Retro Party Food

No fim-de-semana passado fui convidada para uma festa de anos retro. A aniversante adora tudo o que é vintage (é grande frequentadora de lojas de caridade e tem um olho incrível para descobrir aquilo que ninguém vê à partida). Cada convidado foi desafiado a trazer consigo uns quantos pratos de comida retro – o tema era anos 70-80. Eu achei a ideia bem gira e lembrei-me logo da minha colecção de livros e panfletos antigos de receitas — aqueles do fermento Royal, margarinas Chefe e Vaqueiro, conservas de peixe de Portugal… estão a ver o género. Os meus livros são sobretudo dos anos 50 e 60 (tenho dois dos anos 20 cujas ilustrações hei-de mostrar-vos um dia), mas isso não me deteve. Mais vinte anos, menos vinte anos…

Devo dizer-vos que as receitas deste tipo de panfletos me fascinam e horrorizam em partes iguais. Por um lado, acho graça à apresentação, às ilustrações e fotografias, mas por outro fico em choque com os quilos de margarina e maionese com que estes acepipes eram confeccionados. Os doces eram quase todos feitos com gelatina e pudins instantâneos… bah! Mas eu adoro desafios deste género e diverti-me bastante com este. Querem saber o que fiz?

This past weekend I was invited to a retro birthday party. The birthday lady loves all things vintage (she’s a keen second-hand shopper and she’s got an eagle eye to spot things that no-one else can see). Each guest was required to bring along a few retro dishes — the theme was 70s-80s. This was such a cool idea! I immediately  thought of my collection of vintage cookery booklets — you know, the ones that were issued by manufacturers of baking powder, margarine, tinned fish… My booklets are mainly from the 50s and 60s (and I do have a couple from the 20s — I must share those illustrations with you some day) but I wasn’t too bothered by that small detail. What’s a mere twenty years in the great scheme of retro cooking?

I must say the recipes in these pamphlets both fascinate and horrify me in equal parts. On the one hand, I love the presentation, the photos and the illustrations; on the other, though, I’m shocked by the kilos of margarine and mayonnaise that were used in order to make this kind of food. The puddings were mostly made with jelly (jello) and instant custard… bah! But I do love a challenge and had heaps of fun with this one. Shall I tell you what I made?

Comecei por tentar fazer esta belíssima sobremesa de gelatina e pudim instantâneo de baunilha. Até tinha a forma perfeita para ela! Infelizmente a experiência correu mal (o pudim não era suficientemente consistente e não colou à gelatina) e o doce acabou por ir pelo cano abaixo. Que pena! Eu não planeava comê-lo, mas acho que teria feito um vistaço em cima da mesa.

I started by trying to make this eye-catching concoction of jelly and vanilla instant custard. I even own the perfect mould for it! Unfortunately things didn’t turn out well (the custard didn’t have the right consistency and it didn’t attach itself properly to the jelly) and the pudding ended up down the sink. What a shame! I had no plans of eating it but I was sure it would make a stunning addition to the dinner table.

Dirigi então a minha atenção para os acepipes. Depois ter estudado as fotografias com afinco, reparei em alguns elementos constantes: azeitonas recheadas, pimentos assados, anchovas, atum e sardinhas em conserva, maionese e ovos cozidos. Havia também muitas referências a margarina, mas decidi ignorá-las por completo.

I then focused on making some savouries. After studying the pictures in the booklets, I realised there were some common elements to them: stuffed olives, roasted peppers, anchovies, tinned tuna, tinned sardines, mayonnaise and boiled eggs. There were also numerous references to margarine but I decided to ignore them completely. 

Comecei por fazer estes ovos-cogumelos, que me pareceram irresistivelmente kitsch (e até bastante saudáveis!). Confesso que não segui as instruções à letra — limitei-me a fazer as cabeças dos cogumelos com tomates e, claro, não resisti a enfeitar a travessa com bastante salsa.

First I made these toadstool eggs. I think there are irresistibly kitsch and actually quite good for you. I confess I didn’t follow the instructions to the letter — I just added the tomato tops and, of course, I decorated the platter with lots of parsley.

Finalmente, guarneci umas bolachas cream crackers (um clássico!) com pasta de atum, queijo flamengo, azeitonas recheadas, pimentos assados e anchovas. E, mais uma vez, usei salsa para enfeitar os pratos (o que vale é que a salsa cresce vigorosamente no nosso jardim).

Finally, I garnished some cream crackers (a classic!) with tuna paste, edam cheese, stuffed olives, roasted peppers and anchovies. Again, I decorated the plates with parsley (thankfully parsley grows vigorously in our garden).

Foi um jantar bem giro! A anfitriã recebeu-nos vestida com um kaftan incrível e havia cocktail de camarão, tâmaras enroladas em bacon, vol-au-vents, ovos cozidos recheados com caril… Estou agora a pensar que poderia ter feito uma bavaroise de ananás — os meus pais davam imensos jantares quando eu era pequena e lembro-me de havia sempre uma bavaroise de qualquer coisa!

Digam-me, o que teriam feito para um jantar assim?

The dinner party was really enjoyable! The hostess was wearing an amazing kaftan and on the table there was shrimp cocktail, dates wrapped in bacon, vol-au-vents, stuffed curried eggs… Now I’m thinking that I should have made a pineapple bavarois. My parents threw lots of dinner parties when I was growing up and there was always some kind of bavarois for dessert!

Tell me, what would you have taken to a retro party?

24 thoughts on “Retro Party Food

  1. Adelaide Sequeira Lopes says:

    Constança esteve na época !!!!! Ainda faço muitas vezes os ovos recheados com muita salsa ,elimino a manteiga só deito um pouco muito pouco de maionese para ligar e por vezes acrescento pedacinhos de fiambre , todos gostam e os miúdos adoram 🙂

    Like

  2. Marta says:

    Querida Constança:
    Há imenso tempo que não faço comentários por aqui… sou a Marta, a quem a Constança fez um lenço (cherry blossom) e uma tote bag em tecido escocês que tem sido um sucesso por onde quer que a leve… lembra-se?
    De vez em quando espreito aqui para saber o que tem feito e já tanta coisa se passou …! E parabéns pelo livro. Vi-o na fnac este verão e fiquei muito feliz por si. Está lindíssimo…
    Como o blogue esteve parado imenso tempo, só há um ou dois meses voltei a lê-lo regularmente. Não tenho instagram nem twitter, por isso vou sabendo de si por aqui.

    Mas hoje não resisti a deixar umas linhas: quando eu fiz 7 ou 8 anos, ofereceram-me O Meu Primeiro Livro de Cozinha, da Verbo. Guardo-o até hoje e é lá que vou buscar a receita de bolo mármore e de uma sobremesa gelada de morango que nunca me deixa ficar mal. Lembro-me de um Natal em que a minha mãe fez o tronco de chocolate, de uma manhã em que deixei a cozinha em estado de sítio a tentar fazer uns ovos recheados com atum e tomate…. foi por ali que o meu gosto pela cozinha começou… O livro é todo anos 70! As suas fotografias remeteram-me imediatamente para ele…
    Também tenho O Meu Primeiro Livro de Lavores, mas esse foi bem menos usado.
    Gosto imenso de livros de receitas antigos, mas este é de longe o meu preferido! Há alguns que ainda uso, mas com conta, peso e medida nas gorduras e açúcares, que às vezes são um exagero.
    Um beijinho muito grande de Leça, do outro lado do mundo,
    Marta

    Like

  3. Bela Dina says:

    Não sei o que faria… Mas a primeira lembrança que me veio à cabeça (de quando era miúda) foram os doces 3 sabores que se faziam com os pudins Boca Doce. 🙂 Não que eu seja fã (antes pelo contrário) mas visualmente são bem vintage. 🙂

    Like

  4. Ana Sofia says:

    Ficou maravilhoso!
    Uma verdadeira viagem a passado – apesar de também eu não ser grande fã dos anos 70 😉
    Pessoalmente, recordo a gelatina (de laranja ou morango) servida nas próprias cascas do fruto. Lembro-me de haver em quase todas as festas de aniversário. Adorava!!

    Like

  5. Helena says:

    Olá. Eu também não sei o que faria mas lembro-me que nas festas de anos da minha infância havia sempre pudim molotof e mousse de chocolate e quando íamos a casa da minha avó havia sempre salame de chocolate. Mas a verdade é que a minha mãe continua a fazer estes doces, hoje em dia.
    Aproveitando este comentário gostava de dizer também que segui a sugestão do Podcast Happier e estou viciada. Todas as manhãs, quando faço a minha caminhada matinal oiço 2 episódios. É verdade que dá que pensar sobre a nossa personalidade e a de quem nos é mais próximo. Estou a adorar. Muito obrigada pela sugestão.

    Helena

    Like

  6. Sonia King says:

    Ola Constanca! Acho que teria levado o Bolo invertido de Ananás, caramelizado no topo com cerejas daquelas mesmo ‘artificialecas’ de frasco no centro dos ananases. Havia sempre este bolo nos nossos aniversarios 🙂

    Like

  7. Francine says:

    Easy! A recipe from my grand-mother, her famous “mousse au saumon” qu’on tartine sur des biscuits Ritz. My mother used to make it too, It’s a classic recipe from these years, with gelatine to be placed in a mould to have a special shape. Un beau souvenir from my childhood!

    Like

  8. Alaine Coelho says:

    Olá Constança.
    Teus pratos ficaram lindos. Imagino que saborosos também.
    Ao pensar em anos 70, vêm-me à mente exatamente os canapés. Outra coisa que não faltavam em festas da época eram os palitinhos (de dente, como são conhecidos no BR) aperitivos montados com alguns destes ingredientes: quadradinhos de queijo ou presunto, azeitona, mini cebolas em conserva, pickles de cenoura ou nabo… A apresentação era interessante… Eram espetados num abacaxi ou repolho. Era fascinante para a criançada, pela aparência. Sempre havia ponche de frutas, cuscuz paulista, pizza de sardinha e um sanduíche de “carne louca”(carne bovina cozida, desfiada, bem temperada e com molho, servida no pãozinho francês). Não posso esquecer da batatinha à vinagrete. O clássico dos clássicos!
    Estou amando os comentários deste Post 😊
    Bjinhos pra você e teus fofinhos.
    Lan Succi

    Like

  9. Teresa says:

    Que lindos pratos, especialmente os ‘cogumelos’. Em Setembro passado a minha tia mostrou-me algo que preza muito e que achei um autêntico tesouro: O Pantagruel em fascículos. Como o livro na altura não era acessível a todas as bolsas, colecionavam os fascículos, que além da secção de culinária, traziam sempre uma coluna (algumas são de rebolar a rir) da Rosa Bertha Limpo, conselhos de costura e decoração, como fazer ginástica enquanto se faz a lida da casa….
    O da ‘Pantagruel’ da minha Tia foi uma empresa familiar. A minha Avó comprava em Faro e enviava para Aveiro. No final da coleção, a minha tia e o marido encadernaram o ‘livro’ em casa. O meu tio fez o indice na máquina de escrever, e a minha tia cortou coseu – e bordou – o tecido com que o meu Tio capeou o ‘livro’.
    Neste ‘Pantaguel’ vi muitas destas receitas. Mas assim a cores é ainda mais bonito.
    Ao pensar nas minhas festas do anos 70, vem-lo à ideia a gelatina ‘arco-iris’ que o meu Pai preparava sempre, onde alternava todos as cores de gelatina que havia na altura. E, claro, o salame de chocolate.
    Por fim despeço-me, renovando os Parabéns pelo blog.
    bjs
    teresa

    Like

  10. Maria Madalena Felicio Santos says:

    Quando ouvi nas noticias o sismo na Nova Zelândia lembrei-me logo da Constança e da sua família, espero que esteja tudo bem convosco.
    Beijinhos

    Like

  11. Teresa says:

    Constança,
    Não sabia onde mais enviar esta mensagem, mas espero que o terramoto, e muito menos o tsunami, os tenham atingido diretamente. Espero que estejam todos o melhor possível. Teresa

    Like

  12. Teresa Paiva says:

    Andei por aqui uns dias a pensar no que levaria para uma festa assim! Tanta coisa… mas talvez não pudessem faltar os ninhos de batata palha que fiz no verão mesmo por saudades (postei no instagram), um naco de fiambre assado com sumo de laranja e cravinho (não acho muita piada ao aroma do cravinho mas ficava lindíssimo), uma galantine de sobremesa (um doce com bolacha maria, laranja e frutas cristalizadas que a minha avó fazia imenso). As miniaturas não podiam falhar, doces ou salgadas… e o cone de doces também não! A minha avó montava um cone com rede, forrava a papel de alumínio e depois espetava lá as miniaturas de bolos, queques, pasteis de nata, suspiros (outro must!!), discos de ovo, eclairs…tudo em pequenino! No batizado do meu mais velho fiz um destes cones como centro para a mesa das crianças, mas enchi-o com guloseimas compradas, como gomas, caramelos de fruta, chocolatinhos…fica muito giro. Hei de procurar a foto para te mostrar. Tenho de te enviar uns números da revista Banquete, vais deliciar-te com as receitas!!
    P.S. – ao ler os comentários acima não pude deixar de sorrir e de me lembrar de umas coisasque o meu avô corrigia sempre…não é bavaroise no feminino, é bavarois no masculino! Do mesmo modo, não se deveria dizer pudim molotoff mas sim malakof. Em caso de dúvida, pode-se consultar : https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-origem-do-nome-pudim-molotov/22227 . 🙂

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s