Coisas Velhas :: Old Stuff

Porquê este meu amor pelas coisas antigas de uso quotidiano?

Porque têm história. A história da minha família ou a história de desconhecidos. E contam a história do momento em que as encontrei.
Porque carregam memórias. E sentimentos. 
Porque evocam outros tempos. Saudosismos primários à parte, houve coisas que se perderam com o passar dos anos e sabe bem reencontrarmo-nos com elas.
Porque (normalmente) têm qualidade. Foram feitas para durar. O uso amaciou-as. Tornou-as mais leves, com arestas menos aguçadas. 
Porque não são perfeitas. Têm rachas, riscos, nódoas, buracos, sujidade, ferrugem. Têm patine! E isso pode ser absolutamente encantador (abaixo o restauro demasiado meticuloso de objectos e edifícios!).
Porque são úteis. Mesmo que seja num contexto completamente diferente do original.
Porque puxam pela nossa criatividade. Lá está, o seu propósito original pode ser obsoleto nos dias que correm, mas há sempre maneira de pô-las a uso.
Porque encontrá-las é normalmente uma aventura. Numa feira, no lixo, numa loja de caridade, numa gaveta em casa da avó, numa caixa enviada pelo correio. 
Porque são únicas. Têm personalidade. Mesmo que tenham sido produzidas em massa na sua época, já passaram por muitas mãos, dispersaram-se pelo mundo, muitas perderam-se pelo caminho, outras sobreviveram. Aquelas que ainda existem são especiais.
Serão precisas mais razões para gostar de coisas antigas?
Why do I love old everyday things so much?

Because they tell a story. Either my family’s story or other people’s stories or even the story of how I came across that particular piece.

Because they carry memories. And feelings too.

Because they evoke the past. I’m not saying that everything was better in the olden days — far from it! — but some things got lost along the way and it feels good to recover them.

Because they (usually) have got quality. They’ve been made to last. And the fact that they’ve been well use has made them softer, rounder, lighter.

Because they’re not perfect. They’ve got cracks, holes, scratches, stains, dirt and rust. They’ve got patina! And that can be absolutely charming (I’m totally against over-restored objects, buildings and sites).

Because they can be useful. Even if it’s in an entirely different context from the original one.

Because they trigger your creativity. As I’ve just said, their original purpose may be obsolete by now but they normally can be put to use in other (creative) ways.

Because finding them is usually an adventure. You can spot them at fairs, charity shops, on the street, inside a drawer at your granny’s, you can even get it in a parcel!

Because they’re unique. Even if they were originally mass-produced, they’ve been through a lot — some got lost along the way, others have survived. Those that still exist are special.

Does one need any more reasons to love old stuff?

(photo: © Constança Cabral)

16 thoughts on “Coisas Velhas :: Old Stuff

  1. Ana says:

    Têm simplesmente um encanto especial, para mim que sou agarradinha às minhas coisas, vejo os tesouros que encontro, como adoptar um novo amigo, uma história de alguém que não conheço, é como ter visitas novas em casa todos os dias.
    É ser miúda pequena a olhar para aquilo e ter dois dedos de conversa a tentar reviver a história daquele objecto que agora partilha o meu dia-a-dia…
    Eu adoro, a minha casa, o meu blog é isso mesmo, o amor e satisfação que tenho por esses tesouros!
    Beijinho

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  2. Maria Emília Melo says:

    Essas “coisas”olham para nós de forma diferente.Ensinam,têm história,transmitem respeito e acima de tudo…tornam as nossas casas diferentes, personalizadas, o espelho do que somos e do que gostamos. Cansam as casas todas iguais, as louças todas iguais, as vidas todas iguais!Ao criarmos novas histórias para os objetos antigos também nos reinventamos e esse é,para mim, um dos maiores prazeres da vida!
    Beijinhos

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  3. Maria Emília Melo says:

    Essas “coisas”olham para nós de forma diferente.Ensinam,têm história,transmitem respeito e acima de tudo…tornam as nossas casas diferentes, personalizadas, o espelho do que somos e do que gostamos. Cansam as casas todas iguais, as louças todas iguais, as vidas todas iguais!Ao criarmos novas histórias para os objetos antigos também nos reinventamos e esse é,para mim, um dos maiores prazeres da vida!
    Beijinhos

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  4. koklikô says:

    Adoro ! Cada vez mais … e chega a ser doloroso pensar nas coisas que fizeram parte da minha infância e da história da minha família e que se perderam irremediavelmente.

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  5. sisforsewing says:

    Concordo em abosluto: por aqui também se vão construindo memórias para as gerações futuras e sabe tão bem ver que, desde cedo, eles valorizam esses pequenos gestos, objectos e rituais.
    PS. Adoro a foto com o Rodrigo. Que lindo crescer rodeado de memórias e inspirações tão maravilhosas.
    Beijinhos

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  6. Inês says:

    Adoro estar rodeada por objectos antigos. Tenho a sorte de o meu avô, de cada vez que vai à sua casa em Lisboa, me trazer pequenos tesouros. E estes então é que se tornam especiais, pois pertenceram à pessoa mais especial que alguma vez conheci!

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  7. Rosa Maria says:

    Ah, preciso deste endereço, Constança! Desde que vim morar aqui no fim-do-mundo, só visitei Op-Shops pequenas e muito simpáticas, mas nunca assim tão imenso! Vivo em Wellington e ainda não me aventurei pelos “Junk shops” (como os chama meu marido) de Manuatu. É quase uma mania, um vício! E acho que usarei este post para explicar aos céticos o porquê das horas passadas nestes locais à procura de tesouros…

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  8. Marta says:

    Encontrei no domingo um cadeirão de orelhas no lixo. O forro estava em muito mau estado mas a estrutura ainda parecia boa. Para grande espanto do meu marido, que já devia mas é estar habituado a estas coisas, meti-o no carro. Não preciso propriamente de um novo cadeirão mas é tão dificil resistir a um bom (e velho) achado!

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  9. Sandra Almeida says:

    Concordo tanto consigo Constança! E esta sua visão começa a ser cada vez mais partilhada por centenas de pessoas que durante anos se esqueceram das coisas antigas e deitaram fora tudo o que era “velho” para comprar aquilo de que todos falavam, que todos tinham que ter e que estava na moda. Todos os momentos de crise têm o seu lado positivo e é tão bom ver o “regresso” ao passado… o reinventar com a agulhas de tricot, de croché ou com a máquina de costura que ficou esquecida no sotão durante tanto tempo. A maior parte das pessoas da minha geração (a mesma que a sua) deixou de lado todos os ensinamentos das avós e das mães, toda aquela ligação com o que era feito à mão, carregado de carinho em cada ponto, em cada linha!…
    Mas esta “crise” está a fazer florescer um novo movimento do “feito à mão” (isso é bem notório aqui em Portugal!)… e, pela minha parte, tenho muito que lhe agradecer a si porque nunca deixou que estas recordações se apagassem e porque me ajuda a conseguir aproveitar melhor o que já tenho para tornar a nossa vida melhor todos os dias! Obrigada 🙂

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