Pudim Flan :: Portuguese Caramel Flan

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Pudim flan é uma daquelas sobremesas que imediatamente me fazem recordar a infância. Digamos que, em conjunto com o bolo de natas, a mousse de chocolate com bocadinhos de amêndoa por cima (numa taça específica) e a torta de laranja, funciona como uma espécie de madalena de Proust para mim. Uma garfada e sinto-me de volta aos intermináveis dias de Verão na companhia da minha querida avó.

Há uns anos a minha mãe passou-me a receita do pudim que ela faz: uma versão mais simplificada do pudim da minha avó, mas igualmente saborosa. Ontem finalmente experimentei a receita e fiquei espantada com duas coisas: 1- é incrivelmente fácil, rápido e infalível; 2- é capaz de ainda ser melhor do que o pudim da minha infância!

Algumas notas:

  • Este pudim é cozido na panela de pressão. Imagino que também possa ser cozido no forno ou até em banho-maria ao lume mas, nesses casos, o tempo de cozedura será mais prolongado.
  • Uso uma forma de pudim tradicional portuguesa com tampa. A minha forma tem 1,5 l de capacidade e é ideal para 6-8 ovos. Pode usar-se uma forma maior ou mais pequena (e adaptar o número de ovos em conformidade) ou até aquelas forminhas individuais para pudins (a minha avó às vezes fazia-nos pudins assim quando éramos pequenos).
  • Esta receita é parecida com a receita de pão-de-ló, no sentido em que funciona com base em proporções (o mesmo peso dos ovos em açúcar, etc). Estas receitas são as minhas preferidas porque são absolutamente infalíveis e podem ser adaptadas sem quaisquer dificuldades. Não interessa se os ovos são grandes ou pequenos, o que importa é o peso total. Eu uso ovos caseiros (compro-os a uma amiga) e são todos de tamanhos diferentes!
  • O pudim deve ser feito de véspera (ou com bastantes horas de antecedência), para que possa ser servido bem fresco.
  • Convém usar um prato fundo para desenformar o pudim. A calda é melhor parte e precisa de espaço! Por coincidência, na semana passada encontrei, numa loja de caridade, um prato inglês igual ao serviço de jantar dos meus trisavós (os avós da minha avó). Claro que tive de usá-lo para servir este pudim… foi uma espécie de homenagem inesperada!

 

Vamos então à receita:

Pudim Flan

para o caramelo:

aproximadamente meia chávena de açúcar (o suficiente para cobrir generosamente o fundo da forma)

um pouco de água

para o pudim:

1 medida de ovos (eu pesei 6 ovos inteiros, ainda com casca)

1 medida de açúcar (o mesmo peso dos ovos)

1,5 medidas de leite gordo (1,5 x o peso dos ovos)

raspa de 1 laranja / raspa de 1 limão / 1 vagem de baunilha (eu usei raspa de laranja)

 

Começar por fazer o caramelo: deitar o açúcar e umas gotas de água para o fundo da forma de pudim e pô-la ao lume. O açúcar vai derreter e depois vai começar a caramelizar. É importante retirar a forma do lume um pouco antes de o caramelo estar no ponto (antes de atingir a cor de caramelo), porque a forma continua quente e o açúcar vai continuar a caramelizar, mesmo depois de retirado do fogão. Espalhar o caramelo pelos lados da forma.

Numa taça, bater os ovos com o açúcar. Não é preciso bater muito tempo, basta que fiquem bem misturados.

Adicionar o leite e a raspa de laranja / raspa de limão /sementes da vagem de baunilha e bater.

Deitar o preparado na forma de pudim e tapá-la (se a forma não tiver tampa, pode usar-se um bocado de papel de prata).

Colocar a forma de pudim dentro da panela de pressão e adicionar água até cerca de 2/3 da altura da forma. Tapar a panela, pô-la ao lume e deixar cozer o pudim durante 10 minutos, a contar a partir do momento em que a panela levanta pressão. Abrir a panela depois de despressurizada e retirar a forma.

Deixar arrefecer o pudim na forma. Para desenformar, passar primeiro com a ponta de uma faca a toda a volta, na parte de cima da forma, para descolar o pudim. Pôr um prato fundo por cima da forma e virá-los ao contrário, e colocar no frigorífico ainda com a forma em cima do pudim, para que o caramelo vá escorrendo. Retirar a forma mesmo antes de servir o pudim.

A caramel flan is one of those desserts that reminds me of my childhood. I’d say that, along with sponge cream cake, chocolate mousse with chopped almonds on top (served in a very specific bowl) and orange roulade, it’s a kind of Proust’s madeleine for me. One bite and I’m immediately transported to long summer days in the company of my darling grandmother.

Some years ago, my mother gave me the recipe of the flan she makes: it’s a simplified version of my granny’s one but equally delicious. Yesterday I finally gave it a try and I must say I was amazed by a couple of things: 1- it’s incredibly easy, quick and foolproof; 2-I’d go so far as to say that it tastes better than the ones from my childhood!

A few notes before I share the recipe with you: 

  • You cook this in the pressure cooker. I imagine you could also bake it in the oven or in a bain-marie on the stovetop, but the cooking time would be much longer in those cases.
  • I use a traditional Portuguese flan tin with a lid. My tin has 1,5 l of capacity and is ideal for 6-8 eggs. You could of course use a smaller or larger tin (and adapt the number of eggs in conformity to the size of the tin) or even those cute little vintage flan tins (my granny would sometimes use those when we were little).
  • This recipe is similar to the recipe for pão-de-ló (Portuguese sponge cake in the way that it’s also based on proportions (the weight of the eggs determines the weight of the other ingredients). I love these recipes because they are both foolproof and highly adaptable. It doesn’t matter whether your eggs are big or small — what matters is their weight in total. I buy my eggs from a friend and, unlike supermarket eggs, they come in all sorts of different sizes, so this recipe works a treat. 
  • You should probably make this flan the day before you eat it because it must be served chilled. Or make it in the morning and serve it at dinner time.
  • It’s best to use a deep dish to serve up the flan. The caramel is the best part and it needs lots of room! By coincidence, in a charity shop last week I found an English plate that matches my great-great-grandparents dinner set (my granny’s grandparents). Of course I had to use it with this flan… by doing so ended up paying an impromptu homage to my grandmother.

 

All right, let’s get to the recipe:

Portuguese Caramel Flan

for the caramel:

roughly half a cup of sugar (enough to generously cover the bottom of your tin)

a little bit of water

for the flan:

1 measure of eggs (I weighed 6 eggs still in their shells)

1 measure of sugar (the same weight as the eggs)

1,5 measures of whole milk (1,5 x the weight of the eggs)

the zest of 1 orange / the zest of 1 lemon / the seeds from 1 vanilla pod (I used orange zest)

 

Start by making the caramel: pour the sugar and a few drops of water into the flan tin and place it directly on the stovetop (the tin I use is actually made of tin… if yours is of a different material, just make the caramel in a pan and then pour it into your flan tin). The sugar will melt and then start to caramelize. You should take the tin out of the heat a little before the caramel is done (before it actually looks like brown caramel) because the tin will still be hot and the sugar will keep on cooking for a bit. Coat the sides of the tin with caramel.

In a bowl, beat the eggs and the sugar. You don’t have to beat them for too long… just enough to fully incorporate everything. 

Add the milk and the orange zest /lemon zest /vanilla seeds and whisk. 

Pour the mixture into the flan tin and put the lid on (or cover it with a piece of kitchen foil). 

Place the tin inside your pressure cooker and add water until you reach 2/3 of the height of the tin. Close the pressure cooker lid, place it on the stovetop and let it cook for 10 minutes at high pressure (only start counting after you’ve hear the loud pressure noise). Open the lid after the cooker has depressurized and take the tin out.

Remove the lid from the tin. Once the flan has cooled down, use the point of a knife to gently unstick it from the tin. Place a deep plate over the tin and turn them upside down. Don’t take the tin out just yet — put the plate in the fridge and let the caramel slowly coat the whole flan. Only take the tin out when you’re ready to serve the flan. 

Praia! :: Beach!

Que bom que é ver o Rodrigo todo contente na praia, ainda por cima vestido com coisas feitas por mim! Os chapéus são do livro Little Things to Sew (já tinha feito um no ano passado) e os calções de banho foram feitos com base no molde Kid Shorts Made (à semelhança dos calções dos pijamas), com algumas alterações: para lhes dar um ar de praia, fiz duas casas de botão à frente para fazer passar um cordão e cosi um bolso atrás. Os dois primeiros foram feitos com tecidos leves de algodão; o último par foi um aproveitamento de um fato-de-banho do Tiago. Viva o Verão!
It´s wonderful to see Rodrigo at the beach looking so happy and at ease, especially when he’s wearing the things I made for him. The hats are from the book Little Things to Sew (I had already made one last year) and the shorts were made using the Kid Shorts Made pattern (the same pattern I used to sew him some pyjamas) with some alterations. To give them a beach look, I sewed a couple of buttonholes in the front and added drawstrings, as well as a pocket in the back. The fabrics I used for the first two pairs of shorts are lightweight cotton lawns; for the third pair I repurposed an old pair of Tiago’s swim trunks. Hurrah for summer!
(photo: © Constança Cabral)

Portugal em Hexágonos :: Portugal in Hexagons

Depois de meses — anos! — a fazer hexágonos, finalmente completei o meu mapa de Portugal. Esta ideia surgiu-me ainda em Inglaterra, num dia de muita chuva e de muitas saudades de casa. Usei retalhos de projectos passados em tons de azul e verde e apliquei-os sobre um rectângulo de serapilheira. O método que segui para fazer os hexágonos foi o tradicional English paper piecing, em que um pequeno corte de tecido é alinhavado à volta de um hexágono de papel; depois os hexágonos são unidos uns aos outros com um ponto quase invisível e, por fim, os papéis são retirados e o patchwork é aplicado sobre um tecido base (esta parte final fiz à máquina com ponto zigzag).
After months — years! — of making hexagons I finally completed my map of Portugal. This idea presented itself to me while I was still living in England, during a particularly rainy day when I was missing home very much. I used scraps of fabrics from past projects in shades of blue and green and   stitched them on a rectangle of plain hessian. To make the hexagons I followed the traditional English paper piecing method, where a small cut of fabric is basted around a paper hexagon; the hexagons are then slipstitched to each other and finally the papers are removed and the patchwork is sewn onto a foundation cloth (I sewed this final step by machine using a zigzag stitch).

Para conseguir reproduzir o contorno do nosso querido país abri um mapa de estradas e fui colocando os meus hexágonos ao longo do recorte da costa e da fronteira com Espanha. Visto que os hexágonos eram relativamente grandes, tive de exagerar certas áreas e houve zonas em que foi particularmente difícil acompanhar as subtilezas geográficas (Lisboa, por exemplo). E que exercício sentimental foi este! É bom ver o resto do mundo mas as raízes de uma pessoa continuam a ter muita força. Que saudades de Portugal e que vontade tão grande de ir explorar os sítios que ainda não conheço!
In order to reproduce the shape of my dear country I opened up a road map and placed my hexagons along the coast and Spanish border. Since the hexagons were on the larger side I had to exaggerate some of the outlines and there were areas where it was especially difficult to represent the geographical subtleties with accuracy (Lisbon, for example). And what a sentimental exercise this was! It’s great to experience the rest of the world but one’s roots are incredibly strong. I miss Portugal!
(photos: © Constança Cabral)

Praça :: Farmers’ Market

Quilos e quilos de citrinos óptimos, mel para dar e vender, ameixas dulcíssimas do tamanho de tomates-cereja, peixe fresco… como é bom ir à praça em Portugal! 
Kilos and kilos of citrus fruits, loads of honey jars, incredibly sweet plums as small as cherry tomatoes, fresh fish… Portuguese farmers’ market are wonderful!

(photos: Tiago Cabral)

Lisboa

Estivemos em Lisboa durante uns dias. Não estava demasiado calor e os jaracandás estavam em flor. Foi óptimo!
We went to Lisbon for a short stay. It wasn’t too hot and the jacaranda trees were in bloom. It was great!

(photo: Tiago Cabral)

Verão em Portugal :: Summer in Portugal

Uma das coisas que mais aprecio no Verão em Portugal é a abundância de fruta e legumes frescos. Os mercados cheiram a doce, as estradas são ladeadas de hortas férteis, há abóboras a secar nos muros das casas e bancas improvisadas por todo o lado. Que clima abençoado!
One of the things I enjoy the most about Portuguese summers is the abundance of fresh fruits and vegetables. The markets have a sweet smell to them, the roads are surrounded by fertile allotments, there are pumpkins drying out in the sun and improvised stalls everywhere. What a truly blessed climate we have!

(photos: Tiago Cabral)

Postais de Portugal :: Portugal Picture Postcards

Estamos de volta a Inglaterra, depois de umas semanas em Portugal. O tempo poderia ter estado melhor mas foi óptimo voltar a ver o mar, pôr os pés na areia, comer bem e passar tempo com amigos e família. Soube-me bem estar longe da internet e sinto as minhas energias e inspirações recarregadas. Agora é voltar ao trabalho cheia de vontade e novos projectos!

We’re back in England after a few weeks in Portugal. The weather could have been finer but it nevertheless felt great to be near the sea, feel the warm sand under our feet, eat the southern way and spend time with friends and family. I enjoyed this time offline and feel I’ve recharged my levels of energy and inspiration. Now let’s get back to work!

(photos: Tiago Cabral)