Early to bed and early to rise…

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Hoje de madrugada partilhei no Instagram e no Facebook esta fotografia do nascer do sol visto da porta da minha cozinha. Foi uma partilha espontânea: não editei a imagem e escrevi simplesmente que, de há uns tempos para cá, comecei a deitar-me cada vez mais cedo e, consequentemente, passei a acordar por volta das 6h-6.30h sem esforço e sem despertador.

A reacção de quem me segue naqueles canais foi imediata e tão pessoal que fiquei a pensar que se calhar deveria escrever um post mais detalhado sobre este assunto.

Durante os meus 20s eu era uma pessoa de me deitar tarde. Lembro-me de que, quando tive a primeira experiência de viver sozinha (durante o Erasmus em Paris), me deitava frequentemente às 2h-3h da manhã. Mais tarde, de volta a casa do meu pai, o normal era ir para a cama à meia-noite. Quando me casei alterei um pouco este hábito, porque o Tiago começava (e ainda começa) a trabalhar às 8h da manhã e gostava de se deitar por volta das 10h da noite. Mas eu continuava com imensa preguiça de ir para a cama.

Já estão a adivinhar o que se seguiu… pois, tive dois bebés e eles alteraram completamente os nossos horários. Passámos a seguir o regime britânico (e neozelandês) de deitar as crianças às 7h-7h30 da tarde (cá já lhe chamam noite… é curioso como a percepção das horas muda em função do países). Eles normalmente acordam por volta das 7h da manhã, idealmente depois de terem dormido 12h. Jantamos todos cedo (lá para as 6h30), eles vão para a cama e nós podemos gozar o serão com calma (há que dizer que todo este cenário idílico nem sempre se verifica).

Claro que estes horários são mais fáceis em países cujas sociedades estão organizadas no sentido de as pessoas começarem a trabalhar cedo e voltarem para casa cedo (o Tiago normalmente chega a casa entre as 5h30 e as 6h da tarde). Mas digo-vos que jantar antes das 8h tem sido uma revelação para mim. Os meus problemas de digestão melhoraram, por exemplo!

Tanta conversa para voltar ao assunto de deitar cedo e cedo erguer. Eu preciso de dormir 8-9h por noite. Se durmo menos, o dia não me rende nada. Por outro lado, sou uma pessoa bastante introvertida e preciso de momentos tranquilos antes de a confusão do dia começar. Descobri que acordar cedo e tomar o pequeno-almoço sozinha, ouvir os passarinhos e ler um bocado me traz imensa serenidade e torna o meu dia melhor. Mas, para isso, tenho mesmo de me impôr a disciplina de deitar-me cedo, idealmente por volta das 9h da noite. E acreditem que todas as noites tenho de vencer a resistência de ir para a cama…

Sei que este não é um assunto incrivelmente excitante, mas acho que é importante conversarmos sobre isto. Vivemos numa sociedade de pessoas extraordinariamente estimuladas e cansadas. O simples facto de dormirmos o suficiente pode aumentar radicalmente a nossa qualidade de vida. E é uma terapia que não custa dinheiro nenhum!

Como em tudo, não é preciso ser fundamentalista. Há noites especiais, e é saudável que elas continuem a existir. Mas, a meu ver, devem constituir a excepção e não a regra. A verdade é que, no dia-a-dia, muitas vezes esticamos a noite sem que ganhemos nada com isso. Mais um episódio – mais um capítulo – mais uma notícia…

Se esta ideia de encarar o sono como prioridade vos intriga mas acham que não é para vocês, assistam a esta curta palestra. Se continuarem cépticos, leiam o livro The Sleep Revolution.

E se não quiserem saber de palestras nem de livros nem de estudos científicos, ouçam simplesmente a sábia voz do povo:

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.

***

Earlier today I shared on  Instagram and  Facebook this photo of the sunrise viewed from my kitchen door. It was a spontaneous share: I didn’t edit the image and I simply wrote that recently I’ve started to go to bed earlier and, consequently, have started to wake up around 6-6.30am with no alarm and no effort on my part.

People’s reactions were so immediate and personal and this got me thinking that maybe I should address this topic on a more detailed blog post.

All through my 20s I was a bit of an owl. I remember that when I first lived all by myself (during Erasmus in Paris) I used to go to bed at 2-3am. Later, when I came back to my dad’s home, I shifted to midnight. When I got married I altered my habits again because Tiago used to (and still does) start work at 8am (in Portugal that’s considered an early start), so he went to bed at around 10pm. But I still felt a strong reluctance to go to bed at that time.

I’m sure you’re guessing what comes next… yes, I had two babies and they completely shifted our schedule. We started following the British (and Kiwi) regime of putting children to bed at 7-7.30pm (this still is an absolute shocker to my Portuguese friends and family). They’ll usually wake up around 7am, ideally after having slept 12 hours. We’ll all have dinner early (around 6.30), then the kids will go to bed and Tiago and I will get to spend a quiet evening together (of course there are those days when things don’t go as planned).

It goes without saying that this schedule is much easier in societies where people start and leave work early (Tiago will typically arrive home at 5.30-6pm). I must say that having dinner before 8pm has been a revelation for me. If nothing else, my indigestion issues are much better!

All this rambling to get to the point of early to bed and early to rise. I need to sleep 8-9h a night. When I sleep less, my day will be challenging. On the other hand, I’m quite the introvert and I need some tranquility before the day starts. I’ve discovered that if I wake up early, have breakfast alone, listen to the birds and read for a while, I’m more serene and my day is much better. But, in order to do that, I must have the self-discipline of going to bed at around 9pm. Believe me, each night I’ve got to force myself to do it…

I know this isn’t the most exciting of topics but I think it’s a really important one. We live in a society of people who are incredibly stimulated and exhausted. The simple fact of getting enough sleep can radically increase our quality of life. And this therapy is free!

As always, there’s no need to become fundamentalist about it. There are special occasions and it’s healthy that they keep on existing. But I think they should be the exception, not the norm. So often we postpone our bedtime for no good reason. Just another episode — another chapter — another piece of news…

If this idea of making sleep a priority intrigues you but you believe it’s not for you, check out this short talk. If you still feel sceptical, I suggest you read the book The Sleep Revolution.

And if you don’t care about talks or books or scientific studies, just listen to the wise proverb:

Early to bed and early to rise makes a man healthy, wealthy and wise.

13 thoughts on “Early to bed and early to rise…

  1. marmitalisboeta says:

    É um tema muito importante, a nossa sociedade subestima a importância do sono. Também preciso de 8h a 9h de sono diárias e nem sempre é fácil, mas é mesmo verdade que os hábitos se podem educar e adaptar. Gostei muito do post.

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  2. By deva says:

    O sono é muito importante. Nós, tal como vós, também jantamos por volta das 18:30. O meu marido entra às 8:00 e o T. sai com o pai por volta das 7/ 7:15 de casa, por isso também acordamos por volta das 6:00. O T. deita-se às 20:30. Esta é a rotina em período de aulas, agora com a aproximação das férias as coisas já alteram um pouco.

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  3. joana david says:

    também percebi, principalmente depois de ter filhos, que esta dinâmica de deitar cedo e cedo erguer funciona muito bem para mim.
    gosto do silêncio, de ver a primeira luz do dia, de ver a cidade a acordar, de tomar o pequeno-almoço sossegada (a minha refeição preferida)… depois eles acordam e é tudo mais exigente e mais barulhento.
    quanto mais cedo jantarmos, melhor corre a hora de ir para cama e toda essa rotina é mais fácil. e eu assim também consigo ir para a cama mais cedo, aliás, o que tento fazer é ir para a cama logo a seguir a eles.
    e, lá está, se acordarem às 7h da manhã já não nos custa, estamos descansados o suficiente.

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  4. Nina de Oliveira says:

    Gostei muito do post. Eu, particularmente, gosto de ficar acordada até tarde, porque gosto do silêncio da casa após todos se recolherem, mas também gosto muito de estar acordada cedo. Esta é uma equação difícil de resolver. Mas quando eu me deito mais cedo e durmo as 8 horas que preciso, me sinto muito melhor. O problema é que tenho que sair para trabalhar, então meu tempo livre para fazer meus artesanatos, fica muito reduzido.

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  5. sara (kanpaikanpai) says:

    Ah eu acho bastante “excitante” o tema. Boas rotinas de sono sao essenciais para se estar bem e saudavel. Sem duvida que quando me deito mais cedo, as coisas correm bem melhor no dia seguinte. Ja’ conseguir e’ diferente. Ainda agora sao 23 e eu praqui no computador! ai ai ai!

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  6. Adriana Milagres de Oliveira says:

    Olá Concha , amo seus textos e confesso que estava com saudades de ler , concordo com você quando meus filhos eram pequenos dormíamos cedo por volta das 20:00 hs e acordavam bem cedo 5:30 ou 6:00 no máximo , agora que cresceram dormem tarde e eu sou uma mãe que não consigo dormir com eles acordados kkkkk , amei suas palavra e são verdadeiras dormir cedo nos traz saúde , bjs da amiga aqui do Brasil .

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  7. Maria João Machado says:

    Também preciso de dormir, não sei quantas horas porque desde que o sono seja eficaz tanto podem ser 8 como 6. Mas sempre fui pessoa de me deitar tarde, sempre perto ou logo a seguir à meia-noite. Com a mudança de empresa, passei a entrar às 8,20 da manhã, numa empresa a 40kms de casa, o que significa sair de casa para o primeiro transporte às 6H30. Levanto-me às 5H30 (tenho dois cães que devem ir à rua, antes de eu sair de casa para trabalhar), janto por volta das 20h quando o marido vem jantar e tento (tento mesmo), estar deitada antes das 23h (às 22h vou com os cães à rua), às vezes consigo, outras não, mas assustou-me mais, a ideia de levantar às 5H30 antes de o fazer. Agora a coisa vai com calma!

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  8. Vanessa says:

    Também concordo com o “deitar cedo e cedo erguer”, se bem que os conceitos de horas devem variar bastante…
    Por exemplo, para mim a hora ideal de deitar é às 23H. Também normalmente preciso de 8h de sono para me sentir bem, por isso o objetivo é geralmente alcançado. E trabalhando a tempo inteiro e com uma criança pequena, realmente há certas coisas que só consigo fazer no sossego da noite.

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  9. LP says:

    Constança, importa-se de partilhar como é que é a realidade de uma criança na NZ? Quanto à escola/ educação, atividades extra-curriculares, etc.. Porque acho que a questão do sono – principalmente quando somos pais – prende-se muito com as rotinas das crianças/ filhos. Aí também há a cultura de que a criança tem que, além da escola, ir à natação, ballet, futebol, judo, ténis, catequese, uma segunda língua… e sabe-se mais lá o quê?! Há tempo para para o brincar livre? E podem, tranquilamente, sujar-se a brincar?
    Eu noto tantas diferenças nas rotinas familares, entre mim e os meus irmãos (um nos EUA e outra na Alemanha), que esta diversidade cultural em relação à educação cada vez me apaixona mais!
    Obrigada.
    LP

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  10. harumi says:

    Olá.
    Não achei este assunto sem importância. Adorei saber como você passou a organizar sua rotina de sono e me foi muito instrutor!
    Obrigada por compartilhar! (^_^)

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  11. Teresa says:

    Obrigada por este pertinente post. Está é a “revolução” que pretendo introduzir na minha vida. Quando consigo, vivo dias melhores, mais úteis e felizes. Bjs, Teresa

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  12. Catherine says:

    Também sou daquelas pessoas que precisa de 8h, muitos dias sem isso começo a ficar rabugenta e muito pouco produtiva! No entanto, tenho 25 anos e sempre que comento com alguém que me deito tão cedo (para dormir 8h) pensam que sou doida 🙂 E vejo principalmente porque sendo nova, devia “aproveitar” mais mas se depois durmo pouco fico mal disposta e aí é que não aproveito nada! Por isso têm de existir as 8 horinhas 🙂

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