Around Here :: Spring

gallery wall constanca cabral

Por aqui estamos a viver uma das Primaveras mais frias e chuvosas de que há memória. É curioso como, apesar de já viver fora de Portugal há 8 anos, continuo com as mesmas expectativas em relação ao (bom) tempo e não consigo deixar de me sentir defraudada quando aquilo a que acho que tenho direito não se verifica. A verdade é que a vida é mais fácil com sol!

Novembro é sempre o apogeu das flores do nosso jardim. Estamos rodeados de rosas antigas, aquilegias de todas as cores, dedaleiras em vários tons de roxo e branco e sardinheiras aromáticas. Temos assistido a um frenesim de abelhas de todos os tamanhos e feitios e os pássaros acordam-me todos os dias às cinco e meia da manhã.

Dentro de casa também tem havido muita actividade. Remodelámos totalmente a despensa, devagar estamos a fazer obras à cozinha, tenho andado ocupada com cortinas e almofadas. Sou claramente adepta do slow decorating (um movimento que ainda não existe oficialmente, mas que se integra bem no célebre conceito de slow living). Esta nossa casa tem percorrido um longo caminho nestes cinco anos.

O ano está a chegar ao fim. Pensar que o Rodrigo tem a primeira classe praticamente feita e que o Pedro abandonou definitivamente o estado de toddler é impressionante. Não sou daquelas pessoas que querem parar o tempo — pelo contrário, estava desejosa de que esta fase de “rapazes” chegasse. Eles estão a crescer saudáveis e curiosos — temos tanta sorte!

Deixo-vos com algumas sugestões para este fim-de-semana, seja ele de Primavera ou de Outono:

Participei na nova rubrica “Sete dias, sete pratos” do Slower (a nossa semana está aqui).

Este ano li bastante e destaco o Guard Your Daughters (1953), um livro que me me cativou por conseguir misturar harmoniosamente momentos de rir às gargalhadas com assuntos bastante sérios (felizmente hoje em dia compreendemos muito melhor a saúde mental das pessoas). Este livro esteve esgotado durante décadas mas a Persephone reeditou-o recentemente (aqui).

Hei-de fazer um post actualizado com os podcasts que tenho seguido nos últimos tempos, mas vou falar-vos já no Tea & Tattle, apresentado por duas amigas inglesas, que versa sobre livros, bem-estar, relações humanas, enfim. É uma mistura de conversas a duas e entrevistas, e gosto sobretudo do facto de elas não se limitarem a quem está actualmente na moda no Instagram — neste podcast há diversidade de idades, nacionalidades e interesses e isso é incrivelmente refrescante.

Espero conseguir voltar ao blog com maior assiduidade (já não escrevia aqui há demasiado tempo). Bom fim-de-semana para todos!

***

Around here we’re going through one of the wettest, coldest springs I’ve ever experienced. Even though I haven’t lived in Portugal for 8 years now, it’s funny how some (good) weather-related preconceptions will never leave me. I still feel positively defrauded when they don’t come to fruition! I mean, life is some much easier in the sunshine, isn’t it?

November is always the best month for flowers in our garden. We’re surrounded by old roses, aquilegias in every colour of the rainbow, foxgloves in various shades of purple and white, as well as many different species of fragrant pelargoniums. The bees are super active and the birds wake me up at 5.30 every morning.

Indoors we’ve also been quite busy. We’ve remodelled the pantry and are slowly doing up the kitchen. I’ve also been making curtains and cushion covers. I’m clearly in the camp of the slow decorating movement (not that that’s an official thing, but it goes very well with the whole slow living philosophy). This house has been through a long and winding decorating road over the past five years.

The year is coming to an end. To think that Rodrigo has almost completed his first year at school and that Pedro has definitely left toddlerhood behind amazes me. I’m not one of those people who’d like to stop time — on the contrary, I was anxious for this “boy” phase to come. They’re growing up healthy and curious — we feel incredibly lucky!

I’ll leave you with a couple of suggestions for your Spring/Autumn weekend:

This year I’ve read a lot and the book that’s stayed with me the most is “Guard Your Daughters” by Diana Tutton (1953). It’s captivated me because it manages to beautifully balance laugh-out-loud moments with rather serious matters (thank goodness mental health is much better understood nowadays). The book was out of print for several decades but Persephone has recently republished it (here).

I’ve been meaning to write an updated post with my favourite podcasts but, before that happens, I’ll quickly mention Tea & Tattle. It’s hosted by two British young women and it covers a range of topics like books, well-being, relationships, etc. It’s a mix of conversations between two friends and interviews and I really appreciate the diversity of voices, ages and backgrounds of the people they feature — it’s not just about who’s trending on Instagram.

I’m hoping to start blogging again more consistently (it’s been too long). Happy weekend, everyone!

Around here

autumn picnic

new zealand by air

nz church

autumn

28/100

[scroll down for English]

Sempre que faço uma pausa mais prolongada no blog custa-me imenso voltar.

Este último mês foi bastante intenso. Uma amiga minha veio cá passar duas semanas e eu praticamente não estive online. Soube tão bem — diria até que foi uma revelação. Depois o Rodrigo esteve de férias. A seguir o Tiago esteve uma semana fora. E agora voltámos finalmente às rotinas.

Não vou desistir do projecto 100 Days of Blogging. Fiz uma pausa e agora estou de volta. Já cheguei à conclusão de que não consigo escrever posts todos os dias, mas tenciono actualizar o blog com frequência até ao post número 100. E depois logo farei um balanço.

Ao longo dos últimos 6 meses tenho-me esforçado por desligar-me progressivamente da internet e tem sido uma experiência muito positiva. Comecei por deixar de levar o telefone para o meu quarto à noite. Em seguida, deixei de tocar no telefone quando começa a rotina da noite cá em casa (às seis da tarde). Fui-me apercebendo de que, quando passo o serão a ver o Pinterest e o Instagram, durmo muito pior. Parece que o meu cérebro fica ultra-estimulado e é incapaz de se desligar: acordo várias vezes durante a noite, tenho sonhos muito intensos, acordo cansada.

E depois a minha amiga veio visitar-nos e voltei a perceber como a vida é gira quando os nossos amigos estão por perto. Tenho tantas saudades das minhas pessoas! Conversámos imenso, explorámos as redondezas e até fomos a Dunedin (uma cidade no sul da Ilha do Sul). Voltei a sentir-me eu mesma e a divertir-me!

Por aqui estamos na recta final do Outono. O Inverno está à porta. Quero tirar partido dele, em vez de me apetecer estar num sítio diferente. Quero estar presente aqui, com a minha família, neste país — não constantemente online, a sentir-me ansiosa e esmagada. A internet é bestial e sinto-me muito agradecida pela sua existência, mas tornou-se um espaço muito diferente daquele que comecei a habitar há cerca de 10 anos. Sinto-a demasiado barulhenta, demasiado dominante. A resposta é sempre a mesma: encarar as coisas com conta, peso e medida. E reduzir.

***

Whenever I take a blog break, I find it so hard to come back.

You see, this past month has been quite eventful. We had a friend over for two weeks and I practically didn’t go online. It was blissful and felt like a revelation. Then Rodrigo was off school for Easter break. Then Tiago was overseas for a week. And now we’re finally back to our usual rhythm.

I’m not going to give up on my 100 Days of Blogging project. I took a break, now I’m back. I’m not going to blog every.single.day but I’ll keep updating the blog on a regular basis until I reach post number 100. And then I’ll evaluate.

Over the past 6 months I’ve been weaning myself off the internet and it feels great. I started by not taking my phone into my bedroom at night. Then I progressed into not touching it after the kids’ night-time routine, which starts at 6pm around here. I’ve noticed that in those evenings when I browse Pinterest or scroll Instagram after dinner my sleep is so much worse. It’s like my brain gets overstimulated and is therefore unable to switch off: I wake up several times in the night, I have very vivid dreams, I wake up unrested.

And then my friend came to stay and I got to experience what it feels like to have one’s friends around. Oh how I miss my people! We talked a lot, went for day trips and even took a plane down to Dunedin (a city in the southern part of the South Island). I felt like myself again and I had fun!

Late Autumn is upon us, Winter is coming. I want to embrace it, instead of wishing I was living elsewhere. I want to be present here, with my family, in this country — not constantly online, feeling anxious and overwhelmed. The internet is wonderful and I’m so grateful it exists, but it’s become a very different place from what it was 10 years ago. It’s too noisy, too prevailing, too difficult to manage — for me, at least. I guess that, when it all feels to much, the trick is to pick and choose. And reduce.

 

Flow Book for Paper Lovers

24/100

[scroll down for English]

Na semana passada, o Rodrigo e eu tivemos de ir a Auckland renovar os nossos passaportes. No aeroporto comprei este caderno Flow Book for Paper Lovers e estou encantada com ele. É uma edição especial da revista Flow e foi lançado no final de 2016, mas estas coisas chegam sempre à Nova Zelândia com alguns meses de atraso.

É um volume bastante grosso e, quando pego nele e lhe sinto o peso e a irregularidade da lombada, sinto-me transportada para outra dimensão, para um imaginário diferente… para um mundo analógico, talvez. Não que este caderno puxe excessivamente ao vintage, não é isso. Faz-me, sim, recordar um mundo sem distracções digitais, uma altura em que eu era muito mais nova e me deliciava com papel de carta, cadernos escolares, papel de lustro, livros forrados, etiquetas autocolantes, envelopes e papéis diários com diversas gramagens e texturas.

Já comecei a pô-lo a uso (escrevi uma carta com várias páginas a uma amiga) e sei que me irei divertir bastante com ele. Que boa descoberta!

***

Last week Rodrigo and I had to fly to Auckland in order to get our passports renewed. At the airport I stumbled upon this Flow Book for Paper Lovers and I’m smitten with it. It’s one of Flow magazine’s special editions and it came out at the end of 2016, but these things usually arrive in New Zealand with a few months’ delay.

It’s a thick volume and when I have it in my hands and feel its weight and the irregularity of its spine, I feel transported to another dimension… to an analog world, I guess. Not that this book plays the vintage card too much, it’s not that. It just makes me remember a world without any digital distractions, a time when I was a young girl who absolutely loved writing paper, school notebooks, books covered in colourful contact paper, name tags, envelopes and daily papers with different weights and textures.

I’ve already started using this book (I wrote a long letter to a friend) and I know I’m going to have lots of fun playing with it. What a lovely discovery!

À conversa no podcast Anita no Trabalho

podcast-anita-no-trabalho

Não é novidade nenhuma que gosto de ouvir podcasts. Ouço-os enquanto coso, guio, arrumo a cozinha, ando a pé… Os podcasts fazem-me companhia, educam-me, fazem-me rir e pensar. Há podcasts para todos os gostos (já escrevi dois posts sobre os meus podcasts preferidos: em 2013 e em 2014 — tenho de fazer um post actualizado!) e, quanto a mim, os podcasts mais interessantes são aqueles que exploram um nicho até exaustão, sob todos os ângulos e perspectivas, seja a solo ou entrevistando convidados.

Em português, o meu podcast preferido é o Anita no Trabalho. A Billy e a Eliana falam sobre o empreendorismo feminino em Portugal de uma forma descontraída, divertida, acessível e muito inteligente. O Público já falou sobre elas, a TimeOut também.

Pois eu tive a honra de ser entrevistada por elas! Espreitem o episódio #11 para nos ouvirem a conversar a respeito do meu percurso e sobre temas como maternidade, introversão, isolamento, blogs e afins. Espero que gostem e não se esqueçam de subscrever o podcast no iTunes ou no vosso app de podcasts de eleição (eu uso o Pocket Casts).

E nunca é de mais frisar que os vossos comentários são muitíssimo bem-vindos! Este é um espaço de conversa e para mim é mesmo importante ouvir a vossa voz (ou, neste caso, ler as vossas palavras).

Para assinar a minha newsletter, cliquem aqui. Obrigada e até breve!

 

A day in the life

[scroll down for English]

Tenho este post parado na pasta dos rascunhos há já umas semanas (acabei de reparar que já lhe fiz 25 revisões… ui!). Estas fotografias mostram um bom dia de Inverno passado, cá em casa, na companhia do Rodrigo. Mas não é, nem por sombras, um dia típico — normalmente ele está na escola e eu estou em casa a fazer aquilo que tem de ser feito para termos uma existência minimamente confortável, assim como algum trabalho criativo (que costumo priorizar em detrimento de uma casa arrumada ou de ler e responder a emails).

Nas versões anteriores que escrevi foram aparecendo alusões a assuntos mais pesados e sombrios. Ser mãe neste isolamento não tem sido fácil para mim — já aludi a isso uma ou outra vez — e já me aconteceu sentir-me algo defraudada em relação àquilo com que, de forma insconsciente, contava quando fiquei grávida pela primeira vez. Dou por mim a escrever sobre gestão de expectativas, depressão pós-parto, solidão… e depois acabo sempre por apagar tudo o que escrevi.

Talvez tenha a ver com a maneira como fui criada, ou com as minhas circunstâncias sociais e culturais, mas tenho uma enorme dificuldade em falar sobre estes assuntos num espaço tão público. É curioso, porque até me considero uma pessoa relativamente aberta — pelo menos até um certo ponto — e não teria tantos pruridos em discutir estes assuntos numa conversa de viva voz. É capaz de ser este formato de blog que complica as coisas — o facto de vocês só verem as palavras que escolho pôr por escrito, sem que sejam acompanhadas de expressões faciais ou linguagem corporal. Eu escrevo um post, vocês deixam um comentário (ou não)… mas não há aquele diálogo natural entre pessoas que se encontram face a face.

Onde é que eu quero chegar com isto? Bem… continuo a não conseguir saber lidar muito bem com aqueles posts em que conto apenas uma parte da história. Ao mostrar imagens fora de contexto, arrisco-me a ser superficial e não totalmente verdadeira. Sim, é óptimo focarmo-nos nas partes positivas das nossas vidas (e eu tenho a sorte de estar rodeada de amor e saúde), mas o facto de simplesmente apagar as partes difíceis não me parece que seja especialmente útil a quem leia este blog e esteja a passar por uma situação semelhante à minha.

Enfim, acho que vou ficar por aqui. Gosto de ter voltado ao blog, mas continuo um bocado à deriva em relação a conseguir encontrar o meu equilíbrio: aquele ponto ideal entre um blog que não é confessional, mas que também não é apenas um “show and tell”. Obrigada por me continuarem a acompanhar nesta viagem de descoberta e partilha.

I’ve had this post sitting on my drafts folder for a few weeks now (I’ve just counted 25 revisions… yikes!). This is what a good winter’s day with Rodrigo looks like when he’s at home with me. It’s the ideal day, so to speak. It’s not our everyday, thought — he’s usually at preschool and I’m at home doing housework and sometimes a bit of creative work too (which I always tend to prioritise in detriment of a tidy home and an inbox under control).

In previous versions of this post, deeper, darker subjects have crept up. I don’t find motherhood in isolation easy (I’ve hinted at it a couple of times in the past few years). Sometimes I feel that this isn’t what I signed up for — the isolation bit, not motherhood itself — and I write about managing expectations, coping with postnatal depression, isolation…. and then I delete it all.

It might have to do with my particular upbringing and my social and cultural circumstances, this whole difficulty in discussing certain matters in such a public space. It’s funny because I’m quite an open person — up to a point, I guess — and I’d have no problems discussing these issues with most of you in a conversation in real life. Perhaps it’s just this blogging format that doesn’t feel very conducive to this kind of conversation — the fact that you can only see my written words, without my facial expressions and body language going along with them. Or maybe it’s just the way blogging works:  I publish a post, you might leave a comment, but there’s no easy way of getting that natural back and forth that you get when you’re talking face to face with another person.

So  where am I getting at? I guess it’s just the fact that I struggle with telling you only one part of the story. Showing images and not providing a context can sometimes feel superficial and untrue. Yes, focussing on the positives is great (and I am so lucky to be surrounded with love and good health) but simply wiping out the difficult parts might not be particularly helpful to someone who might be reading this blog and going through a situation similar to my own.

Well, I guess that’s it for today. I’m glad I’ve resumed blogging but I’m still struggling to find my balance: that ideal place between a blog that’s not confessional but which also isn’t just a show and tell. Thank you for coming along with me in this journey of self-discovery and sharing.

 

 

 

Por Aqui :: Around Here

autumn picnic in New Zealand - Constanca Cabral

romper made from a vintage Simplicity pattern, using Palos Verdes fabric - Constanca Cabral

gardening with kids : poding beans - Constanca Cabral

making a doll - Constanca Cabral

autumn flower arrangement - Constanca Cabral

quince paste - Constanca Cabral

[scroll down for English]

Por aqui… bem, por aqui passou-se um ano e muita coisa se passou durante este meu último ano.

Para começar, o blog tem um endereço novo, uma imagem nova, um nome novo. Obrigada à Sílvia, à Filipa e à Joana pela ajuda durante este longo processo de mudança.

Ainda há muito por fazer: acabar de arrumar o site, alterar alguns pormenores, enfim. Mas resolvi voltar a escrever aqui antes de estar tudo pronto. O grande mantra do empreendorismo contemporâneo é “start before you’re ready”, não é? Se ficarmos à espera de que todas as condições estejam reunidas para lançar (ou, neste caso, relançar) um projecto, se só dermos o primeiro passo depois de acharmos que tudo está perfeito… bem, então a tarefa de (re)começar torna-se hercúlea. Tenho vontade de voltar a escrever posts e vou tratando do resto com calma. Espero que se sintam confortáveis aqui e peço-vos alguma paciência para os próximos tempos.

Também espero que tanta coisa nova se traduza num novo fôlego para eu voltar a habitar esta casa. O blog esteve em pausa durante um ano mas o meu Instagram continuou bastante activo — e, mais importante ainda, eu nunca estive parada. Aliás, quando retirei a pressão (e a obrigação auto-imposta) de documentar os meus projectos (tirar várias fotografias, escrever textos com pés e cabeça), passei a fazer muito mais coisas, porque aquelas horas que gastava a elaborar posts passaram a ser canalizadas para o acto de simplesmente fazer. Partilhei a maior parte daquilo que fiz no Instagram e, durante uns meses, foi um alívio poder simplesmente tirar uma fotografia rápida com o telefone e escrever uma legenda curta, sem ter de me preocupar com estrutura, links, traduções e por aí fora. No entanto, com o passar do tempo — e à medida que me fui sentindo menos assoberbada e exausta — comecei a sentir falta de um espaço com maior profundidade. Fiquei com saudades deste blog que comecei há dez anos e que é a minha casa na internet.

Pensei muito durante este ano. Cheguei a algumas conclusões, mas há outras dúvidas que persistem. Hoje recomeço este blog sem planos estruturados, sem um calendário editorial rígido, sem grandes obrigações de periodicidade. Vou voltar a escrever posts quando me for possível, vou continuar a ser eu própria, às vezes mais aberta, outras vezes mais reservada.

Esta história de ter um blog sobre a minha vida quotidiana — em que o enfoque é sempre o acto de fazer à mãofazer em casa e fazer de forma simples  (mesmo quando essa aparente simplicidade acaba por ser bastante mais trabalhosa do que comprar já feito) — tem muito que se lhe diga. Consciente ou inconscientemente, a minha vida pessoal acaba por permear tudo aquilo que vou partilhando aqui. Por muito que eu estabeleça fronteiras, a linha que divide a “esfera pessoal” da “esfera privada”  é, por vezes, bastante cinzenta. E, depois, há aquele eterno dilema da imagem da minha vida que acaba por ser retratada neste espaço. Por muito que eu queira ser sempre transparente, honesta e eu própria, é inevitável que muitas coisas fiquem por dizer, por mostrar ou por explorar. Da mesma forma como não contamos todos os pormenores da nossa vida, em voz alta, numa sala cheia de gente, não nos expomos totalmente na internet. Há muitos de vocês que são meus conhecidos e meus amigos (e acreditem que este blog que tem feito conhecer muitas pessoas bestiais, com quem tenho desenvolvido amizades), mas também há muitas pessoas que me lêem e que nunca deixaram um comentário, nunca me abordaram na rua, nunca me escreveram um email. Há muitos desconhecidos agora e muitos mais haverá no futuro. Tudo isto para voltar a insistir na questão de que aquilo que partilho convosco é só uma parte da minha vida… está longe de constituir a totalidade da minha existência.

Por outro lado, a minha vida já não é só minha. Tenho um marido e dois filhos pequenos e, se não me faz confusão mostrar a cara deles aqui, entrar na sua esfera privada está fora de questão. (Sei que há toda a questão do direito à imagem deles, mas essa discussão vai ficar para outro dia.) Enfim, estes são temas muito complexos, ao ponto de se tornarem paralisantes. Vou continuar a agir com naturalidade e boa fé, vou continuar a povoar este espaço com boas energias e bons sentimentos e vou continuar a ter esperança e a acreditar no Bem.

Obrigada a todas as pessoas que estiveram presentes durante este último ano. Obrigada por todos os comentários no Instagram, pelos emails, pelos olás ao vivo e pelo entusiasmo com que recebem as minhas partilhas. Isto convosco tem muito mais graça.

 

Around here… well, it’s been a year and a lot has happened in this past year.

For starters, the blog has a new address, a new look and a new name. Thank you SílviaFilipa and Joana, for helping me throughout this process.

There’s still a lot to do: some recategorizing, a bit of formatting and a few tweaks here and there. But I’ve decided to resume my blogging activity before everything is finished. The great mantra of modern entrepreneurism is “start before you’re ready”, right? If you wait for every star to be aligned in the ideal position before you (re)launch something, if  you only take the first step when you feel everything is perfect… well, then the task of (re)starting takes herculean proportions. I feel the urge to blog again and I’ll take care of the rest in due time. I hope you’ll feel comfortable here and I ask you to bear with me while I tidy things up.

I didn’t blog for a year but I kept very active on Instagram. Once I took away the pressure (and self-imposed obligation) to document my projects — take several pictures, write proper compositions — I suddenly started making many more things, because those hours that I used to spend editing photos and writing posts were now being used solely for making. I shared most of my makes over at Instagram and, for a few months, it was such a relief to simply snap a picture with my phone and write a small caption, without worrying about structure, links, translations and so forth. However, as time went by and I felt less overwhelmed and less exhausted, I started craving a space with a little more depth to it. I missed this blog that I started writing ten years ago and that is my home in the internet.

During this past year I did a lot of thinking. I came to a few conclusions but many doubts still persist. Today I resume this blog with no big plans, no strict editorial calendar and no self-imposed obligations of consistency. I intend to post whenever I can and I’m going to go on being myself — sometimes more open, other times more reserved.

This business of blogging about my everyday life — even when the focus is making by handmaking at home  and making in a simple way (even when that apparent simplicity ends up being a lot more work that buying something ready-made) — can be a bit tricky. Whether consciously or unconsciously, my personal life ends up permeating a lot of what I share. As much as I establish boundaries, the line that separates my “personal sphere” from my “private sphere” can be quite grey. And then there’s that whole dilemma of the image of my life that ends up being portrayed here. As much as I strive to always be transparent, honest and myself, it’s inevitable that a lot of things don’t get told, shown or explored. In the same way that we don’t tell out loud every detail of our lives in a room full of people, we don’t entirely expose ourselves online. I do know some of you (some of you are friends and others are online acquaintances whom I’ve grown fond of) but there are others who’ve never left a comment, written me an email or had an interaction with me. This blog is read by many people who are, in fact, strangers to me — that’s the nature of the internet and I’m OK with it. But I feel like the need to state yet again that what I share online is just a portion of my life… it’s not the whole extension of my existence.

On the other hand, my life isn’t entirely my own any more. I’ve got a husband and two young children and while I don’t see a problem in sharing their faces, entering their private lives is out of the question. (I know there’s the whole conundrum of whether I’ve got a right to their images or not but we shall discuss that another time.) Anyway, these are very complex subject matters, so much so that they can sometimes be paralysing. I’ll continue to be natural and act in good faith, I’ll go on populating this space with good energies and good feelings and I’ll keep on having hope and believing in goodness.

Thank you to everyone who has been present throughout this last year. Thank you for every comment on Instagram, for every email, for every hello in the flesh and for the enthusiasm you’ve shown in regard to what I choose to share. You make everything a lot more fun.

 

Pausa :: Break

Ando há muito tempo com a sensação de que alguma coisa não está a funcionar no meu dia-a-dia. A tristeza e o isolamento que senti durante 2012 e 2013 felizmente desapareceram, mas não me consigo livrar de um enorme peso, de um grande cansaço e de um certo desajustamento em relação à minha vida presente.


Este blog vai ficar em pausa durante uns tempos. Não vou actualizar a página no Facebook e não me vou forçar a responder a emails. Acho que vou continuar pelo Instagram, porque é o único sítio na internet em que não sinto qualquer tipo de pressão, mas ainda não tenho a certeza.

Tenho muitos posts fotografados e alinhavados, e é possível que os vá publicando pouco a pouco, mas prefiro ter o blog inactivo e, de vez em quando, escrever umas coisas, do que um blog activo que está sempre a chamar por mim e a fazer-me sentir que estou a falhar.
Não me apetece escrever sobre isto em pormenor mas, como não gosto de cultivar uma aura de mistério nem tão pouco gerar qualquer tipo de especulação, vou acrescentar algumas palavras.

Quero viver durante uns tempos sem tecnologias. Ser mãe não é, para mim, especialmente fácil. Sou uma pessoa naturalmente introvertida, que precisa de silêncio e de algum espaço, e o dia-a-dia com crianças e sem apoio familiar tem um efeito esmagador sobre mim. Preciso de me focar, de não sentir pressões adicionais nem sucumbir a distracções. De aprender a lidar com as expectativas, aspirações e exigências da vida contemporânea.

Sinto-me constantemente sob tensão e, visto que não me apetece ter um colapso nervoso, vou experimentar alterar a maneira como vivo a minha vida.

Obrigada por me continuarem a acompanhar na minha viagem. Isto não é um adeus — é só um até qualquer dia.


I’ve known for a long time that something’s not working in my everyday life. The sadness and isolation that I felt during 2012 and 2013 have subsided but I haven’t been able to shake off a strong weight over my shoulders, a great tiredness and a sort of maladjustment in regard to my present life.

This blog is going to be still for a while. I’m not going to update my Facebook page and not going to force myself to deal with email. I might keep playing with Instagram because it’s the only place online where I don’t feel any pressure, but I can’t say for sure yet.

I’ve got lots of blog posts that are already photographed and half put together and I might publish something here from time to time, but I’d rather have an inactive blog that sometimes gets updated  that an active blog that’s always asking for more and that makes me feel like I’m failing all the time.

I’m not in the mood to write in detail about this but, since I don’t like to cultivate an air of mystery nor do I want to generate unnecessary speculation, I’m going to add a few words.

I want to live for a while with no technologies. Being a mother isn’t particularly easy for me. I’m a natural introvert and I need a fair amount of silence and space. My day-to-day with children and no family support has been quite overwhelming, frankly. I need to focus and I don’t need any additional distractions or pressures. I must learn how to deal better with all the expectations, aspirations and demands of modern life.

I feel I’m spreading myself too thin and since I don’t want to have a nervous breakdown, I’m going to try and alter the way I live my life.

Thank you for being here with me along this journey. This isn’t goodbye — it’s just “see you later”.

Me @ Faça Fácil Costura Profissional

No último número da revista Faça Fácil Costura Profissional há uma pequena entrevista comigo. Fiquei muito contente por ter recebido este convite e gostei imenso de ver o resultado. Muito obrigada à equipa da Faça Fácil!
There’s an interview with me in the last issue of the Portuguese magazine Faça Fácil Costura Profissional. I was very happy to get this request and I love how it turned out. Thank you to everyone at Faça Fácil!

12 Podcasts de que Gosto Muito :: 12 Podcasts I Love

[actualização deste post]
Continuo a gostar imenso de ouvir podcasts. Acho fascinante ficar a conhecer o percurso de vida de tantas pessoas com interesses semelhantes aos meus, bem como o de outras completamente diferentes de mim. Divirto-me, aprendo imenso, reflicto sobre as minhas escolhas, penso no meu futuro, enfim. Eis a lista daquilo que tenho ouvido nos últimos tempos:
O programa de rádio da Grace Bonney, a fundadora do famosíssimo blog Design*Sponge. Um podcast muito indie, muito actual e muito norte-americano.
Sou fã acérrima da Abby Glassenberg porque acho que ela tem uma das vozes mais inteligentes e críticas da blogosfera crafty. Tenho gostado imenso da variedade de convidados e as listas de recomendações são sempre interessantes. 
O blog da Elise é um dos meus preferidos. O podcast tem graça mas sabem de que é que gostei mesmo? Do discurso dela no World Domination Summit.
Este podcast é muito americano. Os convidados são bastante heterogéneos e não me identifico com tudo o que lá ouço, mas não deixa de ser um bom programa.
Acho muito interessante ouvir como os pequenos negócios criativos começaram e se desenvolveram. Recomendo o episódio com a Jenny Hart e o com a Abby Glassenberg.
Este é um podcast muito actual sobre a corrente mais moderna da indústria de quilting americana. Entrevistas com designers de tecidos, autoras de livros, bloggers e por aí fora.
Este parece-me um podcast mais old-school, mais institucional, mas vale a pena, especialmente quando reconhecemos os nomes dos entrevistados.
Um programa de rádio da BBC em que ideia é ficarmos a saber que oito músicas uma pessoa escolheria caso ficasse desterrada numa ilha deserta. As respostas tendem a assinalar momentos importantes na vida dos entrevistados. Entre tantos outros, adorei ouvir as respostas da Emma Thompson e achei graça saber mais sobre o percurso da Cath Kidston. A apresentadora é excepcional.
Outro programa de rádio da BBC em que se abordam os mais variados assuntos da actualidade (política, economia, literatura, culinária, cultura popular…) numa perspectiva feminina. Ultra-britânico e bastante thought-provoking… vale mesmo a pena explorar os arquivos. Gostei tanto deste episódio com a falecida Duquesa de Devonshire (uma das irmãs Mitford).
Um podcast sobre costura, moda e têxteis com algumas referências históricas e muitas entrevistas a estrelas do movimento handmade.
O primeiro episódio foi com a Amy Butler, uma pessoa que admiro e respeito muito. São sempre entrevistas com mulheres criativas e com garra.
Um programa inteligente e bem produzido sobre os primeiros tempos de maternidade (e paternidade).
Apesar de todos estes podcasts poderem ser ouvidos no computador, eu gosto de ouvi-los enquanto estou a fazer coisas monótonas (arrumar a cozinha, estender roupa, fazer compras de supermercado, coser à máquina), por isso descarrego-os sempre no telemóvel. Comecei por utilizar a aplicação Podcasts da Apple mas aquilo nunca funcionava como eu queria; depois passei para o Stitcher e não adorei. Agora ouço-os através do Pocket Casts — uma aplicação paga mas que funciona bem. 
[an update on this post]

My love for podcasts has grown over the past year. I find it fascinating to get to know the lives of  many people whom I share so many interests with, and also the lives of people who couldn’t be more different from me. I’m entertained, I learn lots of new things, I think about my choices and plan my future. Here’s the list of podcasts I’ve been enjoying lately:

You know Grace Bonney, the founder of Design*Sponge? This is her radio show. Very indie, very current, very North-American.

I’m a huge fan of Abby Glassenberg’s because I think she has one of the most intelligent and critical voices in the handmade community. I’ve been enjoying the variety of guests and the recommendations lists are always super interesting and intriguing.

Elise’s blog is one of my favourites. The podcast is fun but you know what I really loved? Her speech at the World Domination Summit.

This is a very American podcast. The guests are quite varied and I don’t identify with everything I hear over there but it’s nevertheless a good show.

I love hearing about how small creative businesses came to be and how they behave in the current market. I recommend the episodes with Jenny Hart and Abby Glassenberg.

This is a show about the modern quilting movement. There are interviews with fabric designers, authors, bloggers and so on.

This podcast strikes me as more old-school and institutionalised. It’s worth it, though, especially when you recognise the name of a particular guest and want to hear what they have to say.

A BBC Radio 4 programme. The presenter (who is brilliant, by the way) asks guests which 8 pieces of music they would take with them in the event of one day getting stuck on a desert island. The answers are so interesting because they tend to point out important moments in the interviewees’ lives. Amongst others, I loved listening to Emma Thompson‘s choices and I enjoyed learning more about Cath Kidston‘s path.

Another BBC radio show. This one offers a female perspective on the world. All matters are discussed: politics, economy, literature, cookery, popular culture… Utterly British and quite thought-provoking. The archives are really worth exploring. I loved listening to this episode with the late Duchess of Devonshire (one of the Mitford sisters).

A podcast for the sewing, fashion and textile obsessed. Some historic references and interviews with stars of the handmade community.

The first episode was with Amy Butler, a person I admire and respect a lot. Interviews with creative women  who know what they want and aren’t afraid to make it happen.

An intelligent, well-produced about the early days of parenthood.

Even though you can listen to all these podcasts on the computer, I like listening to them while I’m doing monotonous tasks (like tidying the kitchen, hanging out the washing, shopping for groceries, sewing on the machine) so I always download them on my phone. I started by using Apple’s Podcasts app but it never worked quite the way I wanted so I quickly changed to Stitcher. Unfortunately I didn’t love it so I bought the Pocket Casts app — it’s not free but it works great. 

Bastidores :: Behind The Scenes

Para mim, folhear o meu livro tem significado reviver uma série de momentos. A noite em que, sentada à mesa de jantar de casa do meu pai, decidi o título. As fotografias tiradas em Inglaterra, entusiasmada com tantas descobertas ou farta de tanta chuva; as tiradas em Lisboa, cheia de calor e de pressa; e as que tirei na Nova Zelândia, ainda baralhada com uma mudança tão profunda e, mais tarde, durante o surto de produtividade que marcou as semanas que precederam a entrega do manuscrito. As dúvidas, os ensaios, as horas e horas passadas a escrever instruções. O Rodrigo e o Tiago quase sempre presentes. O entusiasmo e apoio dos meus pais e de algumas amigas em especial.

Este livro é a minha vida. Não comprei adereços especialmente para as produções, não houve sessões fotográficas em locais alugados, com modelos profissionais e um fotógrafo contratado. [Claro que um dia gostaria de experimentar tudo isso, não me interpretem mal.] Este livro foi feito com a prata de casa. De várias casas, aliás: a nossa casa em Inglaterra e agora a casa na Nova Zelândia, a casa da minha mãe, do meu pai e a verdadeira caverna de Ali Babá que é a casa dos meus avós. Modelos? Sou eu (em fotografias tiradas ao longo dos últimos anos), o Rodrigo (que nunca pensei que fosse incluído no livro), a Diana (que esteve cá em casa durante a recta final) e as mãos da minha mãe e da minha amiga Gracinha. Fotógrafo? O Tiago e eu, umas vezes em equipa (em que eu fazia o mise en place e o Tiago tirava a fotografia) e outras vezes só eu (fartei-me de trabalhar durante aqueles 2 meses que passei em Lisboa no ano passado).
Espero que o livro vos inspire a deitar mãos à obra!
PS. O livro pode ser comprado online aqui, com 10% de desconto e portes gratuitos. Este site também envia para fora de Portugal.

As I flip through my book I find my self experiencing again a number of moments. The evening when, sitting at my father’s dining table, I came up with the title. The photos taken in England, when I was feeling so invigorated by so many discoveries or whilst being fed up with so much rain. The ones I took in Lisbon, rushing everywhere and always battling with the heat. And the pictures taken in New Zealand, during that first year when I felt so overwhelmed by such a dramatic change and later on, during those weeks prior to my big deadline. The doubts, the trials, the hours upon hours of writing instructions. Rodrigo and Tiago almost always present. The excitement and support of my parents and some friends in particular.

This book is my life. I didn’t buy any props especially for the book nor did I have the luxury of a photo shoot in a wonderful location with professional models and a fancy photographer. [Don’t get me wrong: one day I’d love to experience all that!] This book was made with whatever I had at hand in my home. Actually, in several homes: the one in England, this one in New Zealand, my mother’s, father’s and grandparents’ (the latter being a true Ali Baba’s cave). Models? Myself (in pictures taken over the years), Rodrigo (who I never thought would be included in the book), Diana (who was here during that final stage) and the hands of my mother and of my friend Gracinha. Photographer? Tiago and me, sometimes working as a team (I’d set everything up and then he’d shoot it), other times me working by myself (I worked really hard during those 2 months I spent in Lisbon last year).

I hope the book inspires you to get things done!

PS. You can buy the book here with 10% discount. This website ships internationally. 

(photos© Constança Cabral)