Por aqui é Natal :: around here it’s Christmas

hand-printed wrapping paper

making christmas cards

Handmade Christmas stockings

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Por aqui é Natal!

A casa está (minimamente) enfeitada, os presentes estão embrulhados, os rapazinhos andam entusiasmados!

As nossas árvores de Natal na Nova Zelândia têm sido sempre árvores nativas, que depois plantamos no jardim. Para mim não faz sentido enfeitar um pinheiro ou um abeto aqui no hemisfério sul… Já tivemos uma totara e uma kowhai — este ano é a vez da pohutukawa.

Fiz meias (botas?) de Natal com tecidos antigos, um projecto rápido que me deu imenso gozo e me permitiu usar muitos dos tecidos que ando a coleccionar avidamente. Faço tenções partilhar o modelo convosco para o ano que vem.

Pintei metros e metros de papel de embrulho, inspirada por este workshop do Creativebug (sou fã incondicional do Creativebug mas vou deixar esse assunto para outro post).

Fizemos e enviámos postais de Natal (e o Pai Natal respondeu-nos!).

Este é o nosso quinto Natal fora de Portugal, mas este ano temos a companhia da minha mãe!

A todas as pessoas queridas que acompanham este blog quero desejar um Natal muito feliz e um ano novo cheio de alegria, paz, amor e saúde. Cá nos encontraremos em 2017!

***

Around here it’s Christmas time!

The house is (kind of) decorated, the presents are all wrapped up and the boys are excited!

Our Christmas trees in New Zealand have always been native trees that we plant out in the garden in the new year. I just can’t bring myself to decorate a pine or spruce here in the southern hemisphere… In past years we’ve had a totara and a kowhai — this year we’ve bought a pohutukawa.

I’ve sewn Christmas stockings with vintage fabrics, a quick and satisfying project that has allowed me to use all those precious bits of fabric I’ve been collecting over the years. I’m planning on sharing the pattern with you next year.

I’ve painted metres and metres of wrapping paper, inspired by this Creativebug class (my love for Creativebug will be the subject of a blog post very soon).

We’ve made and sent lots of Christmas cards (and Santa wrote back!).

This is our 5th Christmas away from Portugal but this year my mum has come to visit!

To all the lovely people who follow this blog I want to wish a very happy Christmas and a new year filled with joy, peace, love and good health.We’ll meet again in 2017!

A Mãe Galinha e os Três Patinhos :: Mother Hen and the three ducklings

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Hoje vou contar-vos a história de uma galinha que veio passar uma temporada cá a casa e que chocou três ovos de pata.

Antes de mais, deixem-me contextualizar este relato. Nós vivemos numa pequena vila nos confins da Nova Zelândia, numa casa com jardim. O nosso jardim é inclinado, não é completamente vedado e faz fronteira com três outros jardins das casas vizinhas. A rua onde a nossa casa fica situada é bastante movimentada, com trânsito constante de carros e camiões. Gostamos imenso da nossa casa e tivemos a sorte de ter herdado um jardim já estabelecido, mas fica a milhas do idílio rural inglês da nossa vida anterior…

Tudo isto para dizer que não temos propriamente as condições perfeitas para criar animais. Mesmo assim, há já algum tempo que eu andava com vontade de ter uma galinha e, idealmente, pintainhos ou patinhos. Por sorte, temos uma amiga que cria galinhas e patos e que nos disse que, quando uma das suas galinhas ficasse choca, poderíamos ficar com ela durante uns tempos.

E assim foi: um dia recebemos uma galinha choca, de seu nome Sparrow, e três alvíssimos ovos fertilizados de uma pata Indian Runner. A senhora dona Sparrow, depois de um choque inicial (provocado pelo entusiasmo algo desregrado do membro mais novo da nossa família), lá se sentou em cima dos ovos e, passados 28 dias, nasceram três patinhos amarelos!

Uma galinha a chocar ovos de pata? Urbana que sou, não fazia ideia de que tal coisa fosse possível. A verdade é que as galinhas, quando ficam chocas, sentam-se em cima de quaisquer ovos que estejam no seu ninho. Tem graça que, uns dias depois de termos acolhido a dita Sparrow, li com o Rodrigo “The Tale of Jemima Puddleduck”, que é precisamente sobre isto! A Jemima revolta-se contra a dona da quinta e insiste em chocar os seus próprios ovos, em vez de deixar que sejam chocados por uma das galinhas da quinta em que vive. Bem, neste caso não houve nenhuma pata melindrada, porque a pata que pôs estes ovos não estava choca e, consequentemente, preferia andar a passear do que sentar-se dias a fio num ninho confinado.

Como podem imaginar, ter uma galinha no nosso jardim foi uma excitação! O Pedro queria dar-lhe festinhas constantemente (e recebeu várias bicadas como resposta) e o Rodrigo andava empenhadíssimo em tratar dela. Eu requisitei uma série de livros sobre galinhas e patos na biblioteca e gostei imenso de estudar um tema sobre o qual não sabia absolutamente nada.

Ao fim de 28 dias, nasceram três patinhos absolutamente perfeitos. Foi uma alegria, digo-vos! (Desconfio que fui eu quem vibrou mais com o acontecimento.) Os patinhos são muito activos e adoram água e, no segundo dia, já estavam a nadar no tabuleiro com água que pus na capoeira. O Rodrigo deu-lhes logo nomes: Sam (o nome da professora dele), Harper e Chilli. Ao fim de uns dias apercebeu-se de que não os conseguia distinguir e anunciou-me que, daí em diante, chamar-se-iam apenas Fuzzy Little Guys (rapaz pragmático). A galinha foi uma óptima mãe — aceitou-os imediatamente como seus e foi sempre extremamente protectora e vigilante.

Ficámos com eles durante cerca de um mês. Pensámos construir-lhes um pequeno recinto para terem mais espaço, mas o gato da casa vizinha observáva-os com um olhar guloso e, por precaução, decidimos mantê-los na capoeira (que, apesar de ser coberta, tinha também um pequeno espaço ao ar livre). Os patos crescem a um ritmo alucinante e, a certa altura, tivemos mesmo de devolvê-los à procedência.

Adorámos a experiência e o Rodrigo já me disse que, para a próxima, quer ter pintainhos. Mal posso esperar!

***

Today I’m going to tell you the story of the chicken who came to stay with us for a while, in order to sit on three duck eggs.

Let me start by providing a bit of context. We live in a small town in the depths of New Zealand, in a house with a garden. Our garden is on a slope, it isn’t fully fenced and it’s surrounded by the gardens of our three neighbours. Our street is quite busy, with constant traffic from cars and trucks. We love our house and we’re lucky enough to have inherited an established garden but it’s miles away from the English rural idyll of our previous life…

All this to say that we don’t really have the perfect conditions to keep animals. However, I’ve been wanting a chicken for ages and, ideally, either chicks or ducklings. Luckily we have a friend who keeps both hens and ducks and she promised us that, once one of her chickens turned broody, she’d lend it to us.

And so it went: one day we received a broody chicken called Sparrow, as well as three fertile Indian Runner duck eggs. Miss Sparrow, after getting over her initial shock (caused by the unruly enthusiasm of the youngest member of our family), sat on the eggs and after 28 days three yellow ducklings hatched!

A chicken sitting on duck eggs? As a recently converted urbanite, I had no idea such a thing was possible. The fact of the matter is that when chickens are broody, they’ll sit on whichever eggs are in her nest. It’s funny because a few days after we welcomed Sparrow, I was reading “The Tale of Jemima Puddleduck” to Rodrigo and the book is precisely about this! Jemima rebels against the farmer’s wife, who insists on having one of her hens sit on Jemima’s eggs. Well, in this case there wasn’t any distressed duck because the duck that laid these eggs wasn’t broody, and therefore was more interested in running around that sitting on a secluded nest for days on end.

Well, as you can imagine having a chicken in our garden was a huge success! Pedro wanted to pet her constantly (and consequently got a fair share of unfriendly pecks) and Rodrigo was very keen on tending to her. I borrowed a lot of books on keeping hens and ducks from the library and really enjoyed learning about a subject I knew nothing about.

After 28 days, three absolutely perfect ducklings hatched. What a joy! (I suspect I was the one who was most excited about this whole adventure.) Ducklings are very active and on their second day there were already happily swimming in a tray of water. Rodrigo promptly named them Sam (his beloved teacher’s name), Harper and Chilli. A few days later he realised he couldn’t tell them apart so he announced they were to be named simply Fuzzy Little Guys (pragmatic boy). The chicken was a great mother to the ducklings: she immediately accepted them as her own and was always very vigilant and protective towards them.

We kept them for about a month. We thought of building a small pen for them but the neighbours’ cat had his greedy eyes on them and so we decided to keep them inside the coop (which had netting over the run). Ducklings grow incredibly quickly and eventually we had to give them back to our friend.

We absolutely loved the experience and Rodrigo has told me that next time we wants chicks. I can hardly wait!

Retro Party Food

No fim-de-semana passado fui convidada para uma festa de anos retro. A aniversante adora tudo o que é vintage (é grande frequentadora de lojas de caridade e tem um olho incrível para descobrir aquilo que ninguém vê à partida). Cada convidado foi desafiado a trazer consigo uns quantos pratos de comida retro – o tema era anos 70-80. Eu achei a ideia bem gira e lembrei-me logo da minha colecção de livros e panfletos antigos de receitas — aqueles do fermento Royal, margarinas Chefe e Vaqueiro, conservas de peixe de Portugal… estão a ver o género. Os meus livros são sobretudo dos anos 50 e 60 (tenho dois dos anos 20 cujas ilustrações hei-de mostrar-vos um dia), mas isso não me deteve. Mais vinte anos, menos vinte anos…

Devo dizer-vos que as receitas deste tipo de panfletos me fascinam e horrorizam em partes iguais. Por um lado, acho graça à apresentação, às ilustrações e fotografias, mas por outro fico em choque com os quilos de margarina e maionese com que estes acepipes eram confeccionados. Os doces eram quase todos feitos com gelatina e pudins instantâneos… bah! Mas eu adoro desafios deste género e diverti-me bastante com este. Querem saber o que fiz?

This past weekend I was invited to a retro birthday party. The birthday lady loves all things vintage (she’s a keen second-hand shopper and she’s got an eagle eye to spot things that no-one else can see). Each guest was required to bring along a few retro dishes — the theme was 70s-80s. This was such a cool idea! I immediately  thought of my collection of vintage cookery booklets — you know, the ones that were issued by manufacturers of baking powder, margarine, tinned fish… My booklets are mainly from the 50s and 60s (and I do have a couple from the 20s — I must share those illustrations with you some day) but I wasn’t too bothered by that small detail. What’s a mere twenty years in the great scheme of retro cooking?

I must say the recipes in these pamphlets both fascinate and horrify me in equal parts. On the one hand, I love the presentation, the photos and the illustrations; on the other, though, I’m shocked by the kilos of margarine and mayonnaise that were used in order to make this kind of food. The puddings were mostly made with jelly (jello) and instant custard… bah! But I do love a challenge and had heaps of fun with this one. Shall I tell you what I made?

Comecei por tentar fazer esta belíssima sobremesa de gelatina e pudim instantâneo de baunilha. Até tinha a forma perfeita para ela! Infelizmente a experiência correu mal (o pudim não era suficientemente consistente e não colou à gelatina) e o doce acabou por ir pelo cano abaixo. Que pena! Eu não planeava comê-lo, mas acho que teria feito um vistaço em cima da mesa.

I started by trying to make this eye-catching concoction of jelly and vanilla instant custard. I even own the perfect mould for it! Unfortunately things didn’t turn out well (the custard didn’t have the right consistency and it didn’t attach itself properly to the jelly) and the pudding ended up down the sink. What a shame! I had no plans of eating it but I was sure it would make a stunning addition to the dinner table.

Dirigi então a minha atenção para os acepipes. Depois ter estudado as fotografias com afinco, reparei em alguns elementos constantes: azeitonas recheadas, pimentos assados, anchovas, atum e sardinhas em conserva, maionese e ovos cozidos. Havia também muitas referências a margarina, mas decidi ignorá-las por completo.

I then focused on making some savouries. After studying the pictures in the booklets, I realised there were some common elements to them: stuffed olives, roasted peppers, anchovies, tinned tuna, tinned sardines, mayonnaise and boiled eggs. There were also numerous references to margarine but I decided to ignore them completely. 

Comecei por fazer estes ovos-cogumelos, que me pareceram irresistivelmente kitsch (e até bastante saudáveis!). Confesso que não segui as instruções à letra — limitei-me a fazer as cabeças dos cogumelos com tomates e, claro, não resisti a enfeitar a travessa com bastante salsa.

First I made these toadstool eggs. I think there are irresistibly kitsch and actually quite good for you. I confess I didn’t follow the instructions to the letter — I just added the tomato tops and, of course, I decorated the platter with lots of parsley.

Finalmente, guarneci umas bolachas cream crackers (um clássico!) com pasta de atum, queijo flamengo, azeitonas recheadas, pimentos assados e anchovas. E, mais uma vez, usei salsa para enfeitar os pratos (o que vale é que a salsa cresce vigorosamente no nosso jardim).

Finally, I garnished some cream crackers (a classic!) with tuna paste, edam cheese, stuffed olives, roasted peppers and anchovies. Again, I decorated the plates with parsley (thankfully parsley grows vigorously in our garden).

Foi um jantar bem giro! A anfitriã recebeu-nos vestida com um kaftan incrível e havia cocktail de camarão, tâmaras enroladas em bacon, vol-au-vents, ovos cozidos recheados com caril… Estou agora a pensar que poderia ter feito uma bavaroise de ananás — os meus pais davam imensos jantares quando eu era pequena e lembro-me de havia sempre uma bavaroise de qualquer coisa!

Digam-me, o que teriam feito para um jantar assim?

The dinner party was really enjoyable! The hostess was wearing an amazing kaftan and on the table there was shrimp cocktail, dates wrapped in bacon, vol-au-vents, stuffed curried eggs… Now I’m thinking that I should have made a pineapple bavarois. My parents threw lots of dinner parties when I was growing up and there was always some kind of bavarois for dessert!

Tell me, what would you have taken to a retro party?

À conversa no podcast Anita no Trabalho

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Não é novidade nenhuma que gosto de ouvir podcasts. Ouço-os enquanto coso, guio, arrumo a cozinha, ando a pé… Os podcasts fazem-me companhia, educam-me, fazem-me rir e pensar. Há podcasts para todos os gostos (já escrevi dois posts sobre os meus podcasts preferidos: em 2013 e em 2014 — tenho de fazer um post actualizado!) e, quanto a mim, os podcasts mais interessantes são aqueles que exploram um nicho até exaustão, sob todos os ângulos e perspectivas, seja a solo ou entrevistando convidados.

Em português, o meu podcast preferido é o Anita no Trabalho. A Billy e a Eliana falam sobre o empreendorismo feminino em Portugal de uma forma descontraída, divertida, acessível e muito inteligente. O Público já falou sobre elas, a TimeOut também.

Pois eu tive a honra de ser entrevistada por elas! Espreitem o episódio #11 para nos ouvirem a conversar a respeito do meu percurso e sobre temas como maternidade, introversão, isolamento, blogs e afins. Espero que gostem e não se esqueçam de subscrever o podcast no iTunes ou no vosso app de podcasts de eleição (eu uso o Pocket Casts).

E nunca é de mais frisar que os vossos comentários são muitíssimo bem-vindos! Este é um espaço de conversa e para mim é mesmo importante ouvir a vossa voz (ou, neste caso, ler as vossas palavras).

Para assinar a minha newsletter, cliquem aqui. Obrigada e até breve!

 

Por Aqui :: Around Here

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vintage doll cot by Constanca Cabral

selling vintage doll cots and eco dolls by Constanca Cabral

duck eggs and vintage book about keeping poultry

bolo de natas by Constanca Cabral

buying strawberry plants

spring flower arrangement: homegrown daffodils and hyacinths in vintage gravy boat

backyard chicken

vintage sewing patterns and fabrics

seed packets

watering a box of strawberry plants

vintage-nz-stamps

new zealand sheep

sewing in progress

backyard chicken

Por aqui a Primavera chegou. Os campos estão cheios de carneiros e vitelos, os jardins encheram-se de flores. O tempo anda muito instável, claro, mas os gorros foram arrumados nas gavetas e os casacos às vezes ficam pendurados à porta de casa. Tenho cosido bastante: roupa para os rapazes, que crescem sem parar, e almofadas para a nossa sala. Fiz uma série de bonecas e restaurei antigos berços de bonecas, e fui vendê-los a duas feiras (tenho de escrever um post sobre isto, e é urgente organizar-me para pô-los à venda online). Fizemos bolos (aquele da fotografia é o eterno e incontornável bolo de natas) e escrevemos postais aos avós. A época de jardinagem recomeçou — tenho de fazer um post sobre o nosso morangal em objectos reciclados. E temos uma galinha (emprestada) a chocar três ovos de pata! Podem imaginar a excitação que se vive por aqui…!

Tenho lido bastante, visto algumas séries de televisão e ouvido muitos podcasts interessantes. Muitas vezes penso que gostaria de partilhar algumas das minhas minhas descobertas e reflexões numa newsletter (semanal ou quinzenal) — têm interesse nisso? Se sim, cliquem neste link e inscrevam-se. Por agora, aqui ficam algumas sugestões:

  • A nossa biblioteca tem muitos DVDs para alugar e tenho-me divertido imenso a ver a série australiana Miss Fisher’s Murder Mysteries. Não é tão robusta como o Poirot ou a Miss Marple, mas o guarda-roupa é excelente, as personagens são interessantes e tem um forte teor feminista. E também tem graça ver um retrato (mesmo que idealizado) da sociedade de Melbourne nos anos 20.
  • Em contraste absoluto com a Miss Fisher, a série francesa Un Village Français tem-me causado muita ansiedade e alguns pesadelos, mas não posso deixar de reconhecer o seu mérito. É um relato ultra sóbrio de uma vila francesa durante a ocupação nazi e explora as relações humanas e os conflitos da época de uma forma incrivelmente realista e humanista.
  • Tenho andado a descobrir o trabalho da Gretchen Rubin. Estou a ler os seus livros sobre felicidade e hábitos (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) e ouvi todos os episódios do podcast Happier. Tenho tendência a resistir (às vezes durante anos) a bestsellers e, até agora, estupidamente nunca tinha dado uma oportunidade a esta autora. A verdade é que o trabalho dela é muito mais do que auto-ajuda: faz-me reflectir sobre a minha personalidade, a maneira como vivo a minha vida, o meu estado de espírito e claro, a minha busca pela alegria e felicidade no dia-a-dia. Ao responder ao quiz sobre as quatro tendências de personalidade, verifiquei — sem grande surpresa — que sou uma “Rebel” (já responderam a este questionário? qual é a vossa tendência?). Requisitei os livros dela na biblioteca mas acho que vou acabar por comprá-los.
  • Gostei especialmente dos dois últimos episódios do podcast The Crafty Planner: um com a Liesl Gibson (dos moldes Oliver + S) e o outro com a Diane Gilleland (a autora do Craftypod, um dos primeiros podcasts que ouvi). São entrevistas muito diferentes, mas ambas fizeram-me reflectir sobre a indústria dos crafts e a forma como todos nós (consumidores e autores) desempenhamos um papel fundamental à sua sobrevivência e (boa) saúde.
  • Comecei a fazer vestidos para contribuir para a inciativa Dress a Girl Around the World. Quem viver na zona de Lisboa pode participar nos encontros mensais na loja The Craft Company, em Cascais (uma loja linda, por sinal); quem estiver longe pode fazer os vestidos em casa e enviá-los pelo correio para a loja. Para mais informações (e instruções detalhadas sobre como fazer um vestido muito rápido e simples), espreitem este post no Cose +.

Bem, o post já vai longo por isso hoje vou ficar por aqui. Se quiserem receber a minha newsletter, inscrevam-se clicando neste link. Obrigada e até breve!

 

Around here Spring has arrived. The fields are full of lambs and calves and the gardens are bursting with flowers. The weather is still quite unstable, which is to be expected, but the wool beanies have been put away and the jackets stay at home more often than not. I’ve been sewing quite a lot: clothes for the boys and cushions for our sitting room. I’ve made some dolls and refurbished several vintage doll cots and took part in a couple of markets (I want to write a post about it and I really must put them up for sale online). We baked a few cakes (the one in the photo is the timeless “bolo de natas”, my grandmother’s sponge cream cake) and we sent postcards to the grandparents. Gardening season has started — I’ll write a post about our upcycled strawberry garden soon. And we have a (borrowed) broody chicken in our garden — she’s sitting on three duck eggs! You can imagine all the excitement that’s going on around here…!

I’ve been reading quite a few books, watching a fair amount of TV series and listening to lots of interesting podcasts. I often think that I’d love to share with you my findings and thoughts in a (weekly? biweekly?) newsletter — would you be interested in subscg? If you are, just follow this link to sign up. Here are a few suggestions:

  • Our local library has a small collection of DVDs for rent and I’ve been enjoying watching the Australian TV series Miss Fisher’s Murder Mysteries. It’s not as robust as Poirot or Miss Marple but the wardrobe is amazing, the characters are interesting and there’s a strong feminist flavour to it. And it’s fun to see a portrait of 1920s Melbourne society (even if it’s a bit idealised).
  • In absolute contrast to Miss Fisher, the French TV series Un Village Français has caused me a lot of anxiety and a few nightmares, but I can nevertheless recognise its merits.  It’s a very sober account of a French village under Nazi occupation and it expertly explores human relationships, as well as the inherent conflicts of that particular time in an incredibly realist and humanist way. 
  • I’ve been familiarising myself with the work of Gretchen Rubin. I’m reading her books about happines and habits (The Happiness Project, Happier at Home e Better than Before) and I’ve listened to every episode of the Happier podcast. I tend to resist bestsellers (sometimes for years) and, up until now, I stupidly had not given her books a chance.  The fact of the matter is that her work goes way beyond self-help: it’s made me reflect upon my personality, the way I live my life, my moods and, of course, my everyday quest for joy and happiness. By taking her personality tendencies quiz, I realised — without much surprise — that I’m a “Rebel” (have you taken this quiz? what’s your tendency?). I’ve borrowed her books from the library but I’m considering buying my own copies.
  • I’ve especially enjoyed listening to the last two episodes of The Crafty Planner podcast: one with Liesl Gibson (of Oliver + S fame) and the other one with Diane Gilleland (the host of Craftypod, one of the first podcasts I ever listened to). They’re two very different interviews but they’ve both made me think about the craft industry and the role we play (both as consumers and authors) in regard to its survival and good health.

Well, this post is getting long so I’m going to wrap it up now. If you’d like to subscribe to my newsletter, just click on this link. Thank you!

Making the functional beautiful

using a vintage saucer as a soap dishfoolproof Portuguese Caramel Flan recipe by Constanca Cabral — in English and Portuguesequince paste (marmelada) by Constanca Cabral

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O que é que todas estas imagens têm em comum? Loiça antiga comprada em feiras da ladra e lojas de caridade!

Admito que não sou (e não me parece que alguma vez virei a ser) uma pessoa totalmente desapegada das coisas materiais. Não é que lhes confira um valor desmedido, ou que goste de acumular só por acumular… não é isso. É, sim, um desejo profundo de rodear-me de objectos que, para além de funcionais, sejam também esteticamente apelativos. Para mim, é importante que a minha casa reflita os meus gostos e as minhas vivências. Os objectos que povoam os nossos dias não são apenas coisas. Não são apenas cacos. Acompanham os nossos rituais diários, são companheiros de viagem. Como tal, merecem a nossa consideração.

Sou especialmente parcial a objectos antigos, porque tudo neles me encanta e me transporta: o toque, as cores, os padrões, a forma, as memórias, as histórias. De entre todas as velharias e antiguidades que ainda circulam por lojas e mercados de segunda mão, há três categorias a que não consigo resistir: livros, panos e loiças. Também gosto de móveis, mas convenhamos que não se compra mobília com a mesma ligeireza com que se compra um prato, um livro ou uma toalha… Os objectos antigos não são anónimos. Fazem parte de um ciclo: passado, presente, futuro. Hoje são nossos, mas já pertenceram a alguém e, futuramente (se não se estragarem entretanto), habitarão a vida de outra pessoa. Contam-nos histórias de quem os produziu e de quem os comprou. Através deles podemos vislumbrar os gostos de uma certa época, até as aspirações de um determinado povo.

Voltando à loiça antiga: nem toda ela tem de ser reverenciada e guardada em armários com portas de vidro. Estas peças que vou comprando foram concebidas como objectos de uso quotidiano, e é assim mesmo que as encaro. Tenho cuidado com elas, claro, e tento que os meus filhos aprendam a tratar destas coisas com delicadeza, mas prefiro pô-las a uso, mesmo correndo o risco de perder algumas, do que mantê-las guardadas e não tirar qualquer partido delas.

Beber um café num copo de plástico é o mesmo que bebê-lo numa chávena antiga de porcelana? A meu ver, não. Acho que o receptáculo que usamos tem o potencial de aumentar o diminuir o prazer que tiramos do acto de beber o tal café.

Sei que já escrevi isto vezes sem conta, mas acredito mesmo que, se nos rodearmos apenas de coisas que deleitem os nossos sentidos, o quotidiano torna-se muito mais agradável. Ao escolhermos cuidadosamente os nossos objectos domésticos, aquilo que era apenas mundano passa a ser personalizado e especial. Só vivemos uma vez, não é? Então todos os momentos são importantes! Aquele café matinal merece ser bebido numa chávena que nos encha completamente as medidas.

What do all these images have in common? Well, they all feature vintage crockery I’ve bought in flea markets and charity shops! 

I confess I’m not one of those people who are totally detached from their possessions. It’s not that I grant them enormous value or that I just like to accumulate things for the sake of it… not at all. I simple have a strong desire to surround myself with objects that, as well as functional, are aesthetically pleasing. As far as I’m concerned, it’s important that my home reflects my tastes and experiences. The objects that populate our days aren’t just “things”. They are present in our daily rituals, they are travel companions. Consequently, they deserve to be acknowledged and carefully chosen.

I’m especially partial to old objects — everything about them both captivates and transports me.  Amongst all the vintage and antique wares that are still circulating in markets and second-hand shops, there are three categories that I simply can’t resist: books, linens and crockery. I also like furniture, but you can’t buy a piece of furniture as lightheartedly as you’d pick up a book, a plate or a tablecloth. Old objects aren’t anonymous. They are part of a cycle: past, present, future. Today they may belong to you, but they’ve been owned by someone else and (provided that they don’t break down) they’ll most likely inhabit the life of someone else in the future. They tell us stories of who made them and who bought them. Through them we can glimpse at the tastes of a particular time and even at the aspirations of the people of a certain country.

Anyway, back to my lovely old crockery: not every piece of old china must to be revered and put away safely behind glass doors. These pieces I like to buy have been made for daily use and that’s exactly how I treat them. I try to be careful, of course, and I do my best to teach my children to treat these things delicately, but I’d rather put them to use — even with the risk of losing some — than tuck them away “for best”.

Is drinking coffee in a plastic cup the same as drinking it in an old china cup? I don’t think so. I believe that the vessel you use has the potential to either enhance or diminish the pleasure you take from that cup of coffee.

I know I’ve written this time and time again, but I feel strongly that if we only surround ourselves with things that delight our senses, our everyday life can be so much nicer. By choosing carefully the objects in your home, the things that used to be mundane can be transformed into something personalised and rather special. We only live once, right? Then every moment counts! That morning coffee deserves to be drunk from a cup that truly makes your heart sing.

Pudim Flan :: Portuguese Caramel Flan

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Pudim flan é uma daquelas sobremesas que imediatamente me fazem recordar a infância. Digamos que, em conjunto com o bolo de natas, a mousse de chocolate com bocadinhos de amêndoa por cima (numa taça específica) e a torta de laranja, funciona como uma espécie de madalena de Proust para mim. Uma garfada e sinto-me de volta aos intermináveis dias de Verão na companhia da minha querida avó.

Há uns anos a minha mãe passou-me a receita do pudim que ela faz: uma versão mais simplificada do pudim da minha avó, mas igualmente saborosa. Ontem finalmente experimentei a receita e fiquei espantada com duas coisas: 1- é incrivelmente fácil, rápido e infalível; 2- é capaz de ainda ser melhor do que o pudim da minha infância!

Algumas notas:

  • Este pudim é cozido na panela de pressão. Imagino que também possa ser cozido no forno ou até em banho-maria ao lume mas, nesses casos, o tempo de cozedura será mais prolongado.
  • Uso uma forma de pudim tradicional portuguesa com tampa. A minha forma tem 1,5 l de capacidade e é ideal para 6-8 ovos. Pode usar-se uma forma maior ou mais pequena (e adaptar o número de ovos em conformidade) ou até aquelas forminhas individuais para pudins (a minha avó às vezes fazia-nos pudins assim quando éramos pequenos).
  • Esta receita é parecida com a receita de pão-de-ló, no sentido em que funciona com base em proporções (o mesmo peso dos ovos em açúcar, etc). Estas receitas são as minhas preferidas porque são absolutamente infalíveis e podem ser adaptadas sem quaisquer dificuldades. Não interessa se os ovos são grandes ou pequenos, o que importa é o peso total. Eu uso ovos caseiros (compro-os a uma amiga) e são todos de tamanhos diferentes!
  • O pudim deve ser feito de véspera (ou com bastantes horas de antecedência), para que possa ser servido bem fresco.
  • Convém usar um prato fundo para desenformar o pudim. A calda é melhor parte e precisa de espaço! Por coincidência, na semana passada encontrei, numa loja de caridade, um prato inglês igual ao serviço de jantar dos meus trisavós (os avós da minha avó). Claro que tive de usá-lo para servir este pudim… foi uma espécie de homenagem inesperada!

 

Vamos então à receita:

Pudim Flan

para o caramelo:

aproximadamente meia chávena de açúcar (o suficiente para cobrir generosamente o fundo da forma)

um pouco de água

para o pudim:

1 medida de ovos (eu pesei 6 ovos inteiros, ainda com casca)

1 medida de açúcar (o mesmo peso dos ovos)

1,5 medidas de leite gordo (1,5 x o peso dos ovos)

raspa de 1 laranja / raspa de 1 limão / 1 vagem de baunilha (eu usei raspa de laranja)

 

Começar por fazer o caramelo: deitar o açúcar e umas gotas de água para o fundo da forma de pudim e pô-la ao lume. O açúcar vai derreter e depois vai começar a caramelizar. É importante retirar a forma do lume um pouco antes de o caramelo estar no ponto (antes de atingir a cor de caramelo), porque a forma continua quente e o açúcar vai continuar a caramelizar, mesmo depois de retirado do fogão. Espalhar o caramelo pelos lados da forma.

Numa taça, bater os ovos com o açúcar. Não é preciso bater muito tempo, basta que fiquem bem misturados.

Adicionar o leite e a raspa de laranja / raspa de limão /sementes da vagem de baunilha e bater.

Deitar o preparado na forma de pudim e tapá-la (se a forma não tiver tampa, pode usar-se um bocado de papel de prata).

Colocar a forma de pudim dentro da panela de pressão e adicionar água até cerca de 2/3 da altura da forma. Tapar a panela, pô-la ao lume e deixar cozer o pudim durante 10 minutos, a contar a partir do momento em que a panela levanta pressão. Abrir a panela depois de despressurizada e retirar a forma.

Deixar arrefecer o pudim na forma. Para desenformar, passar primeiro com a ponta de uma faca a toda a volta, na parte de cima da forma, para descolar o pudim. Pôr um prato fundo por cima da forma e virá-los ao contrário, e colocar no frigorífico ainda com a forma em cima do pudim, para que o caramelo vá escorrendo. Retirar a forma mesmo antes de servir o pudim.

A caramel flan is one of those desserts that reminds me of my childhood. I’d say that, along with sponge cream cake, chocolate mousse with chopped almonds on top (served in a very specific bowl) and orange roulade, it’s a kind of Proust’s madeleine for me. One bite and I’m immediately transported to long summer days in the company of my darling grandmother.

Some years ago, my mother gave me the recipe of the flan she makes: it’s a simplified version of my granny’s one but equally delicious. Yesterday I finally gave it a try and I must say I was amazed by a couple of things: 1- it’s incredibly easy, quick and foolproof; 2-I’d go so far as to say that it tastes better than the ones from my childhood!

A few notes before I share the recipe with you: 

  • You cook this in the pressure cooker. I imagine you could also bake it in the oven or in a bain-marie on the stovetop, but the cooking time would be much longer in those cases.
  • I use a traditional Portuguese flan tin with a lid. My tin has 1,5 l of capacity and is ideal for 6-8 eggs. You could of course use a smaller or larger tin (and adapt the number of eggs in conformity to the size of the tin) or even those cute little vintage flan tins (my granny would sometimes use those when we were little).
  • This recipe is similar to the recipe for pão-de-ló (Portuguese sponge cake in the way that it’s also based on proportions (the weight of the eggs determines the weight of the other ingredients). I love these recipes because they are both foolproof and highly adaptable. It doesn’t matter whether your eggs are big or small — what matters is their weight in total. I buy my eggs from a friend and, unlike supermarket eggs, they come in all sorts of different sizes, so this recipe works a treat. 
  • You should probably make this flan the day before you eat it because it must be served chilled. Or make it in the morning and serve it at dinner time.
  • It’s best to use a deep dish to serve up the flan. The caramel is the best part and it needs lots of room! By coincidence, in a charity shop last week I found an English plate that matches my great-great-grandparents dinner set (my granny’s grandparents). Of course I had to use it with this flan… by doing so ended up paying an impromptu homage to my grandmother.

 

All right, let’s get to the recipe:

Portuguese Caramel Flan

for the caramel:

roughly half a cup of sugar (enough to generously cover the bottom of your tin)

a little bit of water

for the flan:

1 measure of eggs (I weighed 6 eggs still in their shells)

1 measure of sugar (the same weight as the eggs)

1,5 measures of whole milk (1,5 x the weight of the eggs)

the zest of 1 orange / the zest of 1 lemon / the seeds from 1 vanilla pod (I used orange zest)

 

Start by making the caramel: pour the sugar and a few drops of water into the flan tin and place it directly on the stovetop (the tin I use is actually made of tin… if yours is of a different material, just make the caramel in a pan and then pour it into your flan tin). The sugar will melt and then start to caramelize. You should take the tin out of the heat a little before the caramel is done (before it actually looks like brown caramel) because the tin will still be hot and the sugar will keep on cooking for a bit. Coat the sides of the tin with caramel.

In a bowl, beat the eggs and the sugar. You don’t have to beat them for too long… just enough to fully incorporate everything. 

Add the milk and the orange zest /lemon zest /vanilla seeds and whisk. 

Pour the mixture into the flan tin and put the lid on (or cover it with a piece of kitchen foil). 

Place the tin inside your pressure cooker and add water until you reach 2/3 of the height of the tin. Close the pressure cooker lid, place it on the stovetop and let it cook for 10 minutes at high pressure (only start counting after you’ve hear the loud pressure noise). Open the lid after the cooker has depressurized and take the tin out.

Remove the lid from the tin. Once the flan has cooled down, use the point of a knife to gently unstick it from the tin. Place a deep plate over the tin and turn them upside down. Don’t take the tin out just yet — put the plate in the fridge and let the caramel slowly coat the whole flan. Only take the tin out when you’re ready to serve the flan. 

Bordados neozelandeses :: NZ vintage embroidered linens

No meu último vídeo (uma caixa de costura antiga) falei-vos no livro “Thrift to Fantasy”, da autora Rosemary McLeod, que versa sobre os lavores femininos neozelandeses das décadas de 1930-40-50. Pois bem, hoje mostro-vos uma colecção de panos neozelandeses dessa mesma altura, que tive a sorte de conseguir comprar numa loja de caridade recentemente.

Como sabem, sou absolutamente apaixonada por têxteis antigos e sei que não sou a única a perder a cabeça com este tipo de coisas. Espero que achem graça a este vídeo!

Dois desafios para vocês:

  • Partilhem, aqui na caixa de comentários, as maneiras como tratam dos vossos panos antigos: truques para tirar nódoas de ferrugem e manchas de humidade, como os guardam, se os põem a uso…
  • Mostrem-nos as vossas colecções! Se tiverem conta no Instagram, usem o hashtag #myvintagelinens. Mal posso esperar para ver o que está guardado nos vossos armários e cómodas! Se preferirem, enviem-me um email com algumas fotografias (ou convidem-me para vê-los ao vivo na próxima vez que eu estiver em Portugal!).

I’ve been filming videos in Portuguese and I’m wondering whether non-Portuguese speakers would be interested in subtitles. Do let me know your thoughts on this matter.

This video is all about by my latest textile finds at a local op shop (charity shop/thrift store). I was lucky enough to be invited into the staff room and I spent a blissful half-hour rummaging through boxes full of old doilies, tray cloths and tablecloths and chatting with a handful of lovely ladies. It was exactly what my dreams are made of! 

Today I’ve got two challenges for you:

  • In the comment section below, tell us about how you care for your vintage linens. Any tricks for getting rid of old stains like rust and mildew? How do you store them? Do you actually use them?
  • Share your collection with us! If you’re on Instagram, tag your photos with the #myvintagelinens hashtag. Or, if you prefer, send me an email with some pictures (or invite me into your home so I can see them with my own eyes!).

A day in the life

[scroll down for English]

Tenho este post parado na pasta dos rascunhos há já umas semanas (acabei de reparar que já lhe fiz 25 revisões… ui!). Estas fotografias mostram um bom dia de Inverno passado, cá em casa, na companhia do Rodrigo. Mas não é, nem por sombras, um dia típico — normalmente ele está na escola e eu estou em casa a fazer aquilo que tem de ser feito para termos uma existência minimamente confortável, assim como algum trabalho criativo (que costumo priorizar em detrimento de uma casa arrumada ou de ler e responder a emails).

Nas versões anteriores que escrevi foram aparecendo alusões a assuntos mais pesados e sombrios. Ser mãe neste isolamento não tem sido fácil para mim — já aludi a isso uma ou outra vez — e já me aconteceu sentir-me algo defraudada em relação àquilo com que, de forma insconsciente, contava quando fiquei grávida pela primeira vez. Dou por mim a escrever sobre gestão de expectativas, depressão pós-parto, solidão… e depois acabo sempre por apagar tudo o que escrevi.

Talvez tenha a ver com a maneira como fui criada, ou com as minhas circunstâncias sociais e culturais, mas tenho uma enorme dificuldade em falar sobre estes assuntos num espaço tão público. É curioso, porque até me considero uma pessoa relativamente aberta — pelo menos até um certo ponto — e não teria tantos pruridos em discutir estes assuntos numa conversa de viva voz. É capaz de ser este formato de blog que complica as coisas — o facto de vocês só verem as palavras que escolho pôr por escrito, sem que sejam acompanhadas de expressões faciais ou linguagem corporal. Eu escrevo um post, vocês deixam um comentário (ou não)… mas não há aquele diálogo natural entre pessoas que se encontram face a face.

Onde é que eu quero chegar com isto? Bem… continuo a não conseguir saber lidar muito bem com aqueles posts em que conto apenas uma parte da história. Ao mostrar imagens fora de contexto, arrisco-me a ser superficial e não totalmente verdadeira. Sim, é óptimo focarmo-nos nas partes positivas das nossas vidas (e eu tenho a sorte de estar rodeada de amor e saúde), mas o facto de simplesmente apagar as partes difíceis não me parece que seja especialmente útil a quem leia este blog e esteja a passar por uma situação semelhante à minha.

Enfim, acho que vou ficar por aqui. Gosto de ter voltado ao blog, mas continuo um bocado à deriva em relação a conseguir encontrar o meu equilíbrio: aquele ponto ideal entre um blog que não é confessional, mas que também não é apenas um “show and tell”. Obrigada por me continuarem a acompanhar nesta viagem de descoberta e partilha.

I’ve had this post sitting on my drafts folder for a few weeks now (I’ve just counted 25 revisions… yikes!). This is what a good winter’s day with Rodrigo looks like when he’s at home with me. It’s the ideal day, so to speak. It’s not our everyday, thought — he’s usually at preschool and I’m at home doing housework and sometimes a bit of creative work too (which I always tend to prioritise in detriment of a tidy home and an inbox under control).

In previous versions of this post, deeper, darker subjects have crept up. I don’t find motherhood in isolation easy (I’ve hinted at it a couple of times in the past few years). Sometimes I feel that this isn’t what I signed up for — the isolation bit, not motherhood itself — and I write about managing expectations, coping with postnatal depression, isolation…. and then I delete it all.

It might have to do with my particular upbringing and my social and cultural circumstances, this whole difficulty in discussing certain matters in such a public space. It’s funny because I’m quite an open person — up to a point, I guess — and I’d have no problems discussing these issues with most of you in a conversation in real life. Perhaps it’s just this blogging format that doesn’t feel very conducive to this kind of conversation — the fact that you can only see my written words, without my facial expressions and body language going along with them. Or maybe it’s just the way blogging works:  I publish a post, you might leave a comment, but there’s no easy way of getting that natural back and forth that you get when you’re talking face to face with another person.

So  where am I getting at? I guess it’s just the fact that I struggle with telling you only one part of the story. Showing images and not providing a context can sometimes feel superficial and untrue. Yes, focussing on the positives is great (and I am so lucky to be surrounded with love and good health) but simply wiping out the difficult parts might not be particularly helpful to someone who might be reading this blog and going through a situation similar to my own.

Well, I guess that’s it for today. I’m glad I’ve resumed blogging but I’m still struggling to find my balance: that ideal place between a blog that’s not confessional but which also isn’t just a show and tell. Thank you for coming along with me in this journey of self-discovery and sharing.

 

 

 

Uma caixa de costura antiga :: An old sewing box

Numa das minhas frequentes incursões por armazéns de velharias encontrei uma caixa de costura antiga. À primeira vista não parecia nada promissora, mas felizmente observei-a com mais atenção e deparei-me com uma série de objectos muito curiosos. Fiz um pequeno vídeo para vos mostrar o que lá descobri — espero que achem graça!

As you know, I’m a keen second-hand shopper. In one of my recent trips I found an old sewing box — in fact, it was no more than a plastic cutlery tray wrapped in dusty plastic. However, upon further inspection I realised that it held several interesting sewing objects and decided to bring it home with me. I filmed a short video (in Portuguese only, sorry!) unveiling my findings.

A caixa incluía os suspeitos do costume: agulhas e alfinetes, molas e colchetes, todos eles com embalagens bastante cativantes. Também lá encontrei coisas que se tornaram obsoletas com o correr dos tempos: fios de seda para passajar meias de senhora, por exemplo. Mas aquilo que me fez comprar a caixa de costura foi a profusão de rendas, fitas e aplicações, tão difíceis de encontrar aqui na Nova Zelândia.

The sewing box included the usual suspects, like needles, pins, snaps, hooks and eyes… all of them in appealing vintage packaging. I also found things that are no longer used, like silk thread to mend ladies’ stockings. But what made me buy the lot was the trimmings: bits of cotton lace, guipure and velvet trims, all quite hard to find here in New Zealand.

No vídeo pergunto-me para que serviriam aquelas duas caixas circulares com agulheiros — pois bem, o Tiago descobriu imediatamente o seu intuito. Os agulheiros encaixam o interior das tampas e as caixas transformam-se em cogumelos para remendar meias!

Halfway through the video I wonder what those two plastic boxes were for — well, Tiago played with them and found out that they can be turned into darning mushrooms!

A boneca Amélia teve direito a participação especial, assim como o livro Thrift to Fantasy, da autora Rosemary McLeod.

Amelia the doll made a special appearance in the video, as well as the bookThrift to Fantasy by Rosemary McLeod.