Constellation Quilt

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Na nossa casa neozelandesa, as divisões eram quadradas com tectos muitos altos e desde logo senti necessidade de preencher aquela enorme expansão de paredes. Há uns anos escrevi um post sobre a importância de pendurar nas paredes de nossa casa a nossa própria história, e continuo a sentir-me confortável em ambientes bem recheados (não sou de todo uma minimalista). Pois bem, há paredes em que essa tarefa é fácil (um quadro colocado entre duas janelas ou centrado em cima de uma cómoda, por exemplo), mas outras há que constituem verdadeiros desafios.

No caso da nossa sala, a primeira parede continha a lareira e um passa-pratos, a segunda era inteiramente composta por janelas, na terceira fizemos uma galeria de quadros (num próximo post mostrar-vos-ei como ficou quando finalmente a completámos) e a quarta… bem, essa rapidamente nos mostrou que era “a parede problemática”.

Nos meus habituais devaneios de grandeza (já os conhecem — quando começo a pensar “nas tias”, nos sótãos e nos armazéns que nunca existiram) imaginei que poderia lá pendurar uma colcha de Viana (antiga e de casal, pois claro), ou um tapete de Arraiolos, ou quem sabe um tecido antigo… mas, dada a ausência de uma “peça têxtil” com a dignidade e antiguidade necessárias, resolvi fazer eu algo com as minhas próprias mãos.

Já andava a namorar os quilts-mapa do Haptic Lab há uns tempos e um dia percebi que eles não só vendem os moldes, como tinham algo ideal para a nossa casa: um desenho das constelações do hemisfério sul para bordar numa manta de 180 x 180 cm.

E assim o fiz. Encomendei o desenho, comprei os tecidos (para frente um algodão — shot cotton — com fios azuis-escuros e pretos, para trás um tecido branco), o enchimento para quilts (de algodão) e a linha de bordar (escolhi um fio de viscose — rayon — prateado da DMC).

A parte mais difícil do processo foi o mise en scène, ou seja, fazer a sanduíche do quilt e depois prender-lhe por cima o desenho das constelações. O desenho vem impresso numa entretela fina que, no caso destes quilts maiores, é composta por duas folhas de entretela que se encontram no meio e que idealmente encaixariam uma na outra na perfeição, mas que, pelo menos no caso do meu molde, estavam desencontradas no centro. Essa foi a primeira e, pensando bem, a única dificuldade deste projecto hercúleo. O resto foi demorado mas nunca difícil.

Presas e alinhavadas as quatro camadas (tecido de trás, enchimento, tecido da frente e entretela), fui buscar o bastidor maior que tinha em casa (onde pendurei aquela rena “empalhada” que fiz há uns anos) e comecei a bordar. O bordado faz-se por cima da entretela, que no fim de retira com cuidado, e os pontos são muito simples: ponto atrás e nós franceses, nada mais. [Podem espreitar as instruções aqui.] A linha de viscose que escolhi não foi a mais fácil de usar (aliás, só quando cheguei a casa é que me apercebi de que não tinha comprado uma linha normal de algodão… mas a verdade é que a viscose tem um brilho muito cósmico e resulta bem quando se está a bordar estrelas) mas nada do outro mundo.

Quanto tempo demorei a completar este bordado? Dois ou três meses. Adoro projectos grandes que se fazem com calma ao serão, uma ou duas horas por noite, enquanto vejo um filme ou um episódio de uma série na televisão. Não recomendo que embarquem num projecto destes em pleno Verão, como eu fiz, porque o quilt é grande e pesado e faz imenso calor!

Agora que voltámos a viver na Europa, fico contente por ter esta recordação do céu estrelado do hemisfério sul. É um céu magnífico, que dá dez a zero ao céu do hemisfério norte, e que sempre me fez pensar nas grandes aventura marítimas do passado. O Haptic Lab também vende o desenho do céu do hemisfério norte, assim como um mapa-mundi e as plantas de muitas cidades à volta do mundo: espreitem aqui.

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In our NZ villa we had square rooms and high ceilings and ever since we first moved I felt the need to fill up those large walls. I once wrote a post about the importance of hanging personal objects on our walls and I still feel most comfortable in layered environments (a minimalist I am not). There are walls in which that task is easily accomplished (for instance, a picture hung between two windows or centered over a chest of drawers) but some walls can be a lot trickier.

Take our sitting room: the first wall had the fireplace and a dumb waiter, the second was entirely taken up by a big bay window, on the third one we did a gallery wall type of arrangement (I’ll show you how it ended up looking on my next post) and the forth wall… well, that quickly revealed itself as being “the problem wall”.

In my usual dreams of grandeur (I’ve already told you about them — when I start longing for “the aunts”, the crammed attics and outbuildings that never quite existed) I thought I’d use that wall to display a lovely old embroidered bedspread or a rug or a precious piece of antique fabric… however, due to the lack of a dignified “textile piece”, I decided to just make something with my own hands.

I’d been eyeing Haptic Lab’s map-quilts for a while and one day I discovered that not only do they sell DIY kits, they had the perfect thing for me: a template of the constellations of the Southern Hemisphere sky to embroider onto a 72 x 72 in. quilt (180 x 180 cm).

And that’s how I embarked upon this herculean project. I ordered the template, bought the fabrics (a navy and black shot cotton for the front and some white plain cotton for the back), a piece of cotton wadding and a few skeins of embroidery thread (I picked a silver DMC rayon).

The trickiest part of the process was the whole mise en scène, that is, making the quilt sandwich and securing the embroidery template on top of it. The template is printed onto a thin paper-like interfacing which, in the case of these larger quilts, is actually made out of two interfacing pieces-that meet in the centre and that ideally are perfectly matched. Unfortunately, in my case they didn’t match and that was the only difficulty I faced in this entire project. The rest took time but wasn’t difficult at all.

Once the four layers (backing, wadding, top and template) were all pinned and basted together, I got the largest embroidery hoop I could find at home (I actually had to steal it from that stuffed reindeer in the play room) and started embroidering. You make your stitches over the interfacing, which you then tear away gently at the end, and the stitches are very simple: it’s just back stitch and French knots. [You can have a look at the general instructions here.] The rayon thread I picked wasn’t the easiest (actually, I only realised it was rayon and not regular cotton once I got home from the shop… but it does have a nice cosmic sheen to it that’s perfect for embroidering stars) but it was still perfectly manageable.

How long did it take me to complete this project, you ask? Two or three months. I love working on big projects in the evenings while I watch a film or a series on TV. Just don’t start working on it in the summertime like I did — this quilt is big and heavy and you’ll be very hot!

Now that we’re back living in Europe I’m glad I’ve got this memento of the Southern Hemisphere sky. It’s an absolutely magnificent sky, much more impressive than the one we see here in the Northern Hemisphere, and it always made me think of the great maritime adventures of centuries past. Haptic Lab also sell a template for the Northern Hemisphere constellations, as well as a world map and lots of city plans: check them all out here.

Around Here :: Spring

gallery wall constanca cabral

Por aqui estamos a viver uma das Primaveras mais frias e chuvosas de que há memória. É curioso como, apesar de já viver fora de Portugal há 8 anos, continuo com as mesmas expectativas em relação ao (bom) tempo e não consigo deixar de me sentir defraudada quando aquilo a que acho que tenho direito não se verifica. A verdade é que a vida é mais fácil com sol!

Novembro é sempre o apogeu das flores do nosso jardim. Estamos rodeados de rosas antigas, aquilegias de todas as cores, dedaleiras em vários tons de roxo e branco e sardinheiras aromáticas. Temos assistido a um frenesim de abelhas de todos os tamanhos e feitios e os pássaros acordam-me todos os dias às cinco e meia da manhã.

Dentro de casa também tem havido muita actividade. Remodelámos totalmente a despensa, devagar estamos a fazer obras à cozinha, tenho andado ocupada com cortinas e almofadas. Sou claramente adepta do slow decorating (um movimento que ainda não existe oficialmente, mas que se integra bem no célebre conceito de slow living). Esta nossa casa tem percorrido um longo caminho nestes cinco anos.

O ano está a chegar ao fim. Pensar que o Rodrigo tem a primeira classe praticamente feita e que o Pedro abandonou definitivamente o estado de toddler é impressionante. Não sou daquelas pessoas que querem parar o tempo — pelo contrário, estava desejosa de que esta fase de “rapazes” chegasse. Eles estão a crescer saudáveis e curiosos — temos tanta sorte!

Deixo-vos com algumas sugestões para este fim-de-semana, seja ele de Primavera ou de Outono:

Participei na nova rubrica “Sete dias, sete pratos” do Slower (a nossa semana está aqui).

Este ano li bastante e destaco o Guard Your Daughters (1953), um livro que me me cativou por conseguir misturar harmoniosamente momentos de rir às gargalhadas com assuntos bastante sérios (felizmente hoje em dia compreendemos muito melhor a saúde mental das pessoas). Este livro esteve esgotado durante décadas mas a Persephone reeditou-o recentemente (aqui).

Hei-de fazer um post actualizado com os podcasts que tenho seguido nos últimos tempos, mas vou falar-vos já no Tea & Tattle, apresentado por duas amigas inglesas, que versa sobre livros, bem-estar, relações humanas, enfim. É uma mistura de conversas a duas e entrevistas, e gosto sobretudo do facto de elas não se limitarem a quem está actualmente na moda no Instagram — neste podcast há diversidade de idades, nacionalidades e interesses e isso é incrivelmente refrescante.

Espero conseguir voltar ao blog com maior assiduidade (já não escrevia aqui há demasiado tempo). Bom fim-de-semana para todos!

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Around here we’re going through one of the wettest, coldest springs I’ve ever experienced. Even though I haven’t lived in Portugal for 8 years now, it’s funny how some (good) weather-related preconceptions will never leave me. I still feel positively defrauded when they don’t come to fruition! I mean, life is some much easier in the sunshine, isn’t it?

November is always the best month for flowers in our garden. We’re surrounded by old roses, aquilegias in every colour of the rainbow, foxgloves in various shades of purple and white, as well as many different species of fragrant pelargoniums. The bees are super active and the birds wake me up at 5.30 every morning.

Indoors we’ve also been quite busy. We’ve remodelled the pantry and are slowly doing up the kitchen. I’ve also been making curtains and cushion covers. I’m clearly in the camp of the slow decorating movement (not that that’s an official thing, but it goes very well with the whole slow living philosophy). This house has been through a long and winding decorating road over the past five years.

The year is coming to an end. To think that Rodrigo has almost completed his first year at school and that Pedro has definitely left toddlerhood behind amazes me. I’m not one of those people who’d like to stop time — on the contrary, I was anxious for this “boy” phase to come. They’re growing up healthy and curious — we feel incredibly lucky!

I’ll leave you with a couple of suggestions for your Spring/Autumn weekend:

This year I’ve read a lot and the book that’s stayed with me the most is “Guard Your Daughters” by Diana Tutton (1953). It’s captivated me because it manages to beautifully balance laugh-out-loud moments with rather serious matters (thank goodness mental health is much better understood nowadays). The book was out of print for several decades but Persephone has recently republished it (here).

I’ve been meaning to write an updated post with my favourite podcasts but, before that happens, I’ll quickly mention Tea & Tattle. It’s hosted by two British young women and it covers a range of topics like books, well-being, relationships, etc. It’s a mix of conversations between two friends and interviews and I really appreciate the diversity of voices, ages and backgrounds of the people they feature — it’s not just about who’s trending on Instagram.

I’m hoping to start blogging again more consistently (it’s been too long). Happy weekend, everyone!

Around here

autumn picnic

new zealand by air

nz church

autumn

28/100

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Sempre que faço uma pausa mais prolongada no blog custa-me imenso voltar.

Este último mês foi bastante intenso. Uma amiga minha veio cá passar duas semanas e eu praticamente não estive online. Soube tão bem — diria até que foi uma revelação. Depois o Rodrigo esteve de férias. A seguir o Tiago esteve uma semana fora. E agora voltámos finalmente às rotinas.

Não vou desistir do projecto 100 Days of Blogging. Fiz uma pausa e agora estou de volta. Já cheguei à conclusão de que não consigo escrever posts todos os dias, mas tenciono actualizar o blog com frequência até ao post número 100. E depois logo farei um balanço.

Ao longo dos últimos 6 meses tenho-me esforçado por desligar-me progressivamente da internet e tem sido uma experiência muito positiva. Comecei por deixar de levar o telefone para o meu quarto à noite. Em seguida, deixei de tocar no telefone quando começa a rotina da noite cá em casa (às seis da tarde). Fui-me apercebendo de que, quando passo o serão a ver o Pinterest e o Instagram, durmo muito pior. Parece que o meu cérebro fica ultra-estimulado e é incapaz de se desligar: acordo várias vezes durante a noite, tenho sonhos muito intensos, acordo cansada.

E depois a minha amiga veio visitar-nos e voltei a perceber como a vida é gira quando os nossos amigos estão por perto. Tenho tantas saudades das minhas pessoas! Conversámos imenso, explorámos as redondezas e até fomos a Dunedin (uma cidade no sul da Ilha do Sul). Voltei a sentir-me eu mesma e a divertir-me!

Por aqui estamos na recta final do Outono. O Inverno está à porta. Quero tirar partido dele, em vez de me apetecer estar num sítio diferente. Quero estar presente aqui, com a minha família, neste país — não constantemente online, a sentir-me ansiosa e esmagada. A internet é bestial e sinto-me muito agradecida pela sua existência, mas tornou-se um espaço muito diferente daquele que comecei a habitar há cerca de 10 anos. Sinto-a demasiado barulhenta, demasiado dominante. A resposta é sempre a mesma: encarar as coisas com conta, peso e medida. E reduzir.

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Whenever I take a blog break, I find it so hard to come back.

You see, this past month has been quite eventful. We had a friend over for two weeks and I practically didn’t go online. It was blissful and felt like a revelation. Then Rodrigo was off school for Easter break. Then Tiago was overseas for a week. And now we’re finally back to our usual rhythm.

I’m not going to give up on my 100 Days of Blogging project. I took a break, now I’m back. I’m not going to blog every.single.day but I’ll keep updating the blog on a regular basis until I reach post number 100. And then I’ll evaluate.

Over the past 6 months I’ve been weaning myself off the internet and it feels great. I started by not taking my phone into my bedroom at night. Then I progressed into not touching it after the kids’ night-time routine, which starts at 6pm around here. I’ve noticed that in those evenings when I browse Pinterest or scroll Instagram after dinner my sleep is so much worse. It’s like my brain gets overstimulated and is therefore unable to switch off: I wake up several times in the night, I have very vivid dreams, I wake up unrested.

And then my friend came to stay and I got to experience what it feels like to have one’s friends around. Oh how I miss my people! We talked a lot, went for day trips and even took a plane down to Dunedin (a city in the southern part of the South Island). I felt like myself again and I had fun!

Late Autumn is upon us, Winter is coming. I want to embrace it, instead of wishing I was living elsewhere. I want to be present here, with my family, in this country — not constantly online, feeling anxious and overwhelmed. The internet is wonderful and I’m so grateful it exists, but it’s become a very different place from what it was 10 years ago. It’s too noisy, too prevailing, too difficult to manage — for me, at least. I guess that, when it all feels to much, the trick is to pick and choose. And reduce.

 

Zero Waste Grocery Shopping

20/100

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Na Nova Zelândia há uma cadeia de lojas de venda de produtos a granel chamada Bin Inn. Para além de oferecer uma grande variedade de produtos difíceis de encontrar num supermercado normal, tem, quanto a mim, uma enorme vantagem: as pessoas que frequentam a loja são encorajadas a usar os seus próprios recipientes.

Ao longo dos anos tenho comprado um número considerável de frascos de vidro em lojas de caridade, que uso para tudo e mais alguma coisa. São estes os frascos que levo ao Bin Inn. Quando chego, a dona da loja pesa os meus frascos e anota os pesos na parte de baixo de cada frasco. No fim, depois de os frascos estarem cheios, volta a pesá-los e subtrai o peso inicial. Eu venho para casa com as compras já arrumadas e a sentir um grande alívio por ter evitado usar embalagens que rapidamente acabariam no lixo.

Esta maneira de fazer compras é muito tradicional mas também está totalmente na ordem do dia. Integra-se no movimento “lixo zero”, para o qual acordei quando há uns anos li o livro da Bea Johnson, Zero Waste Home. Se não tiverem lido o livro e quiserem ouvir a Bea a falar sobre as suas convicções, espreitem este episódio do The Slow Home Podcast.

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In New Zealand there’s a chain of bulk grocery stores called Bin Inn. In addition to offering a wide range of wholefoods and speciality ingredients that are usually hard to find in a normal supermarket, it has another great thing going for it: its customers are encourage to shop using their own containers.

Throughout the years I’ve amassed a good collection of glass jars from charity shops. I use these jars for anything and everything, and these are the jars I take to Bin Inn. Upon arrival, the shop owner weighs my jars and writes down the weight underneath each jar. When I’m done with my shopping, she weighs them again and subtracts the inicial weight. I come home with all my groceries already put away in their respective containers, feeling relieved I avoided food packaging that would quickly end up in my rubbish bin.

This is both a very traditional, old-school way to shop and a very of-the-moment thing. It’s completely in line with the “zero waste” movement, a movement I first heard about through Bea Johnson’s Zero Waste Home book. If you haven’t read it and want to hear Bea talk about her way of life, you can listen to this episode of The Slow Home Podcast.

Morning tea


9/100

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O “morning tea” é uma das minhas instituições neozelandesas preferidas. Entre as nove e as dez da manhã, o país faz uma pausa para beber um chá ou um café e comer qualquer coisa. As mães que estão em casa a tomar conta dos filhos vão a casa umas das outras. As crianças nas escolas bebem um copo de leite e comem um bolo (ou uma torrada com Marmite, o snack preferido dos meus filhos). As pessoas que estão reformadas combinam tomar café a essa hora. As pessoas com empregos tradicionais encontram-se na sala comum e aproveitam para pôr a conversa em dia. É claro que os neozelandeses não são o único povo no mundo que come a meio da manhã, mas digo-vos que nunca tinha estado num país que levasse tão a sério este momento do dia (no Reino Unido há os “elenvenses”, mas nunca me apercebi de que lá tivessem o mesmo peso do que o morning tea tem na NZ e na Austrália).

Por outro lado, este é um país em que os cafés fecham às quatro da tarde e ninguém lancha. Aliás, os neozelandeses não compreendem o conceito do lanche, porque jantam entre as cinco e as seis da tarde. Tenho imensa pena que cá não dê para ir lanchar fora (o meu programa preferido em Portugal), mas fico contente por cá existir o morning tea!

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“Morning tea” is one of my favourite Kiwi institutions. Between 9 and 10am the country stops for a drink and a bite. Stay at home mothers are invited round for a cup of tea. School children drink a glass of milk and eat some cake (or Marmite toast, my kids’ favourite snack). Retired people go out for coffee. People with traditional jobs catch up in the “smoko” room. Of course New Zealanders aren’t the only people who enjoy a mid-morning snack but before coming here, I’d never been in a country that takes this moment so seriously (I know there’s “elevenses” in the UK but I’m not sure it’s regarded as such an institution as it is in NZ and Australia).

On the other hand, this is a country where cafés close at 4pm (at least in my area) and people just don’t do afternoon tea like we do in Southern Europe. It’s totally understandable because Kiwis tend to have supper at 5-6pm. It makes me a bit sad that I can’t go out for afternoon tea (one of my favourite things to do in Portugal) but I’m really glad that morning tea exists!

Bordados neozelandeses :: NZ vintage embroidered linens

No meu último vídeo (uma caixa de costura antiga) falei-vos no livro “Thrift to Fantasy”, da autora Rosemary McLeod, que versa sobre os lavores femininos neozelandeses das décadas de 1930-40-50. Pois bem, hoje mostro-vos uma colecção de panos neozelandeses dessa mesma altura, que tive a sorte de conseguir comprar numa loja de caridade recentemente.

Como sabem, sou absolutamente apaixonada por têxteis antigos e sei que não sou a única a perder a cabeça com este tipo de coisas. Espero que achem graça a este vídeo!

Dois desafios para vocês:

  • Partilhem, aqui na caixa de comentários, as maneiras como tratam dos vossos panos antigos: truques para tirar nódoas de ferrugem e manchas de humidade, como os guardam, se os põem a uso…
  • Mostrem-nos as vossas colecções! Se tiverem conta no Instagram, usem o hashtag #myvintagelinens. Mal posso esperar para ver o que está guardado nos vossos armários e cómodas! Se preferirem, enviem-me um email com algumas fotografias (ou convidem-me para vê-los ao vivo na próxima vez que eu estiver em Portugal!).

I’ve been filming videos in Portuguese and I’m wondering whether non-Portuguese speakers would be interested in subtitles. Do let me know your thoughts on this matter.

This video is all about by my latest textile finds at a local op shop (charity shop/thrift store). I was lucky enough to be invited into the staff room and I spent a blissful half-hour rummaging through boxes full of old doilies, tray cloths and tablecloths and chatting with a handful of lovely ladies. It was exactly what my dreams are made of! 

Today I’ve got two challenges for you:

  • In the comment section below, tell us about how you care for your vintage linens. Any tricks for getting rid of old stains like rust and mildew? How do you store them? Do you actually use them?
  • Share your collection with us! If you’re on Instagram, tag your photos with the #myvintagelinens hashtag. Or, if you prefer, send me an email with some pictures (or invite me into your home so I can see them with my own eyes!).

Totara de Natal :: Christmas Totara

Este ano nossa árvore de Natal é diferente. 

Não me apetecia fazer novamente uma árvore só com ramos e não tinha vontade de comprar um pinheiro ou um abeto. Tudo isso dá ar de Inverno no hemisfério norte, o que aqui simplesmente não faz sentido. 
Então lembrei-me de ir a um viveiro de plantas para espreitar a secção de árvores nativas da Nova Zelândia. Não estava a ser fácil decidir que árvore comprar… até que descobri, num canto, esta totara. Tem ramagens abertas, o que facilita a tarefa de pendurar os enfeites, é alta e as folhas picam tanto como as agulhas dos pinheiros.

E em Janeiro poderá ser plantada lá fora.

This year our Christmas tree is different.

I didn’t feel like repeating the bare branches and I had no wish to buy a pine or a fir. All of the above look like winter in the northern hemisphere and that would make no sense here in New Zealand.

So I thought I’d go to a plant nursery in search of a native tree. I couldn’t make up my mind on which tree to buy… until I spotted this totara. It’s got open branches, which makes the job of hanging ornaments quite easy, it’s tall and the leaves are as sharp as pine needles. 

And in January it can be planted outside.

(photos: © Constança Cabral)

Springfield

Sinto imensa falta de viver no campo. Abrir a porta de casa e só ver verde, não ouvir nada senão o som dos animais (e de um tractor de vez em quando, é certo)… tenho saudades da tranquilidade de uma casa no meio do nada. 
No fim-de-semana passado estivemos num sítio que me levou de volta a Long Walk (a nossa casa em Inglaterra): Springfield, a quinta da caterer Ruth Pretty. Fica em Te Horo, a uma hora a norte de Wellington e a uma hora a sul de nossa casa, e é simultaneamente sede das operações de catering, escola de culinária, loja de cozinha, viveiro, horta e casa de chá. Conjuga de maneira admirável elementos clássicos britânicos com uma simplicidade e um engenho bastante despretensiosos e muito neozelandeses. Gostei imenso de lá ter ido.

[e para quem tem pedido fotografias da minha barriga de 8 meses, cá está ela!]

I really miss living in the countryside. To open the front door and only see green pastures, to hear nothing but animal sounds (and the odd tractor, for sure)… I long for the tranquility of a house in the middle of nowhere.

Last weekend we went to a place that took me back to Long Walk (the house where we lived in England): Springfield, the homestead of caterer Ruth Pretty. It’s located in Te Horo, an hour north of Wellington and an hour south from our home, and it’s simultaneously a catering business, cookery school, kitchen shop, nursery, kitchen garden and café. It admirably combines a few classic British elements with a touch of very Kiwi simplicity, ingenuity and unpretentiousness. I loved it.

[and for those of you who’ve been asking to have a look at my bump at 8 months, here it is!]

(photos© Constança Cabral)

Época da Feijoa :: Feijoa Season

Até ter vindo viver para a Nova Zelândia, nunca tinha ouvido falar em feijoas. Também conhecidas como goiabas-serranas ou goiabas-ananás, as feijoas são originárias da América do Sul mas são incrivelmente populares na NZ. Não há praticamente jardim que não tenha uma árvore de feijoa e, no Outono, os frutos encontram-se à venda em qualquer supermercado. Nós temos a nossa árvore e o Rodrigo gosta muito de apanhá-las e comê-las (haja alguém cá em casa que goste delas!). E vocês, já provaram feijoas?
I had never heard of feijoas until I came to New Zealand. Also known as pineapple guavas, feijoas come from South America but are incredibly popular in NZ. Almost every garden has its own feijoa tree and in Autumn you can find the fruit for sale at supermarkets. We’ve got our own tree and Rodrigo enjoys picking and eating them (I’m glad at least one person in this household actually appreciates their taste). What about you, are you familiar with feijoas?

(photos© Constança Cabral)

Coromandel

Fomos passar uns dias ao Coromandel, uma península no norte da Ilha do Norte. Dormimos numa casinha de madeira no meio do bosque e, apesar do mau tempo (desengane-se quem acha que a NZ é um país quente), ainda deu para ir um bocado à praia.
E por falar em praia, que praia! Sem carros a passar na areia (como é normal na nossa zona), e com algas cor-de-rosa, conchas perfeitas, pompons de palha, búzios com o interior em madrepérola, pinhas e seixos, madeiras desbotadas pelo sol, gaivotas, pedras-pomes, árvores a fazer sombra na areia, gente a apanhar amêijoas para o jantar e o som das cigarras. 
Foram umas férias curtas mas muito felizes.
Last week we went up to the Coromandel, a peninsula in the north of North Island. We slept in a little wooden cabin hidden in the woods and despite the weather (a lot of people seem to be under the impression that NZ is a very hot country… well, it’s not), we managed to spend some time at the beach.

And speaking of the beach… it was wonderful! No cars driving on the sand (a common occurrence in the area where we live) and filled with treasures like pink algae, straw pompons, nacre conches, pinecones and pebbles, sun-bleached driftwood, pumice, the shades of trees on the sand and the sound of cicadas.

They were short holidays, but very happy ones.
(photos© Constança Cabral)