Making the functional beautiful

using a vintage saucer as a soap dishfoolproof Portuguese Caramel Flan recipe by Constanca Cabral — in English and Portuguesequince paste (marmelada) by Constanca Cabral

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O que é que todas estas imagens têm em comum? Loiça antiga comprada em feiras da ladra e lojas de caridade!

Admito que não sou (e não me parece que alguma vez virei a ser) uma pessoa totalmente desapegada das coisas materiais. Não é que lhes confira um valor desmedido, ou que goste de acumular só por acumular… não é isso. É, sim, um desejo profundo de rodear-me de objectos que, para além de funcionais, sejam também esteticamente apelativos. Para mim, é importante que a minha casa reflita os meus gostos e as minhas vivências. Os objectos que povoam os nossos dias não são apenas coisas. Não são apenas cacos. Acompanham os nossos rituais diários, são companheiros de viagem. Como tal, merecem a nossa consideração.

Sou especialmente parcial a objectos antigos, porque tudo neles me encanta e me transporta: o toque, as cores, os padrões, a forma, as memórias, as histórias. De entre todas as velharias e antiguidades que ainda circulam por lojas e mercados de segunda mão, há três categorias a que não consigo resistir: livros, panos e loiças. Também gosto de móveis, mas convenhamos que não se compra mobília com a mesma ligeireza com que se compra um prato, um livro ou uma toalha… Os objectos antigos não são anónimos. Fazem parte de um ciclo: passado, presente, futuro. Hoje são nossos, mas já pertenceram a alguém e, futuramente (se não se estragarem entretanto), habitarão a vida de outra pessoa. Contam-nos histórias de quem os produziu e de quem os comprou. Através deles podemos vislumbrar os gostos de uma certa época, até as aspirações de um determinado povo.

Voltando à loiça antiga: nem toda ela tem de ser reverenciada e guardada em armários com portas de vidro. Estas peças que vou comprando foram concebidas como objectos de uso quotidiano, e é assim mesmo que as encaro. Tenho cuidado com elas, claro, e tento que os meus filhos aprendam a tratar destas coisas com delicadeza, mas prefiro pô-las a uso, mesmo correndo o risco de perder algumas, do que mantê-las guardadas e não tirar qualquer partido delas.

Beber um café num copo de plástico é o mesmo que bebê-lo numa chávena antiga de porcelana? A meu ver, não. Acho que o receptáculo que usamos tem o potencial de aumentar o diminuir o prazer que tiramos do acto de beber o tal café.

Sei que já escrevi isto vezes sem conta, mas acredito mesmo que, se nos rodearmos apenas de coisas que deleitem os nossos sentidos, o quotidiano torna-se muito mais agradável. Ao escolhermos cuidadosamente os nossos objectos domésticos, aquilo que era apenas mundano passa a ser personalizado e especial. Só vivemos uma vez, não é? Então todos os momentos são importantes! Aquele café matinal merece ser bebido numa chávena que nos encha completamente as medidas.

What do all these images have in common? Well, they all feature vintage crockery I’ve bought in flea markets and charity shops! 

I confess I’m not one of those people who are totally detached from their possessions. It’s not that I grant them enormous value or that I just like to accumulate things for the sake of it… not at all. I simple have a strong desire to surround myself with objects that, as well as functional, are aesthetically pleasing. As far as I’m concerned, it’s important that my home reflects my tastes and experiences. The objects that populate our days aren’t just “things”. They are present in our daily rituals, they are travel companions. Consequently, they deserve to be acknowledged and carefully chosen.

I’m especially partial to old objects — everything about them both captivates and transports me.  Amongst all the vintage and antique wares that are still circulating in markets and second-hand shops, there are three categories that I simply can’t resist: books, linens and crockery. I also like furniture, but you can’t buy a piece of furniture as lightheartedly as you’d pick up a book, a plate or a tablecloth. Old objects aren’t anonymous. They are part of a cycle: past, present, future. Today they may belong to you, but they’ve been owned by someone else and (provided that they don’t break down) they’ll most likely inhabit the life of someone else in the future. They tell us stories of who made them and who bought them. Through them we can glimpse at the tastes of a particular time and even at the aspirations of the people of a certain country.

Anyway, back to my lovely old crockery: not every piece of old china must to be revered and put away safely behind glass doors. These pieces I like to buy have been made for daily use and that’s exactly how I treat them. I try to be careful, of course, and I do my best to teach my children to treat these things delicately, but I’d rather put them to use — even with the risk of losing some — than tuck them away “for best”.

Is drinking coffee in a plastic cup the same as drinking it in an old china cup? I don’t think so. I believe that the vessel you use has the potential to either enhance or diminish the pleasure you take from that cup of coffee.

I know I’ve written this time and time again, but I feel strongly that if we only surround ourselves with things that delight our senses, our everyday life can be so much nicer. By choosing carefully the objects in your home, the things that used to be mundane can be transformed into something personalised and rather special. We only live once, right? Then every moment counts! That morning coffee deserves to be drunk from a cup that truly makes your heart sing.

21 thoughts on “Making the functional beautiful

  1. Ana Quinta says:

    Boa noite Constança!

    Sou seguidora há alguns anos, e apaixono-me pelo seu bom gosto, escrita, e pelo que vai partilhando connosco do seu dia a dia. Eu também partilho do mesmo gosto por peças antigas, com história mas com tanto para dar. O meu grande desgosto é que o meu marido (sempre demasiado opinativo, gostava que fosse daqueles homens para os quais nós temos todo o poder de decisão) considera todas essas relíquias cacos e coisas velhas que só vão dar trabalho e são pouco práticas! Como está enganado…. Por isso cá em casa temos que chegar a um equilíbrio (desequilíbrio a meu ver) em que tudo é igual, e a condizer, e muitas vezes vazio de conteúdo. Vou tendo algumas peças a meu jeito, mas tenho um problema: a arrumação! Uma vez que estou “proibida” de usar os armários do dia a dia para os meus “cacos”, fico com um problema prático… As peças não encaixam, ocupam muito espaço e acabo por usar muito pouco porque é sempre difícil arrumar o armário…. Pode partilhar connosco como arrumar toda essa loiça linda?

    Um beijinho e parabéns pelos filhos lindos!

    Ana Quinta

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    • Constança Cabral says:

      Olá Ana! Bem, o Tiago partilha do meu gosto por coisas antigas (se bem que não ache graça ao facto de nem tudo poder ser lavado na máquina… e silenciosamente vai deixando essas coisas por lavar no lava-loiças… género “tu é que gostas destas coisas pouco práticas, por isso lava-as tu à mão!” 😉).

      Eu arrumo tudo nos armários e gavetas do dia-a-dia. Será que a Ana não pode substituir certos objectos de uso corrente pelas suas peças antigas? Por exemplo, dentro dos frascos de farinha, açúcar e arroz pus chávenas antigas. Fazem as vezes de colher e de medida (aproximada) e assim posso usá-las com frequência. Os pratos (rasos e de sopa) têm imensas utilizações: podem ser pratos de bolo, pequenas taças de gelado, pratos de criança, travessas, até saboneteiras.

      Se não puder mesmo guardá-los nos armários cozinha, que tal pô-los à vista? Os pratos podem ser pendurados na parede (da cozinha, sala, até da casa-de-banho), as chávenas podem ser decorativas e até servir como uma pequena jarra de flores para a mesa-de-cabeceira ou cómoda do quarto.

      Boa sorte!

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      • Ana Quinta says:

        Pois, é o que vou fazendo quando posso…. Especialmente uso em ocasiões especiais, e sempre que quero embelezar algum pormenor…. Quanto aos frascos de cozinha, tinha uns frascos antigos lindos com o arroz, massa, etc. Quando mudámos de casa, o meu marido foi ao Ikea e comprou uns horríveis em plástico, e trocou tudo! Quando cheguei a casa, fiquei tão chateada! Mas decidi que é uma guerra que não vou comprar… Ele é demasiado interessado em tudo o que temos em casa, não temos é gostos semelhantes… 😦 Pratos nas paredes? Adorava! Mas nem me atrevo a pensar nisso porque quando chegasse a casa arriscava-me a ter uma parede branca cheia de buracos! Vou levando a água ao meu moinho como posso, e acredito que o tempo será meu aliado. Aos poucos vou conquistando o meu espaço! Obrigada pela sua partilha inspiradora!

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  2. Judy says:

    Constance,
    I just found your blog again, and I’m so glad you are back! I had been following you since you were in England, and I really missed you while you were gone. You are so talented and have so much to share with us. Welcome back, even though you’ve been back for a while. Judy

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    • Constança Cabral says:

      Thank you so much for your kind words, Judy, they really mean a lot to me! Taking a break was very necessary but I did miss this little blog of mine and the great people that take the time to read and leave comments. Thank you!

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  3. Patricia Brissos says:

    Querida Constança, escreveste tão bem o meu amor pelos objetos. No meu caso sou apaixonada por tudo o que faça a minha vida mais bonita, sejam objectos cheios de história ou peças mais contemporâneas que conferem ao espaço em que vivo uma mistura (a meu ver é claro) equilibrada entre o velho e o novo. Também acho bem melhor usar do que guardar mesmo que, ocasionalmente, uma se perca. A verdade é que guardar na estante não é viver estas peça, é um gozo só parcial e a vida há que ser saboreada. 😉 Adoro as tuas fotografias e as tuas peças que são escolhidas a dedo ❤️

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  4. Anabela Andrade Santos says:

    Bom dia Constança

    Ao olhar para o seu post parece que estou a ver a minha casa. Tenho paixão por loiças antigas, linhos, toalhas e lençóis. Tive a sorte de ir “herdando” algumas coisas da minha mãe (que ainda hoje vai guardando pequenos objectos que não quer só para eu ver), da minha avó, da sogra, da avó do meu marido e de tias afastadas. Ninguém dá ou deita fora, sem primeiro me mostrar.

    Felizmente, tanto o marido como a filha adoram estes objectos e os mesmos são usados regularmente. Adoramos ter uma mesa com uma toalha de linho e as loiças das nossas avós todas elas diferentes, mas cada uma com a sua história. Nem mesmo na hora de lavar a loiça à mão há problema, pois todos gostamos de tratar destas preciosidades com tanta história. A paixão é tal, que tivemos que fazer um móvel especificamente para estas loiças, pois não cabiam nos armários da casa.

    Aproveito ainda para lhe dar os parabéns pelo blog, que sigo há imenso tempo e que é uma verdadeira fonte de inspiração, assim como o livro que é uma maravilha.

    Anabela Andrade Santos

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    • Constança Cabral says:

      Olá Anabela! Que bom que todos aí em casa partilham deste gosto por coisas antigas e bonitas! E que sorte ter herdado tanta coisa: os objectos herdados são ainda mais especiais, porque contêm memórias que também são nossas e conhecemos as suas histórias. 😀

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  5. dora morgado says:

    Olá Constança. Gosto muito do blog pelos temas falados e também porque me permite ver um pouquinho de como se vive num país tão distante e acho que tão diferente do nosso. Concordo plenamente com o facto de nos rodearmos de coisas e materiais bonitos e usá-los. Vou começar a dar mais importância a isso, mas confesso que me faz um bocado de confusão comprar “tarecos” em segunda mão, já usados, às vezes vou à feira das velharias aqui da minha cidade e arredores mas ainda não consegui comprar nada, apesar de haver coisas que gosto muito. Acho que é educacional. Obrigada pela partilha!
    Dora

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    • Constança Cabral says:

      Olá Dora! Experimente dar-lhes uma oportunidade! Eu confesso que, se tiver de escolher entre novo e antigo, prefiro sempre antigo. Gosto de pensar que estou a prolongar a vida desse objecto, que estou a acolhê-lo em minha casa e a salvá-lo do lixo… Para além disso, normalmente as coisas antigas têm imensa qualidade!

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  6. Eliane Martins says:

    Penso como vc. É bom nos cercarmos de coisas bonitas que tem historia e podem ainda ser usadas e criar novas historias dentro da sua casa. Meu enxoval foi feito por longos 30 anos então tenho peças mega vintage. Adoro tomar chá numa xícara dourada que ganhei da sogra secar as mãos numa toalha que tem o crochê de minha avó e deitar na cama coberta com a colcha que minha mãe comprou a exatos 25 anos paga em longas prestações e que hoje não existe mais no comercio. E tenho o maior tesouro um marido que concorda comigo em todas as minhas loucuras dentro da cozinha rsrsrsrsr .Um beijo da Eliane.

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  7. Katie says:

    I completely agree. I love to drink my morning cup of tea in a pretty mugs I’ve collected, my favorite one being a handmade stoneware mug we bought from a bed and breakfast where we stayed for part of our honeymoon. When I drink from that mug, I can pretend I am back in the mountains. It’s like reading a book- it can transport me to another time and place. I have a set of mugs that match my everyday dishes, but I never use them. I should probably just donate them!

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  8. Silvia Orchidea says:

    C.
    Bolos, pães, chás e tortinhas agradecem quando são pousados em pratinhos e xícaras que enobrecem as suas gostosuras!
    Dão gritinhos de alegria, que, nós, pobres mortais, não escutamos!
    Então, vamos lhes proporcionar esse bem estar!
    Usem, sem parcimônia, todas as suas louças e tecidos antigos !!
    Brincadeira a parte, amo louças e tecidos.
    Não é ” luxo” usar no dia a dia um guardanapo ou toalha bordados que causou à bordadeira , tia mãe ou avó, o imenso prazer de ver uma obra terminada! É uma homenagem à essa mulher, do passado ou do presente, que dedicou preciosos minutos de sua vida a confeccionar uma pequena obra de amor…
    Que esses ” luxos” sempre nos acompanhem!
    Carinho pelo teu trabalho, abraços
    S.O.
    Rio

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  9. Teresa says:

    Este lindo (como habitual) deixou-me emocionada. As imagens são lindas e ilustram bem como objetos de outras eras ajudam a transformar os nossos dias. Assim as rotinas até sabem bem. Muito obrigada, Bjs. Teresa

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  10. Beth in Maryland says:

    My dear mother was a “save it for good” kind of person – she meant, save it for a special occasion, but “for good” often translated to “permanently”. Such as, baby dresses made for me 69 years ago that are still in the cedar chest and have never been on a baby! She taught me well and it’s a hard habit to break, but you are inspiring me to use some of my “saved for good” things this weekend. (not going to try to get into those dresses, though). I too am very glad you are back.

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  11. Tanja says:

    I can totally relate to what you wrote. I love using my vintage treasures and enjoy their timeless beauty.
    Btw, it’s great to have you back and blogging again! I think I never commented before although I’ve been following your blog since your Ikea-homestory…
    Greetings from Austria!

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