Our Favourite Bread

23/100

[scroll down for English]

Fiz este pão pela primeira vez no dia 26 de Dezembro e, desde então, não tenho feito outros diferentes (e eu faço pão dia sim, dia não). Adoramos este pão!

Fui adaptando a receita original (“farmhouse brown seeded loaf”, incluída no livro Mary Berry’s Baking Bible) à medida das minhas preferências — ora vejam e experimentem:

Pão de Aveia e Trigo

  • 150g de flocos de aveia
  • 300ml de água a ferver
  • 350g de farinha de trigo branca para pão
  • 200g de farinha de trigo integral
  • 50g de sementes de girassol
  • 1 colher de chá de sal grosso
  • 2 colheres de chá de fermento seco para pão
  • 350ml de água morna
  1. Deitar a aveia para dentro de uma taça e cobri-la com a água a ferver. Mexer com uma colher de pau e deixar absorver durante 10 minutos.

2. Adicionar à taça os restantes ingredientes, misturar e amassar. Eu uso uma batedeira KitchenAid durante cerca de 5 minutos, mas a massa também pode ser amassada à mão.

3. Deitar um fio de azeite nas bordas da taça, cobri-la com um pano e deixar a massa crescer durante cerca de 2 horas (o tempo irá depender da temperatura da cozinha).

4. Ligar o forno a 200ºC.

5. Dividir a massa em duas partes e formar duas bolas. Colocá-las num tabuleiro de forno, em cima de papel vegetal de cozinha, e polvilhar os pães com farinha.

6. Esperar cerca de 5-10 minutos para que o forno aqueça, colocar o tabuleiro lá dentro e cozer durante cerca de 45 minutos (visto que todos os fornos são diferentes, há que ter atenção ao tempo e reduzir/prolongar a cozedura caso seja necessário).

Acreditem em mim: este pão é delicioso. Experimentem fazê-lo!

***

I baked this bread for the first time on Boxing Day and I haven’t made a different one since (and I bake bread every other day). We absolutely love it!

I’ve been tweaking with the original recipe (“farmhouse brown seeded loaf”, included in Mary Berry’s Baking Bible) to suit my preferences — here is the recipe I’ve been following:

Wheat and Oatmeal Bread

  • 150g porridge oats
  • 300ml boiling water
  • 350g strong white flour
  • 200g wholemeal flour
  • 50g sunflower seeds
  • 1 teaspoon of coarse sea salt
  • 2 teaspoons of fast-action yeast
  • 350ml lukewarm water
  1. Pour the oats into a large bowl and cover them with boiling water. Mix with a wooden spoon and leave to absorb for about 10 minutes.

2. Add the remaining ingredients to the bowl and mix them to form a soft dough. Knead by hand or in a mixer (I use a KitchenAid mixer) for about 5 minutes.

3. Oil the bowl and cover it with a tea towel. Leave to rise for about 2 hours (the duration depends on the temperature of your kitchen).

4. Turn the oven on at 200ºC. 

5.Divide and shape the dough into 2 round loaves. Place them on a baking tray lined with parchment paper and dust them with some flour.

6. After 5-10 minutes, place the tray inside the oven and bake for about 45 minutes (because ovens vary so much, your baking time might be shorter or longer).

Enjoy! This bread is seriously good. I hope you’ll give it a try!

Mãos à Obra!

“Este livro é sobre criatividade, gratificação e independência. 
Sobre saberes antigos adaptados à vida presente. 
Sobre descoberta e imaginação. 
Este livro é sobre coisas feitas à mão.”
É assim que começa “Mãos à Obra!”, o meu livro com a Marcador, que vai ser lançado amanhã em Portugal. Escrevo estas palavras com um aperto no estômago — sinto uma enorme alegria mas também uma boa dose de nervosismo. Um livro! Escrevi um livro!
Fui desafiada a escrevê-lo há dois anos e trabalhei nele com muito entusiasmo e afinco. Tentei ser criativa nos projectos, perfeita nos acabamentos e rigorosa nas explicações. A Marcador fez um excelente trabalho de design, paginação e revisão (escrevi o livro “à antiga” mas os textos foram todos revistos conforme o novo acordo ortográfico). As fotografias foram tiradas pelo Tiago e por mim em três países diferentes. Quando assinei o contrato, o Rodrigo era um bebé de colo e ei-lo agora, um rapazinho com quase 3 anos! Escrevi e fotografei parte do livro já com o Pedro na minha barriga, e revi provas nos intervalos das sestas. 
O blog foi o ponto de partida, mas o livro é muito mais do que o blog. Tem quase 50 projectos de costura, culinária, jardinagem e decoração e o tema subjacente é a casa. No capítulo introdutório fiz um apanhado das minhas opiniões e convicções a respeito deste estilo de vida que escolhi e estabeleci as bases para as diferentes matérias do livro. Há muito tempo que não escrevia tão intensamente — foi uma oportunidade óptima para repensar as minhas escolhas e tentar transmitir-vos aquilo em que acredito.
O livro está dividido em quatro partes: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Já sabem que sou grande adepta de tirar o maior partido das estações do ano e fazer o possível por torná-las especiais. Ao tornar os nossos dias especiais, estamos a tornar a nossa vida especial. Não pretendo que nos tornemos todas meninas prendadas — longe disso! —; o meu objectivo é descomplicar estes assuntos e ajudar a desfazer o mito de que a criatividade é uma qualidade inata, que é concedida apenas a algumas pessoas.  
Quantas vezes ouvimos dizer “não tenho jeito de mãos” ou “não tenho imaginação”? Isso para mim não faz sentido. Nós somos capazes de tudo, desde que tenhamos muita curiosidade, bastante vontade, alguma paciência e um certo empenho. O importante é não ter medo de dar o primeiro passo.
Espero sinceramente que gostem do resultado. Ao longo deste processo tive sempre os leitores do blog muito presentes na minha cabeça. Se escrevi um livro, foi graças a vocês. E, por isso, o livro acaba assim:
“E a todos os leitores do meu blog, pelo interesse e entusiasmo com que têm vindo a acompanhar as minhas aventuras pelo mundo.”
Obrigada!
[o livro vai estar à venda em livrarias e hipermercados de Portugal, e online aqui]

//player.vimeo.com/video/109113108


“This is a book about creativity, gratification and independence.
About time honoured practices carried through to modern times.
About discovery and imagination.
This is a book about making things by hand.”

These are the first lines of “Mãos à Obra!” , my book with Marcador, which will be out tomorrow in Portugal. I’m writing these words with butterflies in my stomach — I feel tremendous joy but also a fair amount of nervousness. A book! I’ve written a book!

I was invited to write it two years ago and I worked on it long and hard, and with great enthusiasm. I  did my best to come up with creative projects, neat workmanship and clear instructions. The publisher did a great job in terms of design and edits. The photos were taken both by Tiago and myself, in three different countries. When I signed the contract Rodrigo was just a baby and look at him now, a little boy who’s almost 3! I wrote and photographed the final part of the book with Pedro already inside me and  proofread it in between nap times.

This blog was the starting point for the book but the book is so much more than just the blog. The almost 50 projects cover topics like sewing, baking, preserving, gardening, flower arranging and decorating and they all revolve around the idea of home life. The first chapter lays the foundation for the various themes and I delve deep into my choices and opinions on the subject of home living, appreciating the simple things in life and, of course, making things by hand. I had not written in such an intensive way in a long time and it was a great opportunity for me to rethink my beliefs and share my thoughts with you.

The book is laid out in four main sections: spring, summer, autumn and winter. You already now I am passionate about making the most of what’s in season and trying to make them feel special. By making our days special we are making our lives special. My aim isn’t to make women feel like they’ve got to become “accomplished ladies” — on the contrary, my goal with this book is to uncomplicate these subjects and to help dispel the myth that creativity is an innate skill that only graces certain people.

How many times have we heard things like “I’m not good with my hands” and “I have no imagination”? To me, that’s nonsense. We can make everything we set our hearts into as long as we have lots of curiosity, a strong will, a bit of patience and a fair amount of commitment. What’s important is to not being afraid of taking the first step.

I sincerely hope you’ll enjoy this book. Throughout this process I’ve always had my blog readers in mind. If I’ve written a book it’s because of you. And so the last sentence of the book is:

“To all my blog readers, for following my adventures around the world with so much interest and enthusiasm.”

Thank you!

[the book is written in Portuguese but if you’d like to buy it and have it shipped internationally, you can do so here]


Por Aqui :: Around Here

Ando com vontade de voltar a publicar posts com apanhados do meu dia-a-dia cá em casa. Posts mais espontâneos e mais mundanos, pequenos vislumbres da minha vida — momentos que, no último ano e meio, passei a partilhar no Instagram e não aqui no blog. Gostava que se tornasse algo frequente (quinzenal? semanal? o melhor é não me comprometer com nada nesta altura): quero desafiar-me a tirar mais fotografias, experimentar ângulos diferentes, tentar captar pormenores e registar estes instantes para a posteridade.
Estou prestes a completar as 40 semanas de gravidez. Tenho passado os últimos dias a fazer cortinados para a bay window do nosso quarto (3 janelas com 3,30 m de altura). A roupa de bebé está toda lavada e arrumada. Trouxe uma série de livros da biblioteca. Tenho aproveitado a ajuda da minha mãe para descansar (e coser). Continuo a fazer pão. Já há flores de Primavera nos jardins e nos supermercados. A minha máquina de costura entregou a alma ao Criador e tive de arranjar uma substituta (a decisão teve de ser tomada rapidamente e acabei por comprar uma Bernina Nova 900 dos anos 80… mas tenho muitas saudades da minha Bernina Record 830 e não vou descansar enquanto não encontrar outra igual).
Ao escrever este post, lembrei-me de um que escrevi há dois anos e meio, uns dias depois de ter completado as 40 semanas do Rodrigo. O país era outro mas também era Inverno (apesar de o mês ser Fevereiro e não Julho). E, curiosamente, os meus dias eram passados de maneira semelhante… ora espreitem aqui.
I’ve been wanting to come back to posting snippets of my days at home. I’m feeling the urge to publish more spontaneous and mundane snapshots here on the blog — some of those moments that I’ve been sharing  on Instagram for the past 18 months. I’d like to do it with some kind of frequency (weekly? fortnightly? maybe this isn’t the best time to make this kind of commitments): I want to challenge myself to take more pictures, try different angles, capture details and freeze some instants of my life.
 
I’m two days short of being 40 weeks pregnant. I’ve been spending the last few days making curtains for the bay window in our bedroom (no small task… I’m talking three windows that are 3,30 m high). All of the baby clothes are washed and ready. I’ve borrowed a few books from the library. I’ve been making the most of the fact that my mother’s here and I’ve been resting (and sewing lots). I’m still baking bread. Spring flowers can be spotted in gardens and supermarkets. My sewing machine died and I had to find a replacement (the decision had to be made quickly and I ended up buying a Bernina Nova 900 from the 1980s… but I’m still mourning my Bernina Record 830 and I shall not rest until I manage to track down another one).
 
Whilst sketching out this post I remembered writing a similar post two and a half years ago when I was a couple of days overdue with Rodrigo. I was living in a different country but it was also winter time (even though the month was February rather than July). And funnily enough, my days were spent in a very similar way… check it out here.
 
(photos© Constança Cabral)

 

Pão Integral :: Wholemeal Bread

 

O pão que comemos cá em casa é feito por mim, porque o pão de supermercado não me sabe a nada e infelizmente não há boas padarias aqui nas redondezas. Ao longo dos anos, tenho experimentado algumas receitas mas acabo por repetir quase sempre esta. Até que, na semana passada, dei por mim a folhear novamente o “The Great British Book of Baking” e decidi experimentar o “Grant Loaf”, uma receita de pão integral que surgiu no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.
Confesso que comecei por desconfiar de um pão feito apenas com farinha integral (normalmente ficam a saber a cartão) mas ainda bem que segui em frente! Digo-vos que o resultado é delicioso, especialmente em forma de torradas com manteiga. Para quem não tem o livro, a receita pode ser encontrada aqui. Experimentem!
I bake our own bread mainly for two reasons: first, because I find supermarket bread utterly tasteless and also because we don’t have access to any good bakeries locally. Over the years I’ve played around with a few bread recipes but I always come back to this one. However, last week I was browsing through the “The Great British Book of Baking” and stumbled upon the Grant Loaf, a recipe for wholemeal bread that was first published in the UK during the World War II.
 
I admit that at first I was a bit suspicious of a loaf made entirely with wholemeal flour (they do have a tendency for tasting like cardboard) but I’m glad I went ahead with it anyway! This bread is delicious and makes excellent (buttered) toast. If you don’t own this book, you can find the recipe here. Do give it a try!
 
(photo© Constança Cabral)

Pão Caseiro :: Homemade Bread

 

A minha rotina diária mudou tão radicalmente desde que o Rodrigo nasceu que coisas tão simples como fazer pão parecem agora uma grande façanha…
A receita que uso faz dois pães e é a seguinte:
1,2 kg de farinha para pão (às vezes uso só branca, outras vezes misturo com sementes ou integral)
12 g de fermento seco para pão
25 g de sal grosso
780 ml de água tépida
1 colher de sopa de azeite (caso use farinha integral)
Juntar todos os ingredientes numa taça grande e amassar durante 10 minutos (eu uso um KitchenAid mas  há quem amasse à mão). Deixar levedar durante cerca de 2 horas. Dividir a massa em dois e formar dois pães. Deixar levedar os pães em tabuleiros durante cerca de 1 hora. Cozer em forno a 200ºC (pré-aquecido) durante 35 minutos.
(esta receita uma adaptação da receita original do Tom Baker)
Ever since Rodrigo was born, my daily routine has changed so dramatically that making bread now seems almost like some sort of achievement…
 
The recipe I use makes two loaves:
 
1,2 kg strong bread flour (sometimes I’ll only use white flour, other times I’ll mix it up with wholemeal)
12 g dry active yeast
25 g coarse sea salt
780 ml lukewarm water
1 tablespoon olive oil (in case you use wholemeal flour)
 
Weigh all the ingredients into a large bowl. Knead for 10 minutes (either by hand or with the help of a KitchenAid mixer). Let it proof for approx. 2 hours. Divide the dough in two and shape two loaves. Let them proof on trays for approx. 1 hour. Bake in a pre-heated oven at 200ºC for 35 minutes.
 
(this is an adaptation of Tom Baker‘s bread recipe)
(photo: Constança Cabral)

Crumpets

Crumpets são algo que só provei em Inglaterra. Uma espécie de panquecas mais pequenas, altas e fermentadas, são especialmente bons torrados e a escorrer manteiga e/ou doce. Fazê-los é fácil (apesar de demorar bastante tempo porque o lume tem de estar baixo) mas é preciso ter uma forma circular especial — na falta dela, usei o aro de metal que o Tiago usa para empratar os cozinhados deliciosos com que ele às vezes me brinda ao fim-de-semana. A receita que usei saiu no jornal de domingo e está disponível aqui.
Crumpets are something I only tasted for the first time in England. A sort of small, thick, yeasty pancakes, they’re especially good toasted and dripping with butter and/or jam. Making them is easy (although it takes a while because you must cook them over a gentle heat) but you must use a special circular mould — I didn’t have one so I used the metal ring Tiago uses to prepare his weekend gourmet dishes (rare but absolutely delicious). The recipe was published in Sunday’s paper and is available here.

(photos: Tiago Cabral)

Tarde de Chuva :: Rainy Afternoon

Há tardes em que só apetece chá e scones — aposto que sabem do que estou a falar. Lá fora não pára de chover, é sábado e o Outono está a instalar-se: de repente, um lanche reconfortante impõe-se.
(A minha receita de scones preferida vem neste livro, o abafador de bule foi tricotado pela minha mãe e a galinha foi feita por mim.)
There are those afternoons when all you want to do is have tea and scones — I bet you know what I’m talking about. It’s Saturday, it won’t stop raining and you feel autumn creeping in. All of a sudden, a comforting tea is all you need.
(My favourite scones recipe comes from this book, the tea cosy was knitted by my mother and the hen was made by me.)

(photos: Tiago Cabral)

Lady Hilaria’s Wholemeal Loaf

Não gosto de comer todos os dias o mesmo pão, por isso vou variando as receitas: branco, de mistura, com sementes… Há umas semanas fomos visitar o moinho de Stainsby e comprámos um pacote de farinha integral moída lá. Com a farinha veio uma fotocópia da receita que transcrevo em baixo. Já a fiz umas vezes (não propriamente à letra… não segui o método mas usei quase todos os ingredientes descritos) e acho que vale a pena experimentá-la.
I don’t like eating the exact same bread every day so I’m always trying new alternatives: white, half-wholemeal-half-white, with seeds… Some weeks ago we visited Stainsby Mill and bought a packet of their wholemeal flour. Along with it came a photocopy of the recipe I’m sharing below. I’ve tried it a few times (I didn’t exactly followed the instructions but used most of the ingredients it suggests) and I think it’s worth giving it a try.
Lady Hilaria’s Wholemeal Loaf
Cotehele Mill, which produces its own wholemeal flour, nestles on the edge of the Tamar, a mile away from the Cotehele estate, home to the Edgcumbe family for centuries. This is the recipe still used by Lady Hilaria, the daughter of the 6th Earl.

275g stoneground wholemeal flour
175g organic strong white flour
25g butter
5g salt
10mg fast-acting dried yeast
15ml oat bran
5ml dark brown sugar
5ml black treacle
345ml warm water
10mg sesame seeds

Mix all dry ingredients (except sugar and yeast) in a large mixing bowl. Rub in the butter and then mix in the dry yeast.

Stir the treacle and sugar into warm water Make a well in the middle of the bowl of ingredients and pour in the liquid. Knead for at least 10 minutes.

Place the elasticated, smooth dough on to a floured board. Pummel out the air, shape and divide. Place into greased loaf tin(s), cover and put in a warm place till double their size (about an hour). Ten minutes before the end of this process, sprinkle on the sesame seeds and brush with milk.

Cook in a preheated oven for approximately 35-40 minutes: the bottom of the leaf should sound hollow when tapped. Leave to cool on a wire rack.

(image: Constança Cabral)