Around Here :: Early Autumn

 

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Por aqui estamos no princípio do Outono, a altura do ano de que mais gosto.

Ontem, a pedido do Rodrigo, fomos apanhar bolotas ao parque. Quando chegámos a casa, lembrei-me de lhe propor que fizéssemos uma “nature table” outonal. Ele, que vibra tanto com as estações quanto eu própria, ficou entusiasmadíssimo com a ideia. Corremos o nosso jardim à procura de sinais de Outono e depois dispusemos tudo em cima do aparar da casa-de-jantar.

Estes rituais sazonais continuam a ser muito importantes para mim e fico contente que o Rodrigo também lhes ache graça. Gosto que ele seja sensível ao mundo que o rodeia e que se entusiasme com estes pequenos (grandes) acontecimentos do dia-a-dia!

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Around here it’s early autumn, my favourite time of the year.

Yesterday Rodrigo asked me to go hunting for acorns in the park. When we got home I suggested we made an autumnal nature table. He is as crazy about seasonal changes as I am and was really excited with this idea. We raided our garden for signs of autumn and then we made a little display on top of the dining room sideboard.

These seasonal rituals still play a very important role in my life and I’m really pleased that Rodrigo also gets a kick out of them. I like how sensitive he is to what’s around him and that he notices and takes pleasure in these little (yet so large) everyday occurrences!

Licor de Abrunho :: Damson Liqueur

Às vezes ouvimos contar que as nossas avós e bisavós faziam licores em casa. “Extraordinário!”, pensamos, “que senhoras industriosas.” Pois hoje eu venho desfazer um mito: fazer licor em casa é facílimo. Há dezenas de receitas disponíveis (a minha edição do Pantagruel tem 18) mas no fundo trata-se sempre de deixar macerar a fruta em álcool, açúcar e especiarias.
As duas fotografias foram tiradas com um mês de intervalo: é o nosso licor de abrunho, no dia em que foi feito e hoje. No Natal será filtrado e engarrafado — e bebido. O método é simples: meio quilo de fruta, 125 g de açúcar fino, raspa de um limão, um pau de canela e uma garrafa de vodka: tudo para dentro de um frasco grande e limpo (caso estivéssemos a viver em Portugal, teríamos usado aguardente). Agitar todos os dias. Esperar tês meses. Filtrar e engarrafar. O mais engraçado de tudo é que usei um frasco que a minha bisavó materna usava para fazer os licores lá de casa.
Sometimes we hear our family tell tales of how our grandmothers and great-grandmothers used to make liqueurs at home. “How extraordinary”, we think, “such industrious ladies”. Well, today I’m going to undo this myth: homemade liqueurs are the easiest things. There are dozens of recipes available but deep down it all comes to letting the fruit macerate in alcohol, sugar and spices. 

The two pictures above have been taken with a month’s difference: it’s our damson liqueur the day it was prepared and today. By Christmas time we’ll filter and bottle it — and drink it. Here’s how we made it: half a kilo of fruit, 125 g of caster sugar, the zest of a lemon, one cinnamon stick and one bottle of vodka: all poured into a large, clean jar. Shake it every day. Wait 3 months, then strain and bottle it. The loveliest thing was that I utilised the jar my great-grandmother used to employ to prepare her own liqueurs. 

(photos: 1- Tiago Cabral; 2- Constança Cabral)

Como Fazer Geleia de Amora :: How to Make Blackberry Jelly

Afinal Setembro foi um mês óptimo para apanhar amoras silvestres. Fiz duas vezes geleia — uma só de amora e outra de amora e maçã (as maçãs têm muita pectina, o que ajuda à gelificação) — e decidi documentar o processo. Digitalizei a receita de geleia do Pantagruel da minha avó (ed. 1952); se quiserem saber mais sobre a forma como eu faço conservas, podem ler o meu post sobre doce de framboesa.
After all September turned out to be a great month to pick wild blackberries. I made jelly twice — the first time I only used blackberries, later on I added cooking apples to the mix (they’re high in pectin, which helps the jelly set) — and decided to document the process. The first image shows a basic jelly recipe from a classic Portuguese cookery book, the Pantagruel (I’ve got my grandmother’s copy from 1952) but there’s a great recipe in Pam Corbin’s preserves book. If you want to know more about how I go about preserving fruit, you can read my post on making raspberry jam.
(photos: Constança Cabral)

Abrunhada :: Damson Cheese

Uma das coisas que fiz com aqueles abrunhos foi abrunhada (marmelada de abrunho). O método que usei é muito parecido com o da marmelada e o resultado é uma pasta moldável, algo ácida e óptima quando combinada com um queijo seco. Primeiro há que cobrir os abrunhos com água num tacho e deixá-los cozer em lume baixo, até que rebentem e as cascas e os caroços se separem da polpa. Passa-se esse preparado por um passador de rede e, para cada 600 ml de puré, adicionam-se 450 g de açúcar. Deixa-se derreter o açúcar em lume baixo e depois ferve-se o preparado com o lume no máximo, mexendo até que faça ponto de estrada (quando a colher de pau faz um risco no fundo do tacho que se aguenta durante alguns segundos). Por fim, deita-se em taças esterilizadas (eu usei uma forma antiga de gelatina), deixa-se secar uns dias e desenforma-se (ou não).
One of the things I made with those damsons was damson cheese. It’s very similar to making quince cheese and the result is a malleable paste, a bit tart and great when paired with dry cheese. Start by covering the damsons with water and let them cook until they burst and the flesh and stones have come away from the pulp. Then push everything through a sieve and for every 600 ml of purée add 450 g of granulated sugar. Let the sugar dissolve in a low heat and then increase the heat and let it boil (keep stirring so it doesn’t burn) until you scrape the spoon through it and you can see the base of the pan for a few seconds. Finally, pour the mixture into sterilised bowls (I used an old glass mould), let it dry for a few days and that’s it!

(photos: Tiago Cabral)

Ameixas Bravas :: Damsons

Hoje de manhã saí cedo de casa para ir apanhar amoras. Há um ano apanhei algumas e fiz geleia, e este ano queria repetir a dose. A certa altura um vizinho meteu conversa comigo, disse-me que já era tarde para apanhar amoras e perguntou-me se não queria apanhar antes damsons (um tipo de ameixa muito comum na Grã-Bretanha). Vim para casa com um cesto cheio e planos para fazer doce e licor de ameixa. Como é bom viver no campo! 
This morning I left the house early in search of blackberries. Last year I managed to pick a few and make jelly, and I wanted to do it again this year. Whilst I was raiding the hedgerows a neighbour came up to me, asked me what I was picking and told me it was much too late for blackberries. He was nice enough to offer me some damsons though. I came home with a basket full of fruit and now I’m planning to make damson jam and damson gin. Oh the joys of country living!

(photos: Constança Cabral)

How to Make a Natural Christmas Wreath

Ontem à noite fiz mais uma coroa de Natal com material que recolhi no jardim e pensei que seria interessante partilhar o processo convosco. Há muitas maneiras de fazer coroas – esta é apenas uma das técnicas possíveis.
Yesterday evening I made another Christmas wreath with material from the garden and I thought it would be interesting to share the process with you. There are lots of ways in which you can make a wreath – please note that this is just one of them.
1. É importante ter uma superfície de trabalho com algum espaço e que se possa sujar sem problemas (eu cobri a mesa da casa-de-jantar com oleado). Depois há que dispor o material que se pensa usar na coroa, mesmo que se acabe por deixar muita coisa de fora. Se gostar de arranjos simples e naturais, o truque é manter a paleta de cores bastante restrita.
Materiais obrigatórios são: uma coroa de metal com dois aros concêntricos, um rolo de arame fino, arame mais grosso, musgo fresco e folhagem. Depois pode usar bagas, frutos, flores… um simples passeio pelo campo oferece possibilidades ilimitadas.
1. It’s important to work on a surface that offers plenty of room and is protected from possible water spillage and dirt (I covered the dining room table with oilcloth). Then you should gather everything that can be used in the wreath, even if in the end you decide to leave some of it out. If you enjoy simple, natural-looking arrangements, the trick is to keep the colour palette quite restricted.
 
The necessary materials are: a wire wreath base (one with two concentric rings), a spool of fine wire, some thicker wire, fresh moss and foliage. Then you can use berries, fruits, flowers… a simple walk in the countryside will provide you with endless options. 
2. Enrole o arame mais fino ao círculo exterior da base da coroa.
2. Wrap the fine wire around the outer circle of the wreath base.
3. Cubra a base com bocados de musgo, enrolando um bocado de cada vez. Sobreponha o musgo ligeiramente e enrole-o com bastante firmeza.
3. Start by binding some pieces of moss using the fine wire, one piece at a time. Slightly overlap the moss and wrap it quite taut. 
4. Cubra toda a superfície da coroa de musgo, dando uma segunda volta se necessário.
4. Cover the entire surface of the wreath, and go around again if necessary.
5. Comece a dispôr a folhagem pouco a pouco, enrolando-a com o mesmo arame. Em alternativa, pode cortar bocados de arame mais grosso e torcê-los em forma de U, enterrá-los na base de musgo e dobrar as pontas na parte de trás da coroa.
5. Add little bunches of foliage, one at a time, binding them with that same wire. Alternatively, you can bend lengths of thicker wire into a U-shape and use these wire loops to pin each bunch of foliage to the moss base, twisting the ends of the wire together and tucking them into the back of the wreath.
6. Cubra toda a coroa com folhagem, orientando-a sempre no mesmo sentido.
6. Cover the entire circle with foliage, binding it always in the same direction.
7. Coloque ramos de bagas encarnadas em três pontos equidistantes da coroa, usando bocados de arame em forma de U (v. passo 5).
7. Add either sprigs or small bunches of red berries, in three equidistant spots of the circle, using wire loops (as described in step 5).

 

8. Verifique se há pontos descompensados na coroa e, caso tal se verifique, acrescente pequenos ramos de folhagem onde forem necessários.
8. If you notice that the wreath is unbalanced in any way, just add one or two bunches of foliage where needed.
9. Na parte detrás da coroa, faça passar uma fita pelo círculo exterior da base de arame e dê um nó no final.
9. On the reverse side of the wreath, insert a piece of ribbon through the outer circle of the ring base and tie a knot at the end.
10. Pendure a coroa num prego. Se a pendurar no exterior, a coroa durará várias semanas.

10. Hang the wreath on a nail. If you hang it outside it will keep for several weekes.

(images: Tiago Cabral)

Arranjos Natalícios :: Christmas Arrangements

Aqui está uma coroa diferente da que fiz há uns dias. Ao contrário da primeira, que tinha uma estrutura de arame, esta é composta apenas por hastes entrançadas de hera (que arranquei de uma das paredes exteriores de nossa casa). Enrolei umas bagas que encontrei numas moitas (nunca saio de casa sem a minha secatória), atei uma fita e pendurei a coroa na parede. Não me canso de olhar para as folhas de hera – não parecem pintadas a aguarela?
Here’s a wreath quite different from the one I made a few days ago. Unlike that first one, which was made using a wreath wire, in making this one I simply plaited some ivy twigs (which were growing on one of our house’s exterior walls). Then I wove some hedgerow berries (I never leave the house without my secateurs), attached a pice of ribbon and hang it on the wall. These ivy leaves are so beautiful – don’t you think they like they were painted in watercolours?
Os narcisos começaram a tombar, por isso resolvi cortá-los e pô-los num jarro com água, a que acrescentei esta espécie de mini-maçãs (ou cerejas?) que vieram duma árvore do nosso jardim (alguém me ajuda a identificar a dita?).
The paperwhites were starting to fall over so I cut them and put them in a pitcher filled with water – I then added these mini-apples (or cherries?) that came from a tree in our garden (does anyone know which tree this is?).

(images: Tiago Cabral)

Coroa de Fim de Outono :: Late Autumn Wreath

Fiz esta coroa de fim de Outono com musgo, hera, uma hortênsia, alguns abrunhos silvestres e uns pauzinhos cujo nome desconheço. Daqui a uma ou duas semanas começarei a fazer coroas de Natal – mal posso esperar!
I made this late Autumn wreath with moss, ivy, one hydrangea, some sloes and some branches which I’m unable to name. In a week or two I’ll start working on Christmas wreaths – I can’t wait!

(images: Constança Cabral)

Flores da Semana :: This Week’s Flowers

O jardim está quase despido, agora que acordamos com vidros embaciados e geada no chão. Apesar de ainda haver uma ou outra rosa, as roseiras deram frutos, há bagas inesperadas e as folhas continuam a mudar de cor. Dentro de casa, os narcisos de papel despontaram (tenho de tirar fotografias). Estamos a entrar no Inverno…
The garden is almost bare, now that we’ve been waking up to steamed windows and frost on the ground. Although you can find the odd rose here and there, there are many rosehips, unexpected berries and colourful leaves everywhere. Indoors, the paperwhite narcissi have bloomed (I must take pictures). Winter is coming…
(images: Tiago Cabral)

English Country Life :: Bringing Autumn Indoors

Adoro árvores, especialmente no Outono. Fomos dar um passeio pelo bosque atrás de nossa casa e vim  carregada de ramos amarelos e dourados. Agora posso olhar para as folhas sempre que me apetecer.
I love trees, especially in Autumn. We went for a stroll in the wood behind our house and I came home with loads of yellow and golden branches. Now I can look at the leaves whenever I feel like it.
(images: Tiago Cabral)