Geleia de Camarinhas :: Corema Album Jelly

Quem já provou camarinhas ponha o dedo no ar! No pinhal de Leiria há zonas com imensos arbustos carregados destas bagas brancas e o meu pai falou-me em ter provado geleia de camarinhas quando era pequeno. Fui pesquisar receitas, tirei ideias dumas e doutras e fiz a geleia assim:
tantas bagas quantas conseguir apanhar
açúcar 
sumo de meio limão
Antes de mais, ponha um pequeno prato no congelador.
Comece por lavar muito bem as camarinhas. Ponha-as dentro duma panela, cubra-as com água e coza-as até que comecem a rebentar. Vá esmagando com um daqueles instrumentos para fazer puré de batata.
Passado um quarto de hora, forre um passador com pano cru (previamente fervido) – ou use um saco especial para coar geleias, ou um filtro de café em flanela. Deite lá para dentro o conteúdo da panela e pendure as pontas do pano num estendal interior, por exemplo. Por baixo coloque uma tijela grande. Espere umas horas.
Quando o líquido estiver todo coado, pese-o. Ponha-o noutra panela, acrescente açúcar (cerca de 2/3 do peso do sumo de camarinha) e sumo de limão. Em lume baixo, deixe dissolver completamente o açúcar (caso contrário, a geleia ficará cristalizada). Mal o açúcar tenha derretido totalmente, ponha o lume no máximo e deixe a mistura ferver. Passados 10 minutos, tire a panela do lume e deite um pouco de líquido no prato que estava no congelador. Volte a pô-lo no congelador e espere 1 minuto. Tire o prato para fora e empurre o líquido com o dedo. Se a superfície enrugar, a mistura já gelificou. Se continuar líquida, volte a pôr a panela ao lume e deixe ferver mais 5 minutos, e volte a fazer o teste do prato. Vá testando de 5 em 5 minutos até a mistura atingir o ponto certo.
Quando achar que a geleia está pronta, desligue o lume e deixe-a descansar 10 minutos. Depois deite-a em frascos esterilizados e muito quentes, e tape-os imediatamente. Certifique-se de que ficaram bem fechados e ferva-os (completamente imersos em água) durante 10 minutos. Deixe-os arrefecer em cima dum pano durante várias horas. 
Coma a geleia com torradas ou carne assada.
There’s a special costal species growing on the dunes and pine forests of the Iberian Peninsula western coast: an evergreen shrub full of white, edible berries called corema album (I can’t find the English common name… is it crawberry?). My father told me that he first tasted the jelly made with these berries when he was a teenager and he was surprised to find that although the berries were white (they look just like pearls), the jelly was pink. I did a quick search online and came up with a recipe for this jelly, which I made today. It can be eaten on toast or to accompany meat dishes. 
(images: Constança Cabral)

20 thoughts on “Geleia de Camarinhas :: Corema Album Jelly

  1. Juanna says:

    Camarinhas 🙂 Apanhava mãos cheiras a chegar a S. Pedro e comia quase sem lavar! Mesmo com nevoeiro, com frio de manhã, com a bandeira vermelha… não há melhores pipocas no mundo do que as da praça, não há melhor parque de campismo do que o Orbitur e não há melhor piscina do que as de lá 🙂 Grandes recordações, sempre 🙂

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  2. margarida says:

    Eu já!
    Quando cá me perguntam que berries é que temos falo sempre das amoras e das camarinhas! Há muitos portugueses que também não conhecem, vou sempre ao google mostrar umas imagens 🙂

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  3. Elisabete says:

    Em Aveiro, na mata de São Jacinto, também há. Confesso que há muitos anos que não “adentro” na mata, mas é muito engraçado, apesar de estarem a desaparecer, são únicas. E é verdade “prái” 50% dos portugueses não conhece este fruto (a 1ª vez que falei deste fruto ao meu marido ele pensou que era uma especíe de gambuzinos 😀 ;D).
    bjs

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  4. Tânia Alexandre says:

    Conchita, não perdes mesmo tempo! E acredito que para ti não tenha sido um trabalhão pois quando se faz com aquela vontade epidermica, nem se sente, não é?

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  5. Silk says:

    Curioso, eu também não conhecia camarinhas até uma escapadinha que fiz há 2 anos a Coimbra e as vi à venda numa florista! Tirei um foto só para gozar com os amigos, dizer que já havia Zézé Camarinha em flor… tipicamente português 😉 LOL!
    Mas desconhecia como fruto.
    Vou estar atenta!

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  6. Paula Tadeu says:

    A geleia tem um aspecto lindo.
    Nunca tinha ouvido falar em camarinhas, mesmo que qs visse na certa não as comeria porque em pequena comi umas bagas vermelhas e foi um desastre.
    Fico a saber e seráum passeio a dar.
    Já agora não há nenhum arbusto parecido que eu possa confundir ?
    Obrigada

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  7. Raquel Úria says:

    Este ano pareceu-me haver menos camarinhas. Pode ser cíclico, espero que seja. Maravilhoso o aspecto da geleia, mas parece dar imenso trabalho. A minha sogra também faz, vou comparar receitas. 🙂 Que força de vontade, parabéns!

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  8. Joana says:

    Ai, ai, a prova do crime! As camarinhas estão em perigo e não devem ser apanhadas. Não que eu não coma uma ou outra de vez em quando, mas daí a fazer geleia…
    🙂

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  9. Sandra de Sá says:

    🙂 Agora tive um retorno à minha infância. Costumávamos fazer muitos piqueniques em família no pinhal e a meio da tarde íamos sempre apanhar pinhas e camarinhas. Não sabia que era possível fazer geleia. Tenho de experimentar, fiquei curiosa relativamente ao sabor da dita geleia.

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  10. Carla says:

    Isto sabe-me a casa. As camarinhas no meu Pinhal de Leiria, da minha praia de São Pedro.
    Sim, Juanna, não há melhores pipocas 🙂

    Daqui a umas horas já lá estarei para mais um fim-de-semana em família.

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