Early to bed and early to rise…

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Hoje de madrugada partilhei no Instagram e no Facebook esta fotografia do nascer do sol visto da porta da minha cozinha. Foi uma partilha espontânea: não editei a imagem e escrevi simplesmente que, de há uns tempos para cá, comecei a deitar-me cada vez mais cedo e, consequentemente, passei a acordar por volta das 6h-6.30h sem esforço e sem despertador.

A reacção de quem me segue naqueles canais foi imediata e tão pessoal que fiquei a pensar que se calhar deveria escrever um post mais detalhado sobre este assunto.

Durante os meus 20s eu era uma pessoa de me deitar tarde. Lembro-me de que, quando tive a primeira experiência de viver sozinha (durante o Erasmus em Paris), me deitava frequentemente às 2h-3h da manhã. Mais tarde, de volta a casa do meu pai, o normal era ir para a cama à meia-noite. Quando me casei alterei um pouco este hábito, porque o Tiago começava (e ainda começa) a trabalhar às 8h da manhã e gostava de se deitar por volta das 10h da noite. Mas eu continuava com imensa preguiça de ir para a cama.

Já estão a adivinhar o que se seguiu… pois, tive dois bebés e eles alteraram completamente os nossos horários. Passámos a seguir o regime britânico (e neozelandês) de deitar as crianças às 7h-7h30 da tarde (cá já lhe chamam noite… é curioso como a percepção das horas muda em função do países). Eles normalmente acordam por volta das 7h da manhã, idealmente depois de terem dormido 12h. Jantamos todos cedo (lá para as 6h30), eles vão para a cama e nós podemos gozar o serão com calma (há que dizer que todo este cenário idílico nem sempre se verifica).

Claro que estes horários são mais fáceis em países cujas sociedades estão organizadas no sentido de as pessoas começarem a trabalhar cedo e voltarem para casa cedo (o Tiago normalmente chega a casa entre as 5h30 e as 6h da tarde). Mas digo-vos que jantar antes das 8h tem sido uma revelação para mim. Os meus problemas de digestão melhoraram, por exemplo!

Tanta conversa para voltar ao assunto de deitar cedo e cedo erguer. Eu preciso de dormir 8-9h por noite. Se durmo menos, o dia não me rende nada. Por outro lado, sou uma pessoa bastante introvertida e preciso de momentos tranquilos antes de a confusão do dia começar. Descobri que acordar cedo e tomar o pequeno-almoço sozinha, ouvir os passarinhos e ler um bocado me traz imensa serenidade e torna o meu dia melhor. Mas, para isso, tenho mesmo de me impôr a disciplina de deitar-me cedo, idealmente por volta das 9h da noite. E acreditem que todas as noites tenho de vencer a resistência de ir para a cama…

Sei que este não é um assunto incrivelmente excitante, mas acho que é importante conversarmos sobre isto. Vivemos numa sociedade de pessoas extraordinariamente estimuladas e cansadas. O simples facto de dormirmos o suficiente pode aumentar radicalmente a nossa qualidade de vida. E é uma terapia que não custa dinheiro nenhum!

Como em tudo, não é preciso ser fundamentalista. Há noites especiais, e é saudável que elas continuem a existir. Mas, a meu ver, devem constituir a excepção e não a regra. A verdade é que, no dia-a-dia, muitas vezes esticamos a noite sem que ganhemos nada com isso. Mais um episódio – mais um capítulo – mais uma notícia…

Se esta ideia de encarar o sono como prioridade vos intriga mas acham que não é para vocês, assistam a esta curta palestra. Se continuarem cépticos, leiam o livro The Sleep Revolution.

E se não quiserem saber de palestras nem de livros nem de estudos científicos, ouçam simplesmente a sábia voz do povo:

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.

***

Earlier today I shared on  Instagram and  Facebook this photo of the sunrise viewed from my kitchen door. It was a spontaneous share: I didn’t edit the image and I simply wrote that recently I’ve started to go to bed earlier and, consequently, have started to wake up around 6-6.30am with no alarm and no effort on my part.

People’s reactions were so immediate and personal and this got me thinking that maybe I should address this topic on a more detailed blog post.

All through my 20s I was a bit of an owl. I remember that when I first lived all by myself (during Erasmus in Paris) I used to go to bed at 2-3am. Later, when I came back to my dad’s home, I shifted to midnight. When I got married I altered my habits again because Tiago used to (and still does) start work at 8am (in Portugal that’s considered an early start), so he went to bed at around 10pm. But I still felt a strong reluctance to go to bed at that time.

I’m sure you’re guessing what comes next… yes, I had two babies and they completely shifted our schedule. We started following the British (and Kiwi) regime of putting children to bed at 7-7.30pm (this still is an absolute shocker to my Portuguese friends and family). They’ll usually wake up around 7am, ideally after having slept 12 hours. We’ll all have dinner early (around 6.30), then the kids will go to bed and Tiago and I will get to spend a quiet evening together (of course there are those days when things don’t go as planned).

It goes without saying that this schedule is much easier in societies where people start and leave work early (Tiago will typically arrive home at 5.30-6pm). I must say that having dinner before 8pm has been a revelation for me. If nothing else, my indigestion issues are much better!

All this rambling to get to the point of early to bed and early to rise. I need to sleep 8-9h a night. When I sleep less, my day will be challenging. On the other hand, I’m quite the introvert and I need some tranquility before the day starts. I’ve discovered that if I wake up early, have breakfast alone, listen to the birds and read for a while, I’m more serene and my day is much better. But, in order to do that, I must have the self-discipline of going to bed at around 9pm. Believe me, each night I’ve got to force myself to do it…

I know this isn’t the most exciting of topics but I think it’s a really important one. We live in a society of people who are incredibly stimulated and exhausted. The simple fact of getting enough sleep can radically increase our quality of life. And this therapy is free!

As always, there’s no need to become fundamentalist about it. There are special occasions and it’s healthy that they keep on existing. But I think they should be the exception, not the norm. So often we postpone our bedtime for no good reason. Just another episode — another chapter — another piece of news…

If this idea of making sleep a priority intrigues you but you believe it’s not for you, check out this short talk. If you still feel sceptical, I suggest you read the book The Sleep Revolution.

And if you don’t care about talks or books or scientific studies, just listen to the wise proverb:

Early to bed and early to rise makes a man healthy, wealthy and wise.

Around here

autumn picnic

new zealand by air

nz church

autumn

28/100

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Sempre que faço uma pausa mais prolongada no blog custa-me imenso voltar.

Este último mês foi bastante intenso. Uma amiga minha veio cá passar duas semanas e eu praticamente não estive online. Soube tão bem — diria até que foi uma revelação. Depois o Rodrigo esteve de férias. A seguir o Tiago esteve uma semana fora. E agora voltámos finalmente às rotinas.

Não vou desistir do projecto 100 Days of Blogging. Fiz uma pausa e agora estou de volta. Já cheguei à conclusão de que não consigo escrever posts todos os dias, mas tenciono actualizar o blog com frequência até ao post número 100. E depois logo farei um balanço.

Ao longo dos últimos 6 meses tenho-me esforçado por desligar-me progressivamente da internet e tem sido uma experiência muito positiva. Comecei por deixar de levar o telefone para o meu quarto à noite. Em seguida, deixei de tocar no telefone quando começa a rotina da noite cá em casa (às seis da tarde). Fui-me apercebendo de que, quando passo o serão a ver o Pinterest e o Instagram, durmo muito pior. Parece que o meu cérebro fica ultra-estimulado e é incapaz de se desligar: acordo várias vezes durante a noite, tenho sonhos muito intensos, acordo cansada.

E depois a minha amiga veio visitar-nos e voltei a perceber como a vida é gira quando os nossos amigos estão por perto. Tenho tantas saudades das minhas pessoas! Conversámos imenso, explorámos as redondezas e até fomos a Dunedin (uma cidade no sul da Ilha do Sul). Voltei a sentir-me eu mesma e a divertir-me!

Por aqui estamos na recta final do Outono. O Inverno está à porta. Quero tirar partido dele, em vez de me apetecer estar num sítio diferente. Quero estar presente aqui, com a minha família, neste país — não constantemente online, a sentir-me ansiosa e esmagada. A internet é bestial e sinto-me muito agradecida pela sua existência, mas tornou-se um espaço muito diferente daquele que comecei a habitar há cerca de 10 anos. Sinto-a demasiado barulhenta, demasiado dominante. A resposta é sempre a mesma: encarar as coisas com conta, peso e medida. E reduzir.

***

Whenever I take a blog break, I find it so hard to come back.

You see, this past month has been quite eventful. We had a friend over for two weeks and I practically didn’t go online. It was blissful and felt like a revelation. Then Rodrigo was off school for Easter break. Then Tiago was overseas for a week. And now we’re finally back to our usual rhythm.

I’m not going to give up on my 100 Days of Blogging project. I took a break, now I’m back. I’m not going to blog every.single.day but I’ll keep updating the blog on a regular basis until I reach post number 100. And then I’ll evaluate.

Over the past 6 months I’ve been weaning myself off the internet and it feels great. I started by not taking my phone into my bedroom at night. Then I progressed into not touching it after the kids’ night-time routine, which starts at 6pm around here. I’ve noticed that in those evenings when I browse Pinterest or scroll Instagram after dinner my sleep is so much worse. It’s like my brain gets overstimulated and is therefore unable to switch off: I wake up several times in the night, I have very vivid dreams, I wake up unrested.

And then my friend came to stay and I got to experience what it feels like to have one’s friends around. Oh how I miss my people! We talked a lot, went for day trips and even took a plane down to Dunedin (a city in the southern part of the South Island). I felt like myself again and I had fun!

Late Autumn is upon us, Winter is coming. I want to embrace it, instead of wishing I was living elsewhere. I want to be present here, with my family, in this country — not constantly online, feeling anxious and overwhelmed. The internet is wonderful and I’m so grateful it exists, but it’s become a very different place from what it was 10 years ago. It’s too noisy, too prevailing, too difficult to manage — for me, at least. I guess that, when it all feels to much, the trick is to pick and choose. And reduce.

 

Autumn Cake

22/100

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Esta semana que passou foi muito intensa (impostos, prazos, uma criança doente), daí a falta de posts.

Deixo-vos com um bolo de Outono cuja receita partilhei há uns anos (aqui) e que é o bolo que mais gosto de fazer nesta altura do ano. Para todas as pessoas que me seguem no hemisfério norte, desejo-vos uma óptima Primavera!

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It’s been one of those weeks (taxes, deadlines, a sick child), hence the lack of blog posts.

I leave  you with a cake I love to bake every autumn (I shared the recipe here a few years ago). To all of you who live in the northern hemisphere, happy Spring!

Autumn Planting

21/100

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Com a chegada do Outono, estamos a preparar o jardim para a nova estação. Na Primavera normalmente faço sementeiras, mas no Outono tudo parece mais urgente e acabo sempre por comprar pés de plantas no mercado.

Algumas das minhas escolhas foram feitas em função dos meus rapazes: couve-flor (branca e roxa) e brócolos (romanescos e normais) para o Rodrigo, que diz que são os vegetais preferidos dele mas na verdade, quando os vê no prato, não demonstra o mesmo entusiasmo. Beterrabas para o Tiago, que fez as pazes com elas quando comeu uma de cultivo doméstico (muito mais saborosa do que as de supermercado). Os restantes — alhos franceses, alfaces e coentros — são para o benefício de todos cá em casa.

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With the arrival of autumn we’re getting the garden ready for the new season. In spring I usually sow the plants I want to grow but in autumn everything feels more urgent, which means that I always end up buying seedlings instead of seed packets.

Some of my plant choices have been influenced by my boys’ tastes: cauliflower (white and purple) and broccoli (romanesco and the unfancy variety) for Rodrigo, who says they’re his favourites but never shows the same level of enthusiasm when he’s confronted with them on his own plate. Beetroot for Tiago, who has grown to love them ever since he tasted a homegrown one. The rest — leek, lettuce and coriander — were chosen for the enjoyment of us all. 

Around Here :: Early Autumn

 

autumn nature table berries

autumn nature table rosehips

autumn nature table

17/100

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Por aqui estamos no princípio do Outono, a altura do ano de que mais gosto.

Ontem, a pedido do Rodrigo, fomos apanhar bolotas ao parque. Quando chegámos a casa, lembrei-me de lhe propor que fizéssemos uma “nature table” outonal. Ele, que vibra tanto com as estações quanto eu própria, ficou entusiasmadíssimo com a ideia. Corremos o nosso jardim à procura de sinais de Outono e depois dispusemos tudo em cima do aparar da casa-de-jantar.

Estes rituais sazonais continuam a ser muito importantes para mim e fico contente que o Rodrigo também lhes ache graça. Gosto que ele seja sensível ao mundo que o rodeia e que se entusiasme com estes pequenos (grandes) acontecimentos do dia-a-dia!

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Around here it’s early autumn, my favourite time of the year.

Yesterday Rodrigo asked me to go hunting for acorns in the park. When we got home I suggested we made an autumnal nature table. He is as crazy about seasonal changes as I am and was really excited with this idea. We raided our garden for signs of autumn and then we made a little display on top of the dining room sideboard.

These seasonal rituals still play a very important role in my life and I’m really pleased that Rodrigo also gets a kick out of them. I like how sensitive he is to what’s around him and that he notices and takes pleasure in these little (yet so large) everyday occurrences!

Upcycled Embroidered Lavender Bags

picking lavendermaking lavender bags with kidsmaking lavender bags with kids

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Muitos dos bordados antigos neozelandeses que compro nas lojas de caridade estão em mau estado: têm rasgões, partes desfeitas ou nódoas impossíveis de tirar. Esses panos são candidatos ideais para serem cortados e transformados em saquinhos de alfazema.

Acho que nunca me cansarei de fazer estes pequenos sacos. São tão fáceis, tão rápidos e tão úteis, a meu ver. São também presentes simpáticos para todo o tipo de pessoas. Afinal, quem não gosta de ter a roupa a cheirar a alfazema?

Neste nosso jardim temos muitos arbustos de alfazema e este ano a colheita foi feita com os meus pequenos ajudantes. Umas semanas mais tarde, quando a alfazema já estava seca, também quiseram participar no processo de encher os saquinhos.

Gosto de pensar na viagem destes pequenos objectos. Bordados à mão há uma série de anos, agora estão a ser postos de novo a uso pela nova geração. Pensar nisto faz-me feliz!

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Some of the vintage embroidered linens I buy in charity shops are in bad condition: they’ve got tears, parts of the embroidered motifs have become unstitched or they’ve got stains that are impossible to remove. Those linens make the best candidates for upcycling — I especially enjoy cutting them and turning them into lavender sachets.

I don’t think I’ll ever get tired of making these little scented bags. They’re so easy and quick to make, so useful and satisfying. They also make lovely gifts for all sorts of people. I mean, who doesn’t enjoy having their clothes smelling of lavender?

In our garden we’ve got several lavender bushes and this year my little helpers participated in the harvest. A few weeks later, once the lavender had dried, they also insisted on helping me fill up the little sachets. 

I love thinking about the journey of these small objects. Embroidered by hand so many years ago, they’re now being put to use again by the new generation. This makes me genuinely happy!

Por aqui é Natal :: around here it’s Christmas

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Handmade Christmas stockings

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Por aqui é Natal!

A casa está (minimamente) enfeitada, os presentes estão embrulhados, os rapazinhos andam entusiasmados!

As nossas árvores de Natal na Nova Zelândia têm sido sempre árvores nativas, que depois plantamos no jardim. Para mim não faz sentido enfeitar um pinheiro ou um abeto aqui no hemisfério sul… Já tivemos uma totara e uma kowhai — este ano é a vez da pohutukawa.

Fiz meias (botas?) de Natal com tecidos antigos, um projecto rápido que me deu imenso gozo e me permitiu usar muitos dos tecidos que ando a coleccionar avidamente. Faço tenções partilhar o modelo convosco para o ano que vem.

Pintei metros e metros de papel de embrulho, inspirada por este workshop do Creativebug (sou fã incondicional do Creativebug mas vou deixar esse assunto para outro post).

Fizemos e enviámos postais de Natal (e o Pai Natal respondeu-nos!).

Este é o nosso quinto Natal fora de Portugal, mas este ano temos a companhia da minha mãe!

A todas as pessoas queridas que acompanham este blog quero desejar um Natal muito feliz e um ano novo cheio de alegria, paz, amor e saúde. Cá nos encontraremos em 2017!

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Around here it’s Christmas time!

The house is (kind of) decorated, the presents are all wrapped up and the boys are excited!

Our Christmas trees in New Zealand have always been native trees that we plant out in the garden in the new year. I just can’t bring myself to decorate a pine or spruce here in the southern hemisphere… In past years we’ve had a totara and a kowhai — this year we’ve bought a pohutukawa.

I’ve sewn Christmas stockings with vintage fabrics, a quick and satisfying project that has allowed me to use all those precious bits of fabric I’ve been collecting over the years. I’m planning on sharing the pattern with you next year.

I’ve painted metres and metres of wrapping paper, inspired by this Creativebug class (my love for Creativebug will be the subject of a blog post very soon).

We’ve made and sent lots of Christmas cards (and Santa wrote back!).

This is our 5th Christmas away from Portugal but this year my mum has come to visit!

To all the lovely people who follow this blog I want to wish a very happy Christmas and a new year filled with joy, peace, love and good health.We’ll meet again in 2017!

A Mãe Galinha e os Três Patinhos :: Mother Hen and the three ducklings

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Hoje vou contar-vos a história de uma galinha que veio passar uma temporada cá a casa e que chocou três ovos de pata.

Antes de mais, deixem-me contextualizar este relato. Nós vivemos numa pequena vila nos confins da Nova Zelândia, numa casa com jardim. O nosso jardim é inclinado, não é completamente vedado e faz fronteira com três outros jardins das casas vizinhas. A rua onde a nossa casa fica situada é bastante movimentada, com trânsito constante de carros e camiões. Gostamos imenso da nossa casa e tivemos a sorte de ter herdado um jardim já estabelecido, mas fica a milhas do idílio rural inglês da nossa vida anterior…

Tudo isto para dizer que não temos propriamente as condições perfeitas para criar animais. Mesmo assim, há já algum tempo que eu andava com vontade de ter uma galinha e, idealmente, pintainhos ou patinhos. Por sorte, temos uma amiga que cria galinhas e patos e que nos disse que, quando uma das suas galinhas ficasse choca, poderíamos ficar com ela durante uns tempos.

E assim foi: um dia recebemos uma galinha choca, de seu nome Sparrow, e três alvíssimos ovos fertilizados de uma pata Indian Runner. A senhora dona Sparrow, depois de um choque inicial (provocado pelo entusiasmo algo desregrado do membro mais novo da nossa família), lá se sentou em cima dos ovos e, passados 28 dias, nasceram três patinhos amarelos!

Uma galinha a chocar ovos de pata? Urbana que sou, não fazia ideia de que tal coisa fosse possível. A verdade é que as galinhas, quando ficam chocas, sentam-se em cima de quaisquer ovos que estejam no seu ninho. Tem graça que, uns dias depois de termos acolhido a dita Sparrow, li com o Rodrigo “The Tale of Jemima Puddleduck”, que é precisamente sobre isto! A Jemima revolta-se contra a dona da quinta e insiste em chocar os seus próprios ovos, em vez de deixar que sejam chocados por uma das galinhas da quinta em que vive. Bem, neste caso não houve nenhuma pata melindrada, porque a pata que pôs estes ovos não estava choca e, consequentemente, preferia andar a passear do que sentar-se dias a fio num ninho confinado.

Como podem imaginar, ter uma galinha no nosso jardim foi uma excitação! O Pedro queria dar-lhe festinhas constantemente (e recebeu várias bicadas como resposta) e o Rodrigo andava empenhadíssimo em tratar dela. Eu requisitei uma série de livros sobre galinhas e patos na biblioteca e gostei imenso de estudar um tema sobre o qual não sabia absolutamente nada.

Ao fim de 28 dias, nasceram três patinhos absolutamente perfeitos. Foi uma alegria, digo-vos! (Desconfio que fui eu quem vibrou mais com o acontecimento.) Os patinhos são muito activos e adoram água e, no segundo dia, já estavam a nadar no tabuleiro com água que pus na capoeira. O Rodrigo deu-lhes logo nomes: Sam (o nome da professora dele), Harper e Chilli. Ao fim de uns dias apercebeu-se de que não os conseguia distinguir e anunciou-me que, daí em diante, chamar-se-iam apenas Fuzzy Little Guys (rapaz pragmático). A galinha foi uma óptima mãe — aceitou-os imediatamente como seus e foi sempre extremamente protectora e vigilante.

Ficámos com eles durante cerca de um mês. Pensámos construir-lhes um pequeno recinto para terem mais espaço, mas o gato da casa vizinha observáva-os com um olhar guloso e, por precaução, decidimos mantê-los na capoeira (que, apesar de ser coberta, tinha também um pequeno espaço ao ar livre). Os patos crescem a um ritmo alucinante e, a certa altura, tivemos mesmo de devolvê-los à procedência.

Adorámos a experiência e o Rodrigo já me disse que, para a próxima, quer ter pintainhos. Mal posso esperar!

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Today I’m going to tell you the story of the chicken who came to stay with us for a while, in order to sit on three duck eggs.

Let me start by providing a bit of context. We live in a small town in the depths of New Zealand, in a house with a garden. Our garden is on a slope, it isn’t fully fenced and it’s surrounded by the gardens of our three neighbours. Our street is quite busy, with constant traffic from cars and trucks. We love our house and we’re lucky enough to have inherited an established garden but it’s miles away from the English rural idyll of our previous life…

All this to say that we don’t really have the perfect conditions to keep animals. However, I’ve been wanting a chicken for ages and, ideally, either chicks or ducklings. Luckily we have a friend who keeps both hens and ducks and she promised us that, once one of her chickens turned broody, she’d lend it to us.

And so it went: one day we received a broody chicken called Sparrow, as well as three fertile Indian Runner duck eggs. Miss Sparrow, after getting over her initial shock (caused by the unruly enthusiasm of the youngest member of our family), sat on the eggs and after 28 days three yellow ducklings hatched!

A chicken sitting on duck eggs? As a recently converted urbanite, I had no idea such a thing was possible. The fact of the matter is that when chickens are broody, they’ll sit on whichever eggs are in her nest. It’s funny because a few days after we welcomed Sparrow, I was reading “The Tale of Jemima Puddleduck” to Rodrigo and the book is precisely about this! Jemima rebels against the farmer’s wife, who insists on having one of her hens sit on Jemima’s eggs. Well, in this case there wasn’t any distressed duck because the duck that laid these eggs wasn’t broody, and therefore was more interested in running around that sitting on a secluded nest for days on end.

Well, as you can imagine having a chicken in our garden was a huge success! Pedro wanted to pet her constantly (and consequently got a fair share of unfriendly pecks) and Rodrigo was very keen on tending to her. I borrowed a lot of books on keeping hens and ducks from the library and really enjoyed learning about a subject I knew nothing about.

After 28 days, three absolutely perfect ducklings hatched. What a joy! (I suspect I was the one who was most excited about this whole adventure.) Ducklings are very active and on their second day there were already happily swimming in a tray of water. Rodrigo promptly named them Sam (his beloved teacher’s name), Harper and Chilli. A few days later he realised he couldn’t tell them apart so he announced they were to be named simply Fuzzy Little Guys (pragmatic boy). The chicken was a great mother to the ducklings: she immediately accepted them as her own and was always very vigilant and protective towards them.

We kept them for about a month. We thought of building a small pen for them but the neighbours’ cat had his greedy eyes on them and so we decided to keep them inside the coop (which had netting over the run). Ducklings grow incredibly quickly and eventually we had to give them back to our friend.

We absolutely loved the experience and Rodrigo has told me that next time we wants chicks. I can hardly wait!

Por Aqui :: Around Here

spring-flowers

vintage doll cot by Constanca Cabral

selling vintage doll cots and eco dolls by Constanca Cabral

duck eggs and vintage book about keeping poultry

bolo de natas by Constanca Cabral

buying strawberry plants

spring flower arrangement: homegrown daffodils and hyacinths in vintage gravy boat

backyard chicken

vintage sewing patterns and fabrics

seed packets

watering a box of strawberry plants

vintage-nz-stamps

new zealand sheep

sewing in progress

backyard chicken

Por aqui a Primavera chegou. Os campos estão cheios de carneiros e vitelos, os jardins encheram-se de flores. O tempo anda muito instável, claro, mas os gorros foram arrumados nas gavetas e os casacos às vezes ficam pendurados à porta de casa. Tenho cosido bastante: roupa para os rapazes, que crescem sem parar, e almofadas para a nossa sala. Fiz uma série de bonecas e restaurei antigos berços de bonecas, e fui vendê-los a duas feiras (tenho de escrever um post sobre isto, e é urgente organizar-me para pô-los à venda online). Fizemos bolos (aquele da fotografia é o eterno e incontornável bolo de natas) e escrevemos postais aos avós. A época de jardinagem recomeçou — tenho de fazer um post sobre o nosso morangal em objectos reciclados. E temos uma galinha (emprestada) a chocar três ovos de pata! Podem imaginar a excitação que se vive por aqui…!

Tenho lido bastante, visto algumas séries de televisão e ouvido muitos podcasts interessantes. Muitas vezes penso que gostaria de partilhar algumas das minhas minhas descobertas e reflexões numa newsletter (semanal ou quinzenal) — têm interesse nisso? Se sim, cliquem neste link e inscrevam-se. Por agora, aqui ficam algumas sugestões:

  • A nossa biblioteca tem muitos DVDs para alugar e tenho-me divertido imenso a ver a série australiana Miss Fisher’s Murder Mysteries. Não é tão robusta como o Poirot ou a Miss Marple, mas o guarda-roupa é excelente, as personagens são interessantes e tem um forte teor feminista. E também tem graça ver um retrato (mesmo que idealizado) da sociedade de Melbourne nos anos 20.
  • Em contraste absoluto com a Miss Fisher, a série francesa Un Village Français tem-me causado muita ansiedade e alguns pesadelos, mas não posso deixar de reconhecer o seu mérito. É um relato ultra sóbrio de uma vila francesa durante a ocupação nazi e explora as relações humanas e os conflitos da época de uma forma incrivelmente realista e humanista.
  • Tenho andado a descobrir o trabalho da Gretchen Rubin. Estou a ler os seus livros sobre felicidade e hábitos (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) e ouvi todos os episódios do podcast Happier. Tenho tendência a resistir (às vezes durante anos) a bestsellers e, até agora, estupidamente nunca tinha dado uma oportunidade a esta autora. A verdade é que o trabalho dela é muito mais do que auto-ajuda: faz-me reflectir sobre a minha personalidade, a maneira como vivo a minha vida, o meu estado de espírito e claro, a minha busca pela alegria e felicidade no dia-a-dia. Ao responder ao quiz sobre as quatro tendências de personalidade, verifiquei — sem grande surpresa — que sou uma “Rebel” (já responderam a este questionário? qual é a vossa tendência?). Requisitei os livros dela na biblioteca mas acho que vou acabar por comprá-los.
  • Gostei especialmente dos dois últimos episódios do podcast The Crafty Planner: um com a Liesl Gibson (dos moldes Oliver + S) e o outro com a Diane Gilleland (a autora do Craftypod, um dos primeiros podcasts que ouvi). São entrevistas muito diferentes, mas ambas fizeram-me reflectir sobre a indústria dos crafts e a forma como todos nós (consumidores e autores) desempenhamos um papel fundamental à sua sobrevivência e (boa) saúde.
  • Comecei a fazer vestidos para contribuir para a inciativa Dress a Girl Around the World. Quem viver na zona de Lisboa pode participar nos encontros mensais na loja The Craft Company, em Cascais (uma loja linda, por sinal); quem estiver longe pode fazer os vestidos em casa e enviá-los pelo correio para a loja. Para mais informações (e instruções detalhadas sobre como fazer um vestido muito rápido e simples), espreitem este post no Cose +.

Bem, o post já vai longo por isso hoje vou ficar por aqui. Se quiserem receber a minha newsletter, inscrevam-se clicando neste link. Obrigada e até breve!

 

Around here Spring has arrived. The fields are full of lambs and calves and the gardens are bursting with flowers. The weather is still quite unstable, which is to be expected, but the wool beanies have been put away and the jackets stay at home more often than not. I’ve been sewing quite a lot: clothes for the boys and cushions for our sitting room. I’ve made some dolls and refurbished several vintage doll cots and took part in a couple of markets (I want to write a post about it and I really must put them up for sale online). We baked a few cakes (the one in the photo is the timeless “bolo de natas”, my grandmother’s sponge cream cake) and we sent postcards to the grandparents. Gardening season has started — I’ll write a post about our upcycled strawberry garden soon. And we have a (borrowed) broody chicken in our garden — she’s sitting on three duck eggs! You can imagine all the excitement that’s going on around here…!

I’ve been reading quite a few books, watching a fair amount of TV series and listening to lots of interesting podcasts. I often think that I’d love to share with you my findings and thoughts in a (weekly? biweekly?) newsletter — would you be interested in subscg? If you are, just follow this link to sign up. Here are a few suggestions:

  • Our local library has a small collection of DVDs for rent and I’ve been enjoying watching the Australian TV series Miss Fisher’s Murder Mysteries. It’s not as robust as Poirot or Miss Marple but the wardrobe is amazing, the characters are interesting and there’s a strong feminist flavour to it. And it’s fun to see a portrait of 1920s Melbourne society (even if it’s a bit idealised).
  • In absolute contrast to Miss Fisher, the French TV series Un Village Français has caused me a lot of anxiety and a few nightmares, but I can nevertheless recognise its merits.  It’s a very sober account of a French village under Nazi occupation and it expertly explores human relationships, as well as the inherent conflicts of that particular time in an incredibly realist and humanist way. 
  • I’ve been familiarising myself with the work of Gretchen Rubin. I’m reading her books about happines and habits (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) and I’ve listened to every episode of the Happier podcast. I tend to resist bestsellers (sometimes for years) and, up until now, I stupidly had not given her books a chance.  The fact of the matter is that her work goes way beyond self-help: it’s made me reflect upon my personality, the way I live my life, my moods and, of course, my everyday quest for joy and happiness. By taking her personality tendencies quiz, I realised — without much surprise — that I’m a “Rebel” (have you taken this quiz? what’s your tendency?). I’ve borrowed her books from the library but I’m considering buying my own copies.
  • I’ve especially enjoyed listening to the last two episodes of The Crafty Planner podcast: one with Liesl Gibson (of Oliver + S fame) and the other one with Diane Gilleland (the host of Craftypod, one of the first podcasts I ever listened to). They’re two very different interviews but they’ve both made me think about the craft industry and the role we play (both as consumers and authors) in regard to its survival and good health.

Well, this post is getting long so I’m going to wrap it up now. If you’d like to subscribe to my newsletter, just click on this link. Thank you!

A day in the life

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Tenho este post parado na pasta dos rascunhos há já umas semanas (acabei de reparar que já lhe fiz 25 revisões… ui!). Estas fotografias mostram um bom dia de Inverno passado, cá em casa, na companhia do Rodrigo. Mas não é, nem por sombras, um dia típico — normalmente ele está na escola e eu estou em casa a fazer aquilo que tem de ser feito para termos uma existência minimamente confortável, assim como algum trabalho criativo (que costumo priorizar em detrimento de uma casa arrumada ou de ler e responder a emails).

Nas versões anteriores que escrevi foram aparecendo alusões a assuntos mais pesados e sombrios. Ser mãe neste isolamento não tem sido fácil para mim — já aludi a isso uma ou outra vez — e já me aconteceu sentir-me algo defraudada em relação àquilo com que, de forma insconsciente, contava quando fiquei grávida pela primeira vez. Dou por mim a escrever sobre gestão de expectativas, depressão pós-parto, solidão… e depois acabo sempre por apagar tudo o que escrevi.

Talvez tenha a ver com a maneira como fui criada, ou com as minhas circunstâncias sociais e culturais, mas tenho uma enorme dificuldade em falar sobre estes assuntos num espaço tão público. É curioso, porque até me considero uma pessoa relativamente aberta — pelo menos até um certo ponto — e não teria tantos pruridos em discutir estes assuntos numa conversa de viva voz. É capaz de ser este formato de blog que complica as coisas — o facto de vocês só verem as palavras que escolho pôr por escrito, sem que sejam acompanhadas de expressões faciais ou linguagem corporal. Eu escrevo um post, vocês deixam um comentário (ou não)… mas não há aquele diálogo natural entre pessoas que se encontram face a face.

Onde é que eu quero chegar com isto? Bem… continuo a não conseguir saber lidar muito bem com aqueles posts em que conto apenas uma parte da história. Ao mostrar imagens fora de contexto, arrisco-me a ser superficial e não totalmente verdadeira. Sim, é óptimo focarmo-nos nas partes positivas das nossas vidas (e eu tenho a sorte de estar rodeada de amor e saúde), mas o facto de simplesmente apagar as partes difíceis não me parece que seja especialmente útil a quem leia este blog e esteja a passar por uma situação semelhante à minha.

Enfim, acho que vou ficar por aqui. Gosto de ter voltado ao blog, mas continuo um bocado à deriva em relação a conseguir encontrar o meu equilíbrio: aquele ponto ideal entre um blog que não é confessional, mas que também não é apenas um “show and tell”. Obrigada por me continuarem a acompanhar nesta viagem de descoberta e partilha.

I’ve had this post sitting on my drafts folder for a few weeks now (I’ve just counted 25 revisions… yikes!). This is what a good winter’s day with Rodrigo looks like when he’s at home with me. It’s the ideal day, so to speak. It’s not our everyday, thought — he’s usually at preschool and I’m at home doing housework and sometimes a bit of creative work too (which I always tend to prioritise in detriment of a tidy home and an inbox under control).

In previous versions of this post, deeper, darker subjects have crept up. I don’t find motherhood in isolation easy (I’ve hinted at it a couple of times in the past few years). Sometimes I feel that this isn’t what I signed up for — the isolation bit, not motherhood itself — and I write about managing expectations, coping with postnatal depression, isolation…. and then I delete it all.

It might have to do with my particular upbringing and my social and cultural circumstances, this whole difficulty in discussing certain matters in such a public space. It’s funny because I’m quite an open person — up to a point, I guess — and I’d have no problems discussing these issues with most of you in a conversation in real life. Perhaps it’s just this blogging format that doesn’t feel very conducive to this kind of conversation — the fact that you can only see my written words, without my facial expressions and body language going along with them. Or maybe it’s just the way blogging works:  I publish a post, you might leave a comment, but there’s no easy way of getting that natural back and forth that you get when you’re talking face to face with another person.

So  where am I getting at? I guess it’s just the fact that I struggle with telling you only one part of the story. Showing images and not providing a context can sometimes feel superficial and untrue. Yes, focussing on the positives is great (and I am so lucky to be surrounded with love and good health) but simply wiping out the difficult parts might not be particularly helpful to someone who might be reading this blog and going through a situation similar to my own.

Well, I guess that’s it for today. I’m glad I’ve resumed blogging but I’m still struggling to find my balance: that ideal place between a blog that’s not confessional but which also isn’t just a show and tell. Thank you for coming along with me in this journey of self-discovery and sharing.