A day in the life

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Tenho este post parado na pasta dos rascunhos há já umas semanas (acabei de reparar que já lhe fiz 25 revisões… ui!). Estas fotografias mostram um bom dia de Inverno passado, cá em casa, na companhia do Rodrigo. Mas não é, nem por sombras, um dia típico — normalmente ele está na escola e eu estou em casa a fazer aquilo que tem de ser feito para termos uma existência minimamente confortável, assim como algum trabalho criativo (que costumo priorizar em detrimento de uma casa arrumada ou de ler e responder a emails).

Nas versões anteriores que escrevi foram aparecendo alusões a assuntos mais pesados e sombrios. Ser mãe neste isolamento não tem sido fácil para mim — já aludi a isso uma ou outra vez — e já me aconteceu sentir-me algo defraudada em relação àquilo com que, de forma insconsciente, contava quando fiquei grávida pela primeira vez. Dou por mim a escrever sobre gestão de expectativas, depressão pós-parto, solidão… e depois acabo sempre por apagar tudo o que escrevi.

Talvez tenha a ver com a maneira como fui criada, ou com as minhas circunstâncias sociais e culturais, mas tenho uma enorme dificuldade em falar sobre estes assuntos num espaço tão público. É curioso, porque até me considero uma pessoa relativamente aberta — pelo menos até um certo ponto — e não teria tantos pruridos em discutir estes assuntos numa conversa de viva voz. É capaz de ser este formato de blog que complica as coisas — o facto de vocês só verem as palavras que escolho pôr por escrito, sem que sejam acompanhadas de expressões faciais ou linguagem corporal. Eu escrevo um post, vocês deixam um comentário (ou não)… mas não há aquele diálogo natural entre pessoas que se encontram face a face.

Onde é que eu quero chegar com isto? Bem… continuo a não conseguir saber lidar muito bem com aqueles posts em que conto apenas uma parte da história. Ao mostrar imagens fora de contexto, arrisco-me a ser superficial e não totalmente verdadeira. Sim, é óptimo focarmo-nos nas partes positivas das nossas vidas (e eu tenho a sorte de estar rodeada de amor e saúde), mas o facto de simplesmente apagar as partes difíceis não me parece que seja especialmente útil a quem leia este blog e esteja a passar por uma situação semelhante à minha.

Enfim, acho que vou ficar por aqui. Gosto de ter voltado ao blog, mas continuo um bocado à deriva em relação a conseguir encontrar o meu equilíbrio: aquele ponto ideal entre um blog que não é confessional, mas que também não é apenas um “show and tell”. Obrigada por me continuarem a acompanhar nesta viagem de descoberta e partilha.

I’ve had this post sitting on my drafts folder for a few weeks now (I’ve just counted 25 revisions… yikes!). This is what a good winter’s day with Rodrigo looks like when he’s at home with me. It’s the ideal day, so to speak. It’s not our everyday, thought — he’s usually at preschool and I’m at home doing housework and sometimes a bit of creative work too (which I always tend to prioritise in detriment of a tidy home and an inbox under control).

In previous versions of this post, deeper, darker subjects have crept up. I don’t find motherhood in isolation easy (I’ve hinted at it a couple of times in the past few years). Sometimes I feel that this isn’t what I signed up for — the isolation bit, not motherhood itself — and I write about managing expectations, coping with postnatal depression, isolation…. and then I delete it all.

It might have to do with my particular upbringing and my social and cultural circumstances, this whole difficulty in discussing certain matters in such a public space. It’s funny because I’m quite an open person — up to a point, I guess — and I’d have no problems discussing these issues with most of you in a conversation in real life. Perhaps it’s just this blogging format that doesn’t feel very conducive to this kind of conversation — the fact that you can only see my written words, without my facial expressions and body language going along with them. Or maybe it’s just the way blogging works:  I publish a post, you might leave a comment, but there’s no easy way of getting that natural back and forth that you get when you’re talking face to face with another person.

So  where am I getting at? I guess it’s just the fact that I struggle with telling you only one part of the story. Showing images and not providing a context can sometimes feel superficial and untrue. Yes, focussing on the positives is great (and I am so lucky to be surrounded with love and good health) but simply wiping out the difficult parts might not be particularly helpful to someone who might be reading this blog and going through a situation similar to my own.

Well, I guess that’s it for today. I’m glad I’ve resumed blogging but I’m still struggling to find my balance: that ideal place between a blog that’s not confessional but which also isn’t just a show and tell. Thank you for coming along with me in this journey of self-discovery and sharing.

 

 

 

Por aqui :: Around here


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Por aqui estamos em pleno Inverno. Muito frio, muita chuva mas também muitos dias de sol (felizmente!). Tenho cosido bastante: uma boneca nova, máscaras, calças de pijama e camisolas para rapazinhos que estão sempre a crescer e até umas luvas feitas com feltro caseiro. Tenho variado as receitas de pão, tenho apreciado novamente os tricots feitos pelas avós (como eu gosto de coisas tricotadas à mão!) e tenho tido alguma sorte nas minhas incursões por mercados de velharias e lojas de caridade.

Continuamos a frequentar a biblioteca semanalmente (um dos pontos altos nas vidas dos meus filhos!) e tenho lido bastante. Neste momento estou a ler um livro que me está a marcar especialmente: Big Magic da Elizabeth Gilbert. É um daqueles títulos que está a ter um grande hype mas garanto-vos que vale mesmo a pena ser lido. Aliás, nunca li o famosíssimo Eat, Pray, Love e até estou a ficar com vontade de lhe dar uma oportunidade. Este Big Magic é encantador, muito positivo mas sem filosofias baratas. É sobre criatividade, percepções e medo. Peguei no livro porque gostei imenso do podcast que o acompanha: Magic Lessons. Já o ouviram?

E por falar em podcasts, descobri recentemente dois de que estou a gostar muito. O primeiro chama-se First Day Back e é sobre uma mãe cineasta que, após seis anos de licença de maternidade, resolve voltar a trabalhar. Esta temática interessa-me bastante e dá pano para mangas… muito sinceramente, acho que não há respostas certas nem erradas neste campo e que cada pessoa deve tentar fazer as suas escolhas de forma consciente. Mas também acho que as mulheres do século XX romperam com um paradigma milenar e não é em apenas duas gerações que a sociedade se consegue reajustar de forma equilibrada. Ou seja, ainda é muito difícil conciliar filhos e carreira. Vale a pena ouvir o podcast todo de seguida!

Outro podcast que descobri na semana passada foi o Slow Your Home. Uma das coisas boas que esta nossa vida na Nova Zelândia nos tem trazido é a calma no dia-a-dia. Nunca fui fã desta cultura actual de “busyness” (muitos programas, muitas compras, muito barulho, muito trabalho, muitos compromissos) e aqui parece que não tenho de me justificar quando faço escolhas menos frenéticas. Enfim, este é um tema que cada vez me interessa mais e vou continuar a ouvir, ler e pensar sobre o assunto.

Para vocês que estão a entrar no Verão, espreitem o Cose+, porque ao longo da próxima semana vamos ter imensas sugestões de costuras para dia quentes. Também tenho um separador aqui no blog dedicado exclusivamente ao Verão. E, se quiserem reciclar roupa para as vossas crianças, espreitem este post (calças de linho do avô transformadas em calções para o neto) e este post (fatos de banho do tio transformados em calções de praia para o sobrinho).

 

Around here we are in winter mode. Very cold, lots of rain but also plenty of sunny days (thank goodness!). I’ve been sewing a lot: a new doll, costumes, pyjamas and tops for two ever growing boys and even a pair of mittens out of homemade felt. I’ve been trying out new bread recipes, I’ve been appreciating again all the hand-knitted things made by both grannies (oh how I love hand-knits!) and I’ve been having some luck in my excursions to second hand markets and charity shops.

Every week we go to the library (it’s one of the highlights of my children’s lives!) and I’ve been reading a lot. Currently I’m enjoying Elizabeth Gilbert’s Big Magic. It’s one of those books that’s been hyped up a lot lately but I assure you it’s well worth a try. I’ve never read the uber famous Eat, Pray, Love and this book is actually making me want to give it a chance. Big Magic is charming, positive and devoid of cheap philosophy. It’s about creativity, perceptions and fear. I picked it up because I loved its accompanying podcast: Magic Lessons. Have you listened to it?

Speaking of podcasts, recently I’ve discovered two that I’m really enjoying. One is First Day Back, about a filmmaker who wants to get back to work after six years of maternity leave. This subject interests me and we could spend hours discussing it… honestly, I don’t think there are right or wrong answers – each person must try to make their own choices. But I also think that women in the 20th Ventura have broken a millennial paradigm and society can’t readjust itself in just two generations. In a nutshell, it’s still pretty hard to balance both children and career. This podcast is great for binge listening!

Another podcast I discovered last week is Slow Your Home. One of the good things this life of ours in New Zealand has afforded us is peace and quiet in our everyday. I’ve never been a fan of “busyness” (lots of engagements, lots of shopping, lots of noise, lots of work, lots of compromises) and here I feel that I don’t have to justify myself when I make less frantic choices. This is a theme that I find fascinating and I’ll go on listening, reading and thinking about it.

For those of you who are entering summer, make the most of it! If you want to dive into my archives, I’ve got a whole category dedicated to summer living and crafting right here.

Por Aqui :: Around Here

 

 

 

 

 

 

Chuva e sol, frio e calor — típico tempo de início de Primavera. Um bebé a crescer e um rapazinho que adora cozinhar. Algumas noites mal dormidas. O jardim a acordar. Projectos de costura que avançam muito lentamente. Muitos livros, muitos puzzles e alguns desenhos animados. Bolos e scones. O Rodrigo (novamente) doente em casa e eu sem saber muito bem como gerir o dia-a-dia. Estamos todos a precisar de apanhar ar! 

 
PS. Tenho andado a ouvir o podcast The Longest Shortest Time e estou a gostar imenso — é sobre os primeiros tempos de maternidade (e paternidade) e acho-o inteligente e bem produzido. Recomendo-o vivamente a toda a gente com bebés pequenos em casa!
 
 
Rain and sunshine, cold and warm — typical early spring weather. A baby that keeps on growing and a little boy who loves kitchen work. A few broken nights. A garden that’s showing signs of life. Sewing projects that progress very slowly. Lots of books, lots of puzzles and some cartoons. Cakes and scones. Rodrigo was sick (again) and I struggled a bit. We’re all in need of some fresh air!
PS. I’ve been listening to The Longest Shortest Time podcast and I’m really enjoying it — it’s about the early days of parenthood and I find it intelligent and well-produced. If you’re a new parent, I highly recommend it!


(photos© Constança Cabral)

Por Aqui :: Around Here

 

Plantámos três árvores de fruto. Cozinhámos e fizemos bolos. Continuei o meu quilt (426 triângulos!). O Pedro dormiu e mamou e engordou. Aproveitámos os últimos dias com a avó. E a Primavera está à porta!
 
We planted three fruit trees. We cooked and baked. I worked on my quilt (426 triangles!). Pedro slept and fed and put on weight. We made the most of the last days with granny. And spring is just around the corner!


(photos© Constança Cabral)

Por Aqui :: Around Here

 

 

 

 

Muito obrigada por todos os comentários, mensagens e emails sobre o nascimento do Pedro. Hesitei bastante antes de partilhar aqui a história completa (embora não esteja assim tão completa… com o passar dos dias fui-me lembrando de mais pormenores) — ponderei publicar no blog uma versão aligeirada e condensada dos acontecimentos, mas depois achei que não faria sentido… e agora estou contente por não o ter feito. Num blog como este, a fronteira entre o pessoal e o privado nem sempre é fácil de estabelecer e, na maior parte das vezes, refreio as minhas partilhas. Mas este caso é especial.

 

Dentro daquela aflição tivemos uma sorte enorme, já viram? Decidi logo não me zangar com a parteira (ela faz parte de um sistema que funciona assim), assim como não pensar naquilo que poderia ter corrido mal. Correu tudo bem e sinto-me incrivelmente agradecida e abençoada.
 
Por aqui estamos em pleno modo pós-parto/recém-nascido, com todos os incómodos, dúvidas, surpresas e alegrias que isso implica. Dar de mamar com sucesso e gerir as birras do Rodrigo são, sem sombra de dúvida, os maiores desafios, mas os momentos de puro deleite não faltam: ver os abraços que o Rodrigo dá ao Pedro, descobrir covinhas numas bochechas já tão cheias, quando nos dá um intervalo bom à noite. Mais uma vez digo que temos uma sorte imensa.
 
A minha prioridade é alimentar o Pedro, dar atenção ao Rodrigo e dormir, mas vou tentando fazer outras coisas aqui e ali, nem que seja só durante 5 minutos. Comer uma taça de iogurte no jardim. Apanhar flores. Coser uns triângulos para o meu novo quilt de Primavera (que comecei na véspera do nascimento do Pedro).
 
Cá estamos, e está tudo bem.
 
 
Thank you so much for all the comments, messages and emails regarding Pedro’s birth [I still haven’t translated the whole story into English but I’m hoping to do it over the next week]. I second-guessed my decision to share the story here but now I’m glad I’ve done it. On a blog such as this one it’s sometimes hard to define where the personal ends and the private begins, and more often than not I limit my sharing quite a lot. But Pedro’s birth was special.
 
Amidst the tribulation we were incredibly lucky. I’ve no hard feelings and I’ve decided not to think about what could have gone wrong. Everything went well and I feel so blessed and thankful.
 
Aound here we are buried deep into post-partum/newborn mode, with all it entitles: discomfort, doubts, surprises and joy. Breastfeeding successfully and managing Rodrigo’s temper are the main challenges right now, but we’re also experiencing moments of pure delight: watching Rodrigo cuddling Pedro, finding dimples in his round cheeks, when he sleeps for a good few hours at night. I’ll say this again and again-. we are so lucky.
 
My priorities now are feeding Pedro, spending time with Rodrigo and sleeping but I’m trying to carve out 5 minutes here and there to do other things. Like eating a bowl of yoghurt in the garden. Picking flowers. Piecing some triangles for my spring quilt (the one I started on the eve of Pedro’s birth).
 
We are here, and all is well.
 

(photos© Constança Cabral)

Por Aqui :: Around Here

Ando com vontade de voltar a publicar posts com apanhados do meu dia-a-dia cá em casa. Posts mais espontâneos e mais mundanos, pequenos vislumbres da minha vida — momentos que, no último ano e meio, passei a partilhar no Instagram e não aqui no blog. Gostava que se tornasse algo frequente (quinzenal? semanal? o melhor é não me comprometer com nada nesta altura): quero desafiar-me a tirar mais fotografias, experimentar ângulos diferentes, tentar captar pormenores e registar estes instantes para a posteridade.
Estou prestes a completar as 40 semanas de gravidez. Tenho passado os últimos dias a fazer cortinados para a bay window do nosso quarto (3 janelas com 3,30 m de altura). A roupa de bebé está toda lavada e arrumada. Trouxe uma série de livros da biblioteca. Tenho aproveitado a ajuda da minha mãe para descansar (e coser). Continuo a fazer pão. Já há flores de Primavera nos jardins e nos supermercados. A minha máquina de costura entregou a alma ao Criador e tive de arranjar uma substituta (a decisão teve de ser tomada rapidamente e acabei por comprar uma Bernina Nova 900 dos anos 80… mas tenho muitas saudades da minha Bernina Record 830 e não vou descansar enquanto não encontrar outra igual).
Ao escrever este post, lembrei-me de um que escrevi há dois anos e meio, uns dias depois de ter completado as 40 semanas do Rodrigo. O país era outro mas também era Inverno (apesar de o mês ser Fevereiro e não Julho). E, curiosamente, os meus dias eram passados de maneira semelhante… ora espreitem aqui.
I’ve been wanting to come back to posting snippets of my days at home. I’m feeling the urge to publish more spontaneous and mundane snapshots here on the blog — some of those moments that I’ve been sharing  on Instagram for the past 18 months. I’d like to do it with some kind of frequency (weekly? fortnightly? maybe this isn’t the best time to make this kind of commitments): I want to challenge myself to take more pictures, try different angles, capture details and freeze some instants of my life.
 
I’m two days short of being 40 weeks pregnant. I’ve been spending the last few days making curtains for the bay window in our bedroom (no small task… I’m talking three windows that are 3,30 m high). All of the baby clothes are washed and ready. I’ve borrowed a few books from the library. I’ve been making the most of the fact that my mother’s here and I’ve been resting (and sewing lots). I’m still baking bread. Spring flowers can be spotted in gardens and supermarkets. My sewing machine died and I had to find a replacement (the decision had to be made quickly and I ended up buying a Bernina Nova 900 from the 1980s… but I’m still mourning my Bernina Record 830 and I shall not rest until I manage to track down another one).
 
Whilst sketching out this post I remembered writing a similar post two and a half years ago when I was a couple of days overdue with Rodrigo. I was living in a different country but it was also winter time (even though the month was February rather than July). And funnily enough, my days were spent in a very similar way… check it out here.
 
(photos© Constança Cabral)

 

Flores de Inverno :: Winter Flowers

Ando feliz com as flores que tenho encontrado no nosso jardim. Estamos em pleno Inverno e há camélias, alfazema, heléboros, narcisos, jacintos, margaridas, sardinheiras, daphne e muitas outras cujo nome não conheço. E cheiram tão bem. Bem dizem que a terra é boa na Nova Zelândia!

I’m so happy with all the flowers I’ve been discovering in the garden. We’re in the dead of winter and I’ve picked camellias, lavender, hellebores, daffodils, hyacinths, pelargoniums, daphne and others that I cannot name. And they smell heavenly. New Zealand soil is terrific!


(photos: © Constança Cabral)

Plantar Árvores :: Planting Trees

No fim-de-semana passado plantámos cinco árvores no nosso jardim: uma macieira, um marmeleiro, uma figueira, uma laranjeira e um abacateiro. O Rodrigo adorou participar! Cavou, mexeu na terra, chapinhou na lama e correu por todo o lado. Fico tão contente por ele poder andar assim ao ar livre… espero estar a criar um pequeno jardineiro!
Last weekend we planted some trees in the garden: apple, quince, fig, orange and avocado (one of each). Rodrigo loved the experience! He dug, played with the soil, rolled in the mud and run around. I’m so happy that he’s getting this chance to be outdoors so much… I hope I’m raising a little gardener!
(photos: © Constança Cabral)

Flores de Fevereiro :: February Flowers

O jardim está lentamente a despertar e, quando há umas horas de sol, posso jurar que já cheira a Primavera. As flores ainda não são abundantes mas sempre dá para apanhar algumas aqui e outras ali, e fazer uns mini-arranjos de final de Inverno.
The garden is slowly awakening and whenever there’s a sunny spell, I can swear it smells like spring. Flowers are still scarce but you can always pick some here and a few there to make late winter mini arrangements.

(photos: Tiago Cabral)