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28/100

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Sempre que faço uma pausa mais prolongada no blog custa-me imenso voltar.

Este último mês foi bastante intenso. Uma amiga minha veio cá passar duas semanas e eu praticamente não estive online. Soube tão bem — diria até que foi uma revelação. Depois o Rodrigo esteve de férias. A seguir o Tiago esteve uma semana fora. E agora voltámos finalmente às rotinas.

Não vou desistir do projecto 100 Days of Blogging. Fiz uma pausa e agora estou de volta. Já cheguei à conclusão de que não consigo escrever posts todos os dias, mas tenciono actualizar o blog com frequência até ao post número 100. E depois logo farei um balanço.

Ao longo dos últimos 6 meses tenho-me esforçado por desligar-me progressivamente da internet e tem sido uma experiência muito positiva. Comecei por deixar de levar o telefone para o meu quarto à noite. Em seguida, deixei de tocar no telefone quando começa a rotina da noite cá em casa (às seis da tarde). Fui-me apercebendo de que, quando passo o serão a ver o Pinterest e o Instagram, durmo muito pior. Parece que o meu cérebro fica ultra-estimulado e é incapaz de se desligar: acordo várias vezes durante a noite, tenho sonhos muito intensos, acordo cansada.

E depois a minha amiga veio visitar-nos e voltei a perceber como a vida é gira quando os nossos amigos estão por perto. Tenho tantas saudades das minhas pessoas! Conversámos imenso, explorámos as redondezas e até fomos a Dunedin (uma cidade no sul da Ilha do Sul). Voltei a sentir-me eu mesma e a divertir-me!

Por aqui estamos na recta final do Outono. O Inverno está à porta. Quero tirar partido dele, em vez de me apetecer estar num sítio diferente. Quero estar presente aqui, com a minha família, neste país — não constantemente online, a sentir-me ansiosa e esmagada. A internet é bestial e sinto-me muito agradecida pela sua existência, mas tornou-se um espaço muito diferente daquele que comecei a habitar há cerca de 10 anos. Sinto-a demasiado barulhenta, demasiado dominante. A resposta é sempre a mesma: encarar as coisas com conta, peso e medida. E reduzir.

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Whenever I take a blog break, I find it so hard to come back.

You see, this past month has been quite eventful. We had a friend over for two weeks and I practically didn’t go online. It was blissful and felt like a revelation. Then Rodrigo was off school for Easter break. Then Tiago was overseas for a week. And now we’re finally back to our usual rhythm.

I’m not going to give up on my 100 Days of Blogging project. I took a break, now I’m back. I’m not going to blog every.single.day but I’ll keep updating the blog on a regular basis until I reach post number 100. And then I’ll evaluate.

Over the past 6 months I’ve been weaning myself off the internet and it feels great. I started by not taking my phone into my bedroom at night. Then I progressed into not touching it after the kids’ night-time routine, which starts at 6pm around here. I’ve noticed that in those evenings when I browse Pinterest or scroll Instagram after dinner my sleep is so much worse. It’s like my brain gets overstimulated and is therefore unable to switch off: I wake up several times in the night, I have very vivid dreams, I wake up unrested.

And then my friend came to stay and I got to experience what it feels like to have one’s friends around. Oh how I miss my people! We talked a lot, went for day trips and even took a plane down to Dunedin (a city in the southern part of the South Island). I felt like myself again and I had fun!

Late Autumn is upon us, Winter is coming. I want to embrace it, instead of wishing I was living elsewhere. I want to be present here, with my family, in this country — not constantly online, feeling anxious and overwhelmed. The internet is wonderful and I’m so grateful it exists, but it’s become a very different place from what it was 10 years ago. It’s too noisy, too prevailing, too difficult to manage — for me, at least. I guess that, when it all feels to much, the trick is to pick and choose. And reduce.

 

Zero Waste Grocery Shopping

20/100

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Na Nova Zelândia há uma cadeia de lojas de venda de produtos a granel chamada Bin Inn. Para além de oferecer uma grande variedade de produtos difíceis de encontrar num supermercado normal, tem, quanto a mim, uma enorme vantagem: as pessoas que frequentam a loja são encorajadas a usar os seus próprios recipientes.

Ao longo dos anos tenho comprado um número considerável de frascos de vidro em lojas de caridade, que uso para tudo e mais alguma coisa. São estes os frascos que levo ao Bin Inn. Quando chego, a dona da loja pesa os meus frascos e anota os pesos na parte de baixo de cada frasco. No fim, depois de os frascos estarem cheios, volta a pesá-los e subtrai o peso inicial. Eu venho para casa com as compras já arrumadas e a sentir um grande alívio por ter evitado usar embalagens que rapidamente acabariam no lixo.

Esta maneira de fazer compras é muito tradicional mas também está totalmente na ordem do dia. Integra-se no movimento “lixo zero”, para o qual acordei quando há uns anos li o livro da Bea Johnson, Zero Waste Home. Se não tiverem lido o livro e quiserem ouvir a Bea a falar sobre as suas convicções, espreitem este episódio do The Slow Home Podcast.

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In New Zealand there’s a chain of bulk grocery stores called Bin Inn. In addition to offering a wide range of wholefoods and speciality ingredients that are usually hard to find in a normal supermarket, it has another great thing going for it: its customers are encourage to shop using their own containers.

Throughout the years I’ve amassed a good collection of glass jars from charity shops. I use these jars for anything and everything, and these are the jars I take to Bin Inn. Upon arrival, the shop owner weighs my jars and writes down the weight underneath each jar. When I’m done with my shopping, she weighs them again and subtracts the inicial weight. I come home with all my groceries already put away in their respective containers, feeling relieved I avoided food packaging that would quickly end up in my rubbish bin.

This is both a very traditional, old-school way to shop and a very of-the-moment thing. It’s completely in line with the “zero waste” movement, a movement I first heard about through Bea Johnson’s Zero Waste Home book. If you haven’t read it and want to hear Bea talk about her way of life, you can listen to this episode of The Slow Home Podcast.

Morning tea


9/100

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O “morning tea” é uma das minhas instituições neozelandesas preferidas. Entre as nove e as dez da manhã, o país faz uma pausa para beber um chá ou um café e comer qualquer coisa. As mães que estão em casa a tomar conta dos filhos vão a casa umas das outras. As crianças nas escolas bebem um copo de leite e comem um bolo (ou uma torrada com Marmite, o snack preferido dos meus filhos). As pessoas que estão reformadas combinam tomar café a essa hora. As pessoas com empregos tradicionais encontram-se na sala comum e aproveitam para pôr a conversa em dia. É claro que os neozelandeses não são o único povo no mundo que come a meio da manhã, mas digo-vos que nunca tinha estado num país que levasse tão a sério este momento do dia (no Reino Unido há os “elenvenses”, mas nunca me apercebi de que lá tivessem o mesmo peso do que o morning tea tem na NZ e na Austrália).

Por outro lado, este é um país em que os cafés fecham às quatro da tarde e ninguém lancha. Aliás, os neozelandeses não compreendem o conceito do lanche, porque jantam entre as cinco e as seis da tarde. Tenho imensa pena que cá não dê para ir lanchar fora (o meu programa preferido em Portugal), mas fico contente por cá existir o morning tea!

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“Morning tea” is one of my favourite Kiwi institutions. Between 9 and 10am the country stops for a drink and a bite. Stay at home mothers are invited round for a cup of tea. School children drink a glass of milk and eat some cake (or Marmite toast, my kids’ favourite snack). Retired people go out for coffee. People with traditional jobs catch up in the “smoko” room. Of course New Zealanders aren’t the only people who enjoy a mid-morning snack but before coming here, I’d never been in a country that takes this moment so seriously (I know there’s “elevenses” in the UK but I’m not sure it’s regarded as such an institution as it is in NZ and Australia).

On the other hand, this is a country where cafés close at 4pm (at least in my area) and people just don’t do afternoon tea like we do in Southern Europe. It’s totally understandable because Kiwis tend to have supper at 5-6pm. It makes me a bit sad that I can’t go out for afternoon tea (one of my favourite things to do in Portugal) but I’m really glad that morning tea exists!

Bordados neozelandeses :: NZ vintage embroidered linens

No meu último vídeo (uma caixa de costura antiga) falei-vos no livro “Thrift to Fantasy”, da autora Rosemary McLeod, que versa sobre os lavores femininos neozelandeses das décadas de 1930-40-50. Pois bem, hoje mostro-vos uma colecção de panos neozelandeses dessa mesma altura, que tive a sorte de conseguir comprar numa loja de caridade recentemente.

Como sabem, sou absolutamente apaixonada por têxteis antigos e sei que não sou a única a perder a cabeça com este tipo de coisas. Espero que achem graça a este vídeo!

Dois desafios para vocês:

  • Partilhem, aqui na caixa de comentários, as maneiras como tratam dos vossos panos antigos: truques para tirar nódoas de ferrugem e manchas de humidade, como os guardam, se os põem a uso…
  • Mostrem-nos as vossas colecções! Se tiverem conta no Instagram, usem o hashtag #myvintagelinens. Mal posso esperar para ver o que está guardado nos vossos armários e cómodas! Se preferirem, enviem-me um email com algumas fotografias (ou convidem-me para vê-los ao vivo na próxima vez que eu estiver em Portugal!).

I’ve been filming videos in Portuguese and I’m wondering whether non-Portuguese speakers would be interested in subtitles. Do let me know your thoughts on this matter.

This video is all about by my latest textile finds at a local op shop (charity shop/thrift store). I was lucky enough to be invited into the staff room and I spent a blissful half-hour rummaging through boxes full of old doilies, tray cloths and tablecloths and chatting with a handful of lovely ladies. It was exactly what my dreams are made of! 

Today I’ve got two challenges for you:

  • In the comment section below, tell us about how you care for your vintage linens. Any tricks for getting rid of old stains like rust and mildew? How do you store them? Do you actually use them?
  • Share your collection with us! If you’re on Instagram, tag your photos with the #myvintagelinens hashtag. Or, if you prefer, send me an email with some pictures (or invite me into your home so I can see them with my own eyes!).

Totara de Natal :: Christmas Totara

Este ano nossa árvore de Natal é diferente. 

Não me apetecia fazer novamente uma árvore só com ramos e não tinha vontade de comprar um pinheiro ou um abeto. Tudo isso dá ar de Inverno no hemisfério norte, o que aqui simplesmente não faz sentido. 
Então lembrei-me de ir a um viveiro de plantas para espreitar a secção de árvores nativas da Nova Zelândia. Não estava a ser fácil decidir que árvore comprar… até que descobri, num canto, esta totara. Tem ramagens abertas, o que facilita a tarefa de pendurar os enfeites, é alta e as folhas picam tanto como as agulhas dos pinheiros.

E em Janeiro poderá ser plantada lá fora.

This year our Christmas tree is different.

I didn’t feel like repeating the bare branches and I had no wish to buy a pine or a fir. All of the above look like winter in the northern hemisphere and that would make no sense here in New Zealand.

So I thought I’d go to a plant nursery in search of a native tree. I couldn’t make up my mind on which tree to buy… until I spotted this totara. It’s got open branches, which makes the job of hanging ornaments quite easy, it’s tall and the leaves are as sharp as pine needles. 

And in January it can be planted outside.

(photos: © Constança Cabral)

Springfield

Sinto imensa falta de viver no campo. Abrir a porta de casa e só ver verde, não ouvir nada senão o som dos animais (e de um tractor de vez em quando, é certo)… tenho saudades da tranquilidade de uma casa no meio do nada. 
No fim-de-semana passado estivemos num sítio que me levou de volta a Long Walk (a nossa casa em Inglaterra): Springfield, a quinta da caterer Ruth Pretty. Fica em Te Horo, a uma hora a norte de Wellington e a uma hora a sul de nossa casa, e é simultaneamente sede das operações de catering, escola de culinária, loja de cozinha, viveiro, horta e casa de chá. Conjuga de maneira admirável elementos clássicos britânicos com uma simplicidade e um engenho bastante despretensiosos e muito neozelandeses. Gostei imenso de lá ter ido.

[e para quem tem pedido fotografias da minha barriga de 8 meses, cá está ela!]

I really miss living in the countryside. To open the front door and only see green pastures, to hear nothing but animal sounds (and the odd tractor, for sure)… I long for the tranquility of a house in the middle of nowhere.

Last weekend we went to a place that took me back to Long Walk (the house where we lived in England): Springfield, the homestead of caterer Ruth Pretty. It’s located in Te Horo, an hour north of Wellington and an hour south from our home, and it’s simultaneously a catering business, cookery school, kitchen shop, nursery, kitchen garden and café. It admirably combines a few classic British elements with a touch of very Kiwi simplicity, ingenuity and unpretentiousness. I loved it.

[and for those of you who’ve been asking to have a look at my bump at 8 months, here it is!]

(photos© Constança Cabral)

Época da Feijoa :: Feijoa Season

Até ter vindo viver para a Nova Zelândia, nunca tinha ouvido falar em feijoas. Também conhecidas como goiabas-serranas ou goiabas-ananás, as feijoas são originárias da América do Sul mas são incrivelmente populares na NZ. Não há praticamente jardim que não tenha uma árvore de feijoa e, no Outono, os frutos encontram-se à venda em qualquer supermercado. Nós temos a nossa árvore e o Rodrigo gosta muito de apanhá-las e comê-las (haja alguém cá em casa que goste delas!). E vocês, já provaram feijoas?
I had never heard of feijoas until I came to New Zealand. Also known as pineapple guavas, feijoas come from South America but are incredibly popular in NZ. Almost every garden has its own feijoa tree and in Autumn you can find the fruit for sale at supermarkets. We’ve got our own tree and Rodrigo enjoys picking and eating them (I’m glad at least one person in this household actually appreciates their taste). What about you, are you familiar with feijoas?

(photos© Constança Cabral)

Coromandel

Fomos passar uns dias ao Coromandel, uma península no norte da Ilha do Norte. Dormimos numa casinha de madeira no meio do bosque e, apesar do mau tempo (desengane-se quem acha que a NZ é um país quente), ainda deu para ir um bocado à praia.
E por falar em praia, que praia! Sem carros a passar na areia (como é normal na nossa zona), e com algas cor-de-rosa, conchas perfeitas, pompons de palha, búzios com o interior em madrepérola, pinhas e seixos, madeiras desbotadas pelo sol, gaivotas, pedras-pomes, árvores a fazer sombra na areia, gente a apanhar amêijoas para o jantar e o som das cigarras. 
Foram umas férias curtas mas muito felizes.
Last week we went up to the Coromandel, a peninsula in the north of North Island. We slept in a little wooden cabin hidden in the woods and despite the weather (a lot of people seem to be under the impression that NZ is a very hot country… well, it’s not), we managed to spend some time at the beach.

And speaking of the beach… it was wonderful! No cars driving on the sand (a common occurrence in the area where we live) and filled with treasures like pink algae, straw pompons, nacre conches, pinecones and pebbles, sun-bleached driftwood, pumice, the shades of trees on the sand and the sound of cicadas.

They were short holidays, but very happy ones.
(photos© Constança Cabral)

Natal Cor-de-Rosa :: Pink Christmas

Apesar de estarmos a viver uma Primavera esquizofrénica (25ºC num dia, 15Cº no outro… às vezes calor e humidade, outras vezes frio e ventos ciclónicos e, claro, o Rodrigo constipado), decidi que tenho de abraçar este Natal-não-invernoso. Há que deixar a simbologia do hemisfério norte para trás e tentar encontrar novas referências. Este nosso Natal vai ser aquilo que a Páscoa não pode ser: uma festa em cores frescas. Venham daí o cor-de-rosa, o azul-turquesa, o verde-água e o amarelo-limão! 
Numa estrada aqui ao pé reparei nuns arbustos limpa-garrafas, uns cor-de-rosa claro e outros cor-de-rosa shocking. Em Portugal é fácil encontrar limpa-garrafas, mas só os conhecia em encarnado! São arbustos australianos e não neozelandeses, mas vêem-se bastante por cá. Pensei imediatamente que dariam uma coroa de Natal bem gira e, uns dias depois, voltei ao mesmo sítio munida da minha fiel secatória e apanhei alguns ramos.
Estas coroas são fáceis de fazer e têm bastante impacto: basta ir prendendo os ramos a uma armação circular, com a ajuda de um bocado de arame ou cordel, tendo o cuidado de orientá-los sempre na mesma direcção.
As coroas naturais duram bastante tempo em climas frios (as que fiz em Inglaterra duravam semanas a fio). Esta vai secar rapidamente, mas não faz mal porque já tenho uma ideia para a próxima!
Although we’ve been having a rather schizophrenic spring (25ºC one day, 15ºC the next… sometimes it’s hot and humid, other times it’s cold and windy… no wonder Rodrigo got a cold), I’ve decided that I must embrace this non-wintery Christmas. I’ve got to leave the northern hemisphere symbology behind and come up with new references. This Christmas is going to be what our Easter couldn’t be: a festivity in ice-cream colours. I want pink, turquoise, mint green and lemon yellow!

The other day I noticed a few bottlebrush shrubs on a road verge not far from here. The thing that struck me was their colour: light pink and hot pink! I’ve seen lots of bottlebrush shrubs in Portugal but they were always red. They’re native to Australia, not NZ, but you see them a lot around here. When I saw them I immediately thought they’d make a great Christmas wreath so a few days later I went back there with my trusty pair of secateurs and clipped a few branches.

These wreaths are very easy to make and have a great impact: you just attach the branches to a metal circle using a piece of wire or twine, making sure that they’re all pointing in the same direction.

Natural wreaths keep for quite a while in cold climates (the ones I made in England went on for weeks on end). This one will dry out quickly but that’s fine because I already have an idea for the next one!
(photos© Constança Cabral)

1 Ano de NZ :: 1 Year in NZ

Hoje faz um ano e dois dias que chegámos à Nova Zelândia. Há um ano estávamos a viver num motel e o Rodrigo tomava banhos no lava-loiças. Viemos viver para o outro lado do mundo (“mais longe, só a Lua”, comentou o meu irmão) porque achámos que tínhamos que agarrar esta oportunidade. As pessoas arrependem-se mais daquilo que não fazem do que daquilo que fazem, não é verdade? Nós achamos que sim.
Não vou mentir: foi um ano difícil. A vida é tranquila, mas solitária. As pessoas são simpáticas, mas fazem-me falta as minhas pessoas: a família, os amigos. Poder partilhar a nossa vida com elas. Acompanhar as suas vidas. Rir-me às gargalhadas sem traduções pelo meio. O Rodrigo poder crescer ao pé dos avós. Quem me dera que a Europa fosse mais perto. Que fosse mais fácil, mais rápido e mais barato (e, portanto, mais frequente) visitar e ser visitado.
Foi um ano cheio de desafios e também de coisas boas. Vivemos numa casa óptima, que ficará ainda melhor à medida que lhe formos fazendo obras. Temos um jardim. Não está sempre a chover. O Tiago gosta muito do trabalho.
O melhor tem sido, sem sombra de dúvida, ver o Rodrigo crescer muito e bem.
We arrived in New Zealand one year and two days ago. Last year we were living in a motel and Rodrigo took his baths in the sink. We came to live on the other side of the world (my brother commented that after NZ, only the moon could be farther away from Portugal) because we believed we had to grab this opportunity. People tend to regret more the things they didn’t do rather than the things they did do, don’t you think? We believe so.

I won’t lie: it was a difficult year. Life is peaceful but lonely. People are very nice but I miss my people so much: family, friends. Sharing our lives with them. Being part of their lives. Laughing out loud without a need for translation. Having Rodrigo grow up near his grandparents. I wish Europe was closer. I wish it was easier, faster, cheaper (and therefore more frequent) to visit and be visited.

It was a year filled with challenges but also good things. We live in a great house, one which will be even better once it’s all renovated and redecorated. We’ve got a garden. It doesn’t rain all the time. Tiago loves his work.

The best thing has been, without a shadow of a doubt, watching Rodrigo grow up so much and so well.
(photo© Constança Cabral)