Por aqui :: Around here


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Por aqui estamos em pleno Inverno. Muito frio, muita chuva mas também muitos dias de sol (felizmente!). Tenho cosido bastante: uma boneca nova, máscaras, calças de pijama e camisolas para rapazinhos que estão sempre a crescer e até umas luvas feitas com feltro caseiro. Tenho variado as receitas de pão, tenho apreciado novamente os tricots feitos pelas avós (como eu gosto de coisas tricotadas à mão!) e tenho tido alguma sorte nas minhas incursões por mercados de velharias e lojas de caridade.

Continuamos a frequentar a biblioteca semanalmente (um dos pontos altos nas vidas dos meus filhos!) e tenho lido bastante. Neste momento estou a ler um livro que me está a marcar especialmente: Big Magic da Elizabeth Gilbert. É um daqueles títulos que está a ter um grande hype mas garanto-vos que vale mesmo a pena ser lido. Aliás, nunca li o famosíssimo Eat, Pray, Love e até estou a ficar com vontade de lhe dar uma oportunidade. Este Big Magic é encantador, muito positivo mas sem filosofias baratas. É sobre criatividade, percepções e medo. Peguei no livro porque gostei imenso do podcast que o acompanha: Magic Lessons. Já o ouviram?

E por falar em podcasts, descobri recentemente dois de que estou a gostar muito. O primeiro chama-se First Day Back e é sobre uma mãe cineasta que, após seis anos de licença de maternidade, resolve voltar a trabalhar. Esta temática interessa-me bastante e dá pano para mangas… muito sinceramente, acho que não há respostas certas nem erradas neste campo e que cada pessoa deve tentar fazer as suas escolhas de forma consciente. Mas também acho que as mulheres do século XX romperam com um paradigma milenar e não é em apenas duas gerações que a sociedade se consegue reajustar de forma equilibrada. Ou seja, ainda é muito difícil conciliar filhos e carreira. Vale a pena ouvir o podcast todo de seguida!

Outro podcast que descobri na semana passada foi o Slow Your Home. Uma das coisas boas que esta nossa vida na Nova Zelândia nos tem trazido é a calma no dia-a-dia. Nunca fui fã desta cultura actual de “busyness” (muitos programas, muitas compras, muito barulho, muito trabalho, muitos compromissos) e aqui parece que não tenho de me justificar quando faço escolhas menos frenéticas. Enfim, este é um tema que cada vez me interessa mais e vou continuar a ouvir, ler e pensar sobre o assunto.

Para vocês que estão a entrar no Verão, espreitem o Cose+, porque ao longo da próxima semana vamos ter imensas sugestões de costuras para dia quentes. Também tenho um separador aqui no blog dedicado exclusivamente ao Verão. E, se quiserem reciclar roupa para as vossas crianças, espreitem este post (calças de linho do avô transformadas em calções para o neto) e este post (fatos de banho do tio transformados em calções de praia para o sobrinho).

 

Around here we are in winter mode. Very cold, lots of rain but also plenty of sunny days (thank goodness!). I’ve been sewing a lot: a new doll, costumes, pyjamas and tops for two ever growing boys and even a pair of mittens out of homemade felt. I’ve been trying out new bread recipes, I’ve been appreciating again all the hand-knitted things made by both grannies (oh how I love hand-knits!) and I’ve been having some luck in my excursions to second hand markets and charity shops.

Every week we go to the library (it’s one of the highlights of my children’s lives!) and I’ve been reading a lot. Currently I’m enjoying Elizabeth Gilbert’s Big Magic. It’s one of those books that’s been hyped up a lot lately but I assure you it’s well worth a try. I’ve never read the uber famous Eat, Pray, Love and this book is actually making me want to give it a chance. Big Magic is charming, positive and devoid of cheap philosophy. It’s about creativity, perceptions and fear. I picked it up because I loved its accompanying podcast: Magic Lessons. Have you listened to it?

Speaking of podcasts, recently I’ve discovered two that I’m really enjoying. One is First Day Back, about a filmmaker who wants to get back to work after six years of maternity leave. This subject interests me and we could spend hours discussing it… honestly, I don’t think there are right or wrong answers – each person must try to make their own choices. But I also think that women in the 20th Ventura have broken a millennial paradigm and society can’t readjust itself in just two generations. In a nutshell, it’s still pretty hard to balance both children and career. This podcast is great for binge listening!

Another podcast I discovered last week is Slow Your Home. One of the good things this life of ours in New Zealand has afforded us is peace and quiet in our everyday. I’ve never been a fan of “busyness” (lots of engagements, lots of shopping, lots of noise, lots of work, lots of compromises) and here I feel that I don’t have to justify myself when I make less frantic choices. This is a theme that I find fascinating and I’ll go on listening, reading and thinking about it.

For those of you who are entering summer, make the most of it! If you want to dive into my archives, I’ve got a whole category dedicated to summer living and crafting right here.

13 thoughts on “Por aqui :: Around here

  1. Virgínia says:

    É tão estranho ver-vos tão agasalhados quando por aqui estamos cheios de calor 🙂
    Eu tentei ler o Eat, Pray, Love duas vezes mas não consegui. Se ainda o tiver vou dar-lhe uma nova oportunidade… mas fiquei com uma pobre impressão da autora. Vou procurar o novo livro e o podcast, o tema interessa-me muito!
    Sabe sempre bem saber que mesmo do outro lado do mundo há mulheres que pensam e vivem de uma forma bem parecida com a nossa. Um abraço!

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    • Constança Cabral says:

      Para te ser franca, Virgínia, eu também tinha uma fraca impressão da autora até ter começado a ouvir o podcast dela. Americanadas à parte (love yourself, give yourself permission to be imperfect… enfim), ela encara a criatividade de uma forma refrescante! Não te prometo que vás gostar do livro, mas eu estou a achar mesmo interessante.

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  2. Eunice Sousa says:

    Oh!! Gostei muito deste post Constança! Ainda por cima andava à procura de novos podcasts para ouvir. Ofereceram-me o Eat, Pray, Love quando saiu mas fiquei-me nos primeiros capítulos… talvez dê um oportunidade a esse porque o tema interessa-me. Acabei ontem “A queda de um Anjo” do nosso amado Camilo mas não adorei… se bem que tem um ponto de vista muito pertinente. Hoje no comboio comecei o Mistério da estrada de Sintra porque… bom, é Eça!! (ainda que com Ramalho H. à mistura) E, mesmo a propósito, sobre a tua forma de viver, sobre o movimento “slow” e a libertação do “busyness” vai bem “A Cidade e as Serras” que é, sinceramente, um dos livros mais bonitos que já li!

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    • Constança Cabral says:

      De uma fanática de Eça para outra, obrigada por me teres recordado esses títulos! Aqui não tenho nenhum livro dele (li os de casa dos meus pais) mas fiquei cheia de vontade de reler A Cidade e as Serras.

      Quanto ao Camilo, o meu avô era grande camiliano mas eu nunca me consegui encantar com os livros dele… Agora o Júlio Dinis… marcou os meus 12 anos!

      Ando com tanta sede de romances portugueses bucólicos… recomendas-me algum, Eunice?

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  3. Eunice Sousa says:

    Faço questão de te enviar os exemplares que quiseres, de verdade. Se depender de mim ninguém fica com sede de Eça 🙂 Ele é um mestre de coser palavras, tão bom que não se notam os remates. E tem um humor tão fino… A ilustre casa de Ramires, o Crime do Padre Amaro, o Primo Basílio são bons títulos também. Os Maias já li duas vezes e parece-me que não vou ficar por aqui… ai, agora vou ter de ler isto tudo!
    Do Camilo, desculpa o cliché, mas até agora o que mais gostei foi mesmo o Amor de Perdição. É um excelente romance! Acho que o facto de ser um tanto autobiográfico deixou a escrita mais genuína. É que a escrita do Camilo não é a minha favorita apesar de lhe reconhecer o génio…
    Engraçado, nunca li nadinha de Júlio Dinis. Ando a evitá-lo nem sei bem porquê. A minha mãe ficou traumatizada com Júlio Dinis quando teve de o ler na escola e nunca me motivou para o ler. Mas ando fisgada nas “Pupilas do Sr Reitor” e “Uma família inglesa” mas também nalguns romances do séc. XX que nunca cheguei a ler, como a “A Sibila” da Agustina.
    O que me preencheu a adolescência foi, sem dúvida, a Sophia, também por culpa da minha mãe. Estou com vontade de ler a Floresta novamente (sonhei, imaginei tanto com esse livro), e os contos exemplares. E os “Bichos” do Miguel Torga: O Nero e o Vicente são de derreter.
    Mas se quiseres ler algo diferente, li recentemente o “Leite derramado” de Chico Buarque e saí alegremente surpreendida (de uma fanática por bossa para outra ;).

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  4. Frasco de Memórias says:

    Que bom regresso, Constança!
    Só hoje andei a passear, com calma, pela “nova casa” 🙂
    Gosto muito!
    Em relação às leituras, também tinha algum preconceito, mas gostei de ler o “Eat. Pray, Love”; acho-o semelhante a um livro de viagens (eu pelo menos senti-me a viajar, de várias maneiras). E gostei da simplicidade e humildade da autora.
    É um livro que me fez reflectir.
    Em relação ao Eça, tenho pensado muito no Jacinto! É um livro que me faz muito mais sentido agora do que aos 18 anos!
    Um abraço,
    Ana

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  5. Ana says:

    Olá Concha, pessoalmente gosto muito da Liz Gilbert e dos livros dela (devorei o romance “the signature of all things”) e gosto muito da posição dela em relação à criatividade.

    Vou procurar os podcasts que mencionas, pois a temática (sobretudo do first day back) também está presente por estas bandas.

    E se me permites: uma amiga e eu lançamos um podcast sobre empreendedorismo no feminino, em português. Se te interessar, está em http://www.anitanotrabalho.com

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