

 

Por Aqui :: Around Here

autumn picnic in New Zealand - Constanca Cabral

romper made from a vintage Simplicity pattern, using Palos Verdes fabric - Constanca Cabral

gardening with kids : poding beans - Constanca Cabral

making a doll - Constanca Cabral

autumn flower arrangement - Constanca Cabral

quince paste - Constanca Cabral

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Por aqui… bem, por aqui passou-se um ano e muita coisa se passou durante este meu último ano.

Para começar, o blog tem um endereço novo, uma imagem nova, um nome novo. Obrigada à Sílvia, à Filipa e à Joana pela ajuda durante este longo processo de mudança.

Ainda há muito por fazer: acabar de arrumar o site, alterar alguns pormenores, enfim. Mas resolvi voltar a escrever aqui antes de estar tudo pronto. O grande mantra do empreendorismo contemporâneo é “start before you’re ready”, não é? Se ficarmos à espera de que todas as condições estejam reunidas para lançar (ou, neste caso, relançar) um projecto, se só dermos o primeiro passo depois de acharmos que tudo está perfeito… bem, então a tarefa de (re)começar torna-se hercúlea. Tenho vontade de voltar a escrever posts e vou tratando do resto com calma. Espero que se sintam confortáveis aqui e peço-vos alguma paciência para os próximos tempos.

Também espero que tanta coisa nova se traduza num novo fôlego para eu voltar a habitar esta casa. O blog esteve em pausa durante um ano mas o meu Instagram continuou bastante activo — e, mais importante ainda, eu nunca estive parada. Aliás, quando retirei a pressão (e a obrigação auto-imposta) de documentar os meus projectos (tirar várias fotografias, escrever textos com pés e cabeça), passei a fazer muito mais coisas, porque aquelas horas que gastava a elaborar posts passaram a ser canalizadas para o acto de simplesmente fazer. Partilhei a maior parte daquilo que fiz no Instagram e, durante uns meses, foi um alívio poder simplesmente tirar uma fotografia rápida com o telefone e escrever uma legenda curta, sem ter de me preocupar com estrutura, links, traduções e por aí fora. No entanto, com o passar do tempo — e à medida que me fui sentindo menos assoberbada e exausta — comecei a sentir falta de um espaço com maior profundidade. Fiquei com saudades deste blog que comecei há dez anos e que é a minha casa na internet.

Pensei muito durante este ano. Cheguei a algumas conclusões, mas há outras dúvidas que persistem. Hoje recomeço este blog sem planos estruturados, sem um calendário editorial rígido, sem grandes obrigações de periodicidade. Vou voltar a escrever posts quando me for possível, vou continuar a ser eu própria, às vezes mais aberta, outras vezes mais reservada.

Esta história de ter um blog sobre a minha vida quotidiana — em que o enfoque é sempre o acto de fazer à mãofazer em casa e fazer de forma simples  (mesmo quando essa aparente simplicidade acaba por ser bastante mais trabalhosa do que comprar já feito) — tem muito que se lhe diga. Consciente ou inconscientemente, a minha vida pessoal acaba por permear tudo aquilo que vou partilhando aqui. Por muito que eu estabeleça fronteiras, a linha que divide a “esfera pessoal” da “esfera privada”  é, por vezes, bastante cinzenta. E, depois, há aquele eterno dilema da imagem da minha vida que acaba por ser retratada neste espaço. Por muito que eu queira ser sempre transparente, honesta e eu própria, é inevitável que muitas coisas fiquem por dizer, por mostrar ou por explorar. Da mesma forma como não contamos todos os pormenores da nossa vida, em voz alta, numa sala cheia de gente, não nos expomos totalmente na internet. Há muitos de vocês que são meus conhecidos e meus amigos (e acreditem que este blog que tem feito conhecer muitas pessoas bestiais, com quem tenho desenvolvido amizades), mas também há muitas pessoas que me lêem e que nunca deixaram um comentário, nunca me abordaram na rua, nunca me escreveram um email. Há muitos desconhecidos agora e muitos mais haverá no futuro. Tudo isto para voltar a insistir na questão de que aquilo que partilho convosco é só uma parte da minha vida… está longe de constituir a totalidade da minha existência.

Por outro lado, a minha vida já não é só minha. Tenho um marido e dois filhos pequenos e, se não me faz confusão mostrar a cara deles aqui, entrar na sua esfera privada está fora de questão. (Sei que há toda a questão do direito à imagem deles, mas essa discussão vai ficar para outro dia.) Enfim, estes são temas muito complexos, ao ponto de se tornarem paralisantes. Vou continuar a agir com naturalidade e boa fé, vou continuar a povoar este espaço com boas energias e bons sentimentos e vou continuar a ter esperança e a acreditar no Bem.

Obrigada a todas as pessoas que estiveram presentes durante este último ano. Obrigada por todos os comentários no Instagram, pelos emails, pelos olás ao vivo e pelo entusiasmo com que recebem as minhas partilhas. Isto convosco tem muito mais graça.

 

Around here… well, it’s been a year and a lot has happened in this past year.

For starters, the blog has a new address, a new look and a new name. Thank you SílviaFilipa and Joana, for helping me throughout this process.

There’s still a lot to do: some recategorizing, a bit of formatting and a few tweaks here and there. But I’ve decided to resume my blogging activity before everything is finished. The great mantra of modern entrepreneurism is “start before you’re ready”, right? If you wait for every star to be aligned in the ideal position before you (re)launch something, if  you only take the first step when you feel everything is perfect… well, then the task of (re)starting takes herculean proportions. I feel the urge to blog again and I’ll take care of the rest in due time. I hope you’ll feel comfortable here and I ask you to bear with me while I tidy things up.

I didn’t blog for a year but I kept very active on Instagram. Once I took away the pressure (and self-imposed obligation) to document my projects — take several pictures, write proper compositions — I suddenly started making many more things, because those hours that I used to spend editing photos and writing posts were now being used solely for making. I shared most of my makes over at Instagram and, for a few months, it was such a relief to simply snap a picture with my phone and write a small caption, without worrying about structure, links, translations and so forth. However, as time went by and I felt less overwhelmed and less exhausted, I started craving a space with a little more depth to it. I missed this blog that I started writing ten years ago and that is my home in the internet.

During this past year I did a lot of thinking. I came to a few conclusions but many doubts still persist. Today I resume this blog with no big plans, no strict editorial calendar and no self-imposed obligations of consistency. I intend to post whenever I can and I’m going to go on being myself — sometimes more open, other times more reserved.

This business of blogging about my everyday life — even when the focus is making by handmaking at home  and making in a simple way (even when that apparent simplicity ends up being a lot more work that buying something ready-made) — can be a bit tricky. Whether consciously or unconsciously, my personal life ends up permeating a lot of what I share. As much as I establish boundaries, the line that separates my “personal sphere” from my “private sphere” can be quite grey. And then there’s that whole dilemma of the image of my life that ends up being portrayed here. As much as I strive to always be transparent, honest and myself, it’s inevitable that a lot of things don’t get told, shown or explored. In the same way that we don’t tell out loud every detail of our lives in a room full of people, we don’t entirely expose ourselves online. I do know some of you (some of you are friends and others are online acquaintances whom I’ve grown fond of) but there are others who’ve never left a comment, written me an email or had an interaction with me. This blog is read by many people who are, in fact, strangers to me — that’s the nature of the internet and I’m OK with it. But I feel like the need to state yet again that what I share online is just a portion of my life… it’s not the whole extension of my existence.

On the other hand, my life isn’t entirely my own any more. I’ve got a husband and two young children and while I don’t see a problem in sharing their faces, entering their private lives is out of the question. (I know there’s the whole conundrum of whether I’ve got a right to their images or not but we shall discuss that another time.) Anyway, these are very complex subject matters, so much so that they can sometimes be paralysing. I’ll continue to be natural and act in good faith, I’ll go on populating this space with good energies and good feelings and I’ll keep on having hope and believing in goodness.

Thank you to everyone who has been present throughout this last year. Thank you for every comment on Instagram, for every email, for every hello in the flesh and for the enthusiasm you’ve shown in regard to what I choose to share. You make everything a lot more fun.

 

Vestido de Baptizado :: Christening Gown

handmade christening gown by Constanca Cabral

Durante as últimas semanas andei ocupada a fazer o vestido de baptizado do Pedro — aliás, todo o “ensemble”, porque fiz o vestido propriamente dito, o vestido interior, a touca e o babete (este último  não aparece nestas fotografias porque foi feito na véspera do grande dia e, mal foi posto a uso, ficou imediatamente sujo).
Foi o projecto mais elaborado, ambicioso — e, diria até, um bocadinho presunçoso — em que já me meti. Entrei nele com enormes doses de entusiasmo e inconsciência, sem ter propriamente elaborado um plano de acção meticuloso. O resultado é um vestido que me satisfaz cerca de 80%, mas no qual tenho bastante orgulho. Tentei ser o mais perfeita possível na execução e acabamentos — dentro das limitações da minha máquina de 1974, claro. Gosto do vestido? Sim. Adoro o vestido? Não. Gostei de ver o Pedro a ser baptizado com ele? Delirei!

 

Over the last few weeks I used up every free minute of my time to sew Pedro’s christening gown — actually, I should write “christening outfit”, really, because I sewed the dress, the slip, the bonnet and even a bib (which isn’t pictured here because I sewed it the night before of the big event and it became soiled two seconds after I put it on Pedro).
 
This was the most elaborate, ambitious — and even a bit presumptuous — project I’ve even got myself into. I embarked upon it with a great dose of enthusiasm and naivety, without even having set a meticulous plan of action. The result is a dress that I’m 80% happy with but one that, nonetheless, fills me with a sense of pride. I tried to be as neat as I could in terms of constructing and finishing — within the limitations of my 1974 machine, that is. Do I like the dress? Yes, I do. Do I love the dress? No, I don’t. Did I enjoy watching Pedro be christened while wearing it? That gave me the greatest pleasure!
christening gown front back heirloom sewing

Ora então vamos por partes:

1. Motivação
O Tiago e eu fizemos questão de que o Pedro fosse baptizado no país em que nasceu, mas havia o problema do vestido. Era impensável pedir à nossa família que nos enviasse um vestido antigo pelo correio (e se se perdesse?); por outro lado, nem me passou pela cabeça comprar um vestido novo. Posto isto, a única hipótese era ser eu a fazer o vestido. Há um ano assisti  a uma aula de “heirloom sewing” na loja Bernina aqui da zona, onde aprendi as técnicas-base de coser rendas e entremeios bordados. Esta primeira abordagem foi fundamental para desmitificar todo o mundo do “heirloom sewing” e proporcionou-me algumas ferramentas para depois aprofundar o assunto sozinha. Durante alguns meses pesquisei vestidos antigos e técnicas modernas e, a dada altura, resolvi não pensar mais e simplesmente comecei a fazer o vestido.

 

Let me tell you more:
 
1. Motivation
Tiago and I were both extremely keen that Pedro should be baptised in the country where he was born… but what about the dress? I didn’t have the guts to ask for the family gown to be sent through the post (what if it got lost?) and I didn’t consider even for one minute the possibility of buying a new dress. So there was just one option: I had to make it myself. Last year I took an heirloom sewing class at my local Bernina shop, where I learned the basics about sewing laces and embroidered trims. This class was great for demystifying the whole “heirloom sewing” world and gave me a few tools to seek more information on my own. For a few months I researched old dresses and modern techniques and then there came a point where I just had to stop looking and actually start sewing.
planning a christening gown
planning a christening gown heirloom sewing
2. Planos e materiais
Pensei em algumas opções para o vestido e fiz vários esboços, mas o desenho final acabou por ser totalmente determinado pelas limitações dos materiais ao meu dispôr. Queria que o vestido reflectisse  a herança cultural do Pedro e que nele constassem elementos portugueses, neozelandeses, de família, de amigos, enfim. Estava determinada a bordar, a branco, um motivo central com corações e flores de Viana e fetos nativos da Nova Zelândia mas, com grande pena minha, isso não chegou a acontecer. Talvez se tivesse começado a fazer o vestido três meses mais cedo…

 

Aqui na Nova Zelândia comprei a cambraia branca, assim como o entremeio de renda e o ajour. O folho em bordado inglês foi-me dado pela minha avó e a renda com que debruei o decote e os punhos foi-me oferecida, há uns anos, por uma amiga brasileira. Os dois outros entremeios bordados foram comprados online. Fiz nervuras no peito e nas mangas com uma agulha dupla e utilizei sempre linha de algodão Mettler 60.

 

2. Plans and materials
I thought about a few different options but the final design ended up being entirely determined by the limited materials I had at hand. I wanted the dress to be a reflection of Pedro’s cultural heritage, with elements that would reference Portugal, New Zealand, family and friends. I was determined to embroider, in white, a central motif with Portuguese folk hearts and flowers and NZ native ferns, but unfortunately I ran out of time. Maybe if I had started working on the dress three months earlier…
 
Here in NZ I bought the white lawn as well as the lace insertion and the entredeux. The broderie anglaise edging was given to me by my grandmother and the lace edging (or is it tatting?) was a present from a Brazilian friend many years ago. The other two embroidered insertions were bought online. I used a double-needle to make narrow pintucks on the centre front of the dress and on the sleeves and used Mettler 60 cotton thread throughout.

 

3. Molde
O molde que usei como base foi o Simplicity Babies 2629, vista A com mangas C (este molde é uma reprodução de um molde de 1948, e eu já o tinha experimentado há uns anos). Comecei por fazer um ensaio para ver se o tamanho 6 meses servia ao Pedro e, visto que ficava mesmo à medida, aumentei o comprimento da saia e avancei para o vestido de baptizado. Mas depois as coisas começaram a complicar-se… Quando já ia a meio do vestido, resolvi começar de novo. Apercebi-me de que seria melhor de fazer um vestido ainda mais comprido, de forma a compensar a quantidade de entremeios que resolvi usar (admito que fui gulosa e optei pela bordagem “more is better” em vez do meu habitual “less is more”) e completamente aberto atrás (o molde original tem apenas uma pequena abertura atrás, mas cheguei à conclusão de que não seria nada prática para vestir e despir, nem tão pouco eficaz… o facto de o vestido ser todo aberto atrás permitiu-me pegar no Pedro ao colo de maneira a que a frente do vestido continuasse com bom cair).

 

3. Pattern 
I based the dress on Simplicity Babies 2629, view A with sleeves C (this pattern is a reproduction from a 1948 one and I had already used it a few years ago). I started by sewing up a test version in order to check the fit of size 6 months and, since it fit well, I just traced a longer skirt and started making the christening gown. But then things got a little more complicated… When I was already half-way through, I decided to start over. I realised that I should make an even longer dress in order to balance out the amount of insertions I ended up including in the fancy band (I admit I was greedy in  wanting to show off all of my pretty trims) and one that had a completely open back (the original pattern features a short placket on the back but I quickly realised that such a small opening wouldn’t be very practical when it came to dress and undress the baby, nor would it be very effective… an open back would allow me to handle Pedro much more easily and would prevent bunching up the skirt… I  really wanted that fancy band to drape beautifully!).

 

handmade christening gown by Constanca Cabral heirloom sewing

heirloom sewing by Constanca Cabral christening gown

4. Técnicas
Comecei por fazer as nervuras com uma agulha dupla e um pé calcador especial (útil, mas nem por sombras obrigatório) em rectângulos de tecido (um grande para o corpo e dois mais pequenos para as mangas), e só depois usei o molde para cortar as peças. As rendas e os bordados foram aplicados com um pé calcador normal, alternando os pontos corrido e zigzag. Consegui utilizar costuras inglesas em tudo, até na inserção das mangas, o que me deixou muito contente. A certa altura debati-me com o facto de as costuras estarem a ficar todas repuxadas mas, depois de ter limpado e oleado a máquina,  mudado de agulha e voltado a enfiar a linha, o problema desapareceu. Apesar de gostar muito da minha máquina quarentona, houve alturas em que desejei ardentemente ter uma máquina moderna toda xpto, não vou mentir. Continuo a achar que há máquinas antigas bestiais (e a minha Bernina Record 830 é uma delas), mas para este tipo de “costura fina”, suspeito que uma máquina moderna deva dar um jeitão.

 

4. Techniques
I pintucked the fabric using a double-needle and a special presser foot (which was useful, but not compulsory) before I even cut out the pattern, which means that I roughly cut one large and two smaller rectangles, pintucked them and only then did I cut out the pattern pieces for the front and for the sleeves. I sewed the laces, the entredeux and the embroidered trims with a regular foot, alternating between straight and zigzag stitching. I managed to French-seam the entire thing, even the sleeves, and that made me feel very happy and smug. I did struggle with puckered seams for a while but after I cleaned and oiled the machine, changed the needle and rethreaded it, things got much easier. Even though I love my 41-year-old machine, there were times when I felt a burning desire for a modern, top-of-the-line sewing machine, I’m not going to lie. I still believe that there are some wonderful vintage sewing machines out there (and my Bernina Record 830 is definitely one of them), but for this kind of “fine sewing” I suspect a modern machine must come in handy.

 

christening bonnet lace insertion heirloom sewing

5. Acessórios
O vestido interior foi feito com base no mesmo molde, desta vez a vista F com algumas modificações. A touca é baseada num modelo antigo, também com modificações. Para ficar a condizer com o vestido, cosi-lhe umas quantas nervuras e apliquei-lhe um dos entremeios bordados que usei na barra da saia, assim como a mesma renda com que debruei o decote e os punhos.

 

5. Accessories
The slip was cut using view F the same pattern, with a few alterations. The bonnet was based on a vintage pattern, with a few tweaks of my own. In order for it to match the dress, I included one of the trims I used on the skirt, as well as a few pintucks and the same lace edging used on the collar and sleeves.

 

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6. Balanço
O que me aborrece:
– O facto de o entremeio mais largo da barra do vestido não ser tão branco como os restantes (o quarto onde coso é um bocado escuro e só me apercebi do contraste quando vi estas fotografias).
– Não ter conseguido fazer o famigerado bordado — o vestido foi todo desenhado em função desse bordado e, se tivesse decidido logo à partida que não teria tempo para o fazer, acho que teria desenhado um vestido diferente.
– Ter estado tão limitada com os materiais.
– Ter cosido o vestido à pressa (por culpa minha) e com inúmeras e frustrantes interrupções (perfeitamente normais… fazem parte de ter dois filhos pequenos).

 

O que me alegra:
– Fiz um vestido de baptizado!
– Esforcei-me imenso e fartei-me de aprender.
– A filha de uma amiga minha ganhou dois vestidos novos (depois mostro-vos os ensaios em pormenor noutro post).
Agora estou a precisar de umas férias!

 

6. Final assessment
Things that bother me:
– The fact that the widest eyelet insertion on the fancy band is not as white as the other trims (my sewing room is rather dark and I only noticed the contrast when I looked at these photos).
– Not having done the whitework — especially because that was the “raison d’être” of this dress. Had I decided straight away that I wouldn’t have time to make the embroidery, I think I would have designed a different dress.
– Being so limited by the materials I had.
– Having sewn the dress in such a race against time (my fault entirely) and the constant and oh so frustrating interruptions (that are perfectly natural and come with having two young children).
 
Things that make me happy:
– I made a christening gown!
– I strove to do my best and learned so much.
– My friend’s little daughter will get two new dresses (I’ll talk about my trials runs in detail on another blog post).
 
Now I need a break!
handmade christening gown by Constanca Cabral