Autumn Planting

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Com a chegada do Outono, estamos a preparar o jardim para a nova estação. Na Primavera normalmente faço sementeiras, mas no Outono tudo parece mais urgente e acabo sempre por comprar pés de plantas no mercado.

Algumas das minhas escolhas foram feitas em função dos meus rapazes: couve-flor (branca e roxa) e brócolos (romanescos e normais) para o Rodrigo, que diz que são os vegetais preferidos dele mas na verdade, quando os vê no prato, não demonstra o mesmo entusiasmo. Beterrabas para o Tiago, que fez as pazes com elas quando comeu uma de cultivo doméstico (muito mais saborosa do que as de supermercado). Os restantes — alhos franceses, alfaces e coentros — são para o benefício de todos cá em casa.

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With the arrival of autumn we’re getting the garden ready for the new season. In spring I usually sow the plants I want to grow but in autumn everything feels more urgent, which means that I always end up buying seedlings instead of seed packets.

Some of my plant choices have been influenced by my boys’ tastes: cauliflower (white and purple) and broccoli (romanesco and the unfancy variety) for Rodrigo, who says they’re his favourites but never shows the same level of enthusiasm when he’s confronted with them on his own plate. Beetroot for Tiago, who has grown to love them ever since he tasted a homegrown one. The rest — leek, lettuce and coriander — were chosen for the enjoyment of us all. 

Around Here :: Early Autumn

 

autumn nature table berries

autumn nature table rosehips

autumn nature table

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Por aqui estamos no princípio do Outono, a altura do ano de que mais gosto.

Ontem, a pedido do Rodrigo, fomos apanhar bolotas ao parque. Quando chegámos a casa, lembrei-me de lhe propor que fizéssemos uma “nature table” outonal. Ele, que vibra tanto com as estações quanto eu própria, ficou entusiasmadíssimo com a ideia. Corremos o nosso jardim à procura de sinais de Outono e depois dispusemos tudo em cima do aparar da casa-de-jantar.

Estes rituais sazonais continuam a ser muito importantes para mim e fico contente que o Rodrigo também lhes ache graça. Gosto que ele seja sensível ao mundo que o rodeia e que se entusiasme com estes pequenos (grandes) acontecimentos do dia-a-dia!

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Around here it’s early autumn, my favourite time of the year.

Yesterday Rodrigo asked me to go hunting for acorns in the park. When we got home I suggested we made an autumnal nature table. He is as crazy about seasonal changes as I am and was really excited with this idea. We raided our garden for signs of autumn and then we made a little display on top of the dining room sideboard.

These seasonal rituals still play a very important role in my life and I’m really pleased that Rodrigo also gets a kick out of them. I like how sensitive he is to what’s around him and that he notices and takes pleasure in these little (yet so large) everyday occurrences!

The Apple Tree

Rodrigo and the apple tree in 2013

Rodrigo and the apple tree in 2017

Processed with VSCO with c1 preset

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

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Ontem quando o Rodrigo e o Pedro entraram em casa a comer maçãs da nossa macieira, lembrei-me imediatamente das fotografias que tirámos ao Rodrigo quando plantámos a árvore há quase quatro anos (aqui). Plantar árvores, sobretudo árvores de fruto, é um acto espantoso que nunca deixará de me fascinar. Vê-las crescer em sintonia com os meus filhos… bem, nem tenho palavras para descrever os meus sentimentos em relação a isso.

A colheita não foi propriamente digna de nota: a macieira ainda é jovem e as maçãs, apesar de saborosas (escolhemos as Cox Orange Pippin), tinham quase todas bicho. Os rapazes roeram umas quantas e as restantes acabaram em recheio de tarte!

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Yesterday when I saw Rodrigo and Pedro enter the house whilst munching on our apples, I immediately recalled the photos we took with little  Rodrigo when we planted the apple tree nearly four years ago (here). Planting trees, especially fruit trees, is an amazing act which will never cease to fascinate me. Watching them grow in tandem with my children… well, I can’t quite put my feelings into words.

The crop wasn’t really substantial: the tree is still young and the apples, albeit really tasty (we chose Cox Orange Pippin), were almost all spoilt (mainly birds and worms). The boys ate a few and the remaining ones ended up in a pie!

 

 

Por Aqui :: Around Here

spring-flowers

vintage doll cot by Constanca Cabral

selling vintage doll cots and eco dolls by Constanca Cabral

duck eggs and vintage book about keeping poultry

bolo de natas by Constanca Cabral

buying strawberry plants

spring flower arrangement: homegrown daffodils and hyacinths in vintage gravy boat

backyard chicken

vintage sewing patterns and fabrics

seed packets

watering a box of strawberry plants

vintage-nz-stamps

new zealand sheep

sewing in progress

backyard chicken

Por aqui a Primavera chegou. Os campos estão cheios de carneiros e vitelos, os jardins encheram-se de flores. O tempo anda muito instável, claro, mas os gorros foram arrumados nas gavetas e os casacos às vezes ficam pendurados à porta de casa. Tenho cosido bastante: roupa para os rapazes, que crescem sem parar, e almofadas para a nossa sala. Fiz uma série de bonecas e restaurei antigos berços de bonecas, e fui vendê-los a duas feiras (tenho de escrever um post sobre isto, e é urgente organizar-me para pô-los à venda online). Fizemos bolos (aquele da fotografia é o eterno e incontornável bolo de natas) e escrevemos postais aos avós. A época de jardinagem recomeçou — tenho de fazer um post sobre o nosso morangal em objectos reciclados. E temos uma galinha (emprestada) a chocar três ovos de pata! Podem imaginar a excitação que se vive por aqui…!

Tenho lido bastante, visto algumas séries de televisão e ouvido muitos podcasts interessantes. Muitas vezes penso que gostaria de partilhar algumas das minhas minhas descobertas e reflexões numa newsletter (semanal ou quinzenal) — têm interesse nisso? Se sim, cliquem neste link e inscrevam-se. Por agora, aqui ficam algumas sugestões:

  • A nossa biblioteca tem muitos DVDs para alugar e tenho-me divertido imenso a ver a série australiana Miss Fisher’s Murder Mysteries. Não é tão robusta como o Poirot ou a Miss Marple, mas o guarda-roupa é excelente, as personagens são interessantes e tem um forte teor feminista. E também tem graça ver um retrato (mesmo que idealizado) da sociedade de Melbourne nos anos 20.
  • Em contraste absoluto com a Miss Fisher, a série francesa Un Village Français tem-me causado muita ansiedade e alguns pesadelos, mas não posso deixar de reconhecer o seu mérito. É um relato ultra sóbrio de uma vila francesa durante a ocupação nazi e explora as relações humanas e os conflitos da época de uma forma incrivelmente realista e humanista.
  • Tenho andado a descobrir o trabalho da Gretchen Rubin. Estou a ler os seus livros sobre felicidade e hábitos (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) e ouvi todos os episódios do podcast Happier. Tenho tendência a resistir (às vezes durante anos) a bestsellers e, até agora, estupidamente nunca tinha dado uma oportunidade a esta autora. A verdade é que o trabalho dela é muito mais do que auto-ajuda: faz-me reflectir sobre a minha personalidade, a maneira como vivo a minha vida, o meu estado de espírito e claro, a minha busca pela alegria e felicidade no dia-a-dia. Ao responder ao quiz sobre as quatro tendências de personalidade, verifiquei — sem grande surpresa — que sou uma “Rebel” (já responderam a este questionário? qual é a vossa tendência?). Requisitei os livros dela na biblioteca mas acho que vou acabar por comprá-los.
  • Gostei especialmente dos dois últimos episódios do podcast The Crafty Planner: um com a Liesl Gibson (dos moldes Oliver + S) e o outro com a Diane Gilleland (a autora do Craftypod, um dos primeiros podcasts que ouvi). São entrevistas muito diferentes, mas ambas fizeram-me reflectir sobre a indústria dos crafts e a forma como todos nós (consumidores e autores) desempenhamos um papel fundamental à sua sobrevivência e (boa) saúde.
  • Comecei a fazer vestidos para contribuir para a inciativa Dress a Girl Around the World. Quem viver na zona de Lisboa pode participar nos encontros mensais na loja The Craft Company, em Cascais (uma loja linda, por sinal); quem estiver longe pode fazer os vestidos em casa e enviá-los pelo correio para a loja. Para mais informações (e instruções detalhadas sobre como fazer um vestido muito rápido e simples), espreitem este post no Cose +.

Bem, o post já vai longo por isso hoje vou ficar por aqui. Se quiserem receber a minha newsletter, inscrevam-se clicando neste link. Obrigada e até breve!

 

Around here Spring has arrived. The fields are full of lambs and calves and the gardens are bursting with flowers. The weather is still quite unstable, which is to be expected, but the wool beanies have been put away and the jackets stay at home more often than not. I’ve been sewing quite a lot: clothes for the boys and cushions for our sitting room. I’ve made some dolls and refurbished several vintage doll cots and took part in a couple of markets (I want to write a post about it and I really must put them up for sale online). We baked a few cakes (the one in the photo is the timeless “bolo de natas”, my grandmother’s sponge cream cake) and we sent postcards to the grandparents. Gardening season has started — I’ll write a post about our upcycled strawberry garden soon. And we have a (borrowed) broody chicken in our garden — she’s sitting on three duck eggs! You can imagine all the excitement that’s going on around here…!

I’ve been reading quite a few books, watching a fair amount of TV series and listening to lots of interesting podcasts. I often think that I’d love to share with you my findings and thoughts in a (weekly? biweekly?) newsletter — would you be interested in subscg? If you are, just follow this link to sign up. Here are a few suggestions:

  • Our local library has a small collection of DVDs for rent and I’ve been enjoying watching the Australian TV series Miss Fisher’s Murder Mysteries. It’s not as robust as Poirot or Miss Marple but the wardrobe is amazing, the characters are interesting and there’s a strong feminist flavour to it. And it’s fun to see a portrait of 1920s Melbourne society (even if it’s a bit idealised).
  • In absolute contrast to Miss Fisher, the French TV series Un Village Français has caused me a lot of anxiety and a few nightmares, but I can nevertheless recognise its merits.  It’s a very sober account of a French village under Nazi occupation and it expertly explores human relationships, as well as the inherent conflicts of that particular time in an incredibly realist and humanist way. 
  • I’ve been familiarising myself with the work of Gretchen Rubin. I’m reading her books about happines and habits (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) and I’ve listened to every episode of the Happier podcast. I tend to resist bestsellers (sometimes for years) and, up until now, I stupidly had not given her books a chance.  The fact of the matter is that her work goes way beyond self-help: it’s made me reflect upon my personality, the way I live my life, my moods and, of course, my everyday quest for joy and happiness. By taking her personality tendencies quiz, I realised — without much surprise — that I’m a “Rebel” (have you taken this quiz? what’s your tendency?). I’ve borrowed her books from the library but I’m considering buying my own copies.
  • I’ve especially enjoyed listening to the last two episodes of The Crafty Planner podcast: one with Liesl Gibson (of Oliver + S fame) and the other one with Diane Gilleland (the host of Craftypod, one of the first podcasts I ever listened to). They’re two very different interviews but they’ve both made me think about the craft industry and the role we play (both as consumers and authors) in regard to its survival and good health.

Well, this post is getting long so I’m going to wrap it up now. If you’d like to subscribe to my newsletter, just click on this link. Thank you!

Making the functional beautiful

using a vintage saucer as a soap dishfoolproof Portuguese Caramel Flan recipe by Constanca Cabral — in English and Portuguesequince paste (marmelada) by Constanca Cabral

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O que é que todas estas imagens têm em comum? Loiça antiga comprada em feiras da ladra e lojas de caridade!

Admito que não sou (e não me parece que alguma vez virei a ser) uma pessoa totalmente desapegada das coisas materiais. Não é que lhes confira um valor desmedido, ou que goste de acumular só por acumular… não é isso. É, sim, um desejo profundo de rodear-me de objectos que, para além de funcionais, sejam também esteticamente apelativos. Para mim, é importante que a minha casa reflita os meus gostos e as minhas vivências. Os objectos que povoam os nossos dias não são apenas coisas. Não são apenas cacos. Acompanham os nossos rituais diários, são companheiros de viagem. Como tal, merecem a nossa consideração.

Sou especialmente parcial a objectos antigos, porque tudo neles me encanta e me transporta: o toque, as cores, os padrões, a forma, as memórias, as histórias. De entre todas as velharias e antiguidades que ainda circulam por lojas e mercados de segunda mão, há três categorias a que não consigo resistir: livros, panos e loiças. Também gosto de móveis, mas convenhamos que não se compra mobília com a mesma ligeireza com que se compra um prato, um livro ou uma toalha… Os objectos antigos não são anónimos. Fazem parte de um ciclo: passado, presente, futuro. Hoje são nossos, mas já pertenceram a alguém e, futuramente (se não se estragarem entretanto), habitarão a vida de outra pessoa. Contam-nos histórias de quem os produziu e de quem os comprou. Através deles podemos vislumbrar os gostos de uma certa época, até as aspirações de um determinado povo.

Voltando à loiça antiga: nem toda ela tem de ser reverenciada e guardada em armários com portas de vidro. Estas peças que vou comprando foram concebidas como objectos de uso quotidiano, e é assim mesmo que as encaro. Tenho cuidado com elas, claro, e tento que os meus filhos aprendam a tratar destas coisas com delicadeza, mas prefiro pô-las a uso, mesmo correndo o risco de perder algumas, do que mantê-las guardadas e não tirar qualquer partido delas.

Beber um café num copo de plástico é o mesmo que bebê-lo numa chávena antiga de porcelana? A meu ver, não. Acho que o receptáculo que usamos tem o potencial de aumentar o diminuir o prazer que tiramos do acto de beber o tal café.

Sei que já escrevi isto vezes sem conta, mas acredito mesmo que, se nos rodearmos apenas de coisas que deleitem os nossos sentidos, o quotidiano torna-se muito mais agradável. Ao escolhermos cuidadosamente os nossos objectos domésticos, aquilo que era apenas mundano passa a ser personalizado e especial. Só vivemos uma vez, não é? Então todos os momentos são importantes! Aquele café matinal merece ser bebido numa chávena que nos encha completamente as medidas.

What do all these images have in common? Well, they all feature vintage crockery I’ve bought in flea markets and charity shops! 

I confess I’m not one of those people who are totally detached from their possessions. It’s not that I grant them enormous value or that I just like to accumulate things for the sake of it… not at all. I simple have a strong desire to surround myself with objects that, as well as functional, are aesthetically pleasing. As far as I’m concerned, it’s important that my home reflects my tastes and experiences. The objects that populate our days aren’t just “things”. They are present in our daily rituals, they are travel companions. Consequently, they deserve to be acknowledged and carefully chosen.

I’m especially partial to old objects — everything about them both captivates and transports me.  Amongst all the vintage and antique wares that are still circulating in markets and second-hand shops, there are three categories that I simply can’t resist: books, linens and crockery. I also like furniture, but you can’t buy a piece of furniture as lightheartedly as you’d pick up a book, a plate or a tablecloth. Old objects aren’t anonymous. They are part of a cycle: past, present, future. Today they may belong to you, but they’ve been owned by someone else and (provided that they don’t break down) they’ll most likely inhabit the life of someone else in the future. They tell us stories of who made them and who bought them. Through them we can glimpse at the tastes of a particular time and even at the aspirations of the people of a certain country.

Anyway, back to my lovely old crockery: not every piece of old china must to be revered and put away safely behind glass doors. These pieces I like to buy have been made for daily use and that’s exactly how I treat them. I try to be careful, of course, and I do my best to teach my children to treat these things delicately, but I’d rather put them to use — even with the risk of losing some — than tuck them away “for best”.

Is drinking coffee in a plastic cup the same as drinking it in an old china cup? I don’t think so. I believe that the vessel you use has the potential to either enhance or diminish the pleasure you take from that cup of coffee.

I know I’ve written this time and time again, but I feel strongly that if we only surround ourselves with things that delight our senses, our everyday life can be so much nicer. By choosing carefully the objects in your home, the things that used to be mundane can be transformed into something personalised and rather special. We only live once, right? Then every moment counts! That morning coffee deserves to be drunk from a cup that truly makes your heart sing.

Por Aqui :: Around Here

autumn picnic in New Zealand - Constanca Cabral

romper made from a vintage Simplicity pattern, using Palos Verdes fabric - Constanca Cabral

gardening with kids : poding beans - Constanca Cabral

making a doll - Constanca Cabral

autumn flower arrangement - Constanca Cabral

quince paste - Constanca Cabral

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Por aqui… bem, por aqui passou-se um ano e muita coisa se passou durante este meu último ano.

Para começar, o blog tem um endereço novo, uma imagem nova, um nome novo. Obrigada à Sílvia, à Filipa e à Joana pela ajuda durante este longo processo de mudança.

Ainda há muito por fazer: acabar de arrumar o site, alterar alguns pormenores, enfim. Mas resolvi voltar a escrever aqui antes de estar tudo pronto. O grande mantra do empreendorismo contemporâneo é “start before you’re ready”, não é? Se ficarmos à espera de que todas as condições estejam reunidas para lançar (ou, neste caso, relançar) um projecto, se só dermos o primeiro passo depois de acharmos que tudo está perfeito… bem, então a tarefa de (re)começar torna-se hercúlea. Tenho vontade de voltar a escrever posts e vou tratando do resto com calma. Espero que se sintam confortáveis aqui e peço-vos alguma paciência para os próximos tempos.

Também espero que tanta coisa nova se traduza num novo fôlego para eu voltar a habitar esta casa. O blog esteve em pausa durante um ano mas o meu Instagram continuou bastante activo — e, mais importante ainda, eu nunca estive parada. Aliás, quando retirei a pressão (e a obrigação auto-imposta) de documentar os meus projectos (tirar várias fotografias, escrever textos com pés e cabeça), passei a fazer muito mais coisas, porque aquelas horas que gastava a elaborar posts passaram a ser canalizadas para o acto de simplesmente fazer. Partilhei a maior parte daquilo que fiz no Instagram e, durante uns meses, foi um alívio poder simplesmente tirar uma fotografia rápida com o telefone e escrever uma legenda curta, sem ter de me preocupar com estrutura, links, traduções e por aí fora. No entanto, com o passar do tempo — e à medida que me fui sentindo menos assoberbada e exausta — comecei a sentir falta de um espaço com maior profundidade. Fiquei com saudades deste blog que comecei há dez anos e que é a minha casa na internet.

Pensei muito durante este ano. Cheguei a algumas conclusões, mas há outras dúvidas que persistem. Hoje recomeço este blog sem planos estruturados, sem um calendário editorial rígido, sem grandes obrigações de periodicidade. Vou voltar a escrever posts quando me for possível, vou continuar a ser eu própria, às vezes mais aberta, outras vezes mais reservada.

Esta história de ter um blog sobre a minha vida quotidiana — em que o enfoque é sempre o acto de fazer à mãofazer em casa e fazer de forma simples  (mesmo quando essa aparente simplicidade acaba por ser bastante mais trabalhosa do que comprar já feito) — tem muito que se lhe diga. Consciente ou inconscientemente, a minha vida pessoal acaba por permear tudo aquilo que vou partilhando aqui. Por muito que eu estabeleça fronteiras, a linha que divide a “esfera pessoal” da “esfera privada”  é, por vezes, bastante cinzenta. E, depois, há aquele eterno dilema da imagem da minha vida que acaba por ser retratada neste espaço. Por muito que eu queira ser sempre transparente, honesta e eu própria, é inevitável que muitas coisas fiquem por dizer, por mostrar ou por explorar. Da mesma forma como não contamos todos os pormenores da nossa vida, em voz alta, numa sala cheia de gente, não nos expomos totalmente na internet. Há muitos de vocês que são meus conhecidos e meus amigos (e acreditem que este blog que tem feito conhecer muitas pessoas bestiais, com quem tenho desenvolvido amizades), mas também há muitas pessoas que me lêem e que nunca deixaram um comentário, nunca me abordaram na rua, nunca me escreveram um email. Há muitos desconhecidos agora e muitos mais haverá no futuro. Tudo isto para voltar a insistir na questão de que aquilo que partilho convosco é só uma parte da minha vida… está longe de constituir a totalidade da minha existência.

Por outro lado, a minha vida já não é só minha. Tenho um marido e dois filhos pequenos e, se não me faz confusão mostrar a cara deles aqui, entrar na sua esfera privada está fora de questão. (Sei que há toda a questão do direito à imagem deles, mas essa discussão vai ficar para outro dia.) Enfim, estes são temas muito complexos, ao ponto de se tornarem paralisantes. Vou continuar a agir com naturalidade e boa fé, vou continuar a povoar este espaço com boas energias e bons sentimentos e vou continuar a ter esperança e a acreditar no Bem.

Obrigada a todas as pessoas que estiveram presentes durante este último ano. Obrigada por todos os comentários no Instagram, pelos emails, pelos olás ao vivo e pelo entusiasmo com que recebem as minhas partilhas. Isto convosco tem muito mais graça.

 

Around here… well, it’s been a year and a lot has happened in this past year.

For starters, the blog has a new address, a new look and a new name. Thank you SílviaFilipa and Joana, for helping me throughout this process.

There’s still a lot to do: some recategorizing, a bit of formatting and a few tweaks here and there. But I’ve decided to resume my blogging activity before everything is finished. The great mantra of modern entrepreneurism is “start before you’re ready”, right? If you wait for every star to be aligned in the ideal position before you (re)launch something, if  you only take the first step when you feel everything is perfect… well, then the task of (re)starting takes herculean proportions. I feel the urge to blog again and I’ll take care of the rest in due time. I hope you’ll feel comfortable here and I ask you to bear with me while I tidy things up.

I didn’t blog for a year but I kept very active on Instagram. Once I took away the pressure (and self-imposed obligation) to document my projects — take several pictures, write proper compositions — I suddenly started making many more things, because those hours that I used to spend editing photos and writing posts were now being used solely for making. I shared most of my makes over at Instagram and, for a few months, it was such a relief to simply snap a picture with my phone and write a small caption, without worrying about structure, links, translations and so forth. However, as time went by and I felt less overwhelmed and less exhausted, I started craving a space with a little more depth to it. I missed this blog that I started writing ten years ago and that is my home in the internet.

During this past year I did a lot of thinking. I came to a few conclusions but many doubts still persist. Today I resume this blog with no big plans, no strict editorial calendar and no self-imposed obligations of consistency. I intend to post whenever I can and I’m going to go on being myself — sometimes more open, other times more reserved.

This business of blogging about my everyday life — even when the focus is making by handmaking at home  and making in a simple way (even when that apparent simplicity ends up being a lot more work that buying something ready-made) — can be a bit tricky. Whether consciously or unconsciously, my personal life ends up permeating a lot of what I share. As much as I establish boundaries, the line that separates my “personal sphere” from my “private sphere” can be quite grey. And then there’s that whole dilemma of the image of my life that ends up being portrayed here. As much as I strive to always be transparent, honest and myself, it’s inevitable that a lot of things don’t get told, shown or explored. In the same way that we don’t tell out loud every detail of our lives in a room full of people, we don’t entirely expose ourselves online. I do know some of you (some of you are friends and others are online acquaintances whom I’ve grown fond of) but there are others who’ve never left a comment, written me an email or had an interaction with me. This blog is read by many people who are, in fact, strangers to me — that’s the nature of the internet and I’m OK with it. But I feel like the need to state yet again that what I share online is just a portion of my life… it’s not the whole extension of my existence.

On the other hand, my life isn’t entirely my own any more. I’ve got a husband and two young children and while I don’t see a problem in sharing their faces, entering their private lives is out of the question. (I know there’s the whole conundrum of whether I’ve got a right to their images or not but we shall discuss that another time.) Anyway, these are very complex subject matters, so much so that they can sometimes be paralysing. I’ll continue to be natural and act in good faith, I’ll go on populating this space with good energies and good feelings and I’ll keep on having hope and believing in goodness.

Thank you to everyone who has been present throughout this last year. Thank you for every comment on Instagram, for every email, for every hello in the flesh and for the enthusiasm you’ve shown in regard to what I choose to share. You make everything a lot more fun.

 

Arranjo de Flores à la Bollywod :: Bollywood-Style Flower Arrangement

 

Nesta casa onde agora vivemos, tivemos a sorte de ter herdado um jardim já plenamente estabelecido e cheio de flores diferentes. A antiga dona da casa fartou-se de plantar flores de que gosto imenso, como rosas antigas e sardinheiras perfumadas, mas também escolheu algumas flores que não são bem o meu género — o que é perfeitamente normal, não temos de ter todos os mesmos gostos! Aliás, até tem graça porque assim tenho oportunidade para mexer em flores que nunca teria escolhido à partida, e tentar fazer algo que me agrade com elas. Sair da nossa zona de conforto é sempre positivo, não acham?

 

In our current house we’ve been lucky enough to inherited a fully established garden filled with exciting flowers. The previous owner planted loads of flowers I absolutely love, like old-fashioned roses and scented pelargoniums, but she also planted ones that aren’t exactly my style — which is fine, of course, as we don’t all have to have the same taste! It’s actually a fun challenge to have access to flowers I wouldn’t have chosen myself, and try to make them work. Getting out of one’s comfort zone is a good thing, right?

 

Então o que fazer com flores de que não gostamos? Deixá-las morrer no canteiro? Isso é que não! Por exemplo, não sou grande fã destas dálias encarnadas e cor-de-laranja (gosto de outro tipo de dálias, mas estas cores não me convencem). Mas estava decidida a fazer alguma coisa com elas, por isso dei uma volta pelo jardim e apanhei outras flores e folhas que as complementassem, que puxassem pelas cores e formas destas dálias, de maneira a pôr em evidência o seu melhor.
So what to do with the flowers one doesn’t love? Leave them to die in the garden? Of course not! For example, I’m not a big fan of these red and orange dahlias (something to do with the colours… I do like other types of dahlias) but I was decided to make something with them. So I strolled around the garden and picked a few things that would complement them — things that would make the dahlias pop.

 

 

 

 

 

Escolhi cores-de-rosa fortes e verdes-ácidos, assim como cabeças de papoilas e outras flores que ainda não estavam completamente formadas. Misturei tudo dentro de uma caneca de estanho e, quando dei por mim, tinha um arranjo bem ao estilo Bollywood!
I chose bright pinks and acid greens, along with some seed pods and a few immature flowers. I mixed it all in a pewter mug and suddenly I had created a Bollywood-style arrangement!

 

À laia de conclusão: quando não gostamos de alguma coisa, muitas vezes a melhor maneira de fazer com que ela resulte é chamar a atenção para ela, em vez de tentar escondê-la. Uhm… isto é capaz de ser uma tirada demasiado profunda para um simples arranjo de flores!
My conclusion is, when you don’t like something, sometimes the best way to make it work is by drawing attention to it, instead of trying to hide it. Mmmm… that’s quite a statement considering we’re talking about a simple flower arrangement!


(photos: © Constança Cabral)

Coroa de Feijoa :: Feijoa Wreath

Lembram-se da coroa com limpa-garrafas do ano passado? Este ano escolhi ramos de feijoa em flor (aquele fruto que só descobri na Nova Zelândia…. podem ler mais sobre feijoas aqui).
No meu livro tenho explicações passo-a-passo sobre como construir uma coroa deste género — é algo  bastante simples mas com grande impacto.

O Natal está à porta e eu ainda tenho imensa coisa por fazer… e vocês? Têm tudo sob controlo?

Remember the bottle brush wreath I made last year? Well, this year I chose feijoa blossoms and leaves (feijoa is a fruit I only discovered here in NZ… you can read more about it here).

In my book I’ve got step by step instructions and photos on how to make a wreath like this one — it’s a very simple project but one with a big impact.

Christmas is around the corner and I’ve still got so much to do… what about you? Everything under control?

(photos: © Constança Cabral)

Arranjos de Flores em Garrafas :: Arranging Flowers in Bottles

Uma das maneiras mais fáceis e eficazes de fazer arranjos florais é simplesmente colocar flores dentro de garrafas de vidro. Também funciona com folhas. Acho que o truque é a repetição de motivos iguais, complementares ou contrastantes — por exemplo, eu normalmente agrupo muitas flores exactamente iguais, ou então diferentes variedades da mesma flor, ou ainda dois ou três tipos de flores e folhas diferentes, mas que se complementem em cor ou em forma.
As próprias garrafas podem ser iguais ou diferentes, e não têm de ser nada de especial: eu uso garrafas de leite, de água e de sumo, um ou outro frasco de conserva e material de laboratório. 
São sempre arranjos baratos porque acabamos por usar muito poucas flores. São elegantes porque há bastante espaço negativo para as flores respirarem. E são infalíveis porque, apesar de não terem ciência nenhuma, resultam sempre. Experimentem!
One of the easiest, most effective ways of arranging flowers is simply placing them inside glass bottles. It also works with foliage. I guess it works because of the repetition of similar, complementary or contrasting patterns — for example, I usually group either flowers that look exactly the same, or different varieties of the same species, or two or three different types of flowers and leaves that will complement each other. 

The bottles don’t have to be anything fancy: I use milk, water and juice bottles, as well as lab containers and the occasional preserving jar.

This type of arrangement is cheap because you’ll end up using a limited amount of flowers. It’s also quite elegant due to all the negative space that allows the flowers to breath. And it’s completely foolproof. Give it a try!

(photos: © Constança Cabral)

Mãos à Obra!

“Este livro é sobre criatividade, gratificação e independência. 
Sobre saberes antigos adaptados à vida presente. 
Sobre descoberta e imaginação. 
Este livro é sobre coisas feitas à mão.”
É assim que começa “Mãos à Obra!”, o meu livro com a Marcador, que vai ser lançado amanhã em Portugal. Escrevo estas palavras com um aperto no estômago — sinto uma enorme alegria mas também uma boa dose de nervosismo. Um livro! Escrevi um livro!
Fui desafiada a escrevê-lo há dois anos e trabalhei nele com muito entusiasmo e afinco. Tentei ser criativa nos projectos, perfeita nos acabamentos e rigorosa nas explicações. A Marcador fez um excelente trabalho de design, paginação e revisão (escrevi o livro “à antiga” mas os textos foram todos revistos conforme o novo acordo ortográfico). As fotografias foram tiradas pelo Tiago e por mim em três países diferentes. Quando assinei o contrato, o Rodrigo era um bebé de colo e ei-lo agora, um rapazinho com quase 3 anos! Escrevi e fotografei parte do livro já com o Pedro na minha barriga, e revi provas nos intervalos das sestas. 
O blog foi o ponto de partida, mas o livro é muito mais do que o blog. Tem quase 50 projectos de costura, culinária, jardinagem e decoração e o tema subjacente é a casa. No capítulo introdutório fiz um apanhado das minhas opiniões e convicções a respeito deste estilo de vida que escolhi e estabeleci as bases para as diferentes matérias do livro. Há muito tempo que não escrevia tão intensamente — foi uma oportunidade óptima para repensar as minhas escolhas e tentar transmitir-vos aquilo em que acredito.
O livro está dividido em quatro partes: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Já sabem que sou grande adepta de tirar o maior partido das estações do ano e fazer o possível por torná-las especiais. Ao tornar os nossos dias especiais, estamos a tornar a nossa vida especial. Não pretendo que nos tornemos todas meninas prendadas — longe disso! —; o meu objectivo é descomplicar estes assuntos e ajudar a desfazer o mito de que a criatividade é uma qualidade inata, que é concedida apenas a algumas pessoas.  
Quantas vezes ouvimos dizer “não tenho jeito de mãos” ou “não tenho imaginação”? Isso para mim não faz sentido. Nós somos capazes de tudo, desde que tenhamos muita curiosidade, bastante vontade, alguma paciência e um certo empenho. O importante é não ter medo de dar o primeiro passo.
Espero sinceramente que gostem do resultado. Ao longo deste processo tive sempre os leitores do blog muito presentes na minha cabeça. Se escrevi um livro, foi graças a vocês. E, por isso, o livro acaba assim:
“E a todos os leitores do meu blog, pelo interesse e entusiasmo com que têm vindo a acompanhar as minhas aventuras pelo mundo.”
Obrigada!
[o livro vai estar à venda em livrarias e hipermercados de Portugal, e online aqui]

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“This is a book about creativity, gratification and independence.
About time honoured practices carried through to modern times.
About discovery and imagination.
This is a book about making things by hand.”

These are the first lines of “Mãos à Obra!” , my book with Marcador, which will be out tomorrow in Portugal. I’m writing these words with butterflies in my stomach — I feel tremendous joy but also a fair amount of nervousness. A book! I’ve written a book!

I was invited to write it two years ago and I worked on it long and hard, and with great enthusiasm. I  did my best to come up with creative projects, neat workmanship and clear instructions. The publisher did a great job in terms of design and edits. The photos were taken both by Tiago and myself, in three different countries. When I signed the contract Rodrigo was just a baby and look at him now, a little boy who’s almost 3! I wrote and photographed the final part of the book with Pedro already inside me and  proofread it in between nap times.

This blog was the starting point for the book but the book is so much more than just the blog. The almost 50 projects cover topics like sewing, baking, preserving, gardening, flower arranging and decorating and they all revolve around the idea of home life. The first chapter lays the foundation for the various themes and I delve deep into my choices and opinions on the subject of home living, appreciating the simple things in life and, of course, making things by hand. I had not written in such an intensive way in a long time and it was a great opportunity for me to rethink my beliefs and share my thoughts with you.

The book is laid out in four main sections: spring, summer, autumn and winter. You already now I am passionate about making the most of what’s in season and trying to make them feel special. By making our days special we are making our lives special. My aim isn’t to make women feel like they’ve got to become “accomplished ladies” — on the contrary, my goal with this book is to uncomplicate these subjects and to help dispel the myth that creativity is an innate skill that only graces certain people.

How many times have we heard things like “I’m not good with my hands” and “I have no imagination”? To me, that’s nonsense. We can make everything we set our hearts into as long as we have lots of curiosity, a strong will, a bit of patience and a fair amount of commitment. What’s important is to not being afraid of taking the first step.

I sincerely hope you’ll enjoy this book. Throughout this process I’ve always had my blog readers in mind. If I’ve written a book it’s because of you. And so the last sentence of the book is:

“To all my blog readers, for following my adventures around the world with so much interest and enthusiasm.”

Thank you!

[the book is written in Portuguese but if you’d like to buy it and have it shipped internationally, you can do so here]