Por Aqui :: Around Here

autumn picnic in New Zealand - Constanca Cabral

romper made from a vintage Simplicity pattern, using Palos Verdes fabric - Constanca Cabral

gardening with kids : poding beans - Constanca Cabral

making a doll - Constanca Cabral

autumn flower arrangement - Constanca Cabral

quince paste - Constanca Cabral

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Por aqui… bem, por aqui passou-se um ano e muita coisa se passou durante este meu último ano.

Para começar, o blog tem um endereço novo, uma imagem nova, um nome novo. Obrigada à Sílvia, à Filipa e à Joana pela ajuda durante este longo processo de mudança.

Ainda há muito por fazer: acabar de arrumar o site, alterar alguns pormenores, enfim. Mas resolvi voltar a escrever aqui antes de estar tudo pronto. O grande mantra do empreendorismo contemporâneo é “start before you’re ready”, não é? Se ficarmos à espera de que todas as condições estejam reunidas para lançar (ou, neste caso, relançar) um projecto, se só dermos o primeiro passo depois de acharmos que tudo está perfeito… bem, então a tarefa de (re)começar torna-se hercúlea. Tenho vontade de voltar a escrever posts e vou tratando do resto com calma. Espero que se sintam confortáveis aqui e peço-vos alguma paciência para os próximos tempos.

Também espero que tanta coisa nova se traduza num novo fôlego para eu voltar a habitar esta casa. O blog esteve em pausa durante um ano mas o meu Instagram continuou bastante activo — e, mais importante ainda, eu nunca estive parada. Aliás, quando retirei a pressão (e a obrigação auto-imposta) de documentar os meus projectos (tirar várias fotografias, escrever textos com pés e cabeça), passei a fazer muito mais coisas, porque aquelas horas que gastava a elaborar posts passaram a ser canalizadas para o acto de simplesmente fazer. Partilhei a maior parte daquilo que fiz no Instagram e, durante uns meses, foi um alívio poder simplesmente tirar uma fotografia rápida com o telefone e escrever uma legenda curta, sem ter de me preocupar com estrutura, links, traduções e por aí fora. No entanto, com o passar do tempo — e à medida que me fui sentindo menos assoberbada e exausta — comecei a sentir falta de um espaço com maior profundidade. Fiquei com saudades deste blog que comecei há dez anos e que é a minha casa na internet.

Pensei muito durante este ano. Cheguei a algumas conclusões, mas há outras dúvidas que persistem. Hoje recomeço este blog sem planos estruturados, sem um calendário editorial rígido, sem grandes obrigações de periodicidade. Vou voltar a escrever posts quando me for possível, vou continuar a ser eu própria, às vezes mais aberta, outras vezes mais reservada.

Esta história de ter um blog sobre a minha vida quotidiana — em que o enfoque é sempre o acto de fazer à mãofazer em casa e fazer de forma simples  (mesmo quando essa aparente simplicidade acaba por ser bastante mais trabalhosa do que comprar já feito) — tem muito que se lhe diga. Consciente ou inconscientemente, a minha vida pessoal acaba por permear tudo aquilo que vou partilhando aqui. Por muito que eu estabeleça fronteiras, a linha que divide a “esfera pessoal” da “esfera privada”  é, por vezes, bastante cinzenta. E, depois, há aquele eterno dilema da imagem da minha vida que acaba por ser retratada neste espaço. Por muito que eu queira ser sempre transparente, honesta e eu própria, é inevitável que muitas coisas fiquem por dizer, por mostrar ou por explorar. Da mesma forma como não contamos todos os pormenores da nossa vida, em voz alta, numa sala cheia de gente, não nos expomos totalmente na internet. Há muitos de vocês que são meus conhecidos e meus amigos (e acreditem que este blog que tem feito conhecer muitas pessoas bestiais, com quem tenho desenvolvido amizades), mas também há muitas pessoas que me lêem e que nunca deixaram um comentário, nunca me abordaram na rua, nunca me escreveram um email. Há muitos desconhecidos agora e muitos mais haverá no futuro. Tudo isto para voltar a insistir na questão de que aquilo que partilho convosco é só uma parte da minha vida… está longe de constituir a totalidade da minha existência.

Por outro lado, a minha vida já não é só minha. Tenho um marido e dois filhos pequenos e, se não me faz confusão mostrar a cara deles aqui, entrar na sua esfera privada está fora de questão. (Sei que há toda a questão do direito à imagem deles, mas essa discussão vai ficar para outro dia.) Enfim, estes são temas muito complexos, ao ponto de se tornarem paralisantes. Vou continuar a agir com naturalidade e boa fé, vou continuar a povoar este espaço com boas energias e bons sentimentos e vou continuar a ter esperança e a acreditar no Bem.

Obrigada a todas as pessoas que estiveram presentes durante este último ano. Obrigada por todos os comentários no Instagram, pelos emails, pelos olás ao vivo e pelo entusiasmo com que recebem as minhas partilhas. Isto convosco tem muito mais graça.

 

Around here… well, it’s been a year and a lot has happened in this past year.

For starters, the blog has a new address, a new look and a new name. Thank you SílviaFilipa and Joana, for helping me throughout this process.

There’s still a lot to do: some recategorizing, a bit of formatting and a few tweaks here and there. But I’ve decided to resume my blogging activity before everything is finished. The great mantra of modern entrepreneurism is “start before you’re ready”, right? If you wait for every star to be aligned in the ideal position before you (re)launch something, if  you only take the first step when you feel everything is perfect… well, then the task of (re)starting takes herculean proportions. I feel the urge to blog again and I’ll take care of the rest in due time. I hope you’ll feel comfortable here and I ask you to bear with me while I tidy things up.

I didn’t blog for a year but I kept very active on Instagram. Once I took away the pressure (and self-imposed obligation) to document my projects — take several pictures, write proper compositions — I suddenly started making many more things, because those hours that I used to spend editing photos and writing posts were now being used solely for making. I shared most of my makes over at Instagram and, for a few months, it was such a relief to simply snap a picture with my phone and write a small caption, without worrying about structure, links, translations and so forth. However, as time went by and I felt less overwhelmed and less exhausted, I started craving a space with a little more depth to it. I missed this blog that I started writing ten years ago and that is my home in the internet.

During this past year I did a lot of thinking. I came to a few conclusions but many doubts still persist. Today I resume this blog with no big plans, no strict editorial calendar and no self-imposed obligations of consistency. I intend to post whenever I can and I’m going to go on being myself — sometimes more open, other times more reserved.

This business of blogging about my everyday life — even when the focus is making by handmaking at home  and making in a simple way (even when that apparent simplicity ends up being a lot more work that buying something ready-made) — can be a bit tricky. Whether consciously or unconsciously, my personal life ends up permeating a lot of what I share. As much as I establish boundaries, the line that separates my “personal sphere” from my “private sphere” can be quite grey. And then there’s that whole dilemma of the image of my life that ends up being portrayed here. As much as I strive to always be transparent, honest and myself, it’s inevitable that a lot of things don’t get told, shown or explored. In the same way that we don’t tell out loud every detail of our lives in a room full of people, we don’t entirely expose ourselves online. I do know some of you (some of you are friends and others are online acquaintances whom I’ve grown fond of) but there are others who’ve never left a comment, written me an email or had an interaction with me. This blog is read by many people who are, in fact, strangers to me — that’s the nature of the internet and I’m OK with it. But I feel like the need to state yet again that what I share online is just a portion of my life… it’s not the whole extension of my existence.

On the other hand, my life isn’t entirely my own any more. I’ve got a husband and two young children and while I don’t see a problem in sharing their faces, entering their private lives is out of the question. (I know there’s the whole conundrum of whether I’ve got a right to their images or not but we shall discuss that another time.) Anyway, these are very complex subject matters, so much so that they can sometimes be paralysing. I’ll continue to be natural and act in good faith, I’ll go on populating this space with good energies and good feelings and I’ll keep on having hope and believing in goodness.

Thank you to everyone who has been present throughout this last year. Thank you for every comment on Instagram, for every email, for every hello in the flesh and for the enthusiasm you’ve shown in regard to what I choose to share. You make everything a lot more fun.

 

Por Aqui :: Around Here

Por aqui estamos em pleno Outono, com tudo o que de bom e mau isso implica. Março é o meu mês preferido nos antípodas (equivale a Setembro no hemisfério norte) e costuma ser um mês de extremos: frio, calor, tempestades, chuva torrencial, sol radioso. Mas é a luz dourada que mais me atrai nesta altura do ano, bem como as cores das folhas das árvores, as bagas nos arbustos e a abundância de fruta e legumes.
Temos aproveitado ao máximo os dias bons para para brincar no jardim, passear, ir apanhar amoras e maçãs à beira da estrada… Infelizmente os meus passeios a pé depois do jantar já acabaram (não gosto nada de passear no escuro) e a época das febres já chegou cá a casa. 
Uma nova estação traz novos ritmos, novas actividades e novas conquistas. Bem-vindo, Outono!
Around here it’s autumn, with all the good and the bad this it entails. March is my favourite month in the antipodes (it’s the equivalent of September in the northern hemisphere) and it’s usually a month of contrasts: cold, hot, stormy, rainy, sunny. But it’s the golden light that attracts me the most, as well as the leaves changing colour, the berries and the abundance of fruit and vegetables.

We’ve been making the most of the sunny days by playing in the garden, exploring new places, picking blackberries and apples on road verges… Unfortunately my daily walks after dinner have come to an end as I don’t like walking after dark, and fever season is upon us.

A new season brings new rhythms, new activities and new milestones. Welcome, autumn!

Final de Outono :: Late Autumn

No Instagram vejo fotografias de portugueses na praia — aqui o vento arranca as folhas das árvores. Gosto imenso do Outono mas, desde que me mudei para o hemisfério sul, não consigo gozá-lo da mesma maneira. Há mais de um ano que sinto que me roubaram as estações do ano… é estranhíssimo. Sei que nos devemos concentrar no presente e tirar o maior partido do sítio onde vivemos — no outro dia li uma expressão de que gostei muito: “floresce no lugar onde estás plantado” — mas a verdade é que as minhas raízes continuam na Europa e, como tal, é inevitável sentir esta desconexão a toda a hora.  Já devem ter reparado que o conteúdo do blog está cada vez menos sazonal… é que não tem muita graça fazer marmelada em Março, e bolo de maçã em Maio, e falar em framboesas em Dezembro, quando a maior parte do meu público vive no hemisfério norte. Sim, o blog é meu, mas também o escrevo para vocês.
Há muito tempo que tinha vontade de escrever sobre isto (a vontade tende a ser mais aguda pela altura do Natal) mas não quero que soe a lamento… é mais um desajuste, fruto desta era da internet. Dou por mim a não saber em que mês me encontro, às vezes é de loucos! São anos e anos de referências que agora são vistas através de um espelho. Enfim, tudo leva o seu tempo. 
On Instagram I see pictures of Portuguese people on the beach — here the wind sweeps away the leaves from the trees. I still love autumn but ever since I’ve moved to the Southern hemisphere, I’m somehow unable to enjoy it in the same way as I used to. For more than a year I’ve felt that the seasons have been stolen from me… it’s such a strange sensation. I know one should concentrate in the present moment and try to make the most of the place where one lives — I’ve recently read a lovely quote: “bloom where you’re planted” — but the truth is, my roots are still firmly stuck in Europe and so I feel this disconnection all the time. I’m sure you’ve noticed that the blog is becoming less and less season-centered… it’s just not as pleasurable for me to make quince paste in March, bake apple cake in May and talk about raspberries in December when the majority of my audience lives in the Northern hemisphere. Yes, it’s my blog, but I also write it for you.

I’ve been wanting to write about this for ages (around Christmas time the feeling tends to be even more acute) but I don’t want it to sound like a lamentation… it’s more of a misfit, a product of this internet age. Sometimes I don’t even know which month it is, isn’t that crazy? I guess it’s just years and years of references which I now must interpret through a mirror. Well, everything just takes time.

(photos© Constança Cabral)

Época da Feijoa :: Feijoa Season

Até ter vindo viver para a Nova Zelândia, nunca tinha ouvido falar em feijoas. Também conhecidas como goiabas-serranas ou goiabas-ananás, as feijoas são originárias da América do Sul mas são incrivelmente populares na NZ. Não há praticamente jardim que não tenha uma árvore de feijoa e, no Outono, os frutos encontram-se à venda em qualquer supermercado. Nós temos a nossa árvore e o Rodrigo gosta muito de apanhá-las e comê-las (haja alguém cá em casa que goste delas!). E vocês, já provaram feijoas?
I had never heard of feijoas until I came to New Zealand. Also known as pineapple guavas, feijoas come from South America but are incredibly popular in NZ. Almost every garden has its own feijoa tree and in Autumn you can find the fruit for sale at supermarkets. We’ve got our own tree and Rodrigo enjoys picking and eating them (I’m glad at least one person in this household actually appreciates their taste). What about you, are you familiar with feijoas?

(photos© Constança Cabral)

Outono nos Antípodas :: Antipodean Autumn

Castanhas do mercado, marmelos de uma vizinha e maracujás e feijoas cá de casa. Frio de manhã e ao fim da tarde. A chaminé limpa e a garagem cheia de lenha. Outono, estamos prontos!
Chestnuts from the farmers’ market, quinces from a neighbour, passionfruit and feijoas from our garden. Cool mornings and evenings. The chimney has just been cleaned and the garage is full of firewood. Autumn, we’re ready for you!

(photos© Constança Cabral)

Folhas :: Leaves

Foi em Cape Cod, na nossa lua-de-mel em Setembro de 2007, que fiquei completamente rendida ao Outono. Nunca até aí tinha visto árvores assim, folhas assim, cores assim. Os três anos que vivemos em Inglaterra vieram cimentar este meu fascínio outonal. A verdade é que gosto de árvores durante todo o ano: despidas no Inverno, floridas na Primavera, verdes no Verão… mas, a meu ver, é no Outono que elas atingem o seu auge.
Apanhei todas estas folhas no caminho entre a nossa casa e a escola do Rodrigo (os tais 4 km que faço a pé todos os dias). O caminho é sempre o mesmo, mas a natureza nunca é igual. Neste momento há  camélias que começam a abrir, bolbos que despontam nos jardins e folhas que mudam de cor e caem no chão. Estas pequenas ocorrências reconfortam-me e tornam os meus dias menos monótonos e muito mais felizes. 

It was in Cape Cod, during our honeymoon in September 2007, that I fell head over heels with Autumn. Never before had I seen such trees, such leaves, such colours. The three years we lived in England made this autumnal fascination of mine grow even stronger. It’s a fact that I love trees throughout the year: naked in winter, flowery in spring, green in summer… but, for me, it’s in Autumn that they reach their peek.

I gathered these leaves on the way between our house and Rodrigo’s daycare (those 4 km I walk every day). The road never changes but nature is never the same. At the moment camellias are starting to bloom, there are bulbs poking through the ground in some gardens and leaves that change colour and fall down. These small occurrences comfort me and make my days less monotone and much happier.

(photos: © Constança Cabral)

Outono :: Autumn

O Outono na Nova Zelândia tem sido bastante suave. Nuns dias chove, noutros dias faz sol, algumas árvores mudam de cor, avistam-se umas bagas à beira da estrada. Às vezes tenho saudades do espantoso Outono inglês, mas depois lembro-me do frio e da humidade e consolo-me com este Outono mais ao gosto português.
Autumn in New Zealand has been quite mild. Some days it rains, some days the sun shines, a few trees change colours, berries can be spotted on roadside verges. I often miss the spectacular English autumn but then I remember the cold and the damp and I find a lot of comfort in this rather Portuguese-flavoured autumn.

(photos: © Constança Cabral)

Maracujás :: Passion Fruit

Temos a sorte de ter um jardim que, para além de muitas flores, dá também alguns frutos. Os preferidos do Rodrigo são os maracujás!
We’re lucky enough to have an established garden with lots of flowers and some fruits. Rodrigo loves picking and eating passion fruit!

(photos: Tiago Cabral)

Debaixo do Marmeleiro :: Under the Quince Tree

O meu entusiasmo por marmelos está a dar frutos (literalmente): fomos convidados para ir ver umas galinhas e ovelhas a casa de uns vizinhos e saímos de lá com 9 quilos de marmelos. Mais um exemplo da simpatia neozelandesa! 
(PS. a camisola do Rodrigo foi tricotada pela minha mãe — o modelo é este)
My excitement towards quinces is quite literally bearing fruit: we were invited to go look at some sheep and hens and we came home with 9 kgs of quinces! As I’ve said before, Kiwis are so friendly and welcoming… thank you, Jill!

(PS. Rodrigo’s sweater is another one of my mother’s lovely hand-knits — here’s the pattern she’s used)

(photos: Tiago Cabral)

Macieiras :: Apple Trees

No fim-de-semana passado fomos passear até Hawke’s Bay, uma zona de produção de fruta e de vinho. Estamos em plena época da colheita da maçã e a certa altura pedi ao Tiago para parar o carro e tirar umas fotografias. Nunca tinha visto macieiras assim, com maçãs até ao chão — a macieira em frente de nossa casa em Inglaterra tinha uma copa alta e larga (podem revê-la aqui). 
Não é bonito ver uma árvore carregada de fruta?
(estas fotografias são dedicadas à Vivi, que apesar de comer religiosamente uma maçã por dia, nunca viu uma macieira!)
Last weekend we went to Hawke’s Bay, a region known for its wine and fruit production. We are in the midst of apple harvest time and at a certain point I asked Tiago to pull over and take some pictures. I had never seen apple trees like these, long and thin and with fruit almost touching the ground — the apple tree that was in front of our house in England had a tall, wide crown (you can see it here).

Isn’t it beautiful when a tree is completely laden with fruit?

(these photos are dedicated to Vivi, who eats an apple a day but has never seen an apple tree!)

(photos: Tiago Cabral)